
A agenda cultural deste domingo reúne a reta decisiva da novela das nove, a volta da Feira do Livro de Canoas ao centro da cidade e os finalistas do Prêmio Jabuti. Há ainda uma estudante de 10 anos que lançou o primeiro livro em Salvador e um festival italiano que começa amanhã em Curitiba.
Semana de Quem Ama Cuida terá auditoria, confissão de desvio e absolvição de Adriana
A novela das nove da TV Globo entra numa semana em que dois documentos mudam o rumo da história. Entre segunda-feira (19) e sábado (24), Adriana, personagem de Letícia Colin, levará Heitor, vivido por Renato Góes, à reunião da família Brandão e lerá o resultado da auditoria na joalheria, que aponta fraude na gestão de Ingrid, papel de Agatha Moreira, e de Ulisses, interpretado por Alexandre Borges. Ela encerrará o encontro prometendo descobrir quem desviou o dinheiro, mas a resposta chegará primeiro a Lyris, vivida por Pri Helena, a quem Ulisses confessará a autoria do desfalque. Na mesma semana, César, personagem de Rainer Cadete, achará o laudo do processo do próprio pai e descobrirá que ele era inocente. Heitor, por sua vez, visitará o túmulo de Arthur, personagem de Antonio Fagundes, e anunciará à família que vai investigar quem matou o pai, notícia que deixa Pilar, vivida por Isabel Teixeira, em pânico.
O ponto alto da semana é a vitória de Adriana nos tribunais. Pedro, personagem de Chay Suede, obterá o voto unânime dos desembargadores a favor da revisão criminal, e a protagonista será absolvida, o que levará a família a comemorar e Pilar a ficar furiosa ao saber da decisão. Em seguida, Adriana avisará à rival que ela terá de deixar o apartamento de Arthur, lembrará que já não cumpre liberdade condicional, e a discussão terminará com um tapa no rosto de Pilar. Paralelamente, Ulisses comunicará a Fábia que pedirá o divórcio litigioso, Ademir dirá a ela que já sabia de seu caso com Arthur, e Mau Mau admitirá a Adriana que precisará contar a Felipe que é seu irmão. A novela não irá ao ar na sexta-feira (23) por causa do debate entre os candidatos à Presidência da República no segundo turno, e volta no sábado (24) com o capítulo 136.
Quem Ama Cuida estreou em 18 de maio de 2026 no lugar de Três Graças e é a 26.ª novela exibida pela emissora na faixa das nove. A trama, criada por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, começa em 2019 e acompanha Adriana, uma fisioterapeuta que perde o emprego e vê uma enchente destruir sua casa e matar o marido, Carlos. Responsável pelo sustento da mãe, do avô e do irmão, ela recomeça do zero e passa a trabalhar na mansão de Arthur Brandão, um empresário do ramo de joias viúvo, duro e desconfiado, que perdeu o contato com o único filho, Heitor. Ao redor de Arthur gravita uma família movida por interesses, com a irmã ressentida Pilar, os filhos dela, Brigitte, Rafael e Ingrid, e o irmão Ulisses, que vive à custa da fortuna do empresário. Pelo caminho, Adriana conhece o advogado idealista Pedro, com quem desenvolve uma ligação que atravessa a história. O elenco principal inclui ainda Tony Ramos, Mariana Ximenes, Nathalia Dill e Dan Stulbach.
Feira do Livro de Canoas volta à Praça da Bandeira e estreia edição internacional lusófona
A 41ª Feira do Livro de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foi aberta na manhã de sábado (17) e segue até o dia 24 de outubro. Organizado pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, o evento voltou à Praça da Bandeira, no Centro, perto da estação da Trensurb, o que facilita a chegada de visitantes de outras cidades da região, e a prefeitura espera que ele dobre de tamanho nesta edição. São oito dias com 21 bancas de livreiros, sessões de autógrafos, contação de histórias, teatro e palestras. A novidade é a realização simultânea da 1ª Feira Internacional Lusófona do Livro, com autores e artistas de Moçambique, Cabo Verde, Angola e Portugal, entre eles o escritor cabo-verdiano Ailton Moreira, o moçambicano Ângelo Mucuho e o artista angolano Isidro Sanene. O secretário Caio Flávio disse que a ideia é caminhar para uma feira internacional de literatura e que, depois da lusofonia, a próxima edição pode ter como foco a língua espanhola.
O patrono desta edição é o músico e escritor Vitor Ramil, que participou da cerimônia oficial de abertura, no sábado à noite, no Sesc. Ele lembrou que comprou alguns de seus primeiros livros importantes na feira de Pelotas, disse que hoje se dedica mais aos livros do que à música e anunciou para o ano que vem uma nova obra, A Estética do Frio. O autor homenageado é Mário Quintana, que completaria 120 anos, e totens com QR Code espalhados pela cidade darão acesso a vídeos e áudios de moradores recitando seus poemas. São Leopoldo é a cidade convidada, e a feira lança dois livros preparados para a ocasião: uma coletânea com 42 escritores locais e uma obra escrita em português e em uma das línguas faladas em Moçambique. A programação inclui encontro com Martha Medeiros na quarta-feira (21), atividades de K-pop e concurso de cosplay no encerramento, no sábado (24), além de mesas sobre literatura de língua portuguesa.
Mário Quintana nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul, em 1906, e morreu em Porto Alegre em 1994. É considerado um dos principais nomes da segunda geração do modernismo brasileiro e ficou conhecido como o poeta das coisas simples, por uma obra de linguagem direta, marcada pela ironia e por temas do cotidiano. Mudou-se para a capital gaúcha em 1919 para estudar no Colégio Militar, onde publicou seus primeiros textos, e trabalhou como jornalista durante quase toda a vida, inclusive como colunista de cultura. Também foi tradutor de mais de 130 obras da literatura universal, entre elas romances de Marcel Proust e Virginia Woolf. Seu primeiro livro de poemas, A Rua dos Cataventos, saiu em 1940 e abriu uma carreira que incluiu também a literatura infantil. Em 1980, recebeu da Academia Brasileira de Letras o prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra. Solteiro e sem filhos, morou durante anos em hotéis do centro histórico de Porto Alegre, entre eles o Majestic.
Prêmio Jabuti divulga finalistas, e romance gaúcho Água turva disputa categoria internacional
Já são conhecidos os finalistas do Prêmio Jabuti, que chega à 68ª edição e teve 4.675 obras e projetos inscritos neste ano. A cerimônia de entrega será em 27 de outubro, na Sala São Paulo, com transmissão ao vivo pela internet, e vai premiar 23 categorias, além do Livro do Ano. Entre os destaques está Água turva, da escritora gaúcha Morgana Kretzmann, finalista na categoria Livro Brasileiro Publicado no Exterior. O romance se passa no Parque Estadual do Turvo, em Derrubadas, na fronteira com a Argentina, onde fica o Salto do Yucumã, e acompanha três mulheres em meio à caça predatória, ao tráfico e à ameaça de uma hidrelétrica. Natural de Tenente Portela, a autora venceu em 2021 o Prêmio São Paulo de Literatura de romance de estreia com Ao pó. Água turva já saiu na Alemanha, na França, na Argentina, no Uruguai e em países de língua inglesa, e deve ser lançado no ano que vem na Itália e em países de língua árabe.
Na categoria Romance Literário, concorrem Itamar Vieira Junior, com Coração sem medo, Milton Hatoum, com Dança de enganos, Eliana Alves Cruz, com Meridiana, Aline Bei, com Uma delicada coleção de ausências, e Evandro Affonso Ferreira, com Vez em quando, Billie Holiday. Entre os finalistas de poesia aparece Adélia Prado, com O jardim das oliveiras, e, em biografia e reportagem, Ruy Castro, com um livro sobre a Segunda Guerra Mundial no Rio. A edição tem uma categoria nova, voltada a criadores de conteúdo digital que estimulam a leitura, cujos cinco selecionados saíram de votação popular encerrada em 9 de outubro. Também passa a valer a regra que permite a obras inscritas nas categorias de escritor estreante disputar o Livro do Ano. O vencedor do título principal recebe R$ 70 mil e terá viagem custeada a uma grande feira internacional do livro, e os vencedores das demais categorias levam estatueta e R$ 5 mil. A presidente da entidade, Sevani Matos, disse que os finalistas mostram a diversidade da produção editorial do país.
O Prêmio Jabuti é o mais tradicional prêmio literário do Brasil. Foi criado em 1959 por iniciativa de Edgard Cavalheiro, que então presidia a Câmara Brasileira do Livro, com a proposta de reconhecer autores, editores, ilustradores, gráficos e livreiros que se destacassem a cada ano. Na primeira edição havia apenas sete categorias, como Literatura, Capa, Ilustração e Livreiro do Ano, e com o tempo foram incorporadas outras ligadas a todas as etapas de produção de um livro, como Projeto Gráfico e Tradução, além de gêneros como romance, conto, crônica, poesia, literatura infantil e juvenil, biografia e reportagem. Em 1991 surgiu o Livro do Ano de Ficção e, dois anos depois, o de Não Ficção. Em 2017 foram criadas as categorias de histórias em quadrinhos e de livro brasileiro publicado no exterior. Uma reforma em 2018 reduziu o número de categorias e as dividiu em quatro eixos, e o Livro do Ano passou a premiar uma única obra, de ficção ou não ficção.
Menina de 10 anos escreve, ilustra e lança livro na creche onde estudou em Salvador
A estudante Marina Azeredo, de 10 anos, lançou na tarde de sexta-feira (16) seu primeiro livro, A Princesa da Fazenda, no Centro Municipal de Educação Infantil Pirajá, em Salvador. Hoje aluna da Escola Municipal Adilson de Souza Gallo, que fica ao lado, ela escolheu fazer o lançamento na unidade que frequentou desde o primeiro ano de vida. Marina criou toda a história e também desenhou todas as páginas, com a protagonista e os cenários. Segundo a mãe, Cinthia Azeredo, de 28 anos, a filha terminou o texto em uma semana e entregou o material quase pronto, cabendo à família apenas ajustar alguns trechos, digitalizar as ilustrações e cuidar da impressão. A menina contou que já tinha escrito outros livros, mas que este foi o primeiro a ser publicado. O pai, Maurício Esteves, de 33 anos, comemorou a conquista e defendeu que o hábito da leitura seja incentivado nas periferias da cidade.
O livro conta a história de uma jovem fazendeira que recebe a visita de um mensageiro e ganha dele um mapa com o caminho para uma fazenda mágica e cheia de segredos. Para os desenhos, Marina se inspirou em filmes de animação, como Barbie e o Castelo de Diamante, e diz que sua ilustração preferida é a de um castelo. Ela, porém, deixou de lado o tom cor-de-rosa da personagem do cinema e vestiu a princesa de azul, sua cor favorita. A ex-professora Silvana Santos, que acompanhou a aluna desde pequena, lembrou que o gosto por histórias e desenhos e as habilidades acima da média para a idade já apareciam nos primeiros anos na escola. A diretora da unidade, Patrícia Albuquerque, disse que a conquista reflete o trabalho feito ali para estimular a leitura, com teatro, fantoches de dedo, bandas de música, rodas de conversa e projetos sobre diversidade, e falou da satisfação de ver uma ex-aluna publicar um livro tão cedo.
A literatura infantojuvenil é o ramo da literatura dedicado a crianças e adolescentes e reúne histórias de ficção, poemas, biografias, obras folclóricas e livros que explicam fatos do mundo real. O conteúdo varia conforme a idade do leitor: obras para crianças de dois a quatro anos costumam ter poucas palavras e muitas cores e imagens, enquanto os livros para leitores mais velhos trazem textos mais longos e menos ilustrações. A literatura infantil propriamente dita se destina, em geral, a crianças de dois a onze anos e precisa ser de fácil compreensão e capaz de despertar o interesse de quem lê, sozinho ou com ajuda de um adulto. Os primeiros livros feitos especialmente para crianças surgiram no fim do século XVII, escritos por professores e pedagogos que buscavam transmitir valores e criar hábitos. Hoje, esse tipo de obra também serve para oferecer novas visões da realidade, diversão e lazer, além de aproximar as crianças dos livros desde cedo.
Festival Mia Cara leva música, cinema e gastronomia italianos a Curitiba com homenagem a São Francisco
Curitiba recebe a partir desta segunda-feira (19) e até 22 de novembro a 11ª edição do Festival Mia Cara, dedicado à cultura italiana no Paraná. Promovido pelo Consulado Geral da Itália na capital paranaense, o evento reúne música lírica e popular, cinema, teatro, literatura, moda, gastronomia e tradições populares, e neste ano presta homenagem a São Francisco de Assis, no ano em que se completam 800 anos de sua morte. A programação começa na semana que celebra o idioma italiano pelo mundo, que vai até o dia 25, com uma série de quatro episódios em vídeo sobre mitos e ideias greco-romanas que atravessaram os séculos, com participação de uma pesquisadora de literatura italiana e de um multiartista dedicado à poesia épica. No dia 27, o cantor Matteo Bocelli, filho do tenor Andrea Bocelli, apresenta no Teatro Positivo o show de sua turnê mundial Falling in Love, com apoio institucional do festival.
Nos dias 7 e 8 de novembro, as Ruínas de São Francisco recebem, com entrada gratuita, o concerto Le Donne nell’Opera, dedicado às grandes personagens femininas da ópera, com quatro sopranos, piano e uma orquestra formada por dez musicistas, sob regência do maestro Alessandro Sangiorgi. O mesmo espaço exibe de 30 de outubro a 1º de novembro, ao ar livre, três clássicos de faroeste de Sergio Leone, entre eles Por um Punhado de Dólares, e a Cinemateca de Curitiba apresenta de 3 a 8 de novembro uma mostra de terror gótico italiano. No Palácio Garibaldi, uma feira de gastronomia, artesanato e folclore ocupa os dias 7 e 8 de novembro. O encerramento, em 21 e 22 de novembro, é a peça Tudo Acaba, Nada Tem Fim, um monólogo em forma de entrevista imaginária sobre o universo de Federico Fellini, no Teatro José Maria Santos. O festival é financiado por meio de leis de incentivo estadual e federal e tem patrocínio de empresas paranaenses.
Francisco de Assis, batizado como Giovanni di Pietro di Bernardone, nasceu em Assis, na atual Itália, por volta de 1181 ou 1182, e morreu em 3 de outubro de 1226. Depois de uma juventude mundana, adotou uma vida religiosa de pobreza completa e fundou a ordem dos Frades Menores, conhecidos como franciscanos, que renovou o catolicismo de seu tempo. Em vez de se fixar em mosteiros, como era comum entre os religiosos da época, praticava a pregação itinerante e defendia que o Evangelho fosse seguido à risca, à imitação da vida de Cristo. Dedicou-se aos mais pobres e tratava todas as criaturas como irmãos, numa visão positiva da natureza e do ser humano que, para alguns estudiosos, influenciou a formação do pensamento renascentista. Foi canonizado em 1228, menos de dois anos após a morte, e por seu apreço à natureza tornou-se uma das figuras religiosas mais conhecidas do mundo. Sua vida foi reconstituída a partir de biografias escritas pouco depois de sua morte.