
O resumo de cultura traz a morte do escritor japonês Ryu Murakami, a mudança na grade da TV Globo por causa do debate presidencial, o convite ao jogador Gustavo Scarpa para o Prêmio Jabuti, a queixa do ator João Velho contra um perfil que exaltou o condenado pela morte do irmão e o relato da atriz Ângela Leal.
Morre aos 74 anos o escritor japonês Ryu Murakami, autor de Azul Quase Transparente
Ryu Murakami, um dos nomes mais conhecidos da literatura japonesa contemporânea, morreu em casa no dia 17 de outubro, aos 74 anos, informou nesta sexta-feira (23) a editora Gentosha, que publica suas obras. A despedida foi reservada à família, e a causa da morte não foi divulgada. Em nota, a editora chamou o autor de pioneiro por lançar obras inovadoras para o público jovem e disse que ele viveu em ritmo alucinante. Murakami ficou conhecido por histórias sobre violência, drogas, sexo e alienação.
Nascido em 1952 em Sasebo, na província de Nagasaki, ele estreou em 1976 com Azul Quase Transparente, romance sobre jovens que vivem perto de uma base militar americana, premiado com o Akutagawa. Publicou mais de 40 romances e coletâneas de contos, entre eles Audição, levado ao cinema por Takashi Miike em 1999, e Miso Soup. Também dirigiu cinco longas-metragens e apresentou por cerca de duas décadas um programa de entrevistas com empresários na televisão japonesa.
No Brasil, Azul Quase Transparente saiu na década de 1980 e ganhou nova edição em 2023, e Miso Soup chegou às livrarias em 2005. Murakami cresceu na cidade natal e, depois do ensino médio, mudou-se para Fussa, perto de Tóquio, onde havia uma base americana. Escreveu o primeiro romance ainda universitário, aos 24 anos. Antes de se firmar na literatura, tocou bateria em uma banda de rock e fez filmes independentes. Não tinha parentesco com o também escritor Haruki Murakami.
Debate presidencial tira Quem Ama Cuida da grade da Globo na sexta-feira
A TV Globo não exibiu nesta sexta-feira (23) a novela Quem Ama Cuida nem o Globo Repórter para transmitir, a partir das 21h30, o último debate entre Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL, antes do segundo turno de domingo (25). A transmissão, comandada por César Tralli, foi dividida em quatro blocos, três com temas definidos e um com perguntas livres, e tinha duração prevista de cerca de duas horas.
Depois do debate, a emissora exibiu o Jornal da Globo e a série This Is Us. A novela volta neste sábado (24) com um capítulo decisivo: a protagonista Adriana, vivida por Letícia Colin, é absolvida da acusação de matar Arthur após a revisão criminal conduzida por Pedro, papel de Chay Suede. A decisão enfurece Pilar, interpretada por Isabel Teixeira, que fica sabendo do resultado por Diná. No fim do capítulo, as duas rivais se enfrentam no apartamento de Arthur.
Criada pela dupla Walcyr Carrasco e Claudia Souto e dirigida artisticamente por Amora Mautner, Quem Ama Cuida estreou em 18 de maio de 2026 e é a 26.ª novela das nove da emissora, no lugar de Três Graças. A trama, ambientada em São Paulo, acompanha uma fisioterapeuta que perde a casa e o marido em uma enchente e precisa recomeçar do zero para sustentar a família. A sucessora prevista para janeiro de 2027 é Avenida Brasil 2.
Gustavo Scarpa, do Atlético, é convidado a entregar prêmio no Jabuti
O meia Gustavo Scarpa, do Atlético Mineiro, foi convidado pela Câmara Brasileira do Livro a subir ao palco do Prêmio Jabuti para entregar uma das estatuetas; a festa ocorre em São Paulo em 27 de outubro. O jogador anunciou o convite em vídeo nas redes sociais, e a entidade confirmou. Scarpa contou que publica resenhas de livros desde 2018, mas que os vídeos, gravados há pouco tempo, tiveram uma repercussão muito maior do que ele esperava.
Uma de suas resenhas em vídeo, sobre A Morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói, viralizou e levou o livro à lista dos mais vendidos de uma grande loja virtual no país. O sucesso inspirou a Galeitura, clube do livro criado por uma torcedora atleticana que reúne mais de 120 mil seguidores. O convite coincide com a nova categoria Incentivo à Leitura na Cultura Digital, que a partir deste ano premia criadores de conteúdo dedicados aos livros e à leitura.
A 68ª edição do Jabuti distribui 23 categorias entre quatro eixos, que vão da literatura à produção editorial e às obras brasileiras lançadas fora do país, e cada vencedor recebe estatueta e R$ 5 mil. Criado em 1959 pela Câmara Brasileira do Livro, por iniciativa de Edgard Cavalheiro, o Jabuti é considerado o mais tradicional prêmio literário do Brasil. Natural de Campinas, Scarpa se formou nas categorias de base do Fluminense e passou pelo Palmeiras antes de chegar ao clube mineiro.
Filho de Cissa Guimarães aciona polícia contra perfil que exaltou condenado pela morte do irmão
O ator João Velho, filho da apresentadora Cissa Guimarães, registrou boletim de ocorrência e apresentou notícia-crime à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática contra uma conta do Instagram que fez elogios a Rafael de Souza Bussamra, o motorista condenado por matar seu irmão, Rafael Mascarenhas, em 2010. Em comentário numa publicação sobre um trabalho do ator, o perfil sugeriu que Bussamra atropelasse a esquerda na próxima eleição. O texto foi apagado depois da repercussão.
Em vídeo divulgado nesta sexta-feira (23), João pediu ajuda para identificar o autor, apontado como Giovanni Cavalcanti de Albuquerque, e disse que o homem tentou feri-lo na perda do irmão por divergência política. O caso foi registrado como ameaça e apologia de crime. Os advogados pedem a abertura de inquérito e que a Meta entregue dados do perfil. O advogado Ricardo Brajterman afirmou que a liberdade de expressão não é absoluta e que nenhuma rivalidade justifica ameaças.
Rafael Mascarenhas tinha 18 anos quando foi atingido por um carro em 20 de julho de 2010, enquanto andava de skate no Túnel Acústico, na Gávea, então fechado ao tráfego para manutenção. Bussamra foi condenado a três anos e seis meses de detenção por homicídio culposo e se entregou em setembro de 2023 para cumprir a pena no regime semiaberto. Cissa Guimarães, que apresentou por anos o Vídeo Show, comanda atualmente o programa Sem Censura, na televisão pública.
Ângela Leal adia cirurgia para votar no segundo turno
Aos 79 anos, a atriz Ângela Leal revelou ter remarcado uma operação de grande porte para poder votar no segundo turno da eleição presidencial, neste domingo (25). O relato foi feito na quinta-feira (22), em uma live do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lado do deputado André Janones. Sem detalhar o procedimento, a atriz disse que fazia questão de comparecer às urnas, “nem que seja a última vez”. A filha, a também atriz Leandra Leal, estava ao seu lado.
Segundo Ângela, a operação será feita na última semana de outubro, e ela não aceitou antecipá-la porque queria participar da votação. A atriz afirmou que lutou pelo Rio de Janeiro, pelo teatro e pela cultura e pediu que eleitores mais velhos, mesmo sem a obrigação de votar, compareçam às seções. Ela completa 80 anos em dezembro. O relato emocionou Lula durante a transmissão, que fazia parte da mobilização digital da campanha do presidente nas redes.
Nascida no Rio de Janeiro em 8 de dezembro de 1947, Ângela Leal começou no teatro e se consolidou na televisão e no cinema, com trabalhos em novelas como Gabriela, Pantanal e Dona Xepa. Filha do produtor teatral Américo Leal, ela administra o Teatro Rival, comprado pelo pai em 1966, e foi secretária de Cultura do estado do Rio de Janeiro. Formou-se em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro antes de se dedicar à carreira artística.