
A seleção feminina sub-17 estreia hoje no Mundial do Marrocos, e o São Paulo se afastou da zona de rebaixamento do Brasileirão. O Cruzeiro venceu na altitude de Quito pela Libertadores Feminina, o Fortaleza ganhou fora de casa na Série B e três brasileiros entraram para o Hall da Fama do vôlei.
Seleção feminina sub-17 estreia no Mundial contra o Canadá em busca de final inédita
O Brasil faz neste domingo (18) sua primeira partida no Mundial feminino sub-17, às 11h, horário de Brasília, contra o Canadá, em Rabat, no Marrocos, pelo Grupo C. Gana e Noruega completam a chave e se enfrentam mais tarde, às 14h. O Brasil volta a campo na quarta-feira (21), às 14h, contra Gana, e encerra a primeira fase no sábado (24), às 11h, diante da Noruega. Avançam às oitavas de final os dois primeiros de cada grupo e as quatro melhores terceiras colocadas. A equipe, comandada pela técnica Rilany Silva, chega ao torneio como hexacampeã sul-americana: em maio, ficou com o título continental sem perder, somando cinco triunfos e uma igualdade em seis partidas, com 21 gols a favor e só seis contra, e venceu a Argentina por 3 a 2 na decisão. A preparação para o Mundial começou em 22 de setembro, na Granja Comary, em Teresópolis, no Rio de Janeiro.
A lista final tem 21 jogadoras, com forte presença de clubes paulistas, como Ferroviária, São Paulo e Corinthians, além de atletas de Internacional e Flamengo e duas que atuam no exterior, uma nos Estados Unidos e outra na Dinamarca. O objetivo é superar a melhor campanha da história do país na categoria, alcançada em 2025, também no Marrocos, quando o Brasil chegou à semifinal, foi eliminado pela Coreia do Norte, que depois ficaria com o título, e perdeu a disputa do terceiro lugar para o México nos pênaltis, terminando em quarto. Repetir ou ir além daquela semifinal levaria a seleção sub-17 a uma final de Mundial pela primeira vez. O torneio vai até 7 de novembro, data da decisão. O investimento nas categorias de base acompanha o momento do futebol feminino no país, que vai sediar a Copa do Mundo adulta em 2027. Em setembro, a seleção sub-20 caiu nas quartas de final do Mundial da categoria diante da Espanha.
Organizado pela Fifa, o Mundial feminino sub-17 teve sua primeira edição em 2008, quando a Coreia do Norte ficou com o título. O torneio foi criado depois do sucesso do Mundial feminino sub-19 de 2002, realizado no Canadá, que levou a entidade a propor uma nova competição para jogadoras mais jovens. Mesmo com resistência de algumas confederações por causa do limite de idade, a Fifa criou o sub-17, e o antigo sub-19 passou a ser sub-20, com a primeira edição nesse formato em 2006, na Rússia. Em 2010, em Trinidad e Tobago, a Coreia do Sul venceu uma final asiática contra o Japão, e em 2012, no Azerbaijão, a França derrotou a Coreia do Norte e conquistou seu primeiro título em torneios femininos da Fifa. Desde 2025, o Mundial passou a ser anual, assim como a versão masculina, e o Marrocos foi escolhido como sede até 2029, tornando-se o primeiro país africano a receber a competição.
São Paulo vence o Vasco, abre dez pontos da zona de rebaixamento e passa a mirar a Libertadores
O São Paulo venceu o Vasco por 1 a 0 no sábado (17), no Morumbis, pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro, e mudou de perspectiva na reta final da competição. Com gol de Artur, o time chegou à segunda vitória seguida, depois de bater o Vitória, e subiu para 42 pontos, dez à frente do Internacional, primeiro time dentro da zona de rebaixamento. Duas rodadas atrás, a diferença era de apenas cinco pontos, e a equipe tinha 36. O autor do gol disse que o grupo vivia olhando para a parte de baixo da tabela e que agora é hora de mirar objetivos maiores. O técnico Dorival Júnior reconheceu as dificuldades enfrentadas pelo clube, afirmou que a campanha ainda é pouco para a história do São Paulo e disse que o elenco tem consciência do que representaria uma vaga na Libertadores. Segundo ele, o grupo tem sido blindado das turbulências e o trabalho seguirá com os pés no chão. O time começou o domingo em oitavo lugar, mas pode ser ultrapassado por Santos e Bragantino.
Por enquanto, o Brasileirão garante cinco vagas na próxima Libertadores, quatro diretas e uma para a fase preliminar, mas esse número pode crescer. Em seis das últimas nove edições, o oitavo colocado acabou indo para a competição continental. Para isso, o São Paulo precisa que times à sua frente conquistem outros torneios, como Flamengo e Palmeiras, vivos na Libertadores, com o Palmeiras também na semifinal da Copa do Brasil, e o Atlético-MG, que disputa a Sul-Americana e a Copa do Brasil. A luta contra o rebaixamento também mexe nas contas: se Grêmio ou Vasco vencerem a Copa do Brasil e caírem para a Série B, a vaga é repassada pelo Brasileirão, porque o regulamento da Conmebol não permite que um time fora da primeira divisão dispute a Libertadores. Só com o campeonato nacional pela frente, o São Paulo enfrenta o Mirassol no próximo sábado, às 16h30, no interior paulista, e depois Bahia, Corinthians, Fluminense, Botafogo, Remo e Athletico-PR.
Dorival Júnior nasceu em Araraquara, no interior de São Paulo, em 1962, e foi volante antes de se tornar treinador. Como jogador, era conhecido apenas como Júnior e começou nas categorias de base do Atlas e do Marília antes de chegar aos juvenis da Ferroviária, onde se profissionalizou em 1982. Passou por Guarani, Avaí, Joinville, São José e Coritiba e, em 1989, chegou ao Palmeiras, onde fez mais de 100 partidas até 1992. Em 1993, foi vendido ao Grêmio e foi um dos líderes do time comandado por Luiz Felipe Scolari que conquistou o Campeonato Gaúcho. Ainda jogou no Juventude e encerrou a carreira no Botafogo de Ribeirão Preto, onde atuou entre 1998 e 1999 e chegou a ser capitão. Formado em educação física, começou como treinador em 2002, quando era auxiliar no Figueirense e aceitou o desafio de comandar a Ferroviária, então ameaçada na terceira divisão paulista. Hoje, comanda o São Paulo.
Cruzeiro supera altitude de Quito e vence a LDU na estreia da Libertadores Feminina
O Cruzeiro estreou na Libertadores Feminina com uma vitória sofrida por 2 a 1 sobre a LDU, na noite de sexta-feira (16), no Estádio Casa Blanca, em Quito, pelo Grupo C. Primeiro time brasileiro a enfrentar um dos anfitriões da competição, o clube mineiro sentiu os 2.850 metros de altitude da capital equatoriana. As Cabulosas abriram o placar aos nove minutos: a atacante Byanca Brasil cobrou falta de perto da meia-lua, a goleira Liceth Suárez desviou a bola no travessão, e a lateral Gisseli aproveitou o rebote para marcar. A intensidade do começo, porém, cobrou seu preço, e a LDU passou a dominar a partida, com as jogadoras cruzeirenses visivelmente cansadas e com dificuldade para respirar. Depois de obrigar a goleira Camila Rodrigues a fazer duas boas defesas, a equipe da casa empatou aos 34 minutos, com a lateral Justine Cuadra, que aproveitou a sobra de um chute no travessão. Pouco depois, um gol de cabeça das equatorianas foi anulado pela arbitragem de vídeo porque a bola havia saído antes do cruzamento.
No segundo tempo, o cenário se repetiu, com a LDU acelerando e o Cruzeiro tentando segurar a posse de bola e explorar os contra-ataques. A estratégia deu resultado aos 18 minutos: Marília, artilheira do time na temporada, lançou Byanca Brasil pela esquerda, e a camisa 10 avançou, entrou na área e finalizou na saída da goleira para recolocar as mineiras na frente. O restante do jogo foi uma prova de resistência, e o time segurou a vantagem para assumir a liderança do grupo. Mais cedo, no mesmo estádio, Bolívar, da Bolívia, e Olimpia, do Paraguai, empataram por 2 a 2. O próximo adversário do Cruzeiro é justamente o Bolívar, acostumado aos 3.650 metros de La Paz, nesta segunda-feira (19), às 17h, também no Casa Blanca. O Palmeiras, outro brasileiro que enfrentará um time de Quito, encara o Belgrano, da Argentina, neste domingo (18), às 17h, e pode garantir a vaga nas quartas de final antes de pegar as Dragonas, do Independiente del Valle, na quarta-feira (21).
A Copa Libertadores da América de Futebol Feminino é a principal competição de clubes femininos da América do Sul, organizada pela Conmebol desde 2009, e é considerada um dos torneios de clubes mais prestigiados do mundo, ao lado da Liga dos Campeões feminina da Europa. A criação do torneio teve influência do então presidente do Santos, Marcelo Teixeira, que convenceu a entidade sul-americana a organizar uma versão feminina da Libertadores e ajudou a resolver questões de patrocínio e sede. A competição foi anunciada em março de 2009, com apoio da Fifa, e aprovada em julho do mesmo ano. A primeira edição reuniu dez equipes campeãs nacionais e foi disputada no Brasil, nas cidades de Santos, Guarujá e São Paulo. O título ficou com o Santos, que venceu o Universidad Autónoma, do Paraguai, por 9 a 0 na final, a maior goleada da história das decisões. O atual campeão é o Corinthians, que conquistou seu sexto título em 2025 ao derrotar o Deportivo Cali nos pênaltis.
Fortaleza vence o Sport no Recife e encosta nos líderes da Série B
Jogando no Recife, o Fortaleza bateu o Sport por 2 a 0 na noite de sexta-feira (16), em jogo da 34ª rodada da segunda divisão nacional, e chegou a 60 pontos, a mesma pontuação de Novorizontino e Juventude na briga pelas duas primeiras posições, que garantem o acesso direto à Série A sem passar pelos playoffs. O time cearense suportou a pressão inicial dos pernambucanos, que desperdiçaram as melhores chances do primeiro tempo, e se aproveitou da expulsão do zagueiro Marcelo Ajul aos 45 minutos. Na cobrança da falta que gerou o cartão vermelho, Maílton levantou a bola na área e Tomás Cardona completou para as redes já nos acréscimos. No segundo tempo, aos 23 minutos, Rodriguinho acertou um chute no ângulo e ampliou. O volante Jailson também foi expulso, deixando as duas equipes com dez jogadores, mas o placar não mudou. O Sport ficou com 51 pontos e perdeu a chance de entrar no grupo dos seis primeiros.
Único time invicto no returno, o Fortaleza emendou 15 partidas de invencibilidade desde a virada do turno, sendo sete triunfos e oito igualdades, e soma dez vitórias nas últimas 14 partidas. Na classificação, aparece em quarto lugar, porque o Novorizontino, que abre a zona de acesso, tem uma vitória a mais e ainda enfrenta o líder Vila Nova neste domingo (18), às 18h. Uma cena da partida viralizou nas redes sociais: aos nove minutos do segundo tempo, com o time já à frente, o técnico Paulo Autuori apareceu relaxado no banco, de olhos fechados, como se estivesse dormindo, enquanto os auxiliares Bernardo Franco e Reinan Santos orientavam a equipe. Episódios parecidos já tinham ocorrido quando ele dirigia o Atlético Nacional, da Colômbia, em 2023, e o Sporting Cristal, do Peru, em 2025, e na época o treinador negou que estivesse cochilando. O próximo compromisso do time cearense é diante da Ponte Preta, em Campinas, no dia 24, às 18h30.
Paulo Autuori de Mello nasceu no Rio de Janeiro em 1956 e tem formação em educação física, administração esportiva e curso de treinador de futebol. Começou a carreira em Portugal, onde trabalhou entre 1986 e 1995, primeiro como auxiliar no Vitória de Guimarães e depois como técnico do Nacional da Madeira, que levou da segunda para a primeira divisão, e do Marítimo, que sob seu comando se classificou pela primeira vez para competições europeias. Em 1995, assumiu o Botafogo e, apesar da desconfiança inicial, conquistou o Campeonato Brasileiro. Dois anos depois, foi campeão da Libertadores e do Campeonato Mineiro com o Cruzeiro. Em 2005, depois de deixar a seleção do Peru, foi contratado pelo São Paulo e venceu a Libertadores e o Mundial de Clubes da Fifa. Também trabalhou no futebol do Japão, no Kashima Antlers, e do Catar, no Al-Rayyan, entre outros clubes. Hoje, comanda o Fortaleza, com contrato até dezembro de 2026 e possibilidade de renovação em caso de acesso.
Fabi, Alison e Ary Graça entram para o Hall da Fama do vôlei nos Estados Unidos
Três brasileiros entraram para o Hall da Fama internacional do vôlei em cerimônia realizada na noite de sábado (17), em Holyoke, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos, cidade considerada o berço da modalidade. Fabi Alvim, bicampeã olímpica com a seleção feminina em Pequim 2008 e Londres 2012, tornou-se a primeira líbero mulher a integrar a lista de homenageados, e a entidade destacou seu impacto revolucionário e a influência sobre várias gerações. Em discurso, ela lembrou a infância no subúrbio do Rio de Janeiro, quando uma menina jogando bola com os meninos causava estranheza, e disse que sua trajetória era improvável, mas que o improvável virou combustível, já que jogou profissionalmente numa posição que nem existia quando começou. Fabi, que venceu a Superliga dez vezes, afirmou que passou 20 anos sem marcar pontos e nunca se sentiu menos importante por isso. Ela doou ao acervo fotos e o uniforme usado na campanha do bicampeonato olímpico.
Alison Cerutti, o Mamute, ouro no vôlei de praia na Rio 2016, ao lado de Bruno Schmidt, e prata em Londres 2012, com Emanuel Rego, também foi homenageado e deixou no Hall da Fama o boné, os óculos e a camisa usados na final em Copacabana. A entidade o descreveu como um dos jogadores mais imponentes fisicamente e talentosos tecnicamente da história do esporte. Em seu discurso, ele relembrou os 24 anos de carreira iniciada no Espírito Santo, contou que era um garoto do interior que se emocionava assistindo às Olimpíadas e comparou a homenagem a zerar um jogo. O terceiro brasileiro foi Ary Graça, que presidiu a Confederação Brasileira de Voleibol e comandou a federação internacional entre 2012 e 2024. Cada homenageado recebeu um anel e uma foto. A turma de 2026 teve nove nomes, entre eles a americana April Ross e a russa Ekaterina Gamova, e com ela o Hall da Fama chega a 194 personalidades de 28 países.
O voleibol é um esporte disputado numa quadra dividida por uma rede, com duas equipes de seis jogadores, em que o objetivo é fazer a bola tocar o chão do lado adversário e impedir que o rival faça o mesmo. O jogo surgiu nos Estados Unidos, inventado em fevereiro de 1895 pelo americano William George Morgan, que atuava na Associação Cristã de Moços e queria um esporte coletivo sem contato físico entre os adversários, para reduzir o risco de lesões. No início, usava-se a câmara de ar de uma bola de basquete, e o jogo se chamava Mintonette, pela semelhança com o badminton, mas logo ficou popular com o nome de volleyball. A federação internacional da modalidade foi fundada em 1947, e o primeiro Campeonato Mundial, só masculino, foi disputado dois anos depois; o feminino começou em 1952. O vôlei entrou no programa olímpico em 1964, e o vôlei de praia, surgido nos anos 1920, faz grande sucesso no Brasil e nos Estados Unidos.