
A Anvisa libera a primeira pílula de semaglutida para tratar a obesidade, o SUS testa com o Einstein uma ferramenta que ajuda a identificar doenças de pele, o governo projeta mais dengue com o El Niño, Pernambuco e Rondonópolis vacinam cães e gatos contra a raiva e a OMS amplia o teste de vacinas contra o ebola.
Anvisa aprova o Wegovy em comprimido, primeira pílula de semaglutida contra a obesidade
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou na quarta-feira (4) o registro do Wegovy em comprimidos, da Novo Nordisk, primeiro medicamento oral da classe GLP-1 para tratar obesidade e sobrepeso em adultos no país. Até agora, o produto só era vendido como caneta injetável de aplicação semanal. O pedido foi apresentado em 30 de janeiro de 2026, e a fabricante prevê a chegada às farmácias nos próximos trimestres, ainda sem preço.
O uso é indicado para adultos com índice de massa corporal a partir de 30 ou a partir de 27 com ao menos uma doença ligada ao peso, junto com dieta e exercícios. O comprimido é tomado uma vez ao dia, em jejum, com espera de 30 minutos antes de comer. A dose começa em 1,5 mg e sobe para 4 mg e 9 mg até a manutenção de 25 mg.
A aprovação se baseou no estudo de fase 3 OASIS 4, em que os participantes perderam em média 13,6% do peso em 64 semanas. Alemanha, Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido já vendem o comprimido. Desenvolvida pela Novo Nordisk e aprovada nos Estados Unidos em 2017, a semaglutida imita o hormônio GLP-1, aumenta a liberação de insulina e retarda o esvaziamento do estômago.
Ministério da Saúde e Einstein testam ferramenta de inteligência artificial para doenças de pele
Uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Hospital Israelita Albert Einstein criou o CUTIS-AI, sistema de inteligência artificial em fase de estudo para ajudar profissionais do SUS na triagem de doenças de pele. A ferramenta analisa fotos das lesões e dados clínicos, epidemiológicos e sociodemográficos de pacientes brasileiros. O aplicativo funciona sem internet, foi desenhado com profissionais da atenção básica e já acerta cerca de 80% dos casos.
Entre as condições reconhecidas estão hanseníase, esporotricose, leishmaniose e tuberculose cutâneas, cromoblastomicose e lobomicose, e também as lesões deixadas pela picada da aranha-marrom. Até agora, a pesquisa incluiu perto de 1,4 mil pacientes e um banco com mais de 4 mil fotos. Segundo a cientista de dados Isabelle Carvalho, do Einstein, o objetivo é ampliar a identificação dessas doenças em regiões com poucos especialistas, sem substituir o exame clínico.
O secretário de Vigilância em Saúde e Ambiente, Fabiano Geraldo Pimenta Junior, afirma que a base precisa reunir diferentes tons de pele, regiões e perfis epidemiológicos, já que uma ferramenta treinada com uma só população pode falhar em outras. A esporotricose, uma das doenças do sistema, é uma micose conhecida como doença do jardineiro e hoje está associada principalmente ao contato com gatos contaminados.
Ministério da Saúde prevê alta de 20% a 40% nos casos de dengue com o El Niño
A pasta da Saúde estima que a dengue pode crescer entre 20% e 40% até 2027 por causa do El Niño, que também favorece a chikungunya. No pior cenário, o Sudeste pode ter alta de até 40%, segundo o diretor da Secretaria-Executiva Nilton Pereira. O ministro Alexandre Padilha disse que a intensidade pode ser maior em regiões com seca, como o semiárido e a Amazônia, e que a queda recente de casos deixou mais pessoas suscetíveis.
Um relatório da Fiocruz de outubro projeta cerca de 1,5 milhão de casos prováveis em 2027, perto dos 1,66 milhão de 2025, sem considerar o fenômeno. Desde janeiro, o país soma 489.197 casos prováveis. Padilha descartou retomar neste ano a vacina do Instituto Butantan, suspensa em junho após 42 casos de reações graves, incluindo duas mortes, mas disse torcer por seu uso no ano que vem.
Hoje o SUS oferece apenas a Qdenga, da Takeda, aplicada no público de 10 a 14 anos. A dengue é transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti e tem quatro tipos de vírus. A infecção por um deles protege contra o mesmo tipo, mas uma nova infecção por outro aumenta o risco de complicações graves. Temperaturas altas e chuvas intensas favorecem a proliferação do mosquito.
Pernambuco e Rondonópolis fazem mutirão de vacinação antirrábica no sábado
Pernambuco realiza no sábado (7) o Dia D da vacinação contra a raiva, com cerca de 5 mil postos, 16 mil vacinadores e 1,6 milhão de doses. A meta do governo estadual é imunizar 1.521.734 animais, sendo 1.061.000 cães e 460.734 gatos, e alcançar ao menos 80% da população canina. No Recife, serão 364 postos, e em Paulista, 35, abertos das 8h às 17h.
No mesmo dia, a Prefeitura de Rondonópolis, em Mato Grosso, vacina cães e gatos das 12h às 18h, em 67 pontos, e espera imunizar mais de 15 mil animais; o horário da tarde foi escolhido para atender quem trabalha pela manhã. Devem receber a vacina animais a partir de três meses de idade que não estejam doentes, e quem já foi vacinado neste ano não precisa de nova dose.
Neste ano, Pernambuco registrou 30 casos de raiva em animais, 20 em morcegos, oito em saguis e dois em cães, sem casos humanos; em 2025, houve 45 casos, um deles em pessoa. A raiva é uma zoonose viral transmitida pela saliva de animais infectados, por mordidas, arranhões ou contato com feridas, e é fatal quando os sintomas se manifestam. Nas cidades, o cão é o principal transmissor.
OMS inclui duas vacinas experimentais contra a cepa Bundibugyo do ebola em teste no Congo
A Organização Mundial da Saúde recomendou na quarta-feira (4) incluir duas vacinas experimentais no ensaio clínico contra o ebola em andamento na República Democrática do Congo. As candidatas são a ChAdOx1 BDBV, da Universidade de Oxford com o Instituto Serum da Índia, e a mRNA-1469, da Moderna. Ambas miram a cepa Bundibugyo, para a qual não há vacina nem tratamento aprovados. Os primeiros resultados são esperados em 2027.
O estudo começou no mês passado com a Ervebo, da Merck, aprovada contra a cepa Zaire, a mais comum. A epidemia causada pela Bundibugyo já matou mais de 5.300 pessoas no Congo, entre mais de 10.400 casos, e é a mais letal do país. O Quênia registrou nove casos, com duas mortes, e a Nigéria, um. O diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus pediu o fim das restrições de viagem.
Tedros lembrou que as vacinas não substituem atendimento precoce, rastreamento de contatos, isolamento e sepultamentos seguros. O surto atual foi declarado em maio. Uganda teve 20 casos, um fatal, e foi declarada livre da doença. O ebola é transmitido pelo contato com sangue e outros fluidos de pessoas ou animais infectados e causa febre, dores, vômitos e hemorragias; acredita-se que o morcego-da-fruta seja o reservatório natural do vírus.