SAÚDE: Resumo em 20 Out 2026

Por · Publicado em

Ilustração de frasco de remédio com comprimidos
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

A Anvisa mandou apreender lotes falsificados de um remédio contra câncer, o Rio ampliou a vacina contra meningite até os 59 anos, um estudo ligou a vacina contra o HPV a menos lesões no colo do útero, Goiás reforçou o combate ao Aedes e uma consulta pública avalia nova terapia para câncer de endométrio.

Anvisa manda apreender lotes falsificados de remédio contra câncer e de toxina botulínica

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou a apreensão dos lotes Z005197 e Z012354 do Keytruda, nome comercial do pembrolizumabe, na apresentação de 100 mg/4 mL, usado no tratamento de vários tipos de câncer. A decisão saiu no Diário Oficial da União na segunda-feira (19), depois que a Merck Sharp & Dohme, detentora do registro no Brasil, encontrou no mercado unidades com características diferentes das do produto original. A principal suspeita é de falsificação.

A orientação é que pacientes, hospitais e clínicas confiram os números dos lotes e procurem o serviço de saúde se tiverem unidades suspeitas, sem interromper o tratamento por conta própria. Em outra resolução, publicada em 15 de outubro, a agência mandou recolher o lote 025155 do Dysport, toxina botulínica usada em procedimentos estéticos, após a fabricante Beaufour Ipsen apontar validade errada, frasco diferente, falhas na embalagem e código de barras de outro lote, o genuíno W26232. Não há registro de pacientes afetados.

O pembrolizumabe é um medicamento de imunoterapia contra o câncer, indicado para tumores como melanoma, câncer de pulmão, de cabeça e pescoço, de estômago e cervical, além do linfoma de Hodgkin. Trata-se de um anticorpo que bloqueia o receptor PD-1 dos linfócitos, desarmando um mecanismo de defesa das células tumorais e permitindo que o sistema imunológico as ataque. Aplicado por injeção lenta na veia, foi aprovado nos Estados Unidos em 2014 e integra a lista de medicamentos essenciais da Organização Mundial da Saúde.


Rio amplia vacina contra meningite para pessoas de até 59 anos até o fim de outubro

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro ampliou a vacinação com a meningocócica ACWY para pessoas de até 59 anos que ainda não receberam o imunizante. A medida vale somente até 31 de outubro e foi adotada, com recomendação do Ministério da Saúde, para aproveitar os lotes disponíveis. Antes, a vacina estava liberada para a faixa de 1 a 24 anos, em resgate vacinal, e para trabalhadores da saúde. Dos 1 aos 59 anos, ela é aplicada em dose única.

A vacina pode ser tomada em qualquer uma das 245 salas de imunização do município, entre elas os três postos do Super Centro Carioca de Vacinação, em Botafogo, no Shopping Nova América, em Del Castilho, e no ParkShopping Campo Grande, que têm horário estendido. Neste mês, bebês também recebem doses aos três e aos cinco meses, além do reforço de rotina entre 1 e 4 anos. No SUS, a ACWY chegou ao calendário em 2020, voltada a quem tem entre 11 e 14 anos, e passou a incluir as crianças pequenas em 2025.

A doença meningocócica é uma infecção causada pela bactéria Neisseria meningitidis, o meningococo, que pode provocar meningite e infecção generalizada no sangue e é mais comum entre crianças e adolescentes. Cerca de 10% da população carrega a bactéria nas vias respiratórias sem apresentar sintomas, e a transmissão ocorre por gotículas de tosse e espirro ou pela saliva, como no compartilhamento de copos e talheres. Dos cinco sorogrupos que infectam humanos, a vacina ACWY protege contra quatro.


Vacina contra HPV está ligada a queda de 78% nas consultas por lesões pré-cancerígenas

Um estudo publicado na revista Human Vaccines & Immunotherapeutics associou a vacinação contra o HPV no SUS a uma queda de quase 78% nas primeiras consultas de adolescentes de 15 a 19 anos por lesões pré-cancerígenas do colo do útero. Os atendimentos subiram de 474, em 2011, para 603, em 2015, e depois caíram para 299, em 2019, e 136, em 2023. Considerando a população dessa faixa, a taxa recuou de 7,1 para 1,8 consultas por 100 mil adolescentes entre 2015 e 2023.

No mesmo período, a procura por atendimento ligado a outras infecções sexualmente transmissíveis aumentou, o que, para os autores, indica que a redução não se explica por menos visitas aos serviços de saúde. O trabalho, feito por pesquisadores ligados à farmacêutica MSD com dados do sistema de informações ambulatoriais do SUS, estima que cerca de 5 mil consultas foram evitadas entre 2011 e 2019. O epidemiologista José Geraldo Leite Ribeiro lembra que a vacina deve ser aplicada a partir dos nove anos, em meninos e meninas.

A infecção pelo papilomavírus humano é transmitida por contato direto e, em algum momento da vida, atinge a maior parte das pessoas. Na maioria dos casos, não provoca sintomas e desaparece sozinha, mas, quando persiste, pode causar verrugas ou lesões que evoluem para câncer do colo do útero, da vulva, da vagina, do pênis, do ânus, da boca ou da garganta. A prevenção inclui a vacina e o uso de preservativo. No Brasil, o SUS começou a vacinar meninas em 2014 e incluiu meninos em 2017.


Goiás tem alta de 343% nos casos de chikungunya e marca Dia D contra o Aedes

O governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), reuniu prefeitos na segunda-feira (19) e anunciou um protocolo de ações conjuntas contra dengue, zika e chikungunya, além de um Dia D estadual de combate ao mosquito Aedes aegypti em 26 de novembro. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, o estado registrou 108.540 casos confirmados de dengue em 2026, alta de 17% em relação ao mesmo período de 2025, e 11.309 casos de chikungunya, aumento de 343%.

O plano prevê ampliar o horário das unidades básicas de saúde, manter uma unidade de referência aberta em fins de semana e feriados e reforçar estoques de medicamentos, soros de reidratação, testes e vacinas. Preocupa a expansão do sorotipo DEN-3, presente em 53,8% das amostras positivas deste ano. A vacina contra a dengue é oferecida a quem tem de 10 a 14 anos, em duas doses, mas 39,91% do público está com a segunda dose atrasada. O estado também usa ovitrampas e mosquitos com Wolbachia.

A chikungunya é uma infecção causada por um vírus transmitido pela picada de mosquitos, e seus sintomas mais comuns são febre e dor nas articulações. Os sinais costumam surgir entre dois e doze dias após a exposição e, em geral, duram menos de uma semana, embora a dor articular possa se tornar crônica. Não há tratamento específico, apenas cuidados de suporte, e o risco de morte é de cerca de um caso em mil. A prevenção depende do controle dos mosquitos e da proteção contra as picadas.


Consulta pública avalia incorporar imunoterapia contra câncer de endométrio ao SUS

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, a Conitec, mantém aberta até 26 de outubro a Consulta Pública nº 104, que avalia a oferta do dostarlimabe, combinado à quimioterapia, na rede pública. O medicamento é indicado para pacientes com câncer de endométrio primário avançado ou recorrente que apresentam deficiência no sistema de reparo do DNA, conhecida pela sigla dMMR. Pacientes, médicos e o público em geral podem enviar contribuições pelo formulário eletrônico da consulta, usando a conta de acesso aos serviços digitais do governo federal.

O câncer de endométrio é o sexto mais comum entre as brasileiras, com mais de 9 mil novos casos estimados por ano. Cerca de 32% dos diagnósticos ocorrem em fase avançada, quando só 22% das pacientes sobrevivem cinco anos. Desde 2012, o tratamento padrão de primeira linha é a quimioterapia, e metade das pacientes não está viva após três anos. A característica dMMR aparece em cerca de 30% dos casos, grupo em que a imunoterapia vem mostrando potencial de cura no longo prazo.

O câncer de endométrio se origina no revestimento interno do útero e resulta do crescimento anormal de células capazes de invadir outras partes do corpo. Costuma aparecer depois da menopausa, e o primeiro sinal geralmente é um sangramento vaginal fora do período menstrual, podendo haver dor pélvica e dor ao urinar. Entre os fatores de risco estão obesidade, exposição excessiva ao estrogênio, pressão alta, diabetes e histórico familiar. O diagnóstico é feito por biópsia, e o tratamento pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapia hormonal.

Neste tema