
O peso das cooperativas médicas nos planos de saúde do interior do país abre o resumo, que traz também a suspensão da propaganda de suplementos que prometiam controlar a glicose, um estudo sobre treino excessivo e dopamina, a morte de um ator ligada a peptídeos e a emergência de HIV em Fiji.
Cooperativas médicas têm 43,3% dos planos de saúde no interior, o dobro da fatia nas capitais
As cooperativas médicas concentram 43,3% dos contratos de planos médicos fora das capitais brasileiras, segundo dados de junho de 2026 divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar. A fatia é o dobro da registrada nas capitais, onde chega a 21,5%. Entre os 53,05 milhões de clientes de planos no país, 32,76 milhões vivem fora das capitais, e o sistema de cooperativas está presente em nove de cada dez municípios do país.
Além de credenciar profissionais, essas cooperativas constroem hospitais e clínicas próprios para evitar que pacientes viajem até os grandes centros. A distância ainda é grande: em 2024, as capitais tinham 6,97 médicos por mil habitantes, contra 1,90 no interior, e o número de leitos de UTI fora das capitais era quase três vezes menor. No Paraná, a cooperativa de Campo Mourão aguarda licenças para abrir um hospital regional com 90 leitos e investimento acima de R$ 80 milhões.
Em Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais, outra cooperativa investiu mais de R$ 200 milhões em um hospital com previsão de 308 leitos. A ANS, que fiscaliza o setor, é uma autarquia federal ligada ao Ministério da Saúde, com sede no Rio de Janeiro, criada em 28 de janeiro de 2000 para regular as operadoras de planos privados e a relação entre prestadores e consumidores, seguindo a lei dos planos de saúde de 1998.
Anvisa suspende propaganda de dois suplementos em gotas que prometiam controlar a glicose
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária suspendeu a propaganda dos suplementos alimentares em gotas Glifit e Glicofit, da empresa Vita Nutriom Saúde & Bem Estar Ltda. Anúncios na internet diziam que os produtos controlavam a glicose no sangue e melhoravam a sensibilidade à insulina, efeitos que não têm aprovação sanitária. A decisão, que saiu na terça-feira (27) no Diário Oficial da União por meio da Resolução-RE nº 4.224, e vale para todos os canais de divulgação da empresa.
Para a agência, as mensagens apresentavam indicações terapêuticas e alegações de saúde enganosas e sem aprovação. A medida atinge apenas a publicidade: a fabricação e a venda dos dois produtos não foram suspensas. A Anvisa lembra que suplementos não podem ser anunciados como remédios nem como produtos capazes de prevenir, tratar ou curar doenças, e que propaganda enganosa é infração sanitária e pode ser crime pelo Código de Defesa do Consumidor. A fabricante não respondeu.
A Anvisa é uma autarquia de regime especial ligada ao Ministério da Saúde, criada em 26 de janeiro de 1999, no governo Fernando Henrique Cardoso. Ela controla produtos e serviços sujeitos à vigilância sanitária, nacionais ou importados, como medicamentos, alimentos, cosméticos e produtos médicos, e precisa aprová-los antes que sejam fabricados ou vendidos no país, além de elaborar regras técnicas sobre a identidade e a qualidade desses produtos, e atua com outros órgãos no controle de portos e aeroportos.
Estudo brasileiro com camundongos liga excesso de treino a dopamina alta no cérebro durante o descanso
Pesquisadores brasileiros mostraram, em estudo publicado na revista científica Neuroscience, que o excesso de exercício físico pode manter altos os níveis de dopamina no cérebro de camundongos mesmo no período de repouso. Nos animais submetidos a semanas de treino intenso, a dopamina e a enzima tirosina hidroxilase, que produz esse neurotransmissor, seguiam elevadas 48 horas depois de um teste de desempenho, no hipocampo, área ligada à memória, às emoções e ao estresse.
Um grupo de camundongos treinou por oito semanas, com cargas crescentes e, no fim, duas sessões diárias separadas por quatro horas. Os animais ganharam desempenho nas primeiras quatro semanas e o perderam nas quatro seguintes. A serotonina, apontada há décadas como a principal causa da fadiga central, quase não mudou. Os autores dizem que o estudo não avaliou sintomas como ansiedade ou insônia nem provou que o mesmo ocorre em pessoas.
Os resultados podem ajudar a entender a síndrome de overtraining, marcada por queda de desempenho, fadiga crônica, dores musculares e mais risco de lesões. A dopamina é um neurotransmissor envolvido no controle dos movimentos, no aprendizado, no humor, na memória e no sistema de recompensa do cérebro. Sua desregulação está associada a doenças como o Parkinson, em que há falta da substância, e a esquizofrenia.
Investigação na Austrália liga morte do ator Richard Norton a doses altas de peptídeos antienvelhecimento
Uma investigação do legista do estado australiano de Victoria, David Ryan, concluiu que o ator Richard Norton, morto no ano passado aos 75 anos, teve uma parada cardíaca depois de injetar doses altas dos peptídeos CJC1295 e ipamorelin. As substâncias foram receitadas por um médico, mas não têm aprovação da agência reguladora do país. Segundo o relatório, a injeção provocou uma reação anafilática, que levou à parada cardíaca.
O médico havia explicado que o tratamento era experimental, e o ator assinou um termo de consentimento. Dois dias antes de morrer, Norton contou a uma enfermeira que usava o dobro da dose receitada e foi orientado a seguir a prescrição. Peptídeos são vendidos para perda de peso, ganho de músculos e antienvelhecimento, mas há poucas evidências de qualidade em humanos, e os riscos incluem produtos de origem incerta, alergias graves e infecções.
Alguns peptídeos têm uso médico comprovado, como a semaglutida, aprovada para diabetes e controle de peso. Peptídeos são moléculas formadas pela ligação de dois ou mais aminoácidos, os blocos que compõem as proteínas, e resultam do processamento dessas proteínas no organismo. Assim como elas, estão presentes na natureza e cumprem um grande número de funções no corpo, muitas das quais ainda não são conhecidas pela ciência.
Fiji declara emergência por alta do HIV, e prática de compartilhar sangue entre usuários de drogas preocupa
Fiji declarou estado de emergência nacional por causa da alta dos casos de HIV. Cerca de um em cada 60 adultos do arquipélago vive hoje com o vírus, contra um em cada 167 há cinco anos. Agentes de saúde apontam como agravante o chamado bluetoothing, em que usuários de drogas retiram o sangue de quem acabou de se drogar e o injetam em outra pessoa para obter o mesmo efeito e economizar.
O peso dessa prática na crise é discutido. Em 2024, o Ministério da Saúde de Fiji a citou entre os fatores da alta, mas uma avaliação da OMS ouviu 56 pessoas que injetavam drogas, e só duas relataram fazer isso. A OMS diz que a prática traz risco excepcionalmente alto de transmitir também hepatites B e C. Há relatos do mesmo hábito em Lesoto, Zimbábue e África do Sul.
No mundo, cerca de 41 milhões de pessoas vivem com HIV, segundo a Unaids, e em 2025 cerca de 570 mil morreram por causas ligadas ao vírus, 73% a menos que no pico de 2004, segundo a OMS. Fiji é um país insular da Oceania formado por 332 ilhas no Oceano Pacífico, a maioria criada por atividade vulcânica, com fronteiras marítimas com Tonga, Vanuatu e Tuvalu.