
O golpe que usa selfies e inteligência artificial para enganar o reconhecimento facial abre o resumo, que traz ainda o Android 17 no Motorola Edge 50 Pro, a pressa do governo para votar regras sobre inteligência artificial e big techs, uma ferramenta que localiza a artéria bloqueada no infarto e as exportações chinesas de tecnologia limpa.
Golpe da biometria usa selfies e inteligência artificial para burlar reconhecimento facial
Criminosos têm explorado o reconhecimento facial usado por bancos, lojas e aplicativos para tentar assumir a identidade de outras pessoas. Em muitos casos, a própria vítima é convencida a enviar uma selfie segurando um documento ou a gravar um vídeo, sob o pretexto de liberar um prêmio, confirmar uma vaga de emprego ou atualizar um cadastro. Com esse material, os golpistas tentam abrir contas, pedir cartões e movimentar dinheiro, às vezes com imagens manipuladas por inteligência artificial.
A empresa de verificação Certiface diz ter mais de 3,6 milhões de rostos com restrições em sua base no Brasil e afirma ter barrado, entre maio e setembro, uma média de três ataques por minuto. Há ainda o chamado golpe do sósia, que busca pessoas parecidas com o fraudador. Em Minas Gerais, o Ministério Público Federal denunciou 35 pessoas por criar idosos fictícios e usar dublês para receber benefícios, com desvio estimado em R$ 86 milhões.
Biometria é o uso de características físicas ou de comportamento, como impressões digitais, íris, voz e traços do rosto, para identificar uma pessoa, e hoje serve à prevenção de fraudes e ao controle de acesso. Especialistas recomendam não enviar imagens a desconhecidos, desconfiar de pedidos urgentes de dinheiro por vídeo, confirmar a identidade por outro canal e avisar o banco imediatamente diante de contas ou transações desconhecidas.
Motorola começa a liberar o Android 17 para o Edge 50 Pro no Brasil
A Motorola começou a distribuir no Brasil a atualização do Android 17 para o Edge 50 Pro. Segundo a lista de mudanças, o pacote tem 4,92 GB e traz novos estilos de relógio na tela de bloqueio, mais opções de personalização, central de controle redesenhada e suporte a atividades ao vivo nas notificações. O aparelho tem direito a três grandes atualizações do sistema, e esta é a última delas, de acordo com as informações da fabricante.
O pacote também promete controles mais detalhados sobre o acesso dos aplicativos a dados pessoais, ajustes no gerenciamento de memória e mais recursos de inteligência artificial. Para conferir se a versão já está disponível, o usuário deve abrir as configurações, entrar em atualizações do sistema e buscar novas versões; a recomendação é usar uma rede sem fio e fazer cópia de segurança dos arquivos antes da instalação.
O Android 17 foi lançado pelo Google em maio de 2026, primeiro nos celulares Pixel, e depois chegou a outras fabricantes. A versão permite manter aplicativos em pequenas janelas flutuantes, compartilhar a localização exata com um app apenas durante uma sessão e escolher quais contatos da agenda liberar. O Android é um sistema operacional baseado no núcleo Linux, criado para aparelhos com tela sensível ao toque e desenvolvido principalmente pelo Google.
Governo tenta aprovar ainda em 2026 regras para inteligência artificial e big techs
O governo quer aprovar na Câmara, antes da posse dos parlamentares eleitos em outubro, dois projetos sobre tecnologia. Um é o Marco Legal da Inteligência Artificial, já aprovado no Senado e relatado na Câmara por Aguinaldo Ribeiro, que exige transparência, prevê responsabilização por danos, limita o uso de conteúdo protegido por direitos autorais e fixa multas de até R$ 50 milhões. O outro amplia os poderes do Cade sobre grandes plataformas digitais.
Pelo segundo texto, relatado por Aliel Machado, empresas com faturamento anual acima de R$ 5 bilhões no Brasil e R$ 50 bilhões no mundo poderão receber obrigações prévias para não barrar concorrentes. Machado disse que a proposta será discutida com os líderes nesta semana. O secretário de Políticas Digitais, João Brant, afirmou que a soberania digital depende de leis claras. Nenhum dos projetos trata de regulação de conteúdo nas redes.
O Planalto avalia que a nova composição do Congresso, com mais parlamentares de direita, pode dificultar as votações, e a agenda até dezembro está cheia. Em 2023, as empresas se mobilizaram contra o projeto das fake news. O Cade é uma autarquia federal ligada ao Ministério da Justiça que apura abusos de poder econômico; criado em 1962, é regido hoje por uma lei de 2011 e julga casos de concorrência no país.
Ferramenta de inteligência artificial da USP e de Uppsala aponta artéria bloqueada no infarto
Pesquisadores da Universidade de São Paulo e da Universidade de Uppsala, na Suécia, desenvolveram uma ferramenta de inteligência artificial que analisa o eletrocardiograma e identifica o tipo mais grave de infarto, causado pelo bloqueio total de uma artéria do coração, apontando ainda o local da obstrução. O estudo foi publicado na revista Nature Communications. Segundo os autores, é o primeiro modelo validado na população brasileira capaz de fazer isso usando apenas o exame de 12 derivações.
O sistema foi treinado com 540.372 eletrocardiogramas de 225.884 pacientes atendidos em emergências suecas e validado em 401 pacientes do Instituto do Coração, em São Paulo. José Eduardo Krieger, um dos autores, disse que a ferramenta pode ajudar socorristas a decidir se aplicam um remédio para desobstruir a artéria, que salva vidas mas pode provocar derrame. A tecnologia ainda é experimental e pode, no futuro, analisar o exame em tempo real.
No infarto agudo do miocárdio, o sangue deixa de chegar a uma região do coração, e o músculo cardíaco sofre lesões. O sintoma mais comum é dor ou desconforto no peito, que pode se espalhar para ombro, costas, pescoço ou mandíbula, mas cerca de 30% das pessoas têm sinais atípicos. Hipertensão, tabagismo, diabetes, obesidade e sedentarismo estão entre os fatores de risco, ao lado do colesterol elevado e do consumo excessivo de álcool.
Exportações recordes de tecnologia limpa da China podem evitar bilhões de toneladas de CO2
A China exporta volumes recordes de equipamentos de energia limpa, impulsionada pela crise energética ligada à guerra no Irã, segundo um relatório do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo, sediado na Finlândia, divulgado em 29 de outubro. As vendas externas deste ano devem impedir, uma vez em operação, que cerca de 450 milhões de toneladas de CO2 cheguem à atmosfera a cada ano, volume próximo das emissões anuais do Brasil, segundo o estudo.
Nos primeiros nove meses de 2026, as exportações de veículos elétricos subiram 61%, as de turbinas eólicas, 45%, as de baterias, 39%, e as de material solar, 22%. Se o ritmo se mantiver, a tecnologia exportada neste ano evitará cerca de 8.400 milhões de toneladas de CO2 ao longo da vida útil, o equivalente a 24% das emissões globais anuais. Especialistas independentes disseram que a estimativa é coerente, mas não puderam validar os dados.
A China é o maior produtor mundial de eletricidade a partir de fontes renováveis e tem a maior capacidade instalada de energia hidrelétrica, solar e eólica, mas os combustíveis fósseis ainda respondem pela maior parte de sua geração. O país, que também é a maior fonte global de emissões de carbono, pretende atingir o pico de emissões até 2030 e a neutralidade de carbono até 2060.