
As compras de gás natural da Petrobras feitas por uma subsidiária da Braskem abrem o resumo, que traz também o manifesto de economistas contra cortes de gastos sociais, o calendário do Senado para discutir a alíquota da CBS, o novo horário de negociação da B3 e o pedido de recuperação extrajudicial da Chilli Beans.
Braskem informa compras de gás da Petrobras que somam R$ 51,3 milhões
A Braskem comunicou à Comissão de Valores Mobiliários uma série de operações de fornecimento de gás natural entre a Voqen Energia, subsidiária integral da petroquímica, e a Petrobras. Segundo a empresa, as confirmações de compra fechadas em 2026, somadas a uma operação de 2025, chegam a R$ 51,3 milhões. Todas se apoiam num contrato geral de compra e venda de gás que as duas companhias assinaram em 21 de julho de 2025.
A operação é classificada como transação entre partes relacionadas porque a Voqen pertence inteiramente à Braskem, que tem a Petrobras entre seus controladores. A companhia informou que a aprovação passou pelas instâncias internas da Voqen sem a participação de conselheiros que também ocupam cargos de diretoria na estatal. Segundo a Braskem, as condições comerciais seguiram parâmetros de mercado e a política interna que regula negócios com empresas ligadas ao grupo.
Criada em 2002 pela integração de empresas como Copene, OPP e Trikem, a Braskem se tornou a principal petroquímica da América Latina e tem ações negociadas na B3, em Nova Iorque e em Madri. A empresa mantém quarenta unidades industriais, vinte e oito delas no Brasil, e responde pelo afundamento do solo em bairros de Maceió causado pela extração de sal-gema. Neste ano, a companhia pediu recuperação extrajudicial, com dívidas estimadas em R$ 187,1 bilhões.
Manifesto de economistas defende taxar altas rendas em vez de cortar gastos sociais
Um grupo de 50 economistas e especialistas divulgou na sexta-feira (30) um manifesto contra a pressão do mercado financeiro por cortes de despesas no novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto propõe tributar altas rendas, adotar uma regra fiscal mais flexível e rever a meta de inflação, em vez de reduzir gastos sociais, e sustenta que o maior peso sobre a dívida pública vem dos juros definidos pelo Banco Central, e não das despesas do governo.
Os signatários pedem que a cobrança mínima de 10% sobre rendas acima de R$ 600 mil por ano, prevista numa lei de 2025, seja antecipada para o próximo ano, e que benefícios tributários de R$ 612,8 bilhões sejam revistos. Também defendem que a Selic não suba mais, que a meta de inflação passe de 3% para 4,5% ao ano e que uma nova regra limite o crescimento real das despesas a 2,5% ao ano, deixando investimentos e pisos de saúde e educação fora do limite.
O documento afirma que a dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em agosto, ante 71,7% em 2022, e que os juros consumiram mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento em doze meses. O Banco Central, por sua vez, sustenta que os juros elevados respondem a pressões inflacionárias e a déficits primários. A meta da Selic é fixada oito vezes por ano pelo Comitê de Política Monetária, e entre os signatários há professores da Unicamp, da UnB e da Universidade Federal Fluminense.
Senado começa em 11 de novembro a discutir a alíquota da CBS, com Eduardo Braga na relatoria
A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado começa em 11 de novembro a debater a alíquota de referência da Contribuição sobre Bens e Serviços, a CBS, anunciou neste sábado (31) o presidente do colegiado, Renan Calheiros (MDB-AL). O relator será o líder do MDB, Eduardo Braga (MDB-AM), que já conduziu a reforma tributária no Senado. Serão convidados para audiências públicas o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo Filho, e tributaristas.
Os senadores têm até 15 de dezembro para votar o tema, que depois da comissão ainda vai ao plenário. Se o prazo não for cumprido, vale em 2027 a alíquota de 11,3% fixada pelo tribunal de contas na quarta-feira (28), resultado do arredondamento de 11,3468%. O índice ficou 2,09 pontos percentuais acima dos 9,21% estimados no início pelo Ministério da Fazenda, e o governo federal projeta arrecadar R$ 636 bilhões com a nova contribuição em 2027.
A CBS foi criada pela Emenda Constitucional 132, promulgada em dezembro de 2023, e substitui o PIS e a Cofins a partir de 2027, no modelo de imposto sobre valor agregado. Ao lado do IBS, forma o novo sistema de tributação do consumo. Neste ano, o tributo passa apenas por uma fase de teste, com destaque de 0,9% na nota fiscal e sem cobrança efetiva, e funcionará de forma não cumulativa, permitindo às empresas descontar o valor pago nas etapas anteriores.
B3 estende o horário de negociação a partir de terça-feira
A B3 passa a operar com horário ampliado a partir de terça-feira (3), em razão do fim do horário de verão nos Estados Unidos. No mercado à vista de ações, o pregão vai das 10h às 17h55, em vez de terminar às 17h como até agora. A etapa de leilão de fechamento ocorrerá entre 17h55 e 18h, e o prazo para cancelar ofertas vai até 18h45, segundo a bolsa, que também ajustou horários no balcão organizado.
A mudança atinge ainda os derivativos, como contratos futuros, opções e operações estruturadas ligados a índices, commodities e dólar. Os futuros de Ibovespa e de mini-índice, assim como os de Small Cap e Micro Ibovespa BR+, serão negociados das 9h às 18h25. De acordo com a B3, não haverá sessão estendida depois do fechamento para o mercado de ações, com exceção das datas de vencimento de opções indicadas pela própria bolsa em comunicado.
Os contratos ligados a mercados europeus já tinham mudado de horário em 26 de outubro, quando britânicos e alemães deixaram o horário de verão: os futuros de DAX e Euro Stoxx 50 têm pregão regular até 13h20 e sessão estendida até 18h. Sediada em São Paulo e supervisionada pela Comissão de Valores Mobiliários, a B3 surgiu da fusão entre a BM&FBovespa e a Cetip, aprovada em 2017, e tem o Ibovespa como indicador de referência.
Chilli Beans pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 340 milhões
A rede de óculos e relógios Chilli Beans apresentou um pedido de recuperação extrajudicial com o objetivo de reestruturar R$ 340 milhões em dívidas financeiras. Segundo a empresa, o plano foi acertado com seus principais credores e estabelece novos prazos e condições de pagamento aos bancos, além de um aporte de até R$ 50 milhões para a reorganização em curso nos últimos meses. Itaú, Akron e Vega atuam como financiadores principais e coordenam a entrada desses recursos.
Ficam de fora do plano as dívidas com fornecedores, funcionários e demais parceiros, e a companhia não explicou o que levou ao endividamento. O fundador e presidente-executivo, Caito Maia, disse em nota que o varejo brasileiro passa por um período difícil. Felipe Casotti, sócio da Akron Capital, afirmou que a renegociação pretende ajustar a estrutura de capital à realidade atual do negócio e permitir que a rede se concentre na operação e na relação com franqueados.
Na recuperação extrajudicial, a empresa negocia diretamente com os credores e depois submete o acordo à homologação da Justiça. A Chilli Beans foi criada em 1997 por Caito Maia, a partir de um pequeno estande numa feira de moda em São Paulo, e hoje mantém cerca de 900 franquias no Brasil, com presença em mais de 14 países. Em outubro, segundo a própria companhia, abriu nove pontos de venda no país e outros quatro na América do Sul.