
O novo aumento do querosene de aviação abre o resumo, que traz ainda o pacote de contenção de gastos em preparo na Fazenda para 2027, a proposta de André Lara Resende para derrubar a Selic, a previsão de Gustavo Loyola de juros altos por mais anos e o avanço das vendas do agronegócio à União Europeia.
Petrobras reajusta em 7,2% o querosene de aviação vendido às distribuidoras
A Petrobras elevou a partir deste domingo (1º) o preço do querosene de aviação cobrado das distribuidoras. A alta é de 7,2%, o que representa R$ 0,45 a mais por litro na comparação com outubro. É mais um aumento seguido do combustível usado pelas companhias aéreas: no mês passado, o valor havia subido cerca de 12% em algumas das principais bases de distribuição, depois de uma elevação média próxima de 13,9% em setembro, segundo os dados divulgados pela estatal.
De acordo com a empresa, o reajuste acompanha a subida das cotações internacionais do produto, pressionadas pela tensão no Oriente Médio e pela menor capacidade de refino da Rússia e da Ucrânia por causa da guerra entre os dois países. A estatal afirma que sua fórmula de preço suaviza as variações de curto prazo e que, desde o início do conflito, as altas acumuladas lá fora superaram as registradas no mercado brasileiro, o que manteria seu produto competitivo.
Os valores do combustível de aviação vendido pela Petrobras são revistos no começo de cada mês, como determinam os contratos com as distribuidoras. Em outros mercados, segundo a companhia, as revisões para as empresas aéreas são mais frequentes e podem ocorrer diariamente. O querosene de aviação é um combustível feito especialmente para aeronaves com motores a jato; a versão mais comum, conhecida como JET A-1, segue especificações internacionais e recebe aditivos contra corrosão, congelamento e eletricidade estática.
Fazenda prepara corte de supersalários e penduricalhos para o ajuste de 2027
O Ministério da Fazenda elabora um pacote de contenção de despesas para 2027 cuja principal frente é limitar os supersalários e os penduricalhos pagos no serviço público acima do teto constitucional, hoje de R$ 46.366,19. Estimativas citadas pela equipe econômica apontam economia próxima de R$ 20 bilhões por ano com a revisão desses adicionais. O ministro Dario Durigan também anunciou um projeto de lei para garantir que o governo persiga o centro da meta fiscal, e não o piso da margem.
O esforço precisa acomodar promessas recentes. O Ministério do Planejamento calcula ser necessário remanejar cerca de R$ 20 bilhões para cobrir novos gastos, entre eles o reajuste do Bolsa Família, com impacto acima de R$ 22 bilhões, a ampliação do Pé-de-Meia, com R$ 2 bilhões extras, a nova fase do Desenrola, estimada em R$ 5 bilhões, e o Pix MEI, de R$ 1 bilhão. A possível proibição das apostas online pode tirar perto de R$ 6 bilhões da arrecadação.
A meta para 2027 é um superávit primário de 0,5% do PIB, acima dos 0,25% fixados para 2026, que admitem tolerância de 0,25 ponto. A Instituição Fiscal Independente, órgão ligado ao Senado criado em 2016 para dar transparência às contas públicas, projeta risco de déficit de 1% do PIB em 2027 e calcula que seria preciso um saldo positivo de cerca de 2,1% para estabilizar a dívida. A Selic está em 13,75% ao ano.
André Lara Resende leva a Lula plano para baixar a Selic a 7,5% em um ano
O economista André Lara Resende deve se reunir nesta semana, em Brasília, com o presidente Lula para apresentar uma proposta de mudança na política monetária. O plano prevê reduzir a taxa básica de juros a cerca de 7,5% ao ano em 12 meses e depois mantê-la numa faixa permanente entre 3% e 5,5%. Um novo Conselho Fiscal e Monetário Nacional fixaria metas conjuntas para juros, inflação e contas públicas em horizontes de quatro a cinco anos.
Para Lara Resende, os juros altos são a principal causa do crescimento da dívida, e não o contrário. Segundo os números que ele apresenta, o custo médio da dívida pública chegou a 12,68% ao ano em junho de 2026, sobre um estoque de R$ 10,9 trilhões, o equivalente a 82,5% do PIB. O economista reconhece o risco de saída de capitais e propõe usar as reservas internacionais, acima de US$ 350 bilhões, para conter oscilações do câmbio.
A proposta foi publicada em setembro no artigo Eu Acuso e discutida no Centro Brasileiro de Relações Internacionais, onde especialistas questionaram se as reservas bastariam diante de uma corrida contra o real. Lara Resende foi um dos formuladores dos planos Cruzado e Real e, ainda em 1984, escreveu com Pérsio Arida um texto sobre como acabar com a inflação inercial. Em 2022, coordenou um grupo que já defendia integrar as políticas fiscal e monetária.
Gustavo Loyola prevê juros de dois dígitos até 2028 sem ajuste nas contas públicas
O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola afirmou que a taxa básica de juros deve continuar acima de 10% ao ano pelo menos até 2028, mesmo que surja espaço para cortes. Em entrevista a um videocast sobre investimentos, ele disse que a autoridade monetária não consegue sozinha conter a economia diante de um quadro fiscal ruim e que os juros elevados aumentam a dívida, o que eleva o prêmio de risco e pede novas altas, num ciclo vicioso.
Loyola prevê pressão crescente sobre o Banco Central por cortes, sobretudo se a atividade perder força, e avalia que ceder sem mudanças nas contas públicas pioraria o cenário. A meta de inflação de 3%, o câmbio e a inflação global também limitam o espaço para alívio, segundo ele. O economista disse não ver condições de o país voltar aos juros anteriores à pandemia, mas descartou uma crise iminente e falou em trajetória bastante perigosa.
Natural de Goiânia, Loyola entrou no Banco Central por concurso em 1977 e fez carreira na instituição antes de presidi-la. A avaliação se soma ao debate sobre o ajuste fiscal no início do novo mandato de Lula, em meio a juros elevados e à preocupação de investidores com a evolução da dívida pública. Para ele, tratar as restrições orçamentárias como tema secundário dificulta reformas e prolonga a dependência de juros altos para controlar a inflação no país.
Exportações do agronegócio à União Europeia sobem 14,8% nos primeiros meses do acordo
O acordo entre Mercosul e União Europeia chegou neste domingo (1º) a seis meses de vigência provisória. No intervalo de cinco meses medido até agora, as vendas do agronegócio brasileiro ao bloco europeu cresceram 14,8% em valor sobre o mesmo período de 2025 e somaram US$ 12,21 bilhões, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária. Em volume, foram 17,74 milhões de toneladas enviadas aos 27 países do bloco entre maio e setembro, alta de 8,1%.
O mel e outros produtos apícolas lideraram o avanço, com alta de 367% em valor, seguidos por oleaginosas exceto soja, com 161%. As carnes subiram 103,5% em valor, e o complexo soja, principal item da pauta, foi de US$ 3,12 bilhões para US$ 4,19 bilhões. O abacate saltou 421,2%. O superávit do agronegócio com o bloco passou de US$ 9,01 bilhões para US$ 10,54 bilhões, mesmo com importações maiores.
As negociações entre os dois blocos começaram em 1999 e se arrastaram por mais de 25 anos, travadas por divergências comerciais, ambientais e políticas. Os instrumentos foram assinados em 17 de janeiro de 2026, e a parte comercial passou a valer em caráter provisório em 1º de maio. O acordo prevê liberar total ou parcialmente cerca de 99% das exportações agrícolas brasileiras ao mercado europeu, com cortes graduais de tarifas e cotas para alguns produtos.