SAÚDE: Resumo em 17 Out 2026

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Ilustração de frascos de vidro com medicamentos e vacinas
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

O sábado trouxe boas notícias sobre a recuperação de dois nomes conhecidos: o papa Leão XIV deixou o hospital em Roma e o ex-presidente José Sarney voltou para casa em São Luís. No país, a vacinação foi destaque, com mutirões e alertas sobre o sarampo, enquanto novos dados mostram o avanço das doenças do coração e a OMS aprovou proposta brasileira sobre feminicídio.

Papa Leão XIV recebe alta e volta ao Vaticano quatro dias após cirurgia no pulmão

O papa Leão XIV deixou neste sábado (17) o Hospital Agostino Gemelli, em Roma, e retornou ao Vaticano depois de receber alta médica. O pontífice, de 71 anos, havia sido operado na terça-feira (13) para a retirada de um adenocarcinoma, um tipo de câncer, no pulmão direito. Na cirurgia, os médicos removeram o lobo inferior do órgão, onde estava o tumor. A liberação foi decidida pelo médico pessoal do papa, Luis Carbone, e pelo cirurgião Stefano Margaritora, diretor de Cirurgia Torácica do hospital, que conduziu a operação com sua equipe. Segundo os boletins, a decisão levou em conta os exames de sangue, uma radiografia do tórax feita pela manhã e a avaliação do quadro clínico. O líder da Igreja Católica saiu do hospital pouco depois das 15h30, no horário local, o que corresponde a 10h30 em Brasília.

A saída foi acompanhada por uma multidão que esperava pelo papa desde o início da tarde. Pacientes, fiéis, curiosos, pessoas que estavam no hospital para consultas e muitos jornalistas se espremeram ao longo de um corredor montado com grades em frente à entrada principal. Leão XIV deixou o prédio caminhando, foi recebido com uma longa salva de palmas e parou para agradecer aos profissionais que cuidaram dele durante a internação. Antes de entrar no carro, conversou rapidamente com uma mulher que segurava um pequeno boneco com a imagem dele. O papa foi recebido na porta pela reitora da universidade católica que administra o hospital, Elena Beccalli, e por dirigentes da instituição, que desejaram a ele uma recuperação completa. O presidente da Itália, Sergio Mattarella, também enviou uma mensagem com votos de uma recuperação tranquila ao pontífice.

Mesmo internado no décimo andar do hospital, o papa manteve parte de sua agenda religiosa e diplomática. Ele celebrou missas na sexta e no sábado, e o Vaticano divulgou as primeiras imagens dele no quarto, vestido com a batina branca e uma casula verde, acompanhado do sacerdote peruano Edgard Rimaycuna, que é seu secretário. Ainda na sexta, o pontífice, que tem as nacionalidades americana e peruana, conversou por telefone com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para pedir uma trégua humanitária na cidade ucraniana de Oleshki. A Santa Sé informou que, neste domingo (18), Leão XIV vai rezar o Angelus da janela de seu apartamento no Palácio Apostólico, voltada para a Praça de São Pedro. É uma diferença em relação a internações de antecessores, como Francisco e João Paulo II, que em suas passagens pelo Gemelli rezaram o Angelus de lá mesmo.

Apesar da alta, a recuperação do papa continua sendo acompanhada de perto. Os médicos aguardam o resultado de novos exames para verificar se a doença se espalhou para outras partes do corpo e para definir os próximos passos do tratamento do câncer. O próprio Leão XIV havia contado aos fiéis, durante o Angelus do domingo anterior à cirurgia, que um exame de rotina tinha identificado um nódulo em seu pulmão e que seria necessário operar. Desde então, a saúde do pontífice passou a ser acompanhada com atenção por católicos de todo o mundo, que enviaram mensagens de apoio e orações pela sua recuperação. A Igreja Católica reúne cerca de 1,4 bilhão de fiéis, e qualquer notícia sobre a saúde do papa costuma ter repercussão global imediata. A Santa Sé deve divulgar novas informações à medida que os exames forem concluídos.

As audiências do papa continuam suspensas até o dia 20 de outubro, e ainda não há confirmação sobre a viagem prevista para a América do Sul. O roteiro, marcado para o período de 6 a 17 de novembro, inclui passagens pela Argentina, pelo Uruguai e pelo Peru, país onde Leão XIV viveu por muitos anos como missionário antes de se tornar bispo e, mais tarde, cardeal. A decisão sobre a viagem deve depender da evolução do quadro clínico e dos resultados dos exames que ainda serão realizados nas próximas semanas. Uma viagem longa, com vários compromissos públicos e deslocamentos entre países, exige preparo físico, e por isso os médicos devem ter papel central na definição da agenda. Enquanto isso, o pontífice deve retomar gradualmente suas atividades no Vaticano, com uma rotina mais leve nos primeiros dias depois de deixar o hospital.

José Sarney recebe alta após nove dias internado em São Luís

Aos 96 anos, o ex-presidente José Sarney deixou o hospital na manhã deste sábado (17), depois de nove dias de internação em um hospital particular de São Luís, no Maranhão. Segundo o boletim médico divulgado pela unidade, ele apresentou evolução clínica satisfatória e seguirá em acompanhamento ambulatorial, ou seja, com consultas e exames periódicos sem precisar ficar internado. Sarney foi internado no dia 9, queixando-se de dor na barriga, e acabou operado para resolver uma obstrução no intestino. De acordo com as informações divulgadas na época, o procedimento ocorreu sem intercorrências. Pela idade avançada do paciente, a internação foi acompanhada com atenção por aliados políticos, familiares e admiradores, que vinham recebendo notícias sobre seu estado de saúde por meio dos boletins médicos e das redes sociais do próprio ex-presidente.

Ao longo da internação, o próprio Sarney tranquilizou os seguidores nas redes sociais. Na segunda-feira (12), ele publicou uma mensagem dizendo que se sentia melhor, que já estava em um quarto e que esperava voltar para casa em breve. Na postagem, o ex-presidente mencionou a sobrinha, a médica Júlia, que faz parte da equipe do hospital e o acompanhou durante todo o período em que ficou internado. Naquele dia, o boletim médico já apontava uma boa evolução, mas ainda não havia previsão de alta. A confirmação da saída do hospital veio somente neste sábado, com a recomendação de que ele siga em observação médica regular. Os próximos passos da recuperação serão definidos nas consultas ambulatoriais com a equipe que o acompanhou durante a internação. A alta foi recebida como um sinal de que a recuperação seguiu dentro do esperado.

Esta foi a terceira vez que o ex-presidente precisou ser internado em pouco mais de um mês. Em 13 de setembro, ele deu entrada no mesmo hospital de São Luís com um quadro de pneumonia bacteriana e recebeu antibióticos diretamente na veia. Liberado três dias depois, voltou a ser hospitalizado em 24 de setembro, dessa vez em um hospital de referência em São Paulo, para continuar o tratamento da infecção pulmonar e fazer uma série de exames de rotina. A sequência de internações chamou atenção por causa da idade do ex-presidente, já que pacientes acima dos 90 anos costumam ter uma recuperação mais lenta e exigem cuidados redobrados após cirurgias e infecções. Ainda assim, a evolução positiva dos últimos dias foi recebida com alívio por familiares e aliados, que acompanharam de perto cada boletim divulgado pelo hospital.

Sarney ocupa um lugar especial na história política do país. Ele foi o primeiro presidente da República após o fim da ditadura militar, governando entre 1985 e 1990, período que ficou marcado pela promulgação da Constituição de 1988 e por planos econômicos para tentar conter a inflação, como o Plano Cruzado. Ele chegou ao cargo como vice de Tancredo Neves, eleito de forma indireta, que morreu antes de tomar posse. Antes e depois da Presidência, foi governador do Maranhão e senador da República por vários mandatos, além de ter presidido o Senado Federal mais de uma vez. Também é escritor e membro da Academia Brasileira de Letras, com romances, contos e poemas publicados ao longo das décadas. Em 2014, Sarney anunciou sua aposentadoria da vida política, mas segue sendo uma figura influente no cenário nacional e maranhense.

A obstrução intestinal, problema que levou à cirurgia, acontece quando algo impede a passagem normal do conteúdo pelo intestino, o que pode provocar dor abdominal intensa, inchaço, vômitos e dificuldade para evacuar. Em pessoas idosas, a condição pode ter várias causas, como aderências de cirurgias anteriores, hérnias ou tumores, e muitas vezes exige intervenção cirúrgica para ser resolvida. Os médicos não divulgaram a causa específica do quadro do ex-presidente. A pneumonia, por sua vez, é uma das infecções mais perigosas para pessoas mais velhas, que têm o sistema de defesa naturalmente mais fraco. Por isso, especialistas recomendam que idosos mantenham a vacinação em dia, incluindo as doses contra gripe e contra o pneumococo, uma das bactérias que mais causam a doença, além de acompanhamento médico frequente e atenção a sinais como febre, tosse e falta de ar.

Mortes por doenças do coração podem crescer 10,8% no Brasil até 2030, aponta sociedade médica

O número de mortes por doenças cardiovasculares no Brasil pode subir 10,8% até o fim da década, de acordo com uma projeção da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Se a tendência registrada nas últimas duas décadas continuar, o total de óbitos por problemas no coração e na circulação deve passar de 417.550, em 2024, para 462.573 em 2030. A estimativa faz parte de uma nova plataforma de dados lançada pela entidade em parceria com a Federação Mundial do Coração, apresentada na abertura do 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, que acontece no Rio de Janeiro junto com o Congresso Mundial da especialidade. A ferramenta reúne em um só lugar números sobre as principais doenças cardiovasculares do país, como infarto, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral, e permite comparar estados, faixas etárias e sexo, com séries históricas desde o ano 2000.

Os números atuais já impressionam. Segundo o contador mantido pela sociedade médica, que passou a fazer parte da nova plataforma, uma pessoa morre por doença cardiovascular a cada 72 segundos no Brasil. Até o dia 16 de outubro, o país acumulava 318.945 mortes desse tipo em 2026, o equivalente a 1.194 vidas perdidas diariamente, perto de 50 a cada hora. As doenças do coração e dos vasos sanguíneos seguem entre as principais causas de morte no país há décadas, à frente do câncer e das causas externas, como acidentes e violência. A plataforma utiliza informações do sistema oficial de mortalidade do Ministério da Saúde e estimativas internacionais de um estudo global sobre carga de doenças, além de dados populacionais do IBGE para calcular as taxas de mortalidade em cada estado e em cada faixa da população.

O coordenador da plataforma, o cardiologista Antonio Luiz Pinho Ribeiro, explica que as projeções mostram um cenário provável caso nada mude, e não um destino inevitável. Segundo ele, o patamar de 2030 pode ser diferente se houver mudanças importantes na presença de fatores de risco na população, na ampliação do acesso ao diagnóstico e ao tratamento e na adoção de políticas públicas de prevenção. Entre as medidas capazes de mudar essa trajetória, os especialistas citam manter sob controle a hipertensão e a glicemia, diminuir o número de fumantes, enfrentar o excesso de peso e a falta de exercícios e socorrer depressa as pessoas que sofrem infarto ou AVC. Muitas dessas mortes poderiam ser evitadas com acompanhamento regular, já que vários dos fatores de risco não provocam sintomas por muitos anos e só são descobertos quando o problema já está avançado.

O médico lembra que esforços nessas áreas já produziram resultados expressivos no passado recente. Em 2024, a taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares no país foi de 195 óbitos para cada 100 mil habitantes, uma queda de 36% em relação ao ano 2000, quando o índice era de 306,4 por 100 mil. A diferença entre a queda da taxa e o aumento do número absoluto de mortes se explica principalmente pelo envelhecimento da população: com mais brasileiros chegando a idades avançadas, cresce também o número de pessoas expostas a esses problemas, mesmo que o risco individual tenha diminuído. Por isso, especialistas defendem que a prevenção comece cedo, com alimentação equilibrada, prática de atividade física, consultas periódicas e controle de exames como pressão arterial, colesterol e glicemia ao longo de toda a vida adulta.

A nova plataforma também mostra que o problema não atinge todos os estados da mesma forma. Alagoas tem a maior taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares do país, com 245,5 mortes por 100 mil habitantes. Logo atrás vêm o Amapá, em segundo lugar, com taxa de 225,1, e Mato Grosso do Sul, que registra 220,4. As diferenças regionais refletem desigualdades no acesso a serviços de saúde, na renda e nos hábitos de vida da população. A ferramenta foi pensada para facilitar o acesso e a interpretação dessas informações por pesquisadores, profissionais de saúde, gestores públicos, jornalistas e outros interessados, com recursos para visualizar, comparar e exportar os dados. A expectativa da sociedade médica é que os números ajudem a orientar políticas públicas e campanhas de prevenção, direcionando recursos para as regiões e os grupos que mais precisam de atenção.

OMS aprova proposta brasileira e passa a identificar feminicídios na classificação de doenças

A Organização Mundial da Saúde aprovou na quinta-feira (15) uma sugestão do governo brasileiro para que a CID-11, a Classificação Internacional de Doenças, passe a registrar de forma específica os feminicídios e demais tipos de violência baseada no gênero. A decisão foi tomada durante a reunião da rede de classificações internacionais da OMS, realizada em Sydney, na Austrália. O objetivo é permitir que os registros de saúde diferenciem as mortes de mulheres motivadas por discriminação ou ódio de gênero das agressões em geral, o que deve melhorar a qualidade das estatísticas e ajudar no planejamento de ações de prevenção. A aprovação representa um reconhecimento internacional de uma iniciativa brasileira no enfrentamento à violência contra as mulheres, tema que ganhou espaço na agenda de saúde pública nos últimos anos. O Brasil teve papel central na formulação da proposta.

É importante destacar que a mudança não transforma o feminicídio em doença. A CID funciona como um padrão global para registrar enfermidades, problemas de saúde e motivos de óbito, e serve de base para estatísticas oficiais em praticamente todos os países. Hoje, muitos desses casos acabam registrados apenas nas categorias genéricas de agressão, sem indicar que a vítima foi morta por ser mulher. Com a nova classificação, será possível apontar essa motivação nos registros de mortalidade, tornando as estatísticas mais completas e permitindo comparar os dados entre países e acompanhar a evolução dos casos ao longo do tempo. A medida também deve ajudar a identificar padrões, como as regiões e as faixas etárias mais afetadas, informações essenciais para direcionar recursos e políticas de proteção às mulheres em situação de risco.

A proposta brasileira também quer melhorar o atendimento às vítimas antes que a violência chegue ao extremo. De acordo com o Ministério da Saúde, mulheres em situação de violência frequentemente procuram os serviços de saúde por causa das consequências físicas, sexuais ou psicológicas das agressões, muitas vezes sem relatar o que está acontecendo em casa. Com registros mais detalhados, os profissionais poderão reconhecer históricos de agressão e identificar situações que exigem acompanhamento e encaminhamento para a rede de proteção. O documento final com as orientações técnicas deve ser publicado pela OMS após o encerramento das discussões, previsto para este sábado (17). Ainda não há data definida para que a nova classificação comece a ser usada pelos sistemas de saúde do Brasil e dos outros países que adotam a CID em seus registros oficiais.

Os números mostram a dimensão do problema no país. De acordo com um levantamento sobre feminicídios no Brasil entre 2021 e 2025, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a média nacional em 2025 foi de 1,43 morte para cada 100 mil mulheres. Alguns estados registram índices bem mais altos. Mato Grosso do Sul, por exemplo, teve taxa de 2,6 por 100 mil, a quarta maior do país, atrás apenas de Acre, Rondônia e Mato Grosso. Especialistas lembram que muitas dessas mortes são precedidas por um histórico de agressões, ameaças e pedidos de ajuda, o que reforça a importância de identificar os sinais de risco o quanto antes. A qualificação dos dados de saúde, segundo o governo, é uma peça fundamental para entender onde e como esses crimes acontecem e para agir de forma mais rápida e eficiente na proteção das vítimas.

A iniciativa faz parte de um conjunto de ações do Ministério da Saúde para enfrentar a violência contra as mulheres. Entre elas está o teleatendimento gratuito em saúde mental oferecido pelo Sistema Único de Saúde para mulheres em situação de violência, que pode ser acessado pelo aplicativo Meu SUS Digital. O serviço busca ampliar o acesso ao acompanhamento psicológico, inclusive para quem tem dificuldade de ir presencialmente a uma unidade de saúde por medo, falta de tempo ou distância. Mulheres que estejam sofrendo violência também podem procurar ajuda pela Central de Atendimento à Mulher, pelo número 180, que funciona 24 horas por dia, e, em situações de emergência, acionar a polícia pelo 190. Delegacias especializadas e centros de referência também oferecem orientação e apoio às vítimas e aos familiares em todo o país.

Anvisa libera lotes de detergentes e desinfetantes da Ypê fabricados no fim de 2025

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, derrubou a proibição de comercializar e usar detergentes e desinfetantes Ypê produzidos nos dois últimos meses de 2025. O ato saiu na sexta-feira (16) no Diário Oficial e vale para produtos produzidos entre 1º de novembro e 31 de dezembro do ano passado. A liberação aconteceu depois que a Química Amparo, empresa fabricante da marca, apresentou laudos de laboratório com resultados microbiológicos satisfatórios para os itens feitos nesse período. A restrição, no entanto, segue em vigor para itens com lote final 1 cuja fabricação tenha ocorrido até o fim de outubro de 2025. Por isso, a orientação aos consumidores é conferir com atenção a data de fabricação e o número do lote impressos na embalagem antes de usar os produtos que têm em casa.

A revogação inclui seis versões do lava-louças da marca: o tradicional, o com enzimas ativas, o concentrado da linha Green, o Clear, o Green e o toque suave. Os desinfetantes Bak Ypê e Pinho Ypê produzidos nessa mesma janela também voltaram ao mercado. Os produtos de lavar roupas não fazem parte desta liberação. A suspensão original havia sido determinada pela Anvisa em abril deste ano, depois de uma inspeção sanitária realizada entre 27 e 30 de abril na fábrica, que identificou o descumprimento de requisitos de boas práticas de fabricação. A medida atingiu detergentes, desinfetantes e produtos para roupas com numeração de lote terminada em 1. Em junho, parte dos itens já havia sido liberada, mas algumas restrições permaneceram em vigor até a nova decisão, publicada nesta semana pela agência reguladora.

Em nota, a Ypê confirmou que o detergente líquido e os desinfetantes de lote final 1 feitos no fim de 2025 foram liberados. A empresa afirmou que a decisão está de acordo com o plano apresentado à agência, que condiciona a liberação de cada grupo de lotes à apresentação de laudos produzidos por laboratórios independentes e aprovados pela própria Anvisa. A fabricante também informou já ter entregado laudos referentes a produtos dos meses de maio e junho de 2025, mas esses lotes ainda dependem de uma liberação formal da agência, que a companhia espera que ocorra em breve. A marca, que diz estar presente em mais de 96% dos lares brasileiros, reafirmou seu compromisso com a qualidade dos produtos e com a segurança das famílias que os utilizam no dia a dia.

O caso teve grande repercussão porque a Ypê é uma das marcas de produtos de limpeza mais populares do país, e a suspensão afetou itens de uso diário em milhões de casas. Na época, muitos consumidores ficaram em dúvida sobre o que fazer com os produtos que já tinham comprado. A orientação dos órgãos de vigilância sanitária é que as pessoas confiram a data de fabricação e o número do lote impressos na embalagem. Produtos de outras datas devem ser verificados de acordo com as determinações sanitárias em vigor, e os itens mais antigos já distribuídos devem seguir as medidas de monitoramento acordadas entre a empresa e a agência. Em caso de dúvida, o consumidor pode entrar em contato com o serviço de atendimento da fabricante ou consultar as informações publicadas nos canais oficiais da Anvisa.

Problemas microbiológicos em produtos de limpeza podem representar riscos à saúde, principalmente para pessoas com o sistema de defesa enfraquecido, como idosos, bebês e pacientes em tratamento contra doenças graves. A contaminação por bactérias pode causar infecções na pele, nos olhos ou em outras partes do corpo, dependendo do tipo de microrganismo e da forma de contato com o produto. Por isso, as boas práticas de fabricação são exigidas pela Anvisa de todas as empresas do setor, e o descumprimento dessas regras pode levar à suspensão da venda, ao recolhimento de lotes e a outras sanções. A agência costuma publicar suas decisões no Diário Oficial e em seu site, onde os consumidores podem consultar os produtos que estão liberados e aqueles que continuam com restrições de venda ou de uso no mercado brasileiro.

Cafeína pode alterar o desenvolvimento do cérebro de crianças, sugere estudo

O consumo de cafeína por crianças, inclusive a que vem dos refrigerantes, do chá e do mate, pode estar ligado a diferenças no desenvolvimento do cérebro. É o que sugere uma pesquisa conduzida por cientistas do King’s College London, no Reino Unido, publicada na quinta-feira (15) em uma revista científica especializada em psiquiatria e neuroimagem. O trabalho acompanhou 9.632 crianças de 9 a 11 anos e encontrou uma associação entre o hábito e uma área menor na superfície do córtex, a camada externa e cheia de dobras do cérebro. Essa região é responsável por funções importantes, como o processamento cognitivo, a tomada de decisões, a atenção e o controle das emoções. Os pesquisadores destacam que o estudo mostra uma associação, e não uma relação de causa e efeito comprovada, mas consideram os resultados um sinal de alerta.

Para chegar às conclusões, os participantes informaram quantas bebidas com cafeína as crianças costumavam tomar por semana, como café, chá e refrigerantes, enquanto os pais responderam quantas horas, em média, os filhos dormiam por noite. Os pesquisadores também avaliaram a saúde mental das crianças seis e 18 meses depois da primeira entrevista e examinaram imagens de ressonância magnética para medir o tamanho e a espessura da camada cortical. Com esses dados, a equipe identificou um padrão em 22 regiões diferentes, espalhadas pelos quatro lobos do cérebro. As crianças com maior consumo apresentaram menor área cortical, mesmo depois que os cientistas levaram em conta fatores socioeconômicos, além de variações relacionadas a humor, atenção e comportamento. O efeito foi puxado principalmente pelos refrigerantes, a principal fonte de cafeína entre os participantes.

A autora principal do estudo, a neurocientista Divyangana Rakesh, afirmou que até quantidades modestas da substância apareceram ligadas a leves mudanças na anatomia cerebral e na saúde mental observada mais tarde. Segundo ela, a menor duração do sono parece ser um elo importante entre a cafeína e essas alterações, já que a substância pode atrapalhar o descanso das crianças. A pesquisadora reconheceu que não é possível afirmar que a cafeína seja a causa direta das mudanças, mas disse que tanto o consumo da substância quanto o sono merecem atenção de pais e profissionais quando se pensa na saúde mental dos jovens. O sono adequado é considerado essencial para o desenvolvimento do cérebro na infância, e especialistas recomendam entre nove e doze horas de descanso por noite para crianças em idade escolar.

Rakesh também chamou atenção para o fato de a cafeína estar tão presente no dia a dia que muitas vezes se esquece que crianças e adolescentes também a consomem. De acordo com a pesquisadora, estudos indicam que dois terços dos adolescentes ingerem cafeína pelo menos uma vez por semana, e, apesar de ser uma substância psicoativa, seu consumo por esse público não é regulamentado. No Brasil, além do café, a cafeína está presente em refrigerantes do tipo cola, no guaraná, no mate, no chá preto, no chocolate e nas bebidas energéticas, que costumam ter concentrações bem mais altas. Muitos desses produtos fazem parte da rotina de crianças, inclusive em lanches escolares e festas. Por isso, especialistas recomendam que os pais fiquem atentos aos rótulos e evitem oferecer bebidas com cafeína, principalmente no período da tarde e da noite, perto da hora de dormir.

Pediatras costumam orientar que crianças pequenas não consumam cafeína e que, para os mais velhos, a ingestão seja limitada e ocasional. Além dos possíveis efeitos sobre o cérebro apontados pelo novo estudo, a substância pode provocar agitação, irritabilidade, dificuldade de concentração, dor de cabeça e aumento dos batimentos cardíacos, especialmente em quem tem o corpo menor e ainda está em formação. No caso dos refrigerantes, há ainda a preocupação com o excesso de açúcar, ligado à obesidade infantil e a problemas nos dentes. Os autores da pesquisa defendem que novos estudos sejam feitos para entender melhor os mecanismos por trás da associação e acompanhar as crianças por mais tempo. Enquanto isso, o conselho dos especialistas é simples: priorizar água, leite e sucos naturais e garantir uma rotina de sono regular e adequada para cada idade.

São Paulo alerta para vacinação contra sarampo antes da temporada de cruzeiros

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo fez um alerta para que passageiros e tripulantes de navios verifiquem a caderneta de vacinação contra o sarampo antes de embarcar. A recomendação leva em conta a previsão de que cerca de 832 mil pessoas circulem pelos cruzeiros durante a temporada 2026/2027, além da circulação internacional do vírus e da intensa movimentação de viajantes de diferentes nacionalidades, fatores que podem facilitar a transmissão da doença. A orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde para conferir as doses e atualizar a vacinação, se necessário, de preferência com pelo menos 15 dias de antecedência da viagem, prazo que o organismo precisa para produzir a proteção. A vacina é gratuita e está disponível nos postos de saúde de todos os 645 municípios do estado, bastando levar um documento e, se possível, a caderneta de vacinação.

As autoridades também orientam sobre os cuidados durante a viagem. Quem estiver com febre e manchas vermelhas pelo corpo, principalmente se acompanhadas de tosse, coriza ou conjuntivite, deve adiar o embarque e procurar atendimento médico. A bordo, a recomendação é lavar as mãos com frequência, recorrer ao álcool em gel, proteger boca e nariz em tosses e espirros, não compartilhar copos, talheres e alimentos e manter os ambientes ventilados, além de evitar contato próximo com pessoas doentes e aglomerações em locais fechados. Se os sintomas surgirem durante o cruzeiro, o passageiro deve avisar imediatamente a equipe de saúde do navio. Depois do desembarque, é preciso ficar atento ao aparecimento de sinais da doença por até 30 dias e, em caso de suspeita, procurar um serviço de saúde, informando sobre a viagem realizada.

O alerta chega em um momento de preocupação com a doença no continente. De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil registrou ao menos 61 casos de sarampo neste ano, todos importados, ou seja, contraídos fora do país, e a maioria em pessoas que não estavam vacinadas. A Organização Mundial da Saúde aponta que as Américas tiveram neste ano o maior número de casos em mais de duas décadas. No Amazonas, por exemplo, foram confirmados 17 casos em municípios da região de fronteira, e 14 dos infectados não tinham tomado a vacina. O médico Renato Kfouri, que preside a câmara técnica dedicada à eliminação do sarampo, explica que a missão é manter a população imunizada para que os vacinados funcionem como uma barreira, impedindo que os casos importados voltem a gerar transmissão sustentada no país.

Kfouri lembra que o sarampo é uma das doenças mais contagiosas que existem. O vírus pode permanecer no ar de um ambiente por até duas horas depois que uma pessoa infectada tossiu ou espirrou ali, o que permite a transmissão mesmo sem contato próximo, uma característica que torna ambientes fechados e cheios, como navios, especialmente vulneráveis. A doença não tem tratamento específico e pode evoluir para complicações graves, como pneumonia e encefalite, levando à morte, principalmente em crianças pequenas e pessoas com a imunidade baixa. Segundo o especialista, cerca de 90% dos casos registrados no Brasil e no mundo acontecem em pessoas não vacinadas. Ele afirma que as falhas da vacina, quando alguém com as duas doses ainda assim pega a doença, são raríssimas e, quando acontecem, o quadro costuma ser bem mais leve.

Os paulistas aumentaram a adesão à vacina de abril a agosto deste ano: a cobertura da dose inicial saltou de 86,56% para 96,29%, e o da segunda dose subiu de 72,72% para 83,81%, ainda abaixo da meta recomendada. O esquema de vacinação prevê a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses de vida. Pessoas de 15 meses a 29 anos devem ter duas doses comprovadas, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas, enquanto quem tem de 30 a 59 anos precisa de pelo menos uma dose. Profissionais de saúde devem ter duas doses, independentemente da idade. Há ainda a chamada dose zero, indicada para bebês de 6 a 11 meses que moram em algumas cidades da Grande São Paulo, como a capital, Guarulhos, São Bernardo do Campo e Santo André.

Dia Nacional da Vacinação tem mutirões em todo o país neste sábado

O Dia Nacional da Vacinação, celebrado em 17 de outubro, foi marcado neste sábado por mutirões em diversas cidades do país para ampliar o acesso aos imunizantes e incentivar a atualização da caderneta de vacinação. Como a data caiu em um fim de semana, muitas prefeituras organizaram ações especiais, com postos funcionando em horários ampliados e em locais de grande circulação, como supermercados, shoppings e praças. O objetivo é alcançar pessoas que têm dificuldade de ir às unidades de saúde durante a semana por causa do trabalho ou dos estudos. As vacinas oferecidas fazem parte do Programa Nacional de Imunizações e são aplicadas de acordo com a indicação de cada imunizante e a situação vacinal de cada pessoa. Em geral, basta apresentar um documento pessoal e, se possível, o cartão de vacinação para receber as doses nos postos.

Na Paraíba, o Dia D de Multivacinação teve como foco a proteção contra o sarampo e a meningite. A atenção ao sarampo se deve à situação observada em alguns países das Américas, enquanto a mobilização contra a meningite coincide com o mês em que se celebra o dia mundial de combate à doença. Em João Pessoa, unidades de saúde da família, policlínicas e o centro municipal de imunização abriram pela manhã, e pontos móveis funcionaram até o fim da tarde. Entre as vacinas disponíveis estavam a BCG, a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, a pentavalente e a nova pneumocócica 20-valente, além das doses contra gripe, covid-19 para crianças pequenas e grupos prioritários, dengue para adolescentes de 10 a 14 anos, HPV e vírus sincicial respiratório para gestantes, que protege os bebês nos primeiros meses de vida.

Em Rio Branco, no Acre, a ação aconteceu em 19 pontos espalhados por diferentes regiões da cidade, com atendimento das 7h às 21h. Foram oferecidas vacinas contra febre amarela, hepatite B, HPV, meningite, sarampo e tétano, entre outras, para crianças, adolescentes, adultos e idosos. Segundo a secretaria municipal de saúde, a vacinação é uma das principais atribuições da rede municipal, e a ideia foi aproveitar o sábado para facilitar o acesso da população aos imunizantes. Em Salvador, uma ação gratuita organizada por uma instituição de pesquisa em saúde também ofereceu vacinas para crianças e adultos, enquanto Belo Horizonte combinou a vacinação com atividades recreativas para o público infantil. Mobilizações semelhantes ocorreram em outras capitais e em municípios do interior de vários estados, reforçando o esforço nacional para recuperar as coberturas vacinais.

A importância da vacinação vai muito além da infância. Especialistas lembram que a proteção oferecida pelas vacinas tomadas nos primeiros anos de vida precisa ser complementada ao longo de toda a vida, e que deixar de lado o calendário vacinal na fase adulta pode abrir espaço para doenças virais perigosas. Com o envelhecimento, o sistema de defesa do organismo perde eficiência, fenômeno conhecido como imunossenescência, o que torna os idosos mais vulneráveis a infecções como gripe, pneumonia e herpes-zóster. As vacinas funcionam apresentando ao corpo versões enfraquecidas ou partes dos agentes causadores das doenças, o que estimula uma resposta de defesa. Assim, quando a pessoa entra em contato com o microrganismo de verdade, o sistema imunológico já está preparado para combatê-lo, evitando a doença ou reduzindo a gravidade.

O avanço do sarampo neste ano é um exemplo de como a queda nas coberturas pode trazer de volta doenças que pareciam controladas. O Brasil chegou a receber o certificado de eliminação do sarampo, perdeu o status em 2019 após surtos e voltou a ser reconhecido como livre da transmissão local em 2024, mas os casos importados registrados neste ano acenderam o alerta das autoridades. Grande parte dos infectados não estava vacinada. Por isso, o Ministério da Saúde e as secretarias estaduais e municipais reforçam a importância de manter as doses em dia em todas as idades. Quem não conseguiu se vacinar no sábado pode procurar qualquer unidade básica de saúde nos dias úteis, já que as vacinas do calendário nacional ficam disponíveis gratuitamente durante todo o ano em todo o país.

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