SAÚDE: Resumo em 18 Out 2026

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Ilustração de comprimidos, frascos de remédio e estetoscópio sobre uma bancada
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

Unidades móveis do Ministério da Saúde ampliam exames especializados no interior, e a Paraíba aplicou mais de 33 mil doses de vacina em um único dia. Também chegou ao país um exame de sangue para investigar o Alzheimer, um curto-circuito esvaziou a UTI de um hospital em Natal e Santos ganhou equipamentos de radioterapia.

Carretas do Ministério da Saúde levam exames especializados a Cascavel e Remígio

Pacientes do SUS que esperam por exames especializados estão sendo atendidos por carretas do Ministério da Saúde em Cascavel, no oeste do Paraná, e em Remígio, no agreste da Paraíba. As unidades móveis fazem parte do programa Agora Tem Especialistas, criado por lei em 2025 para oferecer consultas, procedimentos e exames de atenção especializada. Em Cascavel, a carreta faz exames de imagem e atende também moradores de cerca de duas dezenas de municípios vizinhos. Durante os 30 dias de permanência, estão previstos cerca de 5.200 exames, sendo 3.100 ultrassonografias e 2.100 tomografias. A unidade funciona de segunda a sábado, em dois turnos, e tem capacidade para até 70 tomografias e 100 ultrassonografias por dia. A superintendente do ministério no Paraná, Elisabete Matheus, visitou a estrutura na sexta-feira (16) e destacou o esforço do governo federal para reduzir o tempo de espera por atendimento. No estado, 20 municípios já receberam as carretas, com 33.032 pessoas atendidas e 144.621 procedimentos.

Em Remígio, a carreta é dedicada à saúde da mulher e faz exames como mamografia, ultrassom e biópsia, voltados a identificar cedo tumores na mama e no colo do útero. O secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do ministério, Felipe Proenço, visitou a unidade no sábado (17) e disse que a ideia é evitar que a população precise sair da cidade ou da região para fazer exames importantes para a prevenção do câncer, permitindo detectar problemas antes que se agravem. Na Paraíba, 25 municípios já foram atendidos pelas carretas, que também oferecem exames de imagem e oftalmologia, com 14 mil pessoas atendidas e 32,3 mil procedimentos realizados. Nos dois estados, as unidades atendem apenas pacientes agendados e encaminhados pelas secretarias municipais de saúde. Quem já aguarda exames pelo SUS pode pedir o encaminhamento numa unidade básica de saúde da própria cidade, que fará o agendamento conforme a disponibilidade da carreta na região.

O Sistema Único de Saúde é o sistema público de saúde do Brasil, criado pela Constituição de 1988, que no artigo 196 define a saúde como direito de todos e dever do Estado, e regulamentado pela Lei 8.080, de 1990. Nenhum outro país com população acima de 200 milhões de pessoas mantém um sistema de saúde pública universal totalmente financiado pelo Estado, com recursos da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. O SUS vai do atendimento básico a procedimentos complexos, mantém o serviço de atendimento móvel de urgência, conhecido como Samu, e distribui gratuitamente vacinas e medicamentos para doenças como diabetes, hipertensão, asma e Alzheimer. O sistema também financia pesquisas em epidemiologia e, por meio da agência de vigilância sanitária, fiscaliza a qualidade de alimentos vendidos no comércio. Fazem parte da rede os postos e centros de saúde, os hospitais públicos, incluindo os universitários, os laboratórios, os hemocentros e os serviços de vigilância sanitária e epidemiológica.


Paraíba aplica mais de 33 mil doses no Dia D de Multivacinação

A Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba aplicou 33.710 doses de vacina no Dia D de Multivacinação, realizado no sábado (17), data em que se celebra o Dia Nacional da Vacinação. Do total, 26.914 foram vacinas de rotina, 3.399 contra o sarampo e 3.397 contra as meningites. O balanço é preliminar e reúne dados enviados por 186 cidades. Ao todo, 816 postos funcionaram no estado, com a meta de facilitar a imunização e pôr em dia as cadernetas da população. A capital, João Pessoa, aplicou 4.967 doses, mais que qualquer outra cidade, à frente de Bayeux (3.070), Campina Grande (2.961), Patos (1.719) e Alagoa Grande (1.533). Na capital, equipes da secretaria e o Zé Gotinha participaram da ação em uma unidade de saúde da família no bairro Colinas do Sul e numa loja de materiais de construção às margens da BR-230. Um promotor de vendas contou que aproveitou a passagem pelo local para tomar a vacina contra a gripe.

O foco no sarampo se deve ao cenário epidemiológico em países das Américas e aos casos importados da doença no Brasil. A Paraíba não confirma casos desde 2019, mas mantém a vigilância para evitar a volta da circulação do vírus. O reforço contra as meningites ocorre em outubro, mês do Dia Mundial de Combate à Meningite. Dados atualizados na quarta-feira (14) mostram que a cobertura da primeira dose da tríplice viral no estado está em 94,84%, e a da segunda dose, em 78,01%, abaixo da meta de 95%. Entre as vacinas que ajudam a prevenir as meningites, a meningocócica conjugada tem cobertura de 87%, a pentavalente, de 85,11%, e a pneumocócica conjugada, de 89,72%, todas abaixo do ideal. A vacina contra a poliomielite está em 86,11%, e as de febre amarela e hepatite A infantil, em 73,34% e 79,78%. A secretaria orienta quem não foi ao mutirão a procurar uma unidade de saúde, mesmo sem a caderneta, para verificar as doses pendentes.

O sarampo é uma doença altamente contagiosa causada por um vírus. Os primeiros sintomas costumam ser febre, muitas vezes acima de 40 °C, tosse, coriza e olhos inflamados. Dois ou três dias depois, surgem pequenos pontos brancos na parte interna da boca e, entre o terceiro e o quinto dia, aparecem manchas vermelhas que começam no rosto e se espalham pelo corpo. Os sinais surgem de dez a doze dias após o contágio e duram de uma semana a dez dias, e cerca de 30% dos casos têm complicações, como diarreia, cegueira, inflamação do cérebro e pneumonia. A transmissão ocorre facilmente pelo ar, por meio de tosse e espirros, e também pelo contato com saliva ou secreções nasais: nove em cada dez pessoas sem imunidade que dividem um ambiente com um doente acabam infectadas. Não existe tratamento específico, mas a vacina é eficaz na prevenção e reduziu em 75% as mortes pela doença no mundo entre 2000 e 2013.


Exame de sangue para Alzheimer aprovado pela Anvisa começa a ser oferecido em Porto Alegre

Um exame de sangue que ajuda na investigação da doença de Alzheimer passou a ser oferecido no Brasil desde quinta-feira (15), no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, que afirma ser por enquanto a única instituição do país com o teste aprovado pela Anvisa. O exame mede no plasma a proteína p-tau217, um indicador associado à formação, no cérebro, das placas de beta-amiloide típicas do Alzheimer. Registrado pela agência sanitária em 17 de agosto, ele se destina a quem tem 50 anos ou mais, já apresenta perda de capacidades cognitivas e está sob acompanhamento de especialista, e não serve para rastrear a doença em quem não tem sintomas, mesmo com histórico familiar. O resultado deve ser interpretado com a avaliação clínica, o histórico do paciente e outros exames, sem confirmar o diagnóstico sozinho. O teste exige pedido médico e custa R$ 3.200. Segundo o pesquisador Eduardo Zimmer, do hospital, a sensibilidade e a especificidade passam de 90%.

De acordo com o hospital, em muitos pacientes o teste torna desnecessárias a coleta de líquido da coluna e a tomografia do tipo PET, e todo o processamento é feito no próprio laboratório, ao contrário de testes semelhantes oferecidos por outros laboratórios sem a mesma aprovação, que enviam amostras ao exterior. A instituição diz esperar fazer estudos de custo-efetividade ainda neste ano para discutir uma possível incorporação ao SUS em 2027. O Ministério da Saúde, porém, informou que não recebeu nenhum pedido de avaliação do exame pela comissão responsável por incorporar tecnologias ao sistema público e que não existe prazo para o SUS passar a oferecer o teste. Atualmente, a investigação do Alzheimer no SUS envolve avaliação clínica e exames laboratoriais e de imagem, como tomografia e ressonância magnética. O ministério estima que a doença afete 1,2 milhão de pessoas no país. Perda de memória recente, dificuldade em tarefas do dia a dia e mudanças de humor são sinais que justificam procurar um médico.

A doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa crônica e a forma mais comum de demência, responsável por 60% a 70% dos casos. Ela se manifesta lentamente e piora com o tempo, e o sintoma inicial mais frequente é a perda da memória recente, muitas vezes confundida com o envelhecimento normal ou com estresse. Com a evolução, surgem dificuldades de linguagem, desorientação, alterações de humor, perda de motivação e desinteresse pelas tarefas do dia a dia, e a pessoa tende a se afastar da família e da sociedade até perder o controle das funções do corpo. A expectativa de vida após o diagnóstico costuma ser de três a nove anos. As causas ainda não são totalmente compreendidas, mas estima-se que cerca de 70% do risco tenha origem genética, e lesões na cabeça, depressão e hipertensão estão entre os fatores de risco. A doença está associada a placas senis e a novelos de proteína no cérebro, e o diagnóstico definitivo só é possível pelo exame do tecido cerebral.


Curto-circuito em hospital de Natal obriga transferência de pacientes da UTI

Pacientes internados na unidade de terapia intensiva do Hospital Estadual Giselda Trigueiro, no bairro das Quintas, na zona Oeste de Natal, tiveram de ser transferidos para outros hospitais da rede pública estadual depois de uma falha no fornecimento de energia no fim da manhã de sábado (17). De acordo com a secretaria estadual de saúde potiguar, a pane começou com um curto-circuito no quadro de força da unidade e afetou também o gerador do hospital, que tinha passado por manutenção preventiva apenas quatro dias antes. A secretaria informou que colocou em prática na hora um plano de emergência para proteger os internados e manter a assistência funcionando. Como precaução, os internados na UTI que dependem de ventilação mecânica, equipamento que não pode ficar sem energia, foram levados de forma assistida para outras unidades. O número de pacientes transferidos não foi divulgado pela secretaria até a noite de sábado.

Equipes de engenharia e manutenção passaram a trabalhar no hospital para identificar a causa do curto-circuito e da interrupção e para restabelecer todo o fornecimento. No início da noite de sábado, a secretaria informou que 90% da energia já tinha sido restabelecida, que a área afetada continuava em reparo e que a expectativa era resolver toda a situação ao longo desta semana. Segundo o órgão, o hospital passa por uma reestruturação completa de sua rede elétrica, obra considerada prioritária para a unidade. A pasta afirmou que novas informações seriam divulgadas assim que a situação fosse normalizada. Não houve informação sobre a data de retorno dos pacientes transferidos nem sobre eventuais impactos em outros setores do hospital, que é uma das unidades da rede estadual na capital potiguar. O episódio expôs a dependência das UTIs de sistemas de energia de reserva, já que a falha atingiu ao mesmo tempo o quadro principal e o gerador de emergência da unidade.

Uma unidade de terapia intensiva é uma estrutura hospitalar complexa, com monitorização contínua, destinada a pacientes em estado grave ou com falência de um ou mais sistemas do organismo que tenham chance de se recuperar com suporte e tratamento intensivos. O médico dedicado a esse tipo de atendimento é chamado de intensivista. A UTI integra, ao lado da unidade semi-intensiva e da unidade coronariana, o centro de terapia intensiva dos hospitais, e recebe os doentes mais graves, que exigem mais cuidados. Ela surgiu da necessidade de oferecer suporte avançado de vida a pessoas em situação aguda e instável, com vigilância 24 horas por dia, num ambiente reservado dentro do hospital. Embora as doenças sejam muitas, os mecanismos que levam à morte são poucos, e o trabalho do intensivista é atuar sobre eles para tirar o paciente do estado crítico e permitir a continuidade do tratamento. Entre os motivos mais comuns de internação estão infarto, desconforto respiratório, acidente vascular cerebral e pressão muito baixa que não responde ao tratamento.


Santos ganha dois aceleradores lineares para radioterapia de pacientes com câncer no SUS

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou no sábado (17) o serviço de radioterapia da Santa Casa de Santos, no litoral paulista, que passa a contar com um acelerador linear moderno para tratar pacientes com câncer da rede pública. Um segundo equipamento ficará no Hospital Beneficência Portuguesa da cidade. Cada aparelho tem capacidade para 720 procedimentos por ano, e os recursos somam R$ 17,5 milhões, vindos do PAC Saúde e do Agora Tem Especialistas. Os equipamentos fazem parte de um conjunto de 105 novos aceleradores lineares em instalação em todas as regiões do país. A Santa Casa atende 24 municípios da Baixada Santista e do Vale do Ribeira, onde cerca de 1,3 milhão de pessoas dependem do SUS. Segundo estimativa do instituto nacional do câncer, a região tem 3.896 novos casos da doença por ano entre usuários do sistema público, e 72% deles têm indicação de radioterapia. Padilha disse que os aparelhos devem dar conta da fila de espera na região.

O hospital já tinha um acelerador linear em funcionamento, e os dois novos equipamentos vão ampliar o atendimento. Referência regional em oncologia, a Santa Casa também faz cirurgias e quimioterapia: de 2023 até julho deste ano, foram 3.358 cirurgias oncológicas e 17.866 procedimentos de quimioterapia pelo SUS. Durante a visita, o ministro conheceu o centro de cirurgia robótica do hospital, o primeiro da Baixada Santista a adotar a tecnologia, em 2022, que já fez cerca de 500 operações minimamente invasivas em áreas como urologia, ginecologia e cirurgia de cabeça e pescoço, também disponíveis para pacientes da rede pública. Neste ano, o ministério incluiu a retirada da próstata assistida por robô na tabela de procedimentos do SUS, e Padilha afirmou que os pacientes se recuperam melhor e voltam mais rápido para casa. A Santa Casa tem 533 leitos, dos quais 256 são destinados ao SUS, e fez 39,6 mil internações de pacientes da rede pública entre 2023 e julho de 2026.

A radioterapia, também chamada de radioncologia, é a especialidade médica que trata o câncer por meio de radiação ionizante. A técnica se baseia na destruição do tumor pela absorção da energia da radiação, e o princípio é causar o máximo de dano às células doentes e o mínimo aos tecidos saudáveis vizinhos, o que se consegue irradiando o tumor a partir de várias direções. A quantidade de radiação é medida pela dose, definida como a energia depositada por unidade de massa e expressa em gray. Em geral, as células tumorais são mais sensíveis à radiação do que as sadias porque se dividem com muita frequência, mas as doses necessárias para eliminar um tumor são muito altas, o que nem sempre permite poupar totalmente os tecidos ao redor. Por isso, a dose total costuma ser dividida em várias sessões ao longo do tempo, o que dá às células normais a chance de se recuperar entre as aplicações, enquanto as células do tumor, menos eficientes nesse reparo, acumulam os danos.

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