SAÚDE: Resumo em 22 Out 2026

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Ilustração de um médico pediatra em um hospital
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

O diretor do programa nacional de imunizações afirmou que o surto de sarampo nos Estados Unidos ameaça todo o continente. A Força Nacional do SUS abriu uma base em Manaus por causa da fumaça das queimadas, São Paulo reforçou o alerta contra a dengue diante do El Niño, o ministro da Saúde criticou proposta de Flávio Bolsonaro e a Anvisa mandou recolher produtos para unhas.

Diretor do programa de imunizações diz que surto de sarampo nos EUA ameaça o continente

Os Estados Unidos enfrentam o pior surto de sarampo em mais de três décadas, com mais de 4,4 mil casos confirmados neste ano e três mortes; 98% dos infectados não tinham o esquema vacinal completo. Para o diretor do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti, o país vive um retrocesso que ameaça todo o continente, ligado a mudanças no calendário vacinal americano e a discursos contra vacinas endossados pelo governo de Donald Trump.

Em agosto, o governo americano reduziu de 17 para 11 as vacinas recomendadas a todas as crianças e mandou separar a tríplice viral em três doses distintas, versões que não são fabricadas há quase 20 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações. O Brasil registrou 61 casos neste ano, a maioria importada, e mantém o certificado de país livre da doença. A cobertura da primeira dose da tríplice viral está em 95%, e a da segunda, em 80%. Nas Américas, já são mais de 56 mil casos.

O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida pelo ar por meio de tosse e espirros: nove em cada dez pessoas sem imunização que dividem um ambiente com um doente acabam infectadas. Os sintomas incluem febre alta, tosse, olhos inflamados e manchas vermelhas que começam no rosto. Cerca de 30% dos casos têm complicações, como pneumonia e inflamação do cérebro. O Brasil obteve o certificado de eliminação em 2016, perdeu-o em 2019 e voltou a conquistá-lo em 2024.


Força Nacional do SUS instala base em Manaus para atender vítimas da fumaça

O Ministério da Saúde instalou em Manaus uma base regional da Força Nacional do SUS para apoiar municípios do Amazonas afetados pela fumaça das queimadas. Do início de outubro até o dia 14, a rede pública estadual registrou 541 atendimentos ligados à exposição à fumaça, segundo a fundação de vigilância em saúde do estado. A estrutura acompanha o estoque de remédios e equipamentos nas cidades e direciona equipes e materiais para onde a procura é maior.

O planejamento usa um painel abastecido pelas prefeituras; até o último balanço, 43 municípios haviam enviado dados. Com base neles, a Força Nacional organiza viagens de barco e avião, com meta de resposta em até 72 horas. É a quarta base regional em funcionamento no país, e outra deve abrir em Porto Velho nesta semana. O Inpe registrou 13 focos ativos em 23 horas, e as equipes de combate ao fogo já fizeram cerca de 370 lançamentos de água.

Criada por decreto em novembro de 2011, a Força Nacional do SUS é um programa federal de cooperação que reúne equipes para atuar em desastres, epidemias, calamidades e situações de falta de assistência à população. O envio costuma depender de pedido do estado ou do município e de declaração de emergência em saúde pública pelo ministro. As equipes fazem atendimentos, busca ativa de pacientes, distribuição de medicamentos e apoio à reorganização da rede local de saúde.


São Paulo reforça alerta contra dengue diante das chuvas do El Niño

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo intensificou as orientações contra dengue, chikungunya e zika diante das chuvas intensas e do calor associados ao El Niño, condições que favorecem a reprodução do mosquito Aedes aegypti. As recomendações fazem parte de um plano estadual de preparação para os efeitos do fenômeno na saúde em 2026 e 2027, elaborado com os departamentos regionais de saúde e o conselho que reúne os secretários municipais da área.

O plano tem três frentes: chuvas intensas e eventos extremos, ondas de calor e queimadas, e doenças transmitidas pelo mosquito. A orientação é eliminar água parada em vasos, calhas, pneus e bandejas de geladeira e de ar-condicionado, tampar caixas d’água e usar repelentes registrados. Na dengue, dor abdominal forte, vômitos persistentes, sangramentos, tontura e falta de ar exigem atendimento urgente, mesmo quando a febre diminui. A secretaria também desaconselha a automedicação.

Originário da África e hoje presente em quase todas as regiões tropicais e subtropicais do mundo, o Aedes aegypti é bem adaptado às cidades e põe seus ovos em pequenas quantidades de água parada, sobretudo perto das casas. Estudos mais recentes mostram que a fêmea também consegue se reproduzir em água poluída. Estima-se que 35% da população mundial viva em áreas propícias à proliferação do mosquito, vetor da dengue, da zika e da chikungunya.


Padilha critica proposta de Flávio Bolsonaro para o SUS

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, criticou na quarta-feira (21) a proposta do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de levar ao SUS um modelo de atendimento inspirado no Hospital Albert Einstein. Segundo Padilha, o hospital faz cerca de 75 mil internações por ano, com gastos acima de R$ 7 bilhões, e a promessa é incompatível com o plano do senador de cortar R$ 250 bilhões do Orçamento federal. Para o ministro, a ideia revela desconhecimento da saúde pública.

Padilha comparou as propostas de corte de gastos às medidas do presidente argentino Javier Milei e disse que elas podem atingir o Fies e os investimentos em saúde e educação. Ele também associou o candidato à crise dos hospitais federais do Rio durante o governo de Jair Bolsonaro. As declarações foram dadas no Rio de Janeiro, quando o ministério inaugurou 21 leitos no Hospital Universitário dos Servidores do Estado, nove deles em unidade pós-operatória e 12 em enfermaria cirúrgica.

Fundado pela comunidade judaica de São Paulo em junho de 1955, o Hospital Israelita Albert Einstein fica no Morumbi, na zona sul da capital paulista, e é referência em medicina de alta complexidade, como cardiologia, oncologia, neurologia e cirurgia. Em 1999, foi a primeira instituição de saúde fora dos Estados Unidos reconhecida pela principal certificadora internacional do setor. O hospital mantém parcerias com o SUS e realizou mais de 1.900 transplantes desde 2002, 97% deles pela rede pública.


Anvisa manda recolher produtos para unhas que prometem eliminar fungos

A Anvisa determinou na quarta-feira (21) o recolhimento de todos os produtos da SDK Indústria de Cosméticos que se apresentam como capazes de regenerar unhas e acabar com 99% dos fungos e bactérias. Segundo a agência, os itens foram registrados como cosméticos, mas trazem no rótulo indicações terapêuticas, o que a Lei 6.360, de 1976, proíbe para essa categoria. A medida vale para qualquer produto da fabricante com essas alegações, seja qual for o nome comercial.

A determinação consta da resolução 4.140/2026, publicada no Diário Oficial da União, que identifica a fabricante pelo número de inscrição no cadastro de empresas. Para a agência, prometer combater fungos e bactérias exige o enquadramento sanitário adequado e não pode ser atribuído a cosméticos. A orientação aos consumidores é conferir as informações das embalagens e acompanhar os comunicados oficiais sobre produtos recolhidos. Com a decisão, os itens devem sair das prateleiras.

Criada em 1999 e vinculada ao Ministério da Saúde, a Anvisa é a agência reguladora responsável pelo controle sanitário de medicamentos, alimentos, cosméticos, saneantes e outros produtos, além de aprovar sua comercialização no país. A infecção por fungos nas unhas, chamada onicomicose, atinge cerca de 10% dos adultos, é mais comum nos pés e em pessoas idosas e costuma causar descoloração e espessamento da unha. O diagnóstico é confirmado por exames de laboratório.

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