
A Anvisa restringiu o uso compassivo da polilaminina depois de registrar nove mortes entre pacientes tratados. O resumo traz ainda a proibição de tiras de glicemia falsificadas vendidas pela internet, o alerta sobre o suplemento ashwagandha, a sexta morte por dengue em Pernambuco e a chegada da vacina Pneumo 20 aos idosos com 85 anos ou mais.
Anvisa restringe uso compassivo da polilaminina após nove mortes
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) restringiu o uso compassivo da polilaminina, substância experimental que tenta devolver movimentos a pessoas com lesão na medula espinhal. Agora, só podem receber o tratamento pacientes com lesão sofrida há no máximo 72 horas e localizada na região torácica da coluna, entre as vértebras T2 e T10, os mesmos critérios do estudo clínico de fase 1. Antes, as autorizações alcançavam lesões completas em qualquer ponto da medula ocorridas em até três meses.
Segundo a agência, a mudança veio de uma nova avaliação de riscos, motivada pelo aumento dos pedidos e pelo registro de nove mortes entre os 119 pacientes que receberam a substância nesse regime. A bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e principal pesquisadora do composto, classificou as restrições como ilegais. A Anvisa repudiou ataques pessoais a seus servidores, e o laboratório Cristália, fabricante do produto, declarou confiança na agência e apoio à diretora Daniela Marreco.
A polilaminina é uma forma estabilizada da laminina, proteína ligada ao desenvolvimento e à recuperação do sistema nervoso, e foi criada no laboratório de Sampaio na UFRJ, que vendeu as patentes à Cristália. Testes em ratos publicados em 2010 indicaram recuperação motora, mas a segurança e a eficácia em pessoas ainda não foram comprovadas. A Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e a Academia Brasileira de Neurologia defendem mais ensaios clínicos antes que a substância possa ser receitada por médicos.
Anvisa proíbe tiras de glicemia Accu-Chek Active falsificadas vendidas na Amazon
A Anvisa proibiu na quinta-feira (22) a venda de tiras reagentes para medir a glicose no sangue anunciadas como Accu-Chek Active na Amazon e identificadas como falsificadas. A resolução, publicada no Diário Oficial da União, também veta a importação, a distribuição e o uso desses itens. A medida atinge dois anúncios: um pacote com 50 tiras e um kit com 100 unidades. Segundo a agência, a proibição vale apenas para esses produtos, e não para as tiras originais da marca.
A irregularidade foi comunicada pela Roche Diabetes Care Brasil, responsável pelos produtos legítimos, depois de comparar os itens anunciados com as versões de fábrica. As tiras eram vendidas sem a embalagem externa original e traziam, em inglês, uma inscrição que as reserva a compras feitas por governos em licitações. A Anvisa orienta quem comprou esses produtos a suspender o uso e conferir a procedência, porque a confiabilidade da medição é essencial para acompanhar a saúde de quem depende dela.
A Anvisa é a agência reguladora vinculada ao Ministério da Saúde, criada pela lei nº 9.782, de janeiro de 1999, no governo Fernando Henrique Cardoso. Ela controla medicamentos, alimentos, cosméticos e produtos médicos, nacionais ou importados, e precisa aprovar esses itens antes que cheguem ao comércio no país. Também atua em portos, aeroportos e fronteiras em temas sanitários, acompanha os preços de medicamentos e integra a Câmara de Medicamentos, conhecida pela sigla CMED.
Anvisa alerta que a ashwagandha, popular no TikTok, não é permitida em suplementos
A Anvisa alertou para os riscos da ashwagandha, erva asiática promovida em perfis do TikTok como suplemento para relaxar e aliviar sintomas da perimenopausa. Segundo a agência, a planta não está na lista de ingredientes autorizados em suplementos alimentares no Brasil, o que torna proibidos a fabricação, a venda, a distribuição e o uso desses produtos no país. O aviso veio após a repercussão do caso de uma mulher britânica que teve falência do fígado, paradas cardíacas e lesões cerebrais graves depois de consumir a substância.
A agência lembra que suplementos servem para complementar a dieta de pessoas saudáveis e que a necessidade de usá-los deve ser avaliada por profissionais de saúde, levando em conta alimentação, condições clínicas e atividade física. Também é proibido atribuir a esses produtos o poder de curar, tratar ou prevenir doenças. Para a Anvisa, boa parte dos riscos vem de itens irregulares, mas mesmo os autorizados podem fazer mal quando consumidos sem respeitar dose, advertências e restrições do rótulo.
Ashwagandha é o nome popular da Withania somnifera, arbusto perene da família das solanáceas nativo da África, da região do Mediterrâneo e da Índia. A planta chega a 75 centímetros de altura, tem flores pequenas em forma de sino e frutos vermelho-alaranjados. Suas raízes são usadas há séculos na medicina aiurvédica, tradicional da Índia, e o termo somnifera significa indutora de sono em latim. No Brasil, as regras de composição e venda de suplementos estão na resolução RDC nº 243, de 2018.
Pernambuco confirma sexta morte por dengue em 2026
Pernambuco passou a contabilizar seis mortes por dengue em 2026, de acordo com o boletim epidemiológico de arboviroses da Secretaria Estadual de Saúde divulgado na quarta-feira (21). As duas novas vítimas são uma mulher de 58 anos, que tinha comorbidades, e um menino de nove anos, sem doenças prévias. Os dois moravam em Paulista, na Região Metropolitana do Recife, não eram parentes e morreram no mesmo dia, 17 de julho.
Entre 4 de janeiro e 17 de outubro, o estado notificou 52.056 casos de dengue, alta de 31,8% em relação ao mesmo período de 2025. Foram confirmados 12.595, sendo 713 graves. O diretor de Vigilância Ambiental da secretaria, Eduardo Bezerra, atribui parte das notificações fora da época habitual ao El Niño, mas diz que os números estão em queda. O boletim registra ainda 433 casos confirmados de chikungunya e nenhum de zika.
A dengue é causada por um vírus com quatro tipos diferentes e transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti. Quem se infecta com um tipo fica protegido contra ele, mas uma nova infecção por outro tipo aumenta o risco de complicações graves. Por isso, a secretaria recomenda eliminar recipientes que acumulem água, manter reservatórios tampados e procurar uma unidade básica de saúde em caso de febre, mesmo sem outros sintomas.
Vacina Pneumo 20 começa a ser aplicada em idosos com 85 anos ou mais
Idosos com 85 anos ou mais passaram a receber a vacina Pneumo 20 pelo Sistema Único de Saúde em municípios da Região Sul, como Caxias do Sul, na Serra gaúcha, onde a aplicação começou na quinta-feira (22) nas unidades básicas de saúde, e Cocal do Sul, em Santa Catarina. O imunizante protege contra 20 tipos da bactéria pneumococo, que pode provocar pneumonia, meningite e infecções graves na corrente sanguínea.
Em Caxias do Sul, basta levar um documento com CPF, sem necessidade de pedido médico, e a equipe define o esquema adequado. Em Cocal do Sul, a recomendação é apresentar também a caderneta de vacinação. A diretora de Vigilância Epidemiológica de Caxias, Andiara Kaefer, explica que as infecções ficam mais graves com o envelhecimento do sistema imunológico. Segundo um médico ouvido no município catarinense, a vacina é de dose única e costuma causar reações leves.
O pneumococo, nome popular da bactéria Streptococcus pneumoniae, é uma das principais causas de pneumonia e meningite em adultos e se espalha com facilidade entre pessoas, por espirros e objetos contaminados. Muitos adultos carregam a bactéria nas vias respiratórias sem sintomas, e a doença tende a surgir quando o organismo está fragilizado, como depois de uma gripe. A imunidade a um tipo da bactéria não protege contra os demais.