SAÚDE: Resumo em 24 Out 2026

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Ilustração de um microscópio com lâmina e lentes
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

O resumo de saúde traz a proibição de produtos de limpeza de duas marcas pela Anvisa, a investigação sobre mortes de bebês em um hospital de São Paulo, a baixa vacinação infantil contra a covid, o alerta sobre a pólio em Alagoas e um caso raro de suspeita de endometriose no cérebro.

Anvisa proíbe produtos de limpeza de duas marcas sem regularização

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária vetou em todo o país a produção, o comércio, a divulgação e o uso de produtos de limpeza de duas marcas. A decisão consta da Resolução-RE 4.158, publicada na sexta-feira (23) no Diário Oficial da União, e atinge o Percarbonato de Sódio Essencial, da Cedro Química Ltda ME, empresa de São José do Cedro (SC), e todos os saneantes vendidos com a marca Araújo Produtos de Limpeza.

Todos os lotes do percarbonato devem ser recolhidos, porque o item era vendido sem regularização, o que contraria a Lei 6.360, de 1976. Já os sabões, amaciantes e detergentes da Araújo serão apreendidos: não têm registro nem notificação e saem de uma fábrica sem autorização de funcionamento, cujo nome aparece como desconhecido no documento. Segundo a agência, itens clandestinos podem causar queimaduras, irritações, problemas respiratórios e intoxicações graves.

Quem tiver esses produtos em casa deve parar de usá-los, e denúncias podem ser feitas pelo telefone 0800 642 9782 ou pelos canais de atendimento da agência. Em setembro, a agência já havia suspendido a fabricação de produtos de limpeza da Unilever em Vinhedo (SP). Vinculada ao Ministério da Saúde, a Anvisa controla produtos e serviços sujeitos à vigilância sanitária, como medicamentos, alimentos, cosméticos e saneantes, e precisa aprová-los antes que cheguem ao mercado.


Polícia investiga mortes de seis bebês em hospital da zona leste de São Paulo

A Polícia Civil apura a morte de seis bebês que passaram pelo Hospital Salvalus, no bairro da Mooca, na zona leste paulistana. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, os casos aconteceram de janeiro a julho e só chegaram ao conhecimento da polícia na quarta-feira (21). O 8º Distrito Policial, no Brás, abriu inquérito, ouve profissionais de saúde e testemunhas e examina os prontuários para esclarecer as causas.

As suspeitas incluem infecções contraídas na internação, falhas na assistência e inconsistências em prontuários. Uma assistente jurídica que acompanha famílias diz ter relatos de pelo menos 36 mães que perderam filhos na unidade em cerca de nove meses. A vigilância sanitária e epidemiológica do estado inspecionou o hospital para avaliar 35 óbitos de bebês registrados no ano, e os conselhos regionais de Enfermagem e de Medicina também apuram os casos.

Em nota, a Hapvida, que administra o hospital, afirmou que cada paciente tinha um quadro diferente e que, sem prova técnica, não é possível apontar uma origem comum para os óbitos; segundo a empresa, mais de mil crianças foram atendidas ali neste ano. Entre as causas citadas em certidões está a sepse, condição potencialmente fatal em que a resposta do corpo a uma infecção danifica os próprios tecidos e órgãos. A Hapvida NotreDame Intermédica é a maior operadora de saúde do país.


Só 5% das crianças pequenas têm as três doses da vacina contra a covid

Dados do Programa Nacional de Imunizações, do Ministério da Saúde, mostram que só 5% das crianças pequenas do país completaram o esquema de três doses contra a covid-19. Neste ano, mais de 1,1 mil crianças menores de 14 anos foram hospitalizadas com quadros respiratórios graves causados pelo coronavírus, e 25 crianças e adolescentes morreram, 15 deles com menos de 2 anos. Desde 2024, a vacina faz parte do calendário básico aos 6, 7 e 9 meses de idade.

O diretor do programa, Eder Gatti, diz que há estoques e contratos para manter o abastecimento e atribui a baixa adesão à desinformação e aos ataques contra a vacina durante a pandemia. Em pesquisa citada pelo programa, 40% dos responsáveis disseram temer reações adversas ou injeções, 22% acham a vacina desnecessária e 18% desconfiam dela. Depois de descongelados, os frascos infantis valem por dez semanas e precisam ser descartados se não forem usados nesse prazo.

Segundo o ministério, nenhuma morte foi registrada após as mais de 6 milhões de doses dadas ao público infantil nos anos da pandemia, e 92% das reações notificadas foram leves. Um estudo da Universidade de São Paulo apontou queda de 97% nos casos graves infantis com a vacina. Criado em 1973 pelo Ministério da Saúde, o programa garante acesso gratuito às vacinas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde e é citado como referência pela Organização Pan-Americana da Saúde.


Alagoas alerta para cobertura vacinal contra a pólio abaixo da meta

A Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas fez um alerta sobre a importância da vacinação contra a poliomielite, já que a cobertura no estado está em 88,85%, abaixo da meta de 95% definida pelo Ministério da Saúde. A doença, também chamada de paralisia infantil, é causada pelo poliovírus e pode atingir o sistema nervoso, provocando paralisia permanente e até a morte. A vacina é oferecida de graça pelo Sistema Único de Saúde.

O esquema infantil de rotina tem cinco doses da vacina inativada: aos 2, 4 e 6 meses de idade, com reforços aos 15 meses e aos 4 anos, e a orientação é vacinar todas as crianças menores de 5 anos. A enfermeira Isis Castro, do programa de imunização no estado, cita febre, dor de cabeça, cansaço, náuseas, vômitos e rigidez muscular entre os sintomas e pede que as famílias mantenham a caderneta em dia.

Como não existe tratamento capaz de eliminar o vírus, a vacina é a principal forma de prevenção, ao lado de hábitos de higiene como lavar as mãos e consumir água tratada. A doença é mais comum em crianças, mas também pode afetar adultos não imunizados. Transmitida principalmente pela via fecal-oral, a poliomielite não provoca sintomas em cerca de 90% das infecções, mas, nos casos graves, pode chegar ao tronco encefálico e exigir respiração mecânica.


Convulsões ligadas à menstruação levam médicos a suspeitar de endometriose no cérebro

Uma equipe de uma universidade de medicina e farmácia de Iași, na Romênia, descreveu o caso de uma mulher que tinha crises epilépticas apenas durante a menstruação e passou a ser tratada para uma possível endometriose cerebral, condição raríssima. O relato saiu em 11 de setembro na revista Journal of Clinical Medicine. As crises começaram em fevereiro de 2019, quando ela tinha 41 anos, e um diário de seis meses mostrou a coincidência com o sangramento.

A primeira ressonância, em agosto de 2019, encontrou uma lesão no hipocampo direito, região ligada à memória. Os remédios antiepilépticos não resolveram, mas, depois do início de um tratamento hormonal em 2021, com dienogeste e desogestrel, as crises cessaram. Em março de 2026, um novo exame já não mostrava a alteração. Como uma biópsia no hipocampo foi considerada arriscada, o diagnóstico continua presumido, e os autores admitem que a melhora não prova a origem da lesão.

Os autores encontraram apenas oito casos semelhantes publicados, o mais antigo de 1987. Crises concentradas em fases do ciclo caracterizam a chamada epilepsia catamenial, que pode ocorrer sem endometriose, por efeito das oscilações hormonais. A endometriose é uma condição em que células semelhantes às do endométrio, camada que reveste o útero, crescem fora dele, sobretudo nos ovários e nas trompas; os sintomas mais comuns são dor abdominal e infertilidade, e cerca de 25% das mulheres não têm sintomas.

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