
O avanço da dengue para regiões antes protegidas pelo frio mostra como o clima já altera o mapa das doenças infecciosas no país. O resumo traz ainda o caso do cardiologista repudiado pelo Einstein, o balanço da Santa Casa de Cuiabá, um mesário socorrido em Santa Catarina e um estudo sobre aspirina e demência.
Calor e eventos extremos espalham dengue e outras infecções pelo Brasil
As mudanças climáticas já ampliam a circulação de doenças infecciosas no Brasil, e a dengue é o exemplo mais claro. O Rio Grande do Sul só teve o primeiro caso não importado em 2007, mas em 2024, ano recorde no país, somou quase 210 mil infecções e 281 mortes, mais que a Bahia. Um estudo da Fiocruz mostra que as microrregiões com níveis epidêmicos da doença passaram de 110 para 292 entre 2006 e 2024.
Segundo os pesquisadores, a maior frequência de temperaturas fora do padrão é o fator que melhor explica o aumento da dengue, e a expansão parece irreversível. A febre do Oropouche, que até 2023 quase só circulava na Amazônia, chegou no ano passado a 23 estados e ao Distrito Federal, com mais de 12 mil infecções. Secas e queimadas empurram roedores para perto das casas, o que eleva o risco de hantavírus, com 212 mortes entre 530 casos desde 2016.
Fungos também preocupam: a Candida auris, que resiste a altas temperaturas, teve o primeiro registro no Brasil em 2020, na Bahia, e já soma 24 ocorrências em 15 estados, todas em unidades de saúde. A dengue é causada por um vírus com quatro tipos e transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti. Os sintomas incluem febre, dores de cabeça, musculares e nas articulações, e uma parte pequena dos casos evolui para a forma hemorrágica.
Einstein repudia cardiologista que disse não atender eleitores do PT
O Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, repudiou publicamente o cardiologista Clederson Henry Dina, que escreveu no Instagram que não atendia eleitores do PT e os chamou de vagabundos. Na mesma mensagem, ele atacou o presidente Lula e afirmou ter recursos para evitar esses pacientes, sem explicar como saberia a preferência política de cada um. As publicações foram apagadas em menos de 24 horas, e o perfil passou a ser restrito.
Em nota, o Einstein disse que reúne cerca de 20 mil médicos, entre autônomos e contratados, e que opiniões individuais não refletem a posição da instituição. O hospital afirmou não tolerar discriminação e disse que o caso é analisado segundo seu código de ética, sem informar punições nem se o médico seguirá atendendo no local. A assessoria do infectologista David Uip informou que o cardiologista apenas aluga uma sala no prédio de sua clínica.
O Código de Ética Médica, definido pela Resolução 2.217/2018 do Conselho Federal de Medicina, determina que a profissão seja exercida sem discriminação de nenhuma natureza e proíbe deixar de atender em urgência e emergência quando o atendimento for responsabilidade do médico. Fundado pela comunidade judaica paulistana em 4 de junho de 1955, o Einstein fica no Morumbi e é considerado uma das unidades de saúde mais conhecidas do Brasil.
Hospital Estadual Santa Casa, em Cuiabá, soma mais de 35 mil cirurgias desde 2019
Desde 2019, o Hospital Estadual Santa Casa, em Cuiabá, contabiliza 35.817 operações, além de 670.974 consultas em ambulatório e 153.635 atendimentos no pronto-socorro infantil, quando a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso assumiu a unidade após a falência da antiga Santa Casa filantrópica. Só neste ano, até 14 de outubro, foram 5.745 cirurgias. Desde 2022, o local também fez mais de 2,2 milhões de exames de laboratório.
O governo estadual comprou o prédio em junho, com R$ 30 milhões repassados à Justiça do Trabalho para pagar credores trabalhistas da antiga entidade, e já havia gasto cerca de R$ 65 milhões em reformas e manutenção, totalizando R$ 95 milhões. O secretário Juliano Melo disse que um plano dividido em seis eixos deve ampliar a oferta de serviços especializados e de leitos. Durante o Outubro Rosa, a unidade reforça a prevenção do câncer de mama e de colo do útero.
De janeiro a setembro, o hospital fez 1.934 mamografias e 2.750 ultrassonografias, e as pacientes chegam encaminhadas pela Central Estadual de Regulação. Cuiabá, a capital de Mato Grosso, foi fundada em 1719 às margens do rio Cuiabá pelo bandeirante Pascoal Moreira Cabral, durante a busca por ouro. Segundo o IBGE, a cidade tinha cerca de 682 mil habitantes em julho de 2024 e forma uma área urbana contínua com Várzea Grande.
Mesário tem convulsão em seção eleitoral de Gaspar e é levado ao hospital
Um mesário teve uma crise convulsiva por volta das 16h25 deste domingo (25), durante o segundo turno, na Escola Ivo de Aquino, no bairro Coloninha, em Gaspar, no Vale do Itajaí. Segundo testemunhas, ele estava em pé quando começou a passar mal e foi amparado pelos colegas, que o deitaram no chão e o viraram de lado até a chegada do Corpo de Bombeiros. A causa da crise não foi informada.
Os bombeiros encontraram o homem consciente, mas desorientado, e com sinais vitais estáveis. Depois do primeiro atendimento, ele foi levado ao Hospital Santo Antônio, na própria cidade, para avaliação médica. Segundo a 64ª Zona Eleitoral, o episódio aconteceu poucos minutos antes do fim da votação no local, e o funcionamento das seções não foi prejudicado, com o processo eleitoral seguindo normalmente até o encerramento.
Uma crise convulsiva é provocada por uma descarga elétrica súbita e anormal no cérebro e pode ter várias causas; um episódio isolado não significa epilepsia, diagnóstico que costuma exigir ao menos duas crises sem motivo aparente com intervalo de mais de 24 horas. Gaspar fica entre Blumenau e Itajaí, tinha 73.053 habitantes em 2022 e é conhecida pelos parques aquáticos e pela produção de moda infantil.
Aspirina em dose baixa reduz demência em grupo genético, mas dobra risco de sangramento
Pesquisadores da Universidade Monash, na Austrália, viram uma queda relativa de cerca de 70% no risco de demência com o uso de aspirina em dose baixa em idosos com um perfil genético ligado a uma maior contagem de plaquetas. O trabalho, publicado na revista Alzheimer’s & Dementia, analisou dados de 13.541 participantes do estudo ASPREE, que comparou o remédio com placebo. A contrapartida: entre esses voluntários, as hemorragias graves ficaram aproximadamente duas vezes mais frequentes.
O efeito apareceu entre os 20% com maior pontuação no escore genético, critério que não equivale a um simples exame de sangue. Nesse grupo, cerca de 1% dos que tomaram aspirina desenvolveram demência, contra 3,3% dos que receberam placebo, uma diferença absoluta de aproximadamente 2,3 pontos percentuais. Os autores dizem que o achado é exploratório, ainda sem validação independente, e não serve como recomendação para começar a usar o medicamento.
Os próximos passos são repetir a análise em outras populações e fazer um ensaio clínico com pessoas desse perfil. Segundo o Ministério da Saúde, até 45% dos casos de demência podem ser prevenidos ou retardados. O ácido acetilsalicílico, nome técnico da aspirina, trata dor, febre e inflamação e, por dificultar a ação das plaquetas, é usado na prevenção de infartos e derrames em pessoas suscetíveis.