SAÚDE: Resumo em 27 Out 2026

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Ilustração de medicamentos e itens de tratamento médico
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

A Anvisa manda recolher um picolé com melatonina e um suplemento de proteína, mais de 3 milhões de adolescentes estão com a vacina da dengue incompleta, uma operação apura fraude na fila do SUS no Rio Grande do Norte, o Paraná bate recorde de vacinação em dez anos e cidades mineiras ampliam a vacina contra meningite.

Anvisa manda recolher picolé com melatonina e suplemento de proteína

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária mandou recolher nesta segunda-feira (26) dois produtos e proibiu sua fabricação, venda, distribuição, propaganda e consumo. O primeiro é o picolé Magnésio + Inositol Relief 3.0, da Bentô Gelatos, que leva melatonina e inositol, ingredientes liberados apenas em suplementos alimentares e, no caso do inositol, também em compostos líquidos prontos para beber, sem avaliação de segurança para uso em alimentos.

O segundo é o suplemento Body Strong Protein, sabor cacau, da marca Equaliv, fabricado pela Althaia, que contém peptistrong, proteína de fava hidrolisada também sem avaliação de segurança. Segundo a agência, o produto não tinha regularização sanitária e era anunciado com promessas terapêuticas, como prevenir a sarcopenia e preservar a massa magra de quem usa canetas emagrecedoras. As medidas constam de resolução publicada no Diário Oficial da União.

Em nota, a gelateria disse que já cumpre a determinação, que o picolé não estava à venda nem fazia parte do cardápio e que retirou as divulgações dos seus canais no mesmo dia; o caso está com o advogado da empresa. A melatonina é um hormônio produzido pela glândula pineal em animais e participa da organização dos ritmos biológicos do corpo, fazendo a ligação entre o ciclo de claro e escuro do ambiente e o funcionamento do organismo.


Mais de 3 milhões de adolescentes não tomaram a segunda dose da vacina contra a dengue

Mais de 3 milhões de adolescentes que tomaram a primeira dose da vacina contra a dengue ainda não voltaram para a segunda, segundo dados do Ministério da Saúde apresentados pelo diretor do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti, em encontro da Sociedade Brasileira de Imunizações no Rio de Janeiro. Foram aplicadas mais de 11,8 milhões de doses no país, sendo 7,6 milhões de primeiras doses e 4,2 milhões de segundas.

Quase 4 milhões de doses já enviadas aos municípios seguem paradas, e a pasta teme alta de casos no verão, com possível influência do El Niño. A Qdenga, da farmacêutica japonesa Takeda, usada no SUS, exige duas aplicações com três meses de intervalo e é oferecida em todo o país a quem tem de 10 a 14 anos. Pelo contrato, chegam 9 milhões de doses neste ano e o mesmo volume no ano que vem, em 2027. Pais devem conferir a caderneta.

Gatti afirmou que vacinar adolescentes sem percepção de risco é difícil e que o ideal é imunizar fora do pico, para que entrem protegidos na temporada. A vacina do Instituto Butantan segue suspensa desde junho de 2026, após três casos graves, com duas mortes, entre mais de 500 mil vacinados, sem relação causal comprovada. Transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti, a dengue tem quatro tipos de vírus e pode evoluir para formas hemorrágicas.


Operação investiga cadastro falso usado para furar a fila do SUS no Rio Grande do Norte

O Ministério Público do Rio Grande do Norte deflagrou nesta segunda-feira (26) a Operação Camarote SUS, que apura um esquema suspeito de furar a fila de consultas e exames da rede pública. Dois servidores, um empresário e uma empresa de assessoria em saúde são investigados. Foram cumpridos mandados de busca em Natal, Parnamirim, Extremoz e Santana do Matos, com apreensão de celulares, computadores e documentos.

Segundo a investigação, o grupo criou em agosto de 2022 um usuário falso no sistema de marcação, com dados de um paciente real e permissões para agendar, cancelar e autorizar procedimentos. Vagas eram reservadas por até sete dias, canceladas e repassadas a pessoas escolhidas, e programas automáticos bloqueavam dezenas de horários em minutos. Foram identificadas ao menos 578 operações com o cadastro, o que não significa o mesmo número de beneficiados.

Os promotores também apuram transferências bancárias entre os envolvidos, possíveis pagamentos por atendimentos e indícios de que arquivos e o próprio perfil foram apagados. Entre os crimes investigados estão corrupção, inserção de dados falsos em sistema, desvio de cotas públicas e associação criminosa; não houve prisões nem divulgação de nomes. Criado pela Constituição de 1988, o SUS é o sistema público e universal de saúde do Brasil, que vai do atendimento básico a procedimentos complexos.


Paraná alcança a maior cobertura vacinal em dez anos

O Paraná registrou o melhor índice de vacinação da década e deixou para trás a queda iniciada em 2016, segundo o Ministério da Saúde e a secretaria estadual. O estado aplicou mais de 87 milhões de doses no período. Em 2021, pior momento da série, só a vacina contra o HPV em meninas, com 93%, batia a meta federal de 90%; em 2024 e 2026, a meta foi alcançada em dez imunizantes.

A BCG passou de 82% em 2021 para 100% em 2026, a vacina contra a poliomielite foi de 80% para 95% e a Pentavalente, de 81% para 94%. O estado ficou em primeiro no país na dose inicial da tríplice viral, com 100%, e na vacina infantil contra a hepatite A, com 89%. A secretaria avaliou mais de 1,2 milhão de cadernetas de estudantes nas escolas, o que levou à aplicação de 509 mil doses.

A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde, Maria Goretti David Lopes, atribuiu a virada ao trabalho com os 399 municípios desde 2023, com postos abertos aos sábados e ações fora das unidades. O Paraná está há seis anos sem casos de sarampo. A queda da vacinação no país foi impulsionada por notícias falsas e se agravou na pandemia. Criado em 1973, o Programa Nacional de Imunizações oferece de graça as vacinas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde.


Cidades de Minas ampliam vacinação contra meningite até 29 de outubro

Cidades de Minas Gerais ampliaram temporariamente, até 29 de outubro, a vacinação contra a meningite meningocócica com a vacina ACWY, após autorização da Secretaria de Estado de Saúde. Em Congonhas, a dose está disponível para toda a população, e em Uberaba, para quem tem mais de 15 anos, em todas as salas de vacinação e no Vacimóvel. A medida busca aproveitar as doses disponíveis e ampliar a proteção contra a doença.

O imunizante ACWY cobre os sorogrupos A, C, W e Y da Neisseria meningitidis, bactéria que causa a doença. Ela entrou no SUS em 2020 para adolescentes de 11 a 14 anos e, em 2025, passou a ser oferecida também a crianças de um a quatro anos. As prefeituras pedem que quem não tomou a vacina ou tem doses atrasadas procure a unidade de saúde mais próxima; gestantes devem consultar um profissional de saúde antes.

A vacinação de rotina continua para crianças de 1 ano e adolescentes, conforme o calendário nacional. A meningite inflama as meninges, camadas que revestem o cérebro e a medula espinhal, e pode ser causada por vírus ou bactérias; algumas formas evoluem rapidamente e podem deixar sequelas ou matar. Febre alta, dor de cabeça forte, vômitos, rigidez na nuca e sensibilidade à luz exigem atendimento médico imediato.

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