SAÚDE: Resumo em 28 Out 2026

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Ilustração de um frasco de comprimidos e medicamentos
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

A Anvisa estende para cinco anos o uso do implante contraceptivo do SUS, o Tecpar pede o registro de uma vacina contra catapora, Mato Grosso do Sul chega a 31 mortes por chikungunya, o Hospital de Base do Distrito Federal faz seu primeiro transplante de medula óssea e a Câmara aprova consultas sobre saúde reprodutiva para jovens.

Anvisa amplia de três para cinco anos o uso do implante contraceptivo oferecido no SUS

A Anvisa aprovou na segunda-feira (26) a ampliação do prazo de uso do Implanon NXT, implante contraceptivo de etonogestrel distribuído pelo SUS desde 2025, de três para cinco anos. Com a mudança, publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (27), uma única aplicação passa a proteger por mais tempo, e quem já usa o dispositivo pode mantê-lo até o novo limite, com acompanhamento médico, sem trocá-lo ao fim do terceiro ano.

A decisão se baseou em estudos clínicos que mostraram eficácia e segurança no quarto e no quinto ano de uso; no principal deles, nenhuma participante engravidou no período extra. A agência também liberou a colocação do implante logo depois do parto ou de um aborto, inclusive no primeiro ou no segundo trimestre, para reduzir gestações não planejadas entre mulheres que deixam de voltar ao serviço de saúde após a alta. Estados Unidos, Canadá e Reino Unido já adotavam o prazo de cinco anos.

O dispositivo é um pequeno bastão flexível colocado sob a pele do braço, com anestesia local, que libera continuamente um hormônio sintético capaz de impedir a ovulação e engrossar o muco do colo do útero. No SUS, é indicado para adolescentes e mulheres de 14 a 49 anos, conforme avaliação clínica. Os implantes estão entre os métodos contraceptivos mais eficazes, ao lado da vasectomia, da laqueadura e dos dispositivos intrauterinos.


Tecpar pede registro de vacina contra catapora e prevê 7 milhões de doses em 2027

O Instituto de Tecnologia do Paraná, o Tecpar, enviou à Anvisa o pedido de registro de uma vacina contra a varicela, a catapora, para fornecer o imunizante ao SUS. Assim que o registro for aprovado, o instituto vai programar a primeira entrega ao Ministério da Saúde, com previsão de 7 milhões de doses já em 2027. A análise da agência deve levar de seis meses a um ano, segundo o instituto.

Em 2025, o Tecpar foi escolhido como o único laboratório público a fornecer vacinas contra varicela e raiva humana ao ministério, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, dentro de um programa de transferência de tecnologia. Nesta fase, a vacina chegará pronta da China com a marca do instituto e passará por checagens de temperatura e qualidade. A meta é produzir as duas vacinas no complexo que o Tecpar constrói em Maringá, com 65% das obras concluídas.

Altamente contagiosa, a varicela é causada pelo vírus varicela-zoster e provoca bolhas que coçam muito, além de febre e mal-estar; costuma ser mais grave em adultos, gestantes e pessoas com imunidade baixa. Segundo o Ministério da Saúde, o país teve média anual de 11.515 casos entre 2017 e 2026. Hoje a proteção no SUS vem da vacina tetraviral, e a versão que protege só contra a catapora é importada de laboratórios estrangeiros.


Chikungunya já matou 31 pessoas em Mato Grosso do Sul neste ano

Mato Grosso do Sul soma 31 mortes por chikungunya em 2026, segundo boletim da 41ª semana epidemiológica divulgado na segunda-feira (26) pela Secretaria de Estado de Saúde. O estado registrou 12.440 casos prováveis da doença, dos quais 10.817 foram confirmados, além de 122 casos confirmados em gestantes. As mortes ocorreram em dez municípios, entre eles Dourados, Bonito, Ponta Porã e Corumbá, e 20 vítimas tinham comorbidades.

Não há mortes pela doença em investigação. No caso da dengue, o estado contabiliza 3.896 casos prováveis e 2.292 confirmados, com uma morte em Bonito e outra em investigação. O estado já usou 223.322 das 241.030 doses de vacina contra a dengue recebidas do ministério, para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, em duas doses com intervalo de três meses. Não existe vacina contra a chikungunya nessa campanha.

A chikungunya é causada por um vírus transmitido pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, que picam sobretudo durante o dia, e provoca principalmente febre e dor nas articulações, que em alguns casos persiste por meses ou anos. Crianças pequenas, idosos e pessoas com outros problemas de saúde correm maior risco de quadros graves. A secretaria recomenda eliminar água parada e procurar uma unidade de saúde em caso de sintomas, sem se automedicar.


Hospital de Base do Distrito Federal realiza seu primeiro transplante de medula óssea

O Hospital de Base do Distrito Federal fez seu primeiro transplante de medula óssea, em 8 de outubro, em um comerciante de 54 anos que descobriu um mieloma múltiplo em novembro de 2025. O procedimento foi autólogo, feito com células-tronco do próprio paciente, e a infusão levou cerca de 30 minutos, sem cirurgia. Exames de 19 de outubro mostraram a retomada da produção de células de defesa, e ele recebeu alta após 15 dias internado.

A expectativa é realizar de dois a quatro transplantes por mês, inicialmente para pacientes com mieloma múltiplo e alguns tipos de linfoma; antes, eles eram encaminhados a outros centros, muitas vezes após meses de espera. Cerca de 30 profissionais participaram da preparação, e o próximo passo é oferecer o transplante alogênico, feito com células de um doador. Na rede privada, procedimentos desse tipo podem passar de R$ 300 mil.

O SUS responde pela maior parte desses transplantes no país e registrou quase 12 mil entre 2022 e 2025. O procedimento surgiu na década de 70, com o trabalho pioneiro de E. Donnall Thomas, mais tarde premiado com o Nobel de Medicina. O mieloma múltiplo é um câncer de um tipo de glóbulo branco que produz anticorpos e pode causar dor óssea, infecções frequentes e anemia; o transplante não garante a cura, mas ajuda a controlar a doença.


Câmara aprova consultas no SUS sobre saúde reprodutiva para meninas e meninos

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (27) uma proposta que garante a meninas e meninos consultas de saúde reprodutiva no SUS desde que começa a puberdade ou chega a primeira menstruação. Os deputados aprovaram em Plenário a versão da relatora, Flávia Morais (MDB-GO), para o projeto apresentado pela deputada Adriana Ventura (Novo-SP), que agora segue para o Senado. A relatora diz que o objetivo é promover a saúde reprodutiva e prevenir doenças.

A relatora ampliou o texto para incluir também os meninos, mudança elogiada pela autora, que defendeu mais medicina preventiva e informação para os jovens. As diretrizes incluem informar sobre a vacina contra o HPV, orientar sobre sexualidade e prevenção de infecções e oferecer apoio emocional. O atendimento deve priorizar acolhimento adequado à idade, privacidade e dignidade, e ser organizado de preferência na atenção primária, com encaminhamento a especialistas quando houver indicação clínica.

A puberdade é a fase em que o corpo amadurece física e mentalmente para a vida adulta e passa a ter capacidade de reprodução, a partir de sinais hormonais enviados pelo cérebro aos ovários e aos testículos. Nos meninos, ela começa com o aumento dos testículos; nas meninas, com o surgimento do broto mamário, e o processo pode durar de 2 a 4 anos. Segundo a relatora, a proposta também busca orientar sobre esse desenvolvimento.

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