
O recolhimento de um lote de linguiça contaminado por listéria abre o resumo, que traz ainda os dados do Inca sobre a mortalidade maior por câncer de mama entre mulheres negras, a vacinação de idosos contra a pneumonia no Pará, a suspensão de lotes de remédios contra o câncer e a expansão do método Wolbachia em Uberlândia.
Anvisa manda recolher lote de linguiça defumada contaminado por listéria
A Anvisa determinou nesta quarta-feira (28) o recolhimento de um lote de linguiça defumada de porco, vendida com a marca KF Embutidos e produzida pela Fábrica de Embutidos Zanetti, depois que uma análise laboratorial oficial encontrou a bactéria Listeria monocytogenes em uma amostra. A resolução, publicada no Diário Oficial da União, suspende a venda, a distribuição, a propaganda e o uso do lote 21/08/2026, o único atingido pela medida. A agência não informou se houve casos de doença ligados ao consumo do produto.
Quem comprou a linguiça deve conferir o número do lote na embalagem e, se for o afetado, não consumir o alimento e procurar o estabelecimento ou o fabricante para a devolução. Pessoas que tiverem sintomas depois de comer o produto devem buscar atendimento médico. Em nota, a empresa afirmou ter recolhido todo o lote e comunicado os órgãos competentes, e disse que novas análises deram negativo para a bactéria e que a inspeção estadual já autorizou a retomada da produção.
A listeriose, infecção causada pela bactéria, é rara, mas está entre as doenças transmitidas por alimentos mais graves: nas formas invasivas, a mortalidade pode variar de 20% a 30%, segundo a Organização Mundial da Saúde. O microrganismo vive no solo e na água e consegue se multiplicar mesmo dentro da geladeira. A incubação vai de 3 a 70 dias, e os maiores riscos são para gestantes, recém-nascidos, idosos e pessoas com imunidade baixa; na gravidez, pode causar aborto ou parto prematuro.
Mulheres negras morrem 3,8 vezes mais de câncer de mama do que brancas, aponta Inca
Um levantamento do Instituto Nacional de Câncer mostra que a taxa de mortalidade por câncer de mama entre mulheres negras é 3,8 vezes maior que a registrada entre mulheres brancas, embora a incidência da doença seja mais alta entre as brancas. Os dados fazem parte do primeiro volume de uma série sobre disparidades raciais na doença, apresentado nesta terça-feira no Rio de Janeiro, durante a programação do Outubro Rosa, em data que marcou também o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra.
Segundo Renata Maciel, coordenadora de detecção precoce do instituto, a diferença pode estar ligada tanto à biologia dos tumores quanto ao acesso desigual ao diagnóstico e ao tratamento. As mulheres negras têm mais casos do subtipo triplo-negativo, considerado mais agressivo, e fazem menos exames de rastreamento, segundo a análise da faixa de 50 a 69 anos. Para o diretor-geral, Roberto Gil, o resultado mostra a necessidade de políticas públicas com equidade. O documento cita ainda fatores socioeconômicos, estresse e ancestralidade.
O câncer de mama é o tipo mais frequente entre as brasileiras, e aproximadamente quatro de cada cinco casos são descobertos depois dos 50 anos. Segundo o instituto, aproximadamente 17% dos casos poderiam ser evitados com mudanças de rotina, entre elas controlar o peso, fazer exercícios, deixar o álcool de lado e amamentar. O Inca é o órgão do Ministério da Saúde que coordena as ações de prevenção e controle do câncer no país e oferece atendimento gratuito a pacientes pelo SUS, além de atuar em pesquisa e formação de especialistas.
Pará começa a vacinar idosos de 85 anos ou mais contra a pneumonia
O Pará começou a aplicar a vacina pneumocócica conjugada 20-valente, conhecida como pneumo 20, em idosos com 85 anos ou mais nos 144 municípios do estado. A campanha, conduzida pela Secretaria de Estado de Saúde Pública, pretende alcançar cerca de 57 mil pessoas e recebeu do Ministério da Saúde uma remessa inicial de 28 mil doses. A vacina protege contra 20 sorotipos da bactéria e busca reduzir complicações, internações e mortes.
Os idosos devem levar o cartão do SUS e a caderneta de vacinação à unidade de saúde mais próxima. Como cada prefeitura organiza a aplicação, algumas cidades vão começar por acamados, moradores de instituições ou pessoas com dificuldade de locomoção. Quem nunca tomou vacina pneumocócica recebe dose única; quem tomou a pneumo 13 ou a 15 aguarda dois meses, e quem recebeu uma dose da pneumo 23 espera um ano. Quem já tomou duas doses da 23, ou uma da 13 ou 15 e outra da 23, não precisa da nova vacina.
Pessoas de 60 a 84 anos acamadas, que vivem em instituições ou têm condições clínicas especiais continuam atendidas por estratégias específicas do Programa Nacional de Imunizações, e a coordenadora estadual de imunizações, Jaíra Ataíde, recomenda aproveitar a visita para pôr em dia as demais vacinas. O pneumococo é uma das principais causas de pneumonia e meningite em adultos e passa com facilidade de pessoa para pessoa por espirros e objetos contaminados; sua cápsula ajuda a bactéria a escapar das defesas do organismo.
Anvisa suspende lotes de dois remédios contra o câncer e de uma solução intravenosa
Lotes de três medicamentos tiveram a venda, a distribuição e o uso suspensos pela Anvisa nesta quarta-feira (28), dois deles usados no tratamento do câncer, depois que os próprios fabricantes identificaram problemas de qualidade. O Laboratório Teuto Brasileiro faz o recolhimento voluntário do lote BF25008896 do Simbeva, e a Biocon Biológicos do Brasil, do lote F26002105 do Abevmy, ambos em frascos de 16 ml com concentração de 25 mg/ml, aplicados na veia.
Nos dois remédios oncológicos, o teste de endotoxinas bacterianas teve resultado fora do padrão exigido. A terceira medida vale para a solução de Ringer com lactato, lote M 0465 26, em bolsas plásticas de 500 ml, da JP Indústria Farmacêutica, depois que a empresa encontrou partículas escuras de vários tamanhos em suspensão no líquido, o que reprovou o produto no teste de aspecto. A restrição vale só para os lotes identificados e não proíbe a venda desses medicamentos em geral.
A Anvisa é uma agência reguladora ligada ao Ministério da Saúde, criada pela Lei nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999, no governo Fernando Henrique Cardoso. Ela controla do ponto de vista sanitário medicamentos, alimentos, cosméticos, produtos médicos, sangue e serviços de saúde, nacionais ou importados, aprova esses produtos antes da venda no país e fiscaliza portos, aeroportos e fronteiras. A agência também monitora os preços de medicamentos e participa da câmara que regula esse mercado.
Uberlândia leva mosquitos com Wolbachia a mais 34 bairros contra a dengue
A Prefeitura de Uberlândia, em Minas Gerais, vai estender nos próximos dias o método Wolbachia a mais 34 bairros, passando de 23 para 57 localidades atendidas e cobrindo cerca de 80% da área urbana. A estratégia, feita em parceria com o Ministério da Saúde, a Fiocruz e a empresa Wolbito do Brasil, solta mosquitos Aedes aegypti portadores da bactéria Wolbachia, que dificulta a multiplicação dos vírus da dengue, da zika e da chikungunya dentro do inseto.
O método chegou à cidade em novembro de 2025, com a inauguração de uma biofábrica de cerca de 330 metros quadrados no bairro Umuarama, que também deve fornecer mosquitos para Araguari, Uberaba e Ituiutaba. O secretário de Saúde, Adenilson Lima, disse que a mortalidade por dengue caiu 92% no primeiro semestre de 2026 em relação a todo o ano de 2025, mas o dado não permite atribuir a queda só ao método. Agentes de endemias foram treinados para orientar os moradores.
Com o tempo, os mosquitos com a bactéria se reproduzem e a transmitem às gerações seguintes, sem modificação genética, o que não dispensa eliminar água parada. A Wolbachia foi identificada em 1924 em um mosquito e, em 2010, cientistas da Universidade do Estado de Michigan mostraram que ela pode bloquear a duplicação do vírus no Aedes aegypti. O Brasil investe no método desde 2011, com a primeira soltura em 2015, no Rio de Janeiro, e expansão em 2019 para Campo Grande, Belo Horizonte e Petrolina.