SAÚDE: Resumo em 30 Out 2026

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Ilustração de um médico pediatra em ambiente hospitalar
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

O novo painel que mostra a baixa cobertura da vacina contra meningite entre adolescentes abre o resumo, que traz também o projeto aprovado na Câmara para remédios de uso contínuo, um novo tratamento para atrofia muscular espinhal, a expansão do teste de DNA-HPV no SUS e o registro de mais cinco canetas para diabetes e obesidade.

Só 67% dos adolescentes tomaram a vacina ACWY contra meningite, mostra painel do ministério

O Ministério da Saúde lançou nesta quinta-feira (29) um painel que acompanha quantos jovens de 11 a 14 anos receberam a vacina meningocócica ACWY; neste ano, a proporção está em 67,1%, abaixo da meta de pelo menos 80%. A ferramenta agrupa os jovens por ano de nascimento e reúne registros de doses aplicadas nos sistemas nacionais de informação, cruzados com dados de nascidos vivos e estimativas populacionais, para mostrar onde a vacinação está mais atrasada.

Segundo o ministério, o objetivo é ajudar estados e municípios a localizar regiões com baixa adesão e planejar a busca ativa dos adolescentes que ainda não se vacinaram. A dose única entrou no calendário do adolescente em 2020 e foi ampliada para a faixa de 11 a 14 anos em 2022, mas a meta nunca foi atingida desde então, embora a cobertura tenha crescido. Desde o ano passado, a vacina também é aplicada como reforço aos 12 meses de idade, depois de duas doses da meningocócica C.

O imunizante age sobre os tipos A, C, W e Y da Neisseria meningitidis, quatro dos sorogrupos dessa bactéria e responsáveis da doença meningocócica invasiva, que pode se manifestar como meningite ou como meningococemia, uma infecção generalizada do sangue de evolução rápida. A bactéria vive no trato respiratório superior de cerca de 10% da população sem causar sintomas e é transmitida por gotículas de tosse e espirro ou pela saliva. A letalidade da doença fica em torno de 10%, e até 20% dos sobreviventes podem ter sequelas permanentes.


Comissão da Câmara aprova diretrizes para ampliar o acesso a remédios de uso contínuo no SUS

Um projeto aprovado pela Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados cria diretrizes para melhorar o fornecimento, pelo SUS, de medicamentos essenciais e de uso contínuo, com foco em pacientes com doenças crônicas como câncer, diabetes e hipertensão. O texto é o substitutivo da relatora, deputada Flávia Morais (MDB-GO), ao Projeto de Lei 108/11, apresentado pelo ex-deputado Sandes Júnior e que, em 15 anos de tramitação, reuniu 26 propostas apensadas sobre desoneração de remédios.

Segundo a relatora, a reforma tributária tornou desnecessárias novas isenções por lei ordinária, porque já zera tributos de itens do Farmácia Popular e de remédios contra câncer, diabetes e doenças raras e corta em 60% os dos demais. Por isso, o texto troca a renúncia fiscal por gestão: avaliação contínua de custos e do risco de falta, fiscalização para que os cortes cheguem ao preço final e integração entre a Anvisa, o órgão que regula preços de medicamentos e a lista nacional de remédios essenciais. A proposta ainda passa por duas comissões antes do Senado.

A Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, conhecida como Rename, reúne oficialmente os remédios e insumos escolhidos para uso na rede do SUS e orienta a assistência farmacêutica, das compras ao uso na rede pública. Publicada pelo Ministério da Saúde, segue o conceito de medicamentos essenciais da Organização Mundial da Saúde. O Brasil começou a montar listas desse tipo antes da primeira lista modelo da OMS, de 1977, e o nome atual foi adotado em 1975. Desde 2024, um painel eletrônico acompanha as mudanças na relação.


Anvisa aprova versão em comprimido de remédio para atrofia muscular espinhal

A Anvisa aprovou nesta quinta-feira (29) o registro do Evrysdi Go, nova apresentação do risdiplam, para tratar a atrofia muscular espinhal 5q em adultos e crianças acima de 2 anos com pelo menos 20 quilos. O remédio é indicado para pacientes com diagnóstico dos tipos 1, 2 ou 3 da doença ou com uma a quatro cópias do gene SMN2. Os comprimidos revestidos podem ser engolidos com um pouco de água ou dissolvidos em água sem cloro e tomados na forma líquida.

Em comparação com a versão já aprovada, a nova forma dispensa o preparo por profissionais de saúde e o treinamento de cuidadores, e pode ser guardada em temperatura ambiente, sem geladeira. Em um dos estudos, com 41 bebês de 2 a 7 meses com o tipo 1, o mais grave, 12 conseguiram ficar sentados sem apoio por mais de cinco segundos após 12 meses de uso. Em outro, com 180 pacientes de até 25 anos dos tipos 2 e 3, a melhora motora foi discreta, de 1,6 ponto numa escala de 100.

A atrofia muscular espinhal reúne doenças neuromusculares marcadas pela perda dos neurônios motores e pela atrofia progressiva dos músculos, que costuma atingir primeiro braços, pernas ou a respiração. É uma das principais causas genéticas de morte em recém-nascidos. O problema vem de um defeito no gene SMN1, herdado de forma autossômica recessiva, que codifica a proteína de sobrevivência dos neurônios motores. O risdiplam faz o gene SMN2 produzir mais dessa proteína em sua forma completa, o que ajuda a retardar o avanço da doença.


Teste de DNA-HPV contra o câncer do colo do útero chega a 26 unidades da Federação pelo SUS

O teste molecular DNA-HPV, que identifica infecções pelo papilomavírus humano antes do surgimento de lesões que podem evoluir para o câncer do colo do útero, já é oferecido pelo SUS em 26 unidades da Federação, segundo o Ministério da Saúde. A implantação é gradual: todos os estados, exceto o Espírito Santo, já receberam os materiais e começaram a fazer os exames em pelo menos um município, e Goiânia e Aparecida de Goiânia estão entre as cidades que passaram a oferecer o teste.

Foram coletadas 153 mil amostras em 2025 e 2026; das 93 mil processadas neste ano, 9.904 deram positivo para HPV de alto risco. Com resultado negativo, a próxima coleta pode esperar cinco anos. O exame é feito nas unidades básicas de saúde e, em casos previstos no protocolo, por autocoleta orientada. Os kits são produzidos pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná, ligado à Fiocruz, e o Papanicolau segue disponível durante a transição. No Espírito Santo, o envio de material está previsto para este ano.

O câncer do colo do útero surge no colo do útero e, na fase inicial, geralmente não provoca sintomas; com o avanço, podem aparecer sangramentos e dores. Em mais de 90% dos casos, a causa aparenta ser a infecção pelo HPV, embora a maioria das pessoas infectadas não desenvolva a doença. Os tipos 16 e 18 do vírus estão entre os de maior risco. Pelas estimativas do Instituto Nacional de Câncer, o Brasil pode ter cerca de 19,3 mil casos novos por ano entre 2026 e 2028.


Anvisa registra mais cinco canetas de liraglutida e semaglutida, mas preço e data seguem indefinidos

A Anvisa autorizou cinco novas canetas injetáveis à base de liraglutida e semaglutida, com registros publicados no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (29). Três são indicadas para diabetes e duas para obesidade, Lyrza e Wylovol, ambas de liraglutida, registradas pela Farma Vision e fabricadas pela indiana Biocon. Com elas, a agência chega a 20 canetas desse tipo aprovadas em 2026, dentro de uma prioridade dada desde agosto de 2025 a pedidos com essas substâncias, a pedido do Ministério da Saúde.

Os fabricantes ainda não informaram quando os produtos chegarão às farmácias nem quanto vão custar, e o registro não garante queda imediata de preços, que dependerá do lançamento e das condições de venda. Uma caneta aprovada para diabetes não fica automaticamente liberada para obesidade, mesmo com o mesmo princípio ativo. A compra exige receita médica retida na farmácia, regra adotada pela Anvisa após o aumento do uso sem acompanhamento profissional, e os preços máximos são definidos por um órgão de regulação do mercado.

A liraglutida e a semaglutida pertencem à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, que imitam um hormônio produzido no intestino e ajudam a controlar a glicose e o apetite. A semaglutida, vendida sob marcas como Ozempic e Wegovy, foi desenvolvida pela Novo Nordisk e aprovada nos Estados Unidos em 2017. Em geral, a liraglutida é aplicada todos os dias, e a semaglutida injetável, uma vez por semana. Efeitos colaterais comuns incluem náusea, vômito e diarreia, e casos graves podem envolver pancreatite.

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