TECNOLOGIA: Resumo em 17 Out 2026

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Ilustração de um smartphone com câmeras traseiras
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

O sábado reuniu notícias de peso no universo da tecnologia: o primeiro iPhone dobrável já está em pré-venda no Brasil, a Coreia do Norte diz ter testado um torpedo guiado por inteligência artificial, a Starlink recebeu sinal verde para usar uma nova faixa de frequência no país e o Inpe ganhou reforço milionário para monitorar o desmatamento com algoritmos. Também há novidades da DeepSeek, do Google e da Samsung.

iPhone Duo, primeiro dobrável da Apple, entra em pré-venda no Brasil por até R$ 30.999

A Apple abriu na sexta-feira (16) a pré-venda brasileira do iPhone Duo, o primeiro celular dobrável da história da marca. Os pedidos passaram a ser aceitos a partir das 9h no site oficial da empresa, e a procura foi tão grande que, pouco mais de uma hora depois da abertura, a previsão de entrega para quem comprasse pela internet já tinha sido empurrada para o fim de janeiro de 2027, a partir do dia 22. Nas lojas de varejo e nas operadoras de telefonia, o aparelho deve chegar em 23 de outubro. A estreia coloca a fabricante americana em um segmento que concorrentes como Samsung e Huawei exploram há vários anos, e por isso o lançamento era aguardado com curiosidade por consumidores e analistas do mercado de smartphones de alto padrão em todo o mundo.

Os preços no Brasil assustam até quem já está acostumado com os valores cobrados pela marca. A versão de entrada, com 256 GB de armazenamento, custa R$ 21.999. O modelo de 512 GB sai por R$ 23.499, o de 1 TB por R$ 26.499 e o topo de linha, com 2 TB, chega a R$ 30.999, o que faz dele um dos celulares mais caros já vendidos oficialmente no país. No site da empresa, o pagamento pode ser dividido em até 12 parcelas, ou o cliente pode obter desconto de 10% para pagamento à vista. O aparelho será oferecido em duas cores, branco e um tom azul-marinho escuro que a empresa chama de céu noturno. Para muitos compradores, a diferença entre as versões estará apenas no espaço disponível para fotos, vídeos e aplicativos, já que o restante da ficha técnica é igual.

Fechado, o Duo exibe uma tela externa de 5,4 polegadas. Aberto, revela um painel interno de 7,6 polegadas, que, de acordo com a fabricante, é 50% maior do que a tela do iPhone 18 Pro Max. A ideia é unir a portabilidade de um celular comum a uma área de visualização mais ampla, pensada para produtividade, vídeos e uso de dois aplicativos ao mesmo tempo. A tela interna recebeu um acabamento em nanotextura que reduz reflexos e deixa menos visível o vinco central, um dos problemas mais criticados nos dobráveis. A empresa afirma que a dobradiça é formada por mais de cem peças, pensadas para guiar a abertura do painel e diminuir o esforço sobre a tela. A estrutura do corpo é feita de titânio, material já usado pela marca em seus modelos mais caros nos últimos anos.

Por dentro, o celular usa o chip A20 Pro, o mesmo dos iPhone 18 Pro e 18 Pro Max, e conta com um sistema de bateria dupla. Atrás, há duas câmeras de 48 megapixels, uma principal e outra ultra-angular, e uma câmera frontal integrada à tela interna atende as videochamadas. O formato dobrável permitiu recursos exclusivos: um deles usa a tela externa para que a pessoa fotografada veja o enquadramento antes do clique, e outro deixa quem está por perto acompanhar uma videochamada pelo visor de fora. O sistema iOS 27 foi adaptado para dividir a tela entre dois aplicativos e ajustar a interface quando o aparelho é aberto ou fechado. A proposta é aproximar a experiência de uso daquela de um tablet, sem obrigar o usuário a interromper o que está fazendo ao mudar de tela.

Algumas escolhas de projeto chamam atenção. O leitor de impressões digitais Touch ID, que havia desaparecido dos modelos principais da marca, voltou e foi integrado ao botão lateral, uma escolha ligada às mudanças estruturais exigidas pelo formato dobrável. O aparelho também abandona a gaveta para chip físico e funciona apenas com eSIM, a versão virtual do cartão da operadora, o que exige atenção de quem pretende trocar de linha com frequência. Na caixa, como já acontece com os outros modelos, vem apenas o cabo com conector USB-C, sem carregador. O celular tem certificação de resistência a água e poeira e vidro reforçado contra quedas. A chegada do Duo deve aquecer a disputa entre os dobráveis no país, um mercado ainda pequeno, mas que cresce a cada ano entre consumidores de maior renda.

Coreia do Norte diz ter testado torpedo que usa inteligência artificial para achar alvos

A Coreia do Norte anunciou ter testado com sucesso um novo torpedo de alta velocidade que, segundo o governo de Pyongyang, emprega inteligência artificial para detectar alvos e orientar seu trajeto. O comunicado foi divulgado pela agência estatal do país, que identificou a arma como Zam-2.0. De acordo com o anúncio, o ensaio subaquático aconteceu na quinta-feira (15) e teve como objetivo confirmar o sucesso de uma atualização técnica do sistema. Os norte-coreanos afirmaram que o teste demonstrou avanços na eficiência da propulsão e no desempenho do motor a jato do torpedo, componentes que teriam sido aperfeiçoados ao longo de mais de 180 ensaios de diferentes tipos realizados nos últimos cinco anos. O número diz respeito ao desenvolvimento dessas tecnologias, e não necessariamente a lançamentos do torpedo completo, o que ainda deixa dúvidas sobre a maturidade da arma.

O anúncio, no entanto, veio sem especificações que permitam avaliar o desempenho real do Zam-2.0 ou compará-lo com armas de outros países. O governo norte-coreano também não explicou quais tecnologias de inteligência artificial teriam sido empregadas nem qual seria o grau de autonomia do equipamento. Não é possível concluir, a partir do que foi divulgado, que o torpedo seja capaz de escolher e atacar alvos sozinho, sem intervenção humana. As alegações ainda dependem de confirmação independente, algo comum quando se trata de anúncios militares feitos pelo regime. Ainda assim, o tema chama atenção porque o líder Kim Jong-un já havia defendido, no mês passado, que o arsenal do país incorporasse mais recursos de inteligência artificial, o que indica que a área se tornou uma prioridade declarada da cúpula militar norte-coreana.

Especialistas sul-coreanos ouvidos por agências internacionais ajudam a entender o que a tecnologia poderia mudar. O professor Lim Eul-chul, da Universidade Kyungnam, explicou que a Coreia do Sul e os Estados Unidos usam alvos falsos para desviar torpedos e que a inteligência artificial poderia, em tese, ajudar a arma a distinguir alvos reais dessas iscas. A tecnologia também poderia permitir manobras evasivas e decisões rápidas para confundir o adversário. Já Yang Moo-jin, ex-presidente da Universidade de Estudos Norte-Coreanos, em Seul, lembrou que torpedos de alta velocidade produzem muito ruído, o que facilita sua detecção pelos inimigos. Para ele, reduzir essa assinatura acústica será um dos principais obstáculos técnicos para que o sistema se torne de fato uma arma eficaz. Em outras palavras, mesmo que a promessa se confirme, ainda há um longo caminho entre o teste e o uso real.

O teste faz parte de uma sequência de lançamentos de armas realizados pela Coreia do Norte nas últimas semanas. Um dia antes, na quarta-feira (14), Pyongyang havia informado ter disparado, a partir de submarinos, dois modelos diferentes de mísseis de cruzeiro estratégicos, com o objetivo declarado de verificar a capacidade operacional da Marinha e a confiabilidade de seu poder de dissuasão. Pyongyang busca desenvolver submarinos modernos capazes de disparar mísseis, e quer aumentar seus estoques de mísseis de cruzeiro e balísticos. Disparos já foram feitos de várias plataformas, entre elas uma embarcação submarina antiga. Analistas também avaliam que a Rússia poderia ajudar os norte-coreanos a aprimorar rapidamente sua tecnologia militar em troca do envio de tropas para lutar ao lado de Moscou na guerra contra a Ucrânia, uma parceria que preocupa os vizinhos.

A movimentação acontece num momento de tensão crescente na Península Coreana, com os dois vizinhos dando a impressão de travar uma corrida pelo desenvolvimento de armas capazes de driblar sistemas de defesa antimísseis. A Coreia do Sul também tem avançado nessa área: dias atrás, Lee Jae Myung, que governa Seul, assistiu ao lançamento inaugural de um míssil hipersônico de fabricação nacional. Armas hipersônicas viajam a velocidades pelo menos cinco vezes superiores à do som e podem manobrar durante o voo, o que as torna muito mais difíceis de rastrear e interceptar. Para observadores internacionais, a incorporação de inteligência artificial a armamentos, ainda que anunciada sem comprovação, adiciona uma nova camada de incerteza a uma região que já vive sob tensão permanente, e reforça o debate global sobre limites para armas autônomas em conflitos.

Anatel libera faixa que pode levar internet da Starlink direto ao celular no futuro

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorizou a Starlink, empresa de internet via satélite do bilionário Elon Musk, a operar no Brasil na chamada banda S, de 2 GHz. Aprovada no dia 9 deste mês, a medida abre caminho para que a companhia ofereça, no futuro, conexão direta entre seus satélites e os celulares dos brasileiros, sem a necessidade da antena que hoje precisa ser instalada pelos clientes. Na prática, a empresa ganhou o direito de explorar uma das vias de transmissão de dados no céu do país. A Starlink comemorou a decisão em uma publicação nas redes sociais e afirmou que pretende colocar esse espectro em ação para garantir que todos os brasileiros tenham acesso a banda larga móvel de alta qualidade em seus aparelhos, uma promessa que ainda depende de várias etapas.

Apesar do entusiasmo, a autorização não significa que já seja possível usar a internet da Starlink diretamente no celular. A própria agência reguladora fez questão de ressaltar que esse tipo de serviço, conhecido pela sigla D2D, do inglês para conexão direta com dispositivos, ainda está em fase de testes e de regulamentação no Brasil. Em nota, a Anatel explicou que a liberação da banda S é uma etapa importante para uma eventual oferta desse tipo, mas não autoriza, por si só, a prestação do serviço ao público. Além disso, a empresa ainda não apresentou à agência nenhum pedido para operar comercialmente a conexão entre satélites e celulares no país. Ou seja, por enquanto, quem espera navegar pelo satélite sem antena terá de esperar novas decisões e o cumprimento de exigências técnicas.

Há também uma barreira de equipamento. Segundo a Anatel, ainda não existem celulares no Brasil compatíveis com a frequência autorizada, o que significa que os smartphones vendidos hoje não passam automaticamente a funcionar nessa faixa. A Starlink, por sua vez, planeja lançar em 2027 satélites capazes de transmitir na banda liberada, mas esse cronograma se refere apenas aos satélites e não define uma data para a chegada do serviço aos consumidores brasileiros. Também não há preço nem previsão de contratação informados para essa futura modalidade. Os próximos passos a acompanhar, portanto, são a chegada de aparelhos compatíveis, o lançamento dos novos satélites e as etapas de regulamentação, além de um eventual pedido formal de operação comercial. Só depois disso a novidade poderá se transformar em algo concreto para o usuário comum.

Hoje, a Starlink tem autorização para operar uma constelação de 11.908 satélites no Brasil. O serviço atual depende de uma antena, que recebe e envia o sinal, e é especialmente útil em regiões onde os cabos de telecomunicações não chegam, como áreas rurais e comunidades isoladas da Amazônia. Nesse modelo, o pedido feito pelo usuário passa pela antena, segue até o satélite e desce para uma estação terrestre, chamada gateway, que se conecta à internet por fibra óptica. A resposta faz o caminho inverso até chegar à casa do cliente. O satélite, portanto, funciona como uma ponte que retransmite os dados, e a infraestrutura em terra continua sendo parte essencial da conexão. A ideia de chegar direto ao celular mudaria a forma de acesso, mas manteria boa parte dessa estrutura por trás da rede.

A decisão chega em um momento em que a empresa de Musk volta a ser assunto também por motivos geopolíticos. Nos últimos dias, a Ucrânia reclamou de restrições ao uso do serviço por suas forças armadas, o que reacendeu a discussão sobre as diferenças entre o Starlink, serviço comercial controlado pela própria empresa, e o Starshield, versão desenvolvida para o governo dos Estados Unidos. Musk afirmou que os sistemas Starshield pertencem ao governo americano e são controlados por ele, enquanto o serviço civil não pode ser usado em ações militares ofensivas. No mercado de telecomunicações, a possibilidade de a Starlink oferecer conexão móvel diretamente aos celulares é acompanhada de perto pelas operadoras tradicionais, que veem no avanço da empresa uma concorrência potencial em áreas onde as redes terrestres ainda são frágeis ou inexistentes.

Inpe vai receber R$ 147,6 milhões para usar inteligência artificial contra o desmatamento

O Inpe, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que produz as estatísticas oficiais sobre a derrubada de florestas no país, terá à disposição R$ 147,6 milhões do Fundo Amazônia para usar inteligência artificial na detecção da perda de vegetação nativa e na previsão das áreas mais ameaçadas por derrubada, degradação e fogo. O projeto, chamado SIM-Biomas, foi anunciado na sexta-feira (16), data em que o Planalto também apresentou os números mais recentes de desmatamento da Amazônia, que registrou o menor índice desde 1988. A iniciativa foi aprovada pelo BNDES, que administra o fundo, em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. O apoio é não reembolsável, terá prazo de execução de 60 meses e será operado pela Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais, a Funcate, que dará suporte técnico ao trabalho do instituto.

A principal mudança prevista é a integração de dois sistemas que hoje funcionam separados. O Prodes, mais preciso, produz a taxa anual oficial de desmatamento. O Deter, mais rápido, emite alertas quase diários que orientam a fiscalização ambiental. A proposta é unir os dois combinando a rapidez de um com a precisão do outro. Com a automação da análise de imagens e da geração de alertas, o Inpe pretende produzir dados do Prodes mais de uma vez por ano, encurtando o intervalo entre o que acontece na floresta e o momento em que os fiscais ficam sabendo. Na prática, isso pode permitir que fiscais cheguem mais cedo a áreas onde a floresta está sendo derrubada, aumentando as chances de interromper a destruição antes que ela avance sobre grandes extensões de mata.

A inteligência artificial entra justamente na leitura das imagens. Os satélites fotografam o território brasileiro o tempo todo, mas uma imagem, sozinha, não revela por conta própria se houve derrubada total, se a mata foi apenas degradada ou se está voltando a crescer. Até hoje, boa parte desse trabalho depende da análise de especialistas. Com técnicas de aprendizado de máquina, os algoritmos serão treinados com milhares de exemplos já classificados pelos pesquisadores e passarão a identificar sozinhos clareiras abertas há pouco, trechos de floresta com árvores retiradas e cicatrizes de queimadas. O diretor do Inpe, Antônio Miguel Vieira Monteiro, afirmou que os programas e métodos desenvolvidos serão abertos, para que possam ser replicados e conferidos por outras instituições, uma forma de garantir transparência ao processo e confiança nos resultados.

O projeto também amplia a cobertura do monitoramento. Os alertas do Deter, que hoje se restringem à Amazônia, ao Cerrado e ao Pantanal, vão passar a incluir a Caatinga, a Mata Atlântica e o Pampa, biomas que atualmente ficam fora do acompanhamento diário. O mapeamento de áreas queimadas também ganhará muito mais detalhe. Fora do Cerrado, esse trabalho ainda usa quadrados de um quilômetro de lado, o equivalente a cerca de 140 campos de futebol. Com o novo sistema, a resolução passará para 30 metros em todo o país, o que significa que cada ponto da imagem representará uma área menor que um campo. Assim, será possível delimitar com exatidão o caminho e o tamanho de cada queimada, uma informação usada no planejamento da prevenção e do combate aos incêndios florestais em todo o território.

Além de registrar o que já foi destruído, o Inpe quer prever onde o risco será maior nas semanas e nos meses seguintes. Uma ferramenta de inteligência territorial vai combinar o histórico de perda e regeneração da vegetação com dados de posse da terra, economia e clima, gerando indicadores de risco de curto prazo que poderão ser analisados por bacia hidrográfica ou por terra indígena. Ferramentas de simulação também vão simular o futuro em várias hipóteses de economia, clima e ação do governo. O projeto prevê ainda sobrevoos na Amazônia para coletar amostras de ar e medir gases como dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e monóxido de carbono, além de mapas atualizados de biomassa e carbono da Amazônia e do Cerrado. As informações vão abastecer as contas de emissões que o país entrega no âmbito do Acordo de Paris.

DeepSeek lança atualização de seu modelo de IA e acirra disputa com rivais americanas

A startup chinesa DeepSeek lançou neste sábado uma atualização de seu modelo de inteligência artificial, batizada de DeepSeek-V4.1-Flash-1017. De acordo com a empresa, a nova versão é mais rápida e mais enxuta que a anterior e oferece melhor desempenho em testes de referência, conclusão mais rápida de tarefas e respostas mais curtas. O modelo já está disponível na internet, no aplicativo da companhia e na plataforma voltada a desenvolvedores. A empresa, sediada na cidade de Hangzhou, descreveu o lançamento como uma atualização pontual da versão V4.1-Flash, apresentada no início de setembro. A novidade intensifica o desafio da companhia às gigantes do Vale do Silício, como OpenAI e Anthropic, além de rivais da própria China, como Moonshot Kimi e Z.ai, que também disputam a atenção de desenvolvedores e empresas interessados em ferramentas de inteligência artificial.

Em seu relatório técnico, publicado na plataforma Hugging Face, que reúne modelos de inteligência artificial, bases de dados e aplicativos, a DeepSeek afirmou que a nova versão traz melhorias substanciais em raciocínio, programação, tarefas executadas por agentes de inteligência artificial e testes de visão computacional. Segundo a empresa, o modelo aprimora recursos que vão da criação de jogos à modelagem em três dimensões. O ritmo acelerado de lançamentos da startup evidencia a disputa cada vez mais intensa entre os modelos chineses de pesos abertos, que podem ser baixados e adaptados por qualquer pessoa, e os modelos fechados das concorrentes americanas. Estes últimos apresentam desempenho de ponta, mas costumam ter custos de uso muito mais elevados, o que tem levado muitos desenvolvedores a experimentar as alternativas chinesas em seus projetos.

O sucesso, porém, tem cobrado um preço. Nesta semana, a DeepSeek ficou aproximadamente cinco horas fora do ar, período em que seus servidores ficaram inacessíveis para os usuários. Alguns especialistas atribuíram o problema à falta de recursos computacionais suficientes para atender à demanda. Lentidões e quedas no serviço têm se tornado mais frequentes nos últimos meses. Como os modelos da empresa são oferecidos a preços agressivos e muito procurados por desenvolvedores, a infraestrutura da companhia vem sendo pressionada. A situação mostra um dos dilemas do setor: a corrida por modelos mais baratos e eficientes esbarra na disponibilidade de chips e de centros de dados capazes de sustentar milhões de usuários ao mesmo tempo, um desafio ainda maior para empresas chinesas diante das restrições americanas à venda de processadores avançados.

O lançamento da versão anterior, no início de setembro, já havia causado impacto no mercado financeiro. Na ocasião, a DeepSeek ofereceu o modelo com um desconto expressivo, o que provocou forte queda nas ações de concorrentes chinesas como MiniMax e Z.ai, e também da Alibaba, dona da família de modelos Qwen, todas negociadas na bolsa de Hong Kong. O episódio mostrou o peso da startup no setor. A reação dos investidores mostrou como as decisões de preço da startup passaram a influenciar todo o setor de inteligência artificial na China. A empresa ganhou fama mundial quando apresentou modelos de alto desempenho com custos de desenvolvimento muito inferiores aos das rivais americanas, o que levou analistas a questionar os bilionários investimentos feitos pelas companhias do Vale do Silício em infraestrutura para treinar sistemas cada vez maiores.

A disputa entre China e Estados Unidos na área de inteligência artificial vai além do mercado e envolve questões estratégicas, como acesso a chips avançados, segurança de dados e influência sobre padrões tecnológicos globais. Para os usuários, a competição tende a trazer ferramentas mais baratas e com atualizações mais frequentes, mas também levanta dúvidas sobre privacidade e sobre o controle das informações processadas por esses sistemas. Governos de vários países têm discutido regras para o uso de modelos estrangeiros em órgãos públicos e empresas estratégicas. Enquanto isso, a DeepSeek segue apostando em versões compactas e eficientes, capazes de realizar tarefas complexas com menor custo por operação. O desempenho do novo modelo deve ser testado nos próximos dias pela comunidade de desenvolvedores, que costuma comparar os resultados com os das principais concorrentes.

Especialistas veem marketing na ideia de Trump de trocar inteligência artificial por superinteligência

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem insistido em mudar o nome da inteligência artificial para superinteligência. Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, no mês passado, ele afirmou que a expressão inteligência artificial faz a tecnologia parecer falsa e declarou que, a partir de então, todos os documentos americanos, e, segundo ele, de todo o mundo, passariam a usar o novo termo. Antes de chegar a essa escolha, Trump abriu enquetes em sua rede social com opções como inteligência superior, inteligência extrema e inteligência suprema. Em nenhuma das postagens, porém, explicou como a mudança seria feita ou se as empresas de tecnologia concordavam com ela. A polêmica aumentou quando o presidente disse que passaria a tratar como inimigo quem continuasse usando a expressão antiga em vez da nova denominação.

Pesquisadores brasileiros avaliam que a proposta tem motivação muito mais política e de marketing do que científica. Anderson Soares, fundador e professor do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás, lembra que o próprio conceito de inteligência ainda não tem definição precisa, nem nas ciências naturais nem na tecnologia, e considera a mudança de nome mais um ato político do que algo construtivo para o desenvolvimento da área. Cleber Zanchettin, que dá aulas de Engenharia da Computação na UFPE, destaca que o próprio discurso do presidente na ONU, com a frase de boas-vindas ao novo mundo da superinteligência, revela uma jogada para chamar atenção sem efeito prático. Para ele, a troca de rótulo não altera em nada o funcionamento das ferramentas que já estão nas mãos das pessoas.

O pesquisador Allan Pscheidt vê na proposta uma demonstração de poder dos Estados Unidos no cenário internacional. Ele compara o momento atual à corrida espacial e à disputa para chegar à Lua, e diz que o mundo vive agora a corrida pela chamada inteligência artificial geral, uma máquina que daria conta de quase qualquer atividade intelectual tão bem quanto uma pessoa, ou melhor. Na visão dele, ao adotar o termo superinteligência, Trump sinaliza que os americanos pretendem alcançar esse estágio em breve e mostrar sua soberania tecnológica. Pscheidt ressalta, no entanto, que não há comprovação científica de que uma superinteligência já exista. A proposta também se encaixa no contexto de aproximação entre a Casa Branca e as grandes empresas do setor, cujos líderes se reuniram com o presidente no fim de setembro.

Os especialistas também alertam para um efeito colateral: a nova palavra pode aumentar o medo de uma população que já desconfia da tecnologia. Zanchettin observa que grande parte das pessoas ainda tem pouco conhecimento sobre o tema e que produtos com o rótulo de inteligência artificial já enfrentam certa rejeição. Um termo como superinteligência, diz ele, pode soar como uma ameaça aos seres humanos. Pesquisas reforçam essa preocupação. Mais da metade dos brasileiros, 52%, diz sentir mais receio do que empolgação diante do progresso da inteligência artificial, de acordo com levantamento recente do instituto Pew Research Center. Nos Estados Unidos, cerca de nove em cada dez pessoas dizem estar mais preocupadas do que entusiasmadas com a possibilidade de a tecnologia um dia superar a inteligência humana, segundo outra pesquisa divulgada em setembro.

Mudar um nome consolidado há sete décadas também não é simples. O termo inteligência artificial foi definido formalmente em 1955, nos Estados Unidos, graças a um grupo de cientistas do qual faziam parte John McCarthy, Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester. Eles precisavam de um nome para estudos que misturavam matemática, engenharia e estatística na tentativa de criar máquinas capazes de raciocinar, algo que não se encaixava no software tradicional da época. As pesquisas sobre máquinas pensantes, porém, são anteriores: nas décadas de 1940 e 1950, o matemático Alan Turing já estudava essa possibilidade, e em 1948 Norbert Wiener criou o termo cibernética. Desde então, a tecnologia passou a fazer parte do cotidiano, do reconhecimento facial dos bancos às câmeras dos celulares, e ganhou novo impulso com a inteligência artificial generativa a partir de 2017.

Google promete dar mais destaque a links de notícias nas respostas geradas por IA

O Google anunciou que vai dar mais visibilidade a links de notícias e de outros sites nos resultados de busca produzidos por inteligência artificial. Segundo a empresa, os links inseridos no meio dos textos automáticos vão surgir mais vezes e em lugares de maior destaque, inclusive no Modo IA, a ferramenta de conversa que funciona em uma janela separada da busca tradicional. A companhia também vai ampliar para todos os países o carrossel de links exibido logo abaixo da chamada Visão geral criada por IA, um recurso que reúne cartões com títulos e imagens de artigos relacionados ao que o usuário pesquisou. A mudança é uma resposta às reclamações de veículos de comunicação e de empresas que viram cair o número de visitas às suas páginas desde que os resumos automáticos passaram a ocupar o topo dos resultados.

Outra novidade é que os endereços marcados pelo próprio internauta como fontes favoritas vão ganhar prioridade. Com isso, quem acompanha determinados portais ou publicações poderá ver esses endereços com mais destaque nas respostas da ferramenta. O sistema também poderá incluir materiais de publicações relevantes feitas em redes sociais e em fóruns de discussão, ampliando a variedade de referências apresentadas ao lado dos textos produzidos pela inteligência artificial. A empresa não detalhou, porém, quando todas as mudanças estarão disponíveis em cada país nem se haverá diferenças entre as versões da busca em diferentes idiomas. A expectativa do setor é que as alterações cheguem gradualmente, como costuma acontecer com as atualizações do buscador, que são testadas com grupos menores antes de serem liberadas para todos. Os produtores de conteúdo devem acompanhar de perto os efeitos no tráfego.

O buscador começou a incorporar inteligência artificial há pouco mais de dois anos. A Visão geral criada por IA estreou em maio de 2024, entregando um resumo pronto no lugar da velha lista de endereços. Já o Modo IA foi apresentado em março de 2025, com respostas mais completas e um número maior de links do que os resumos do topo da página. Com esses recursos, parte das informações que antes exigiam que o usuário clicasse em páginas externas passou a ser entregue diretamente nos resultados. Para quem pesquisa, a mudança trouxe praticidade e respostas mais rápidas, sem a necessidade de abrir várias abas. Para quem produz conteúdo, significou uma redução no tráfego que mantinha de pé muitos negócios na internet, de jornais a lojas virtuais e blogs especializados.

Pesquisas sobre o tema indicam que, quando um resumo automático ocupa o lugar dos resultados clássicos, as pessoas clicam bem menos nos endereços exibidos. Isso tira o sono de jornais, revistas e de outros negócios que contam com as visitas vindas do buscador para conquistar público, vender produtos e faturar com anúncios e assinaturas. Ao destacar links e ampliar a presença de artigos nas respostas produzidas pela tecnologia, o Google diz buscar facilitar o acesso a conteúdos externos. A empresa, no entanto, não informou qual deve ser o impacto esperado da mudança no volume de visitas aos sites, o que deixa em aberto se a medida será suficiente para compensar as perdas registradas pelos produtores de conteúdo desde a chegada dos resumos automáticos ao topo das páginas de pesquisa.

A discussão sobre a remuneração do conteúdo usado por ferramentas de inteligência artificial ganhou força em vários países nos últimos anos. Editores de notícias cobram que as empresas de tecnologia paguem pelo uso de reportagens no treinamento e nas respostas de seus sistemas, e alguns já fecharam acordos de licenciamento com desenvolvedoras de modelos de linguagem. Ao mesmo tempo, cresce o número de sites que bloqueiam o acesso de robôs automatizados às suas páginas, numa tentativa de proteger o próprio conteúdo. No Brasil, o tema também aparece nos debates sobre a regulamentação da inteligência artificial no Congresso. A decisão do Google de reforçar a presença de links é vista por especialistas como um gesto importante, mas que ainda precisa ser medido na prática, com dados concretos sobre o comportamento dos usuários nos próximos meses.

Galaxy A57 começa a receber o Android 17 no Brasil com novos recursos de segurança

O Samsung Galaxy A57 5G começou a receber no Brasil a atualização para o Android 17, acompanhada da nova interface One UI 9. Relatos de usuários brasileiros apontaram a chegada do pacote na quarta-feira (14), e a Samsung confirmou o modelo entre os contemplados em um aviso publicado no dia 15. O registro oficial do firmware brasileiro aparece com a compilação A576BXXU6BZIE, com pacote de segurança datado de 5 de setembro. Esta é a primeira grande atualização de sistema do celular desde seu lançamento no país, em abril, quando ele chegou às lojas com a One UI 8.5, baseada no Android 16. Com a mudança, o intermediário passa a integrar a mesma geração de software que estreou em julho nos aparelhos dobráveis da marca sul-coreana. O celular faz parte da geração que terá suporte prolongado a novas versões do sistema.

Entre as novidades mais visíveis está o painel de configurações rápidas, aquele que aparece quando o usuário desliza o dedo a partir do alto da tela. Agora é possível reorganizar os controles e redimensionar os controles de brilho, som e mídia, e ainda deixar o botão do modo silencioso independente do ajuste de volume. Para editar, basta abrir o painel, tocar no ícone de lápis e arrastar os blocos até a posição desejada. Quem usa muito o celular ao ar livre pode deixar o ajuste de brilho mais à mão, enquanto quem troca toda hora entre fones sem fio e alto-falante pode colocar os comandos de áudio em primeiro plano. A alteração é simples, mas que reduz o número de toques necessários ao longo do dia e deixa o aparelho mais adaptado à rotina.

A atualização também traz um recurso de segurança útil em situações de risco. Um novo atalho permite bloquear rapidamente o celular de forma que o próximo desbloqueio exija senha, PIN ou padrão, em vez de impressão digital ou reconhecimento facial. Para acionar, basta pressionar ao mesmo tempo as teclas de diminuir volume e lateral ou tocar no botão de energia do painel rápido. O comando é diferente do bloqueio comum de tela e não substitui as medidas de proteção que devem ser tomadas após roubo ou furto, mas pode ajudar a impedir que alguém force o dono a desbloquear o aparelho com o rosto ou o dedo. Em um país onde o roubo de celulares é um problema frequente nas grandes cidades, ferramentas desse tipo têm sido cada vez mais valorizadas pelos usuários.

Na área de privacidade, um indicador azul passa a aparecer no alto da tela sempre que um aplicativo acessa a localização do aparelho. Ao perceber o aviso, o usuário pode abrir o painel rápido e tocar nele para descobrir qual programa está usando a informação. Caso não queira manter a permissão, basta entrar nas configurações de localização, escolher o aplicativo e revisar a autorização. O recurso ajuda a diferenciar, por exemplo, um aplicativo de mapas que usa o GPS durante a navegação de outro que não teria motivo para saber onde a pessoa está. O aviso indica somente que o dado foi consultado, sem provar que o programa tenha más intenções. Mesmo assim, ele dá ao usuário mais controle sobre seus dados pessoais e facilita a identificação de comportamentos suspeitos.

A One UI 9 ainda adicionou às configurações do Galaxy A57 um menu chamado Garantia e cuidados, com dados sobre a cobertura, testes de funcionamento e dicas de conservação do celular. O menu não concede nenhuma garantia nova e não deve ser confundido com seguro contra danos ou roubo. Também houve mudanças no aplicativo de saúde da marca, que passou a organizar melhor as informações. A distribuição é gradual e depende do modelo exato e da operadora de cada cliente. Para instalar, o usuário deve abrir as configurações, entrar em atualização de software e tocar em baixar e instalar. A fabricante recomenda ter pelo menos 50% de bateria, usar uma rede Wi-Fi estável e fazer cópia dos arquivos importantes antes de começar, sem recorrer a arquivos de origem desconhecida.

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