TECNOLOGIA: Resumo em 18 Out 2026

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Ilustração de um smartphone Android com a tela acesa
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

Uma cópia do WhatsApp acumulou mais de meio milhão de downloads na loja do Android, e a nova Siri do iPhone 18 Pro ainda não entende bem o português. Também há escaneamento a laser no Museu do Ipiranga, geladeiras que sugerem receitas e óculos inteligentes que ampliam a autonomia de pessoas cegas em Minas.

Cópia falsa do WhatsApp passa de 500 mil downloads na loja do Android

Um aplicativo que se passava pelo WhatsApp ultrapassou 500 mil downloads na Google Play Store, a loja oficial do Android, segundo reportagem de um site especializado internacional publicada na sexta-feira (16). A página copiava o nome do mensageiro, as capturas de tela e o texto de descrição do original, mas a diferença estava no responsável: em vez da WhatsApp LLC, aparecia uma conta desconhecida chamada Agment Assets sallu. O clone estava na loja desde setembro e, para alguns usuários, chegou a surgir como resultado patrocinado no topo das buscas pelo mensageiro. O caso foi descoberto por um usuário de um fórum na internet. O truque mais curioso foi o uso do programa de acesso antecipado da loja, criado para aplicativos em fase de testes, que esconde as avaliações públicas. Assim, quem abria a página não via os comentários de pessoas alertando que se tratava de uma cópia, o que levou muita gente a instalar o programa achando que era o verdadeiro.

As reportagens não detalham o que o aplicativo fazia depois de instalado nem comprovam roubo de mensagens, e o número de downloads não equivale ao de contas comprometidas. Em geral, porém, clones desse tipo servem para exibir anúncios em excesso, coletar dados ou levar a vítima a golpes. Na consulta feita no sábado (17), o endereço da página suspeita já não carregava, sem confirmação do motivo. Para conferir se o aplicativo instalado é o oficial, o caminho é abrir sua página na loja e verificar se o publicador é a WhatsApp LLC e se o identificador no endereço é com.whatsapp; nome e ícone sozinhos não bastam. O WhatsApp Business também é legítimo e tem o mesmo publicador. Quem instalou a cópia deve removê-la, rodar uma verificação do Play Protect e trocar senhas digitadas nela, e, se o código de verificação foi pedido, ativar a confirmação em duas etapas no aplicativo verdadeiro. Dias antes, um clone do navegador Chrome também havia sido encontrado na loja.

O WhatsApp é um aplicativo de mensagens instantâneas e chamadas de voz para celulares que permite enviar textos, imagens, vídeos e documentos, além de fazer ligações gratuitas pela internet. A empresa foi fundada em 2009 por Brian Acton e Jan Koum, dois ex-funcionários do Yahoo, e tem sede em Santa Clara, na Califórnia. O serviço cresceu rapidamente: tinha um volume diário de 2 bilhões de mensagens em abril de 2012 e, quatro meses depois, já chegava a 10 bilhões e chegou a 900 milhões de usuários ativos em setembro de 2015. Em 2016, deixou de cobrar a anuidade que existia até então e, no mês seguinte, alcançou um bilhão de usuários. Em maio de 2025, superou a marca de 3 bilhões de usuários e se tornou o aplicativo mais usado do mundo. A maior parte do público usa celulares com Android, sistema do Google, que respondem por cerca de 73% dos usuários, enquanto os aparelhos com iOS, da Apple, somam 27%. Desde 2015 o mensageiro também pode ser usado pelo navegador no computador.


Nova Siri do iPhone 18 Pro ainda tropeça no português e exige aparelho em inglês no Brasil

A nova versão da Siri com inteligência artificial, que estreou no iPhone 18 Pro junto com o iOS 27, segue com desempenho insatisfatório no Brasil, segundo testes de uso publicados neste domingo (18). Para ter acesso ao recurso, é preciso mudar todo o idioma do aparelho para o inglês e entrar numa fila de espera. A integração com modelos de inteligência artificial do Gemini, do Google, era a novidade mais aguardada do sistema, mas mesmo quem fala inglês fluentemente enfrenta problemas de contexto quando a assistente lida com informações do cotidiano brasileiro. A dificuldade com o português afeta funções básicas de organização: o sistema não interpreta corretamente compromissos da agenda, mensagens, notificações e e-mails escritos no idioma. Ao tentar resumir ou extrair dados de aplicativos locais, a assistente se confunde e entrega respostas erráticas ou incompletas em tarefas rotineiras. Quem mantém o celular configurado em português não percebe mudança prática, porque continua com a mesma versão limitada da Siri das gerações anteriores.

A versão em português da nova assistente continua restrita ao programa de testes para desenvolvedores. A Apple promete liberar o suporte oficial ao idioma ainda em 2026, mas não divulgou uma data para o público geral, e a chegada das funções inteligentes em português depende do cronograma de testes da empresa no país. Segundo a avaliação, o iPhone 18 Pro traz avanços de desempenho e de câmeras, mas a experiência inicial com o software renovado ainda está longe do que foi prometido no anúncio oficial. A recomendação ao consumidor brasileiro é evitar comprar aparelhos caros com base em promessas futuras de software, sobretudo quando os recursos dependem do suporte ao idioma nativo. Até a atualização chegar, quem adquirir o telefone terá de conviver com as restrições ou esperar a versão final do sistema, que deve trazer correções para que a assistente compreenda conteúdos locais. Por enquanto, a experiência com inteligência artificial no celular segue incompleta para o usuário no Brasil.

A Siri é a assistente virtual da Apple para iPhone, iPad, Mac, Apple Watch, Apple TV e HomePod e interpreta a linguagem falada do usuário para tirar dúvidas, sugerir conteúdos e cumprir tarefas, adaptando-se ao usuário com base em suas pesquisas e preferências. Ela nasceu de um projeto desenvolvido no centro de inteligência artificial do instituto de pesquisa SRI International, e a tecnologia que transforma a voz em texto veio da Nuance Communications. A empresa Siri foi fundada em dezembro de 2007 por Dag Kittlaus, Adam Cheyer e Tom Gruber, com Norman Winarsky. A assistente foi lançada como aplicativo para iOS em fevereiro de 2010 e comprada pela Apple dois meses depois. Em outubro de 2011, foi integrada ao iPhone 4S, quando o aplicativo independente saiu da loja. No lançamento, com o iOS 5, estava disponível só em inglês, francês e alemão, e o japonês foi adicionado depois. Desde então, a Siri passou a fazer parte de praticamente todos os produtos da marca.


Escaneamento a laser usado no Coliseu vai ajudar a preservar o Museu do Ipiranga

A mesma tecnologia usada para monitorar e conservar o Coliseu de Roma está sendo aplicada no Museu do Ipiranga, em São Paulo, para antecipar riscos e problemas na estrutura do prédio, que tem 131 anos. Durante as últimas semanas, um grupo de pesquisadores da universidade italiana de Ferrara trabalhou dentro e fora do edifício para encontrar falhas e imperfeições escondidas, que não aparecem a olho nu. O professor de arquitetura Marcello Balzani compara o trabalho a um raio-X, um ultrassom ou uma tomografia, como se fosse possível navegar pelo espaço da construção como se ele fosse um órgão do corpo humano. Os equipamentos de varredura a laser medem milimetricamente onde está cada elemento da construção e geram uma nuvem de pontos, um conjunto de coordenadas espaciais que registra desníveis, fissuras e deformações. A partir desses dados, um programa de computador cria um gêmeo digital do museu, um modelo tridimensional que pode ser estudado em detalhe pelos especialistas.

O trabalho é feito em parceria com a Universidade de São Paulo, responsável pelo museu. A professora Beatriz Kuhl, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, explica que a tecnologia permite agir antes que um problema se agrave, desde uma lâmpada ou um interruptor até falhas na cobertura. Segundo ela, a manutenção constante evita intervenções mais invasivas e, de modo geral, custa menos a longo prazo. A professora lembra que o edifício é muito bem construído, mas não se regenera sozinho e exige atenção permanente. O Ipiranga passou por um período difícil: ficou quase dez anos fechado, até ser reaberto em 2022, e um escaneamento semelhante foi feito antes da revitalização. Agora, a ideia é usar todos os dados levantados para montar um programa de conservação que garanta que o museu continue envelhecendo bem. No Coliseu, a técnica é usada para ajudar na conservação de uma construção com quase dois mil anos.

O Museu Paulista da Universidade de São Paulo, conhecido como Museu do Ipiranga, é o museu público mais antigo da capital paulista e funciona num edifício-monumento que integra o conjunto arquitetônico do Parque da Independência. Abriu as portas oficialmente no dia 7 de setembro de 1895, então chamado Museu de História Natural, e está ligado à USP desde 1963 como instituição científica, cultural e educacional voltada à pesquisa, ao ensino e à extensão na área de história. Guarda um grande acervo de objetos, mobiliário e obras de arte, sobretudo relacionados à independência do Brasil, e uma de suas peças mais conhecidas é o quadro Independência ou Morte, pintado por Pedro Américo em 1888. Na época do centenário da Independência, em 1922, o museu ganhou novos acervos sobre a história de São Paulo e a decoração interna do saguão, da escadaria e do salão nobre, com pinturas e esculturas que reforçaram o papel do edifício como símbolo histórico do país.


Fabricantes levam câmeras e inteligência artificial às geladeiras para sugerir receitas

Os fabricantes de geladeiras estão apostando em sistemas de inteligência artificial que, por meio de câmeras internas, mantêm um inventário dos alimentos guardados, sugerem receitas e incluem na lista de compras o que acabou. A Samsung, por exemplo, tem um sistema com câmera interna que reconhece até 37 tipos de frutas e verduras e permite cadastrar até 50 produtos embalados para identificação automática. Um gerenciador de alimentos associado avisa quando a validade está perto do fim, recomenda pratos com os ingredientes disponíveis e acrescenta à lista o que estiver faltando, além de permitir consultar o estoque no supermercado para evitar compras repetidas ou esquecidas. A tecnologia está na linha de refrigeradores Bespoke AI da marca, com preços em torno de mil euros na Europa. Na última edição da feira IFA, em Berlim, a Midea apresentou um ecossistema com assistente de voz e automações que, na geladeira, poderá listar os ingredientes, acompanhar o frescor dos alimentos e reconhecer produtos a partir da foto do recibo do mercado.

As funções da Midea, porém, ainda são um conceito e não estão em nenhum modelo à venda. A Hisense já vende na Europa uma geladeira com visor inteligente que controla estoque, validade e receitas, com comando de voz, por 2.379 euros, e mostrou na feira um modelo de quatro portas com tela maior e câmera com inteligência artificial, que passará a sugerir pratos sem que o usuário precise cadastrar os ingredientes, ainda sem data nem preço. A Haier oferece em seu aplicativo funções de controle de estoque, alertas de validade e receitas para aproveitar sobras, com recursos que aprendem hábitos de compra e usam dados como localização e clima, e exibiu o protótipo de uma geladeira que reconhece os alimentos e indica a melhor forma de conservá-los. A LG apresentou um refrigerador com assistente de conversação, e marcas como Bosch, Siemens e Miele têm modelos com câmeras que permitem ver o interior pelo celular. Muitos desses produtos ainda são protótipos.

A internet das coisas é a rede de objetos físicos, como veículos, prédios e aparelhos do dia a dia dotados de sensores, tecnologia embarcada e conexão, capazes de reunir e transmitir dados. Trata-se de uma extensão da internet que permite que objetos comuns com capacidade de processamento e comunicação se conectem à rede. Essa conexão possibilita, primeiro, controlar os objetos à distância e, depois, usar os próprios objetos como fornecedores de serviços, o que abre possibilidades nas áreas acadêmica, comercial e industrial, mas também traz riscos e desafios técnicos e sociais. Se itens como livros, termostatos, refrigeradores, lâmpadas e remédios tivessem etiquetas de identificação por radiofrequência e estivessem conectados, seria possível saber onde estão e quantos existem, evitando a falta de produtos e identificando, por exemplo, qual lâmpada queimou. A expressão internet das coisas foi sugerida por Kevin Ashton em 1999, num laboratório do Instituto de Tecnologia de Massachusetts dedicado à identificação automática.


Óculos com câmera e inteligência artificial dão mais autonomia a pessoas cegas em Araxá

Óculos equipados com câmeras, alto-falantes e um sistema de inteligência artificial estão ajudando pessoas cegas ou com baixa visão de Araxá, no Alto Paranaíba, em Minas Gerais, a ganhar autonomia nas atividades do dia a dia. Os aparelhos foram doados por um projeto criado há seis meses por empresários e instituições da cidade, que já beneficiou 16 pessoas. A câmera, embutida na armação, capta o que está à frente do usuário, e o sistema analisa a imagem, identifica objetos, textos e ambientes e transmite a descrição em áudio pelos alto-falantes. Os óculos também têm microfones, que permitem fazer perguntas por voz. Uma das beneficiadas, a dona de casa Ana Paula de Oliveira, de 35 anos, tem apenas 5% da visão, assim como a irmã gêmea, Ana Flávia. Ela conta que o equipamento virou seu melhor amigo e a ajuda até a escolher a roupa, além de servir para fazer ligações e conversar com o namorado.

No projeto, os empresários se unem para arrecadar o dinheiro necessário para comprar e doar os óculos, que custam em média R$ 3 mil cada. A ideia partiu de Wellington Martins, proprietário de uma escola técnica e profissionalizante na cidade, que criou um instituto para reunir parceiros dispostos a financiar a iniciativa. Segundo ele, a vontade de ajudar pessoas com deficiência visual surgiu nos anos 1980, quando, aos 13 anos, trabalhava como guia de pessoas cegas na cidade, e também pela convivência com a mãe, que tem baixa visão. Martins diz que percebeu cedo a importância de essas pessoas serem independentes e que a tecnologia pode ajudar muito nisso. Luiz Eduardo Machado, de 29 anos, que tem deficiência visual e está terminando o curso técnico de contabilidade, afirma que sem os óculos seria praticamente impossível se formar, porque o aparelho o ajuda a ler os livros, fazer os trabalhos pedidos pelos professores e conviver com os colegas.

Tecnologia assistiva é o nome dado ao conjunto de dispositivos, técnicas e processos que oferecem assistência e reabilitação e melhoram a qualidade de vida de pessoas com deficiência. Esses recursos ampliam a independência ao permitir que a pessoa realize tarefas que antes não conseguia ou tinha grande dificuldade de executar, seja por melhorias nos equipamentos, seja por mudanças na forma de interagir com eles. No Brasil, o comitê de ajudas técnicas ligado à Presidência da República definiu a tecnologia assistiva como uma área do conhecimento interdisciplinar que reúne produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços destinados a promover a funcionalidade e a participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando à autonomia, à qualidade de vida e à inclusão social. Os recursos vão de itens simples, como um lápis com cabo adaptado, a sistemas fabricados em série ou sob medida, e os serviços ajudam a pessoa a escolher, comprar ou usar esses equipamentos no dia a dia.

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