CLIMA: Resumo em 17 Out 2026

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Ilustração de alerta de ciclone e tempo severo
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

Uma frente fria associada a um ciclone extratropical leva temporais ao Sudeste e frio com risco de geada ao Sul neste fim de semana. Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia estão sob alertas de tempestade, São Paulo contabiliza estragos no interior e no litoral, Roraima enfrenta seca severa e as Cataratas do Iguaçu seguem com vazão muito acima da média.

Frente fria leva temporais ao Sudeste e geada ao Sul no fim de semana

Uma frente fria combinada com um ciclone extratropical no Atlântico Sul muda o tempo em boa parte do país neste fim de semana. A mudança é mais intensa neste sábado (17), quando o sistema avança pelo litoral do Sudeste e reforça a formação de nuvens carregadas. Os maiores volumes devem cair sobre o Espírito Santo, o norte fluminense e o leste mineiro, inclusive em cidades que já acumularam muita chuva nos últimos dias e têm o solo encharcado. Juiz de Fora, em Minas, e Nova Friburgo, na região serrana fluminense, podem registrar entre 60 e 80 milímetros. A umidade que chega da Amazônia ajuda a alimentar as nuvens e favorece trovoadas também no Centro-Oeste, o que amplia a área sujeita a temporais acompanhados de raios, rajadas de vento e possibilidade de granizo.

Em São Paulo, depois de uma semana marcada por temporais, a tendência é de diminuição gradual da chuva, principalmente no interior, com a chegada de ar mais frio e seco. A capital paulista deve ter mínima de 16°C e máxima de 20°C neste sábado. O domingo (18) deve ter mínima de 14°C e máxima de apenas 19°C, e a segunda-feira (19) pode ficar com máxima próxima de 18°C, já com predomínio de sol. No Rio de Janeiro, o sábado deve ser chuvoso em diferentes momentos do dia, com temperaturas entre 21°C e 25°C depois de dias mais quentes. No domingo, a chuva tende a perder força na capital fluminense, mas ainda pode haver pancadas isoladas. Em Vitória, a previsão aponta cerca de 55 milímetros no sábado, com tempo instável no Espírito Santo até terça-feira (20).

No Sul, a entrada de uma massa de ar polar derruba as temperaturas a partir do domingo. Alguns modelos meteorológicos indicam valores próximos de 2°C em pontos mais altos do Rio Grande do Sul, embora outras projeções apontem mínimas um pouco maiores. No centro, sul e sudoeste do Paraná, os termômetros podem chegar perto de 3°C ao amanhecer, e há chance de geada também no norte de Santa Catarina. Curitiba deve começar o domingo com cerca de 7°C e máxima de 18°C. Porto Alegre deve oscilar entre 11°C e 16°C, e Florianópolis entre 13°C e 20°C. O frio continua na segunda-feira, com nova possibilidade de geada no norte gaúcho, nas serras catarinenses e em diferentes regiões do Paraná, enquanto o restante da região deve ter tempo mais firme.

O Centro-Oeste segue com chuva, sobretudo no norte de Mato Grosso, em Goiás e no Distrito Federal, onde Brasília ainda pode ter pancadas com trovoadas no sábado. Em Mato Grosso do Sul, o ar mais seco e frio deve trazer períodos de sol e manhãs mais amenas, com mínima perto de 15°C em Campo Grande no domingo. No Nordeste, a chuva ganha força no oeste e no sul da Bahia. Para o domingo, há risco de formação de um corredor de umidade, padrão que pode favorecer chuvas persistentes em áreas do Centro-Oeste, do Sudeste, do Nordeste e do Norte. Uma boa notícia é a volta da chuva aos arredores de Manaus, que vinha sofrendo com calor intenso, focos de incêndio e ar poluído, e onde as precipitações podem melhorar a qualidade do ar.

O Instituto Nacional de Meteorologia mantém três alertas válidos até o fim deste sábado. Dois são de cor laranja, que indica perigo: um para ventos fortes na costa do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná, e outro para tempestades no Espírito Santo, no Rio de Janeiro, na Bahia e em partes de Minas Gerais, entre elas a Grande Belo Horizonte. Já o terceiro é amarelo, de perigo potencial, e cobre o Distrito Federal e áreas das regiões Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Sudeste. Em situações de temporal, a orientação é evitar abrigo sob árvores, não estacionar perto de torres e placas e pedir ajuda pelos números 199, da Defesa Civil, e 193, dos bombeiros, em caso de emergência. Os avisos são atualizados ao longo do dia e podem ser ampliados conforme a evolução do sistema.

Ciclone extratropical provoca alerta de ventos fortes no litoral do Sul

Um ciclone extratropical que surgiu no fim da noite de sexta-feira (16) ao largo da costa gaúcha atua sobre o oceano Atlântico neste sábado (17), na altura do Uruguai e da costa gaúcha. Imagens de satélite confirmaram o deslocamento da área de baixa pressão sobre o mar. O Instituto Nacional de Meteorologia colocou o litoral gaúcho e o catarinense sob alerta laranja, nível que indica perigo, com rajadas de 50 km/h a 70 km/h podendo atingir a faixa litorânea e registros isolados ainda mais fortes. Nas serras dos dois estados, os ventos podem chegar a 90 km/h. As áreas sob atenção incluem trechos do litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, regiões metropolitanas e o Vale do Itajaí, onde a força do vento pode causar transtornos pontuais à população.

Os meteorologistas avaliam que o sistema não deve ser intenso e que os ventos mais fortes tendem a ficar concentrados sobre o oceano. Ainda assim, não estão descartadas ocorrências localizadas, como interrupções no fornecimento de energia elétrica em cidades costeiras e o deslocamento de dunas sobre construções próximas da orla, efeito comum quando o vento sopra com força na direção do continente. O mar também deve ficar agitado, com possibilidade de ressaca e ondas altas durante o fim de semana, o que exige cuidado de banhistas, pescadores e embarcações de pequeno porte. A previsão é de que o ciclone permaneça perto do litoral gaúcho ao longo do sábado e comece a se afastar em direção ao alto-mar a partir da noite, ficando mais distante do continente no domingo.

Ciclones extratropicais são sistemas de baixa pressão atmosférica que costumam surgir em latitudes médias e provocam mau tempo em grande escala. Eles se formam a partir do contraste de temperatura entre massas de ar quente e fria, o que explica por que muitas vezes aparecem associados à passagem de frentes frias pelo Sul do país. No caso atual, o sistema ajuda a puxar o ar polar que derruba as temperaturas na região a partir do domingo e reforça a instabilidade no Sudeste. Esse tipo de fenômeno é frequente no outono, no inverno e na primavera, e sua intensidade varia bastante. Alguns passam quase despercebidos em terra, enquanto outros, mais profundos, provocam ventanias, queda de árvores e destelhamentos em áreas extensas do litoral e do interior. A cada novo episódio, os serviços de meteorologia acompanham a trajetória e a pressão central do sistema.

No Rio Grande do Sul, o sábado deve ter períodos de sol entre nuvens em grande parte do estado, mas o tempo segue instável no sul e no leste, com chance de chuva isolada ou garoa em cidades como Pelotas, Rio Grande, Santa Vitória do Palmar e Porto Alegre. No domingo, ainda pode cair chuva fraca em pontos da costa por causa da circulação do sistema, mas a previsão aponta redução significativa dos acumulados no centro-sul do Brasil. Com o afastamento do sistema e a chegada do ar frio, as madrugadas devem ficar bem mais geladas, e as mínimas podem ficar abaixo de 5°C em áreas serranas na segunda e na terça-feira, condição favorável à formação de geada em pontos mais altos da região e em baixadas. Quem vive em áreas rurais deve proteger plantas sensíveis e animais nas noites mais frias.

A passagem do ciclone ocorre em uma primavera marcada por chuvas volumosas no Sul, cenário que os meteorologistas associam à influência do fenômeno El Niño, que tende a aumentar as precipitações na região. Nas últimas semanas, cidades gaúchas e paranaenses registraram estragos com temporais, e rios da bacia do Iguaçu chegaram a níveis muito acima do normal. Por isso, a Defesa Civil recomenda atenção redobrada a avisos oficiais, sobretudo em áreas próximas ao mar e em locais com histórico de queda de árvores. Em caso de ventania, a orientação é não se abrigar sob árvores, evitar ficar perto de placas e estruturas metálicas e desligar aparelhos elétricos da tomada. Ocorrências podem ser comunicadas pelo telefone 199, da Defesa Civil, ou pelo 193, do Corpo de Bombeiros, a qualquer hora do dia.

Chuvas provocam alagamentos e deslizamentos no interior e no litoral de São Paulo

As fortes chuvas das últimas horas provocaram alagamentos, quedas de árvores e de muros, deslizamentos de terra e interdições de rodovias em vários municípios paulistas. De acordo com a Defesa Civil do estado, apesar do grande número de ocorrências, não houve registro de feridos. Em São Sebastião, no litoral norte, a combinação de chuva forte e rajadas de vento derrubou a cobertura da garagem da empresa responsável pelo transporte público da cidade. Em Presidente Prudente, no oeste paulista, um deslizamento perto da Avenida Miguel Damha, no sentido da Rodovia Júlio Budisk, rompeu uma tubulação de água, e o local precisou ser interditado de forma preventiva. Em Itapevi, na Grande São Paulo, houve vários pontos de alagamento e o escorregamento de um muro no bairro Colinas de São José, também sem vítimas.

Os estragos se espalharam por diferentes regiões do estado. Em São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, um raio matou oito bois. A chuva também causou um deslizamento na Rodovia Oswaldo Cruz, na altura do quilômetro 42, e a pista foi parcialmente interditada. Em Jundiaí, caíram muros e árvores, e a terra deslizou sobre o acostamento da Rodovia Vereador Geraldo Dias. Em Paulicéia, que também teve ruas alagadas, a água provocou erosão na cabeceira de uma ponte que liga a cidade ao balneário municipal, que teve interdição parcial. Em Estiva Gerbi, uma árvore caiu sobre a fiação e derrubou um poste em cima de dois carros, deixando moradores sem luz. Em Jaú, a enxurrada arrancou parte do asfalto, e em Arujá duas casas foram atingidas por um muro que desabou em um condomínio.

As ocorrências encerram uma semana difícil para o estado. Na terça-feira (14), um temporal no fim da tarde transformou ruas e túneis da capital paulista em rios em poucos minutos. No túnel do Anhangabaú, no centro, dezenas de carros ficaram parcialmente submersos, e motoristas precisaram se refugiar sobre os capôs enquanto aguardavam o resgate. O Terminal Bandeira e o túnel Ayrton Senna também alagaram, e houve interrupções no trânsito e falta de energia em vários bairros. Na Zona Norte, um deslizamento de terra atingiu uma casa e deixou um morto. O episódio reacendeu o debate sobre a capacidade da cidade de lidar com chuvas intensas, já que os alagamentos no túnel eram frequentes até o início dos anos 2000, quando a capital passou a contar com uma rede de piscinões.

A previsão indica alívio gradual. A Defesa Civil estadual espera chuva fraca a moderada ao longo deste sábado (17), com maior possibilidade de pancadas na Baixada Santista e em áreas próximas da divisa com Minas Gerais, mas com volumes menores e menos abrangentes do que nos últimos dias. A chegada de uma massa de ar frio e seco deve reduzir as áreas de instabilidade no fim de semana. Na capital, o sábado amanheceu com 15°C, céu nublado e chuviscos, e a tendência é de temperaturas mais baixas e tempo seco nos próximos dias. O domingo deve ter máxima abaixo de 20°C, e a segunda-feira começa a semana com sol e temperaturas amenas, cenário que favorece os trabalhos de limpeza e de vistoria nas áreas afetadas. Os técnicos seguem vistoriando os pontos interditados para liberar as vias com segurança.

Mesmo com a melhora do tempo, as autoridades pedem atenção em encostas e regiões de risco, porque o solo encharcado continua sujeito a deslizamentos por alguns dias depois das chuvas. Moradores devem observar sinais como rachaduras em paredes, portas e janelas que passam a emperrar, inclinação de postes e árvores e surgimento de água barrenta no terreno. Diante desses indícios, a recomendação é deixar o imóvel e acionar a Defesa Civil pelo telefone 199. Também é importante evitar atravessar ruas alagadas a pé ou de carro, já que a correnteza pode arrastar pessoas e veículos. O estado vem enfrentando episódios de chuva forte com frequência nesta primavera, e várias cidades do interior já haviam registrado mortes e desalojados em temporais nas semanas anteriores. A Defesa Civil mantém o monitoramento das áreas atingidas durante o fim de semana.

Inmet alerta para tempestade e granizo em 245 cidades de Minas Gerais

O Instituto Nacional de Meteorologia colocou 245 cidades de Minas Gerais sob alerta laranja, que indica perigo, para tempestades com possibilidade de granizo neste sábado (17). O aviso vale até as 23h59 e prevê chuva entre 30 e 60 milímetros por hora ou de 50 a 100 milímetros ao longo do dia, além de ventos intensos que podem variar de 60 km/h a 100 km/h. O alerta abrange principalmente municípios do leste mineiro, do Vale do Rio Doce, do Vale do Jequitinhonha, do Vale do Mucuri e da Zona da Mata, e alcança também a região metropolitana de Belo Horizonte. Entre as cidades listadas estão Governador Valadares, Caratinga, Coronel Fabriciano, Cataguases, Carangola, Capelinha, Araçuaí, Almenara, Aimorés e Guanhães, além de dezenas de municípios menores. A lista completa dos municípios pode ser consultada nos canais oficiais do instituto e da Defesa Civil estadual.

De acordo com o instituto, o cenário traz risco de cortes de energia elétrica, estragos em plantações, quedas de galhos e árvores e alagamentos. A instabilidade é provocada pela frente fria que avança pelo litoral do Sudeste e pela umidade que chega da Amazônia, combinação que favorece a formação de nuvens carregadas sobre o leste do estado. A previsão aponta que Juiz de Fora, na Zona da Mata, pode acumular entre 60 e 80 milímetros, volume elevado para um único dia. As regiões serranas são as que mais preocupam, porque muitas áreas já receberam bastante chuva nos últimos dias e o solo encharcado aumenta a chance de enxurradas e deslizamentos de terra em encostas e margens de córregos. A Defesa Civil de Minas Gerais acompanha a situação e mantém contato com as coordenadorias municipais para agir rapidamente em caso de ocorrências graves.

O alerta mineiro faz parte de um aviso mais amplo para o Sudeste. A mesma faixa de instabilidade coloca sob atenção o Espírito Santo, o norte do Rio de Janeiro e áreas da Bahia, enquanto São Paulo deve ter diminuição gradual da chuva. A previsão indica que, no domingo (18), a instabilidade diminui no território paulista, mas continua no território mineiro, no capixaba e no norte do Rio de Janeiro. Há ainda risco de formação de um corredor de umidade, padrão que pode manter a chuva persistente por vários dias em parte do Centro-Oeste, do Sudeste, do Nordeste e do Norte, com efeito acumulado sobre os rios e sobre a estabilidade das encostas nas regiões montanhosas do estado. Os meteorologistas lembram que a chuva acumulada em vários dias é tão perigosa quanto um temporal isolado, porque satura o solo.

O instituto divulgou orientações para reduzir os riscos durante os temporais. Em caso de rajadas de vento, a população não deve se abrigar debaixo de árvores, por causa do risco de queda e de descargas elétricas, nem estacionar veículos perto de torres de transmissão e placas de propaganda. Também é recomendado evitar o uso de aparelhos eletrônicos ligados à tomada durante as tempestades e manter documentos e objetos de valor em locais protegidos contra a água. Quem mora em áreas de risco deve observar sinais de movimentação do solo e, diante de qualquer ameaça, buscar um local seguro. Informações e pedidos de ajuda podem ser feitos à Defesa Civil, pelo telefone 199, e ao Corpo de Bombeiros, pelo 193. As autoridades também recomendam não atravessar ruas alagadas nem trechos de estrada encobertos pela água.

O mês de outubro tem sido chuvoso em boa parte de Minas Gerais, com temporais frequentes na capital e no interior. Na primavera, o aumento do calor e da umidade favorece a formação de tempestades rápidas e intensas, muitas vezes acompanhadas de granizo e ventania, que podem causar destelhamentos, queda de árvores e falta de energia em poucos minutos. Para os agricultores, o granizo representa ameaça direta às lavouras, especialmente às de café, frutas e hortaliças, que podem ser danificadas em poucos minutos. As prefeituras das cidades sob alerta mantêm equipes de prontidão para atender ocorrências, e a orientação geral é acompanhar os avisos oficiais e evitar deslocamentos desnecessários durante os períodos de chuva mais forte. Novos avisos podem ser emitidos ao longo do domingo, conforme a evolução da frente fria.

Espírito Santo fica inteiro sob alerta laranja de tempestade

Todos os 78 municípios do Espírito Santo estão sob dois alertas simultâneos de tempestade neste sábado (17), emitidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia. Ao aviso amarelo de perigo potencial, divulgado na sexta-feira (16), o instituto acrescentou um alerta laranja, um nível acima, que indica perigo. Os dois valem até as 23h59 e cobrem todo o território capixaba. A previsão aponta chuva entre 30 e 60 milímetros por hora ou de 50 a 100 milímetros no dia, com ventos que podem variar de 60 km/h a 100 km/h e possibilidade de granizo. Existe risco de cortes de energia elétrica, estragos em plantações, queda de árvores e alagamentos, sobretudo nas áreas urbanas com drenagem deficiente e nas cidades serranas, onde a chuva tende a ser mais concentrada. Os moradores devem acompanhar as atualizações, já que o nível dos avisos pode mudar ao longo do dia.

A mudança no tempo é provocada pela aproximação de uma frente fria associada a um ciclone extratropical que atua no Atlântico Sul. O sistema reforça a formação de nuvens carregadas no litoral do Sudeste e deve aumentar a chuva principalmente no sul do estado e na região serrana. Em Vitória, a previsão divulgada na sexta-feira indicava cerca de 55 milímetros no sábado, volume considerável para um único dia na capital. A tendência é de tempo chuvoso em parte do território capixaba até terça-feira (20), o que mantém a preocupação com os efeitos acumulados sobre rios, encostas e vias urbanas. A combinação de chuva persistente e solo encharcado aumenta a chance de alagamentos e de pequenos deslizamentos nas áreas mais vulneráveis. Os meteorologistas acompanham a evolução do sistema para atualizar os avisos.

A semana já havia sido marcada por avisos de tempo severo no estado, com alertas para ventos de até 100 km/h e granizo em diferentes regiões. Nas redes sociais, moradores compartilharam imagens de uma cabeça d’água em uma cachoeira capixaba, fenômeno em que o volume e a força da água aumentam de forma repentina depois de chuvas nas cabeceiras dos rios. Esse tipo de evento é perigoso para quem está em rios e cachoeiras, porque a correnteza pode surgir em poucos minutos, mesmo quando não está chovendo no local. Por isso, a orientação é evitar banhos em cachoeiras e rios durante períodos de alerta e ficar atento a sinais como o aumento do barulho da água, a mudança de cor e o surgimento de galhos e folhas na correnteza.

As recomendações das autoridades incluem não se abrigar debaixo de árvores durante as rajadas de vento, não estacionar perto de torres de transmissão e placas de propaganda e desligar aparelhos eletrônicos das tomadas durante as descargas elétricas. Em caso de necessidade, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 e o Corpo de Bombeiros pelo 193. Moradores de áreas de encosta devem observar rachaduras, inclinação de árvores e postes ou portas que passam a emperrar, sinais que podem indicar movimentação do solo. Em ruas alagadas, a orientação é não tentar atravessar a pé ou de carro, porque a força da água pode arrastar pessoas e veículos e esconder buracos e bueiros abertos. A Defesa Civil estadual mantém contato permanente com as coordenadorias municipais durante o período de alerta e orienta que as famílias tenham um plano de saída em caso de emergência.

O Espírito Santo integra a faixa do Sudeste que deve concentrar os maiores volumes de chuva neste fim de semana, ao lado do leste de Minas Gerais e do norte do Rio de Janeiro. A previsão para o domingo (18) indica que a instabilidade diminui em São Paulo, mas continua nessa área, com possibilidade de formação de um corredor de umidade capaz de manter a chuva por vários dias. Para os agricultores capixabas, a chuva tem efeitos mistos: ajuda a recuperar a umidade do solo em plena época de plantio, mas o granizo e as ventanias podem danificar lavouras de café, frutas e hortaliças. As prefeituras mantêm equipes de prontidão para atender a eventuais ocorrências durante o período de alerta. A recomendação é acompanhar os avisos oficiais até o fim do período chuvoso.

Bahia tem alerta de tempestade em 193 cidades e reforço nas equipes de energia

O Instituto Nacional de Meteorologia emitiu na sexta-feira (16) um alerta amarelo, de perigo potencial, para tempestades em 193 municípios da Bahia. O aviso entrou em vigor às 9h25 e valeu até as 23h59, com previsão de chuva entre 20 e 30 milímetros por hora ou de até 50 milímetros no dia, ventos de 40 km/h a 60 km/h e possibilidade de granizo. A lista incluiu cidades de várias regiões do estado, como o sul, o extremo sul, o sudoeste, o oeste e a Chapada Diamantina. Entre os municípios citados estavam Ilhéus, Itabuna, Porto Seguro, Vitória da Conquista, Jequié, Guanambi, Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Seabra e Lençóis. O instituto apontou baixo risco de quedas de energia, danos em plantações, queda de galhos e alagamentos. O aviso foi atualizado no decorrer do dia, conforme a evolução das nuvens.

As principais áreas afetadas pela instabilidade devem ser o sudoeste, o extremo sul e o centro-sul baianos, com chance de a chuva avançar para Salvador e partes do norte do estado no domingo (18). Para a capital e a região metropolitana, o instituto emitiu um novo alerta amarelo, válido da 0h de domingo até as 23h59 de segunda-feira (19), com previsão de chuva de até 30 milímetros por hora ou cerca de 50 milímetros no dia e ventos de até 60 km/h. A frente fria que avança pelo litoral do Sudeste e a umidade que chega da Amazônia explicam a mudança no tempo. No país, 19 estados tinham algum tipo de alerta meteorológico em vigor, com níveis que variavam de amarelo a laranja nesta etapa. A orientação é acompanhar as atualizações dos avisos ao longo do fim de semana.

Diante do cenário, a distribuidora de energia Neoenergia Coelba acionou de forma preventiva seu plano de contingência ainda na quinta-feira (15) e dobrou o número de equipes em campo para atender ocorrências no menor tempo possível. No Centro de Operações Integradas da companhia, engenheiros e técnicos monitoram continuamente os impactos do clima sobre a rede de distribuição. O plano prioriza o atendimento a serviços essenciais, como unidades de saúde, escolas e forças de segurança, e também os consumidores registrados que dependem de equipamentos elétricos para a manutenção da vida. A empresa lembra que temporais podem provocar queda de árvores sobre a fiação, arremesso de objetos contra a rede, alagamentos e outros problemas que interrompem o fornecimento. As equipes extras devem permanecer em campo enquanto durar o período de instabilidade.

A distribuidora divulgou orientações para evitar acidentes com a rede elétrica durante as chuvas. Em caso de cabo partido no chão, a recomendação é não tocar nem se aproximar, afastar outras pessoas e avisar a empresa imediatamente pelo telefone 116. Se a fiação cair sobre um veículo, os ocupantes devem permanecer dentro do carro e impedir que alguém se aproxime, acionando a companhia e o Corpo de Bombeiros, pelo 193. Durante tempestades com raios, o ideal é procurar abrigo seguro, evitar áreas abertas e não usar aparelhos ligados à tomada. Também é importante não soltar pipas perto da rede e não tentar retirar galhos ou objetos presos aos fios, tarefa que deve ser feita apenas por equipes especializadas. Pedidos de atendimento podem ser registrados pelos canais oficiais da distribuidora, inclusive pelo aplicativo e pelo site.

A chuva na Bahia tem efeitos variados conforme a região. No oeste e no sudoeste, onde a primavera marca o início do período chuvoso, a volta das precipitações é aguardada pelos produtores rurais, que dependem da umidade do solo para iniciar o plantio da safra de grãos e manter pastagens. No litoral sul e no extremo sul, por outro lado, os temporais aumentam o risco de alagamentos em cidades com drenagem limitada e de deslizamentos em encostas ocupadas. Em Salvador, onde várias áreas são vulneráveis a deslizamentos, a Defesa Civil municipal costuma reforçar o monitoramento quando há previsão de chuva mais forte. A orientação geral é acompanhar os avisos oficiais e, em caso de emergência, acionar a Defesa Civil pelo 199. Nos próximos dias, a tendência é de continuidade da instabilidade em parte do estado.

Seca severa em Roraima derruba produção de farinha e eleva risco de incêndios

A estiagem que atinge Roraima tem prejudicado o cultivo da mandioca e a produção de farinha, um dos alimentos mais importantes da mesa no Norte do país. Em Iracema, no sul do estado, o produtor rural Jair Mota, de 63 anos, precisou interromper temporariamente a fabricação de farinha. Segundo ele, a falta de umidade reduz a produtividade da lavoura, porque a raiz precisa de água para crescer, e diminui a quantidade de amido. O agricultor fez um replantio no fim do período chuvoso e agora espera retomar a colheita apenas entre março e maio de 2027, quando as chuvas voltarem. Até lá, recorre a outros negócios para manter a renda. Ele relata que vizinhos enfrentam a mesma situação e que a irrigação reduz perdas em algumas propriedades, mas não resolve o problema de todos.

A seca também pesa no bolso de quem compra. Na capital, a mandioca ficou 5,7% mais cara em setembro e chegou a R$ 35 pelo pacote de seis quilos, enquanto a farinha teve alta de 3,06%, para R$ 22,23 por três quilos, de acordo com dados da secretaria estadual de Planejamento. Empresários que compram farinha do Amazonas também sentem o impacto, porque a baixa dos rios naquele estado encareceu o frete. Nos supermercados da capital, o quilo da farinha chegou a subir 71,4%. Uma fábrica de farofa de Boa Vista, que torra e embala farinha amarela trazida do estado vizinho, está entre os negócios afetados pela alta. No início do mês, a Embrapa estimou que a seca provocada pelo El Niño pode reduzir em até metade a safra agrícola do estado.

O calor intenso agrava o quadro. Um boletim meteorológico do centro federal que coordena as ações de combate ao fogo, elaborado com o Ibama e o Prevfogo, colocou o leste e o nordeste do estado em alerta crítico para incêndios. Os termômetros da capital devem marcar de 35°C a 37°C nos próximos dias, e a sensação térmica tende a ser ainda maior, e o mesmo cenário atinge Uiramutã e Amajari, no extremo norte. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais aponta chance superior a 90% de os termômetros passarem de 35°C no nordeste e no centro-leste até o dia 19. Nas tardes, a umidade relativa pode ficar em 30% ou abaixo disso, o que prejudica a respiração e deixa a vegetação muito vulnerável ao fogo. O alerta deve ser revisto à medida que novas medições forem divulgadas.

O reflexo da estiagem é visível no principal rio do estado. Na sexta-feira (16), o nível do Rio Branco, em Boa Vista, marcava apenas 49 centímetros, situação que afeta o abastecimento de água, a navegação e a pesca. O Instituto Nacional de Meteorologia prevê que as chuvas continuarão escassas e mal distribuídas pelo menos até o fim de outubro, o que dificulta o combate às chamas em áreas rurais. O ar só fica um pouco mais úmido durante a noite e logo cedo. A combinação de pouca chuva, calor e ar seco forma o ambiente mais favorável para a propagação de incêndios florestais, que ameaçam lavouras, pastagens, áreas de vegetação nativa e a saúde da população, especialmente de crianças e idosos. A fumaça dos incêndios agrava problemas respiratórios, sobretudo entre crianças e idosos.

Diante do avanço da seca e do aumento dos focos de calor, o governo de Roraima suspendeu na quinta-feira (15) todas as autorizações para queimadas no estado, por um prazo inicial de 15 dias. Enquanto a medida vigorar, quem usar fogo para limpar pastagens ou preparar o terreno para o plantio estará cometendo crime ambiental. A fundação estadual de meio ambiente vai monitorar as infrações por satélite, cruzando a localização dos focos com os dados do Cadastro Ambiental Rural para identificar os responsáveis pelas propriedades. A medida busca evitar que queimadas de manejo saiam do controle em um período em que qualquer faísca pode se transformar em incêndio de grandes proporções, como já ocorreu em secas anteriores no estado. Denúncias de queimadas podem ser feitas aos órgãos ambientais do estado.

Vazão das Cataratas do Iguaçu segue sete vezes acima da média

As Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, continuam com volume de água muito acima do normal depois das chuvas intensas que atingiram a bacia do Rio Iguaçu nas últimas semanas. Na quarta-feira (14), o rio despejou 15,8 milhões de litros por segundo, volume mais de dez vezes superior à média histórica, de aproximadamente 1,5 milhão. A correnteza cobriu a passarela que conduz os turistas a um dos principais mirantes das quedas, e a estrutura foi fechada à visitação. Na sexta-feira (16), a vazão havia recuado para 10,6 milhões de litros por segundo, valor que ainda é cerca de sete vezes maior do que o habitual para o rio. A cheia chamou a atenção de moradores e turistas que estavam na região.

Vídeos gravados antes e durante a cheia mostram a transformação do local. O caminho que normalmente recebe milhares de visitantes aparece completamente tomado pela água, que ultrapassou a altura da passarela. A cena chamou atenção nas redes sociais e despertou dúvidas sobre como a estrutura resiste a esse tipo de evento. A explicação está nas fundações. Construída na década de 1990, a passarela é sustentada por estacas do tipo estaca-raiz, que penetram diretamente na rocha. Diferentemente de uma fundação apenas apoiada no solo, esse método perfura a rocha, coloca peças de aço nos furos e preenche tudo com cimento injetado sob pressão, o que mantém o conjunto firme mesmo sob a pressão da correnteza. A técnica é comum em obras sujeitas a esforços intensos e a variações de carga, como pontes e estruturas instaladas em leitos de rios.

A estrutura também é acompanhada de perto por equipamentos de alta precisão, chamados prismas, que monitoram continuamente a posição dos pilares e conseguem detectar deslocamentos milimétricos depois das cheias. Antes do pico de vazão, as grades de proteção da passarela foram retiradas de forma preventiva na terça-feira (13), medida que não era adotada havia três anos. A retirada evita que galhos, troncos e outros materiais arrastados pelo rio fiquem presos nas grades e aumentem a força exercida sobre a estrutura. A decisão foi tomada com base na previsão de aumento do volume do Rio Iguaçu, que se confirmou no dia seguinte, quando a água encobriu a passarela. Os dados coletados pelos prismas são analisados pelos técnicos responsáveis pela segurança da passarela antes de qualquer decisão sobre a liberação do acesso ao público.

A reabertura da passarela depende de alguns passos. É preciso que a vazão do rio recue para menos de 8 milhões de litros por segundo, que técnicos façam vistorias na estrutura e que as grades de proteção sejam reinstaladas. Enquanto isso, os visitantes podem acompanhar o espetáculo das quedas a partir de outros mirantes e trilhas do parque, de onde é possível ver o grande volume de água. Cheias como a atual costumam atrair turistas interessados em observar as cataratas em sua forma mais impressionante, embora o acesso a alguns pontos fique restrito por segurança. A administração do parque informa as condições de visitação conforme a evolução da vazão ao longo dos próximos dias. A tendência é de que o volume continue diminuindo nos próximos dias, caso a chuva na bacia perca força como indica a previsão.

O aumento da vazão reflete a primavera chuvosa no Sul do Brasil, influenciada pelo fenômeno El Niño, que tende a elevar as precipitações na região. Nas últimas semanas, temporais provocaram estragos em cidades gaúchas e paranaenses e elevaram o nível de rios em diferentes bacias. Com a chegada da massa de ar frio e seco neste fim de semana, a expectativa é de redução das chuvas no Sul, o que pode ajudar a vazão das cataratas a recuar gradualmente. Mesmo assim, a volta ao volume habitual deve levar algum tempo, porque a água acumulada em toda a bacia do Iguaçu continua escoando em direção às quedas, localizadas na fronteira entre o Brasil e a Argentina. Do lado argentino, o rio forma a maior parte das quedas, e o grande volume de água também é visível a partir do país vizinho.

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