
O Paraná deve ter mais tempestades nesta semana, com a formação de um ciclone extratropical na costa do Sul, enquanto Maringá decretou calamidade pública após o vendaval da madrugada de segunda. O resumo traz ainda a seca no Amazonas, a previsão de temporais em Santa Catarina e São Paulo e o ar seco no Rio Grande do Norte.
Simepar prevê semana de tempestades no Paraná, com pico entre quarta e quinta
O Paraná deve ter tempestades em várias regiões ao longo desta semana, impulsionadas pelo calor e pela umidade, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná, o Simepar. A chuva deve ficar mais intensa entre quarta-feira (4) e quinta-feira (5), quando se forma um ciclone extratropical na costa da região Sul e avança uma nova frente fria. Nesta terça-feira (3), o tempo segue abafado, com máximas acima de 25 °C em todo o estado e de 30 °C no Norte.
Na quarta, o risco aumenta e as temperaturas podem se aproximar de 35 °C na metade norte, com chance de supercélulas e de tempestades fortes na metade sul, segundo a meteorologista Julia Munhoz. No domingo (1º), 25 das 48 estações do órgão marcaram mais de 30 °C, e Capanema chegou a 35,5 °C. Na madrugada de segunda, as rajadas chegaram a 109,1 km/h em Altônia. O Simepar recomenda acompanhar os avisos e se cadastrar para receber alertas por mensagem no celular.
Ciclones extratropicais são sistemas de baixa pressão que se formam fora das regiões tropicais, a partir de diferenças de temperatura entre massas de ar, e costumam provocar ventos fortes e chuvas de moderadas a torrenciais. As supercélulas, mencionadas na previsão, são tempestades com uma corrente de ar ascendente em rotação no interior da nuvem; menos comuns que outros tipos, são as mais severas e, no Brasil, ocorrem principalmente nas regiões Sul e Sudeste.
Maringá decreta calamidade pública após vendaval que destelhou quartel dos bombeiros
A prefeitura de Maringá, no norte do Paraná, decretou calamidade pública nesta segunda-feira (2), depois que um temporal com ventos fortes atingiu a cidade durante a madrugada. As rajadas derrubaram dezenas de árvores, arrancaram telhados de indústrias e postos de combustíveis e interditaram vias como a Avenida Colombo. A cobertura do quartel do Corpo de Bombeiros desabou sobre viaturas. Cerca de 80 mil imóveis, um terço da cidade, ficaram sem energia, e presos do regime semiaberto ajudaram na limpeza.
O prefeito Silvio Barros comparou o cenário a um clima de guerra e definiu como prioridade religar a energia de unidades de saúde e serviços de emergência. Os bombeiros enviaram reforços de Cascavel, Londrina, Ponta Grossa e Curitiba. Em balanço divulgado na tarde de segunda, a Defesa Civil estadual contou 21 municípios afetados, 4 mil pessoas atingidas, 28 levadas para abrigos e 456 casas danificadas. Mais de 113 mil imóveis estavam sem luz no estado.
O temporal sucedeu as tempestades de domingo que destruíram telhados em Marquinho, no centro-sul paranaense, já relatadas no resumo anterior. Em uma análise inicial, o Simepar indicou que Maringá foi atingida por uma supercélula. Fundada em 1947 como cidade planejada, Maringá é a terceira mais populosa do Paraná, com cerca de 429.660 habitantes estimados em 2025, e é conhecida por suas ruas arborizadas e pela grande área verde por habitante.
Seca deixa 47 municípios do Amazonas em emergência e atinge mais de 146 mil famílias
São 146.425 as famílias atingidas pela falta de chuva no Amazonas, e 47 das 62 cidades amazonenses seguem em emergência, segundo boletim da Defesa Civil estadual divulgado nesta segunda-feira (2). Os outros 15, incluindo Manaus, estão em alerta. O levantamento também registrou piora da qualidade do ar: Parintins teve a pior classificação, considerada péssima, outros dez municípios ficaram entre ruim e muito ruim, e a capital apareceu com qualidade moderada.
O governo estadual informou que a primeira fase da Operação Estiagem 2026 chegou a 15 municípios, com 4.800 cestas básicas, cerca de 96 toneladas de alimentos, 3.400 kits de limpeza e 3.060 caixas d’água. No combate às queimadas, cerca de 1.500 bombeiros e brigadistas atuam com 18 aeronaves, 16 delas federais. Desde 1º de junho até 1º de novembro, a corporação contabilizou 3.957 chamados por incêndio e apagou 24.505 focos.
Parintins, a cidade com o ar em pior estado, fica no extremo leste do Amazonas, às margens do rio Amazonas, a cerca de 372 quilômetros em linha reta de Manaus. Com 101.956 moradores estimados em 2024, ocupa o quarto lugar em população no estado e é conhecido pelo Festival Folclórico de Parintins. O governo amazonense mantém decretos que restringem o uso do fogo e reconhecem emergência nas áreas afetadas pela seca.
Defesa Civil prevê temporais em Santa Catarina e São Paulo, com risco maior na quarta
A Defesa Civil de Santa Catarina prevê uma semana instável, com temporais em diferentes regiões e a quarta-feira (4) como o dia de maior preocupação. Uma frente fria deve trazer chuva forte desde a madrugada ao Grande Oeste e às áreas perto do Rio Grande do Sul, onde o risco de destelhamentos, queda de árvores e danos à rede elétrica é considerado muito alto. As máximas devem ficar entre 25°C e 30°C na maior parte do estado.
Segundo o meteorologista Caio Guerra, baixa pressão, ar quente e úmido e frentes frias favorecem as tempestades. Na quinta-feira (5), o tempo firme volta a partir da tarde, mas outra frente fria pode trazer temporais a partir da noite de sexta-feira (6). Em São Paulo, a Defesa Civil estadual prevê pancadas com raios nesta terça e na quarta, com risco de granizo e rajadas fortes no centro-sul e na faixa leste, e calor mais intenso no interior.
Na segunda-feira de Finados, o Instituto Nacional de Meteorologia já havia emitido aviso de chuva intensa para Santa Catarina, com previsão de até 50 milímetros no dia e ventos de até 60 km/h, sobretudo perto da divisa com o Paraná. A Defesa Civil é o conjunto de ações de prevenção, socorro e reconstrução diante de desastres. Em Santa Catarina, os alertas podem ser recebidos por mensagem de texto enviando o CEP ao número 40199.
Inmet põe 52 cidades do Rio Grande do Norte sob alerta de baixa umidade
O Instituto Nacional de Meteorologia avisou nesta segunda-feira (2) que 52 cidades potiguares teriam ar seco das 10h às 21h. Segundo o órgão, a umidade relativa deveria variar entre 20% e 30% nas cidades incluídas, entre elas Caicó, Apodi, Pau dos Ferros, Patu e Martins. O aviso é de perigo potencial, o grau mais baixo da escala do instituto, com risco reduzido de incêndios florestais e de problemas de saúde.
O Inmet recomendou que a população beba bastante líquido, evite esforço físico nas horas mais secas e fuja do sol forte. Quem precisar de ajuda pode ligar 199 para falar com a Defesa Civil ou 193 para chamar os bombeiros. A lista inclui ainda Jardim de Piranhas, Serra Negra do Norte, Umarizal, São Miguel, Venha-Ver, Viçosa e Upanema, entre outras cidades do interior potiguar.
Criado em 1909 e vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária, o Inmet monitora, analisa e prevê o tempo e o clima no país e fornece informações para situações como inundações e secas extremas. Seus avisos de eventos severos são elaborados pelos meteorologistas do órgão no sistema Alert-AS e difundidos em um formato padronizado de alerta, escolhido pela Organização Meteorológica Mundial, para chegar à população e às autoridades.