CLIMA: Resumo em 31 Out 2026

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Ilustração de sol forte sobre o asfalto em um dia de calor
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

Um estudo da Universidade de São Paulo que associa ondas de calor e poluição a mais casos de AVC entre idosos abre o resumo, que traz ainda os alagamentos em Manaus, o boletim federal sobre o El Niño, a previsão do Inmet para novembro e o alerta laranja de tempestade para o feriado de Finados no Sul e no Sudeste.

Estudo da USP liga ondas de calor e poluição a mais casos de AVC entre idosos em São Paulo

Pesquisadores da Universidade de São Paulo concluíram que períodos longos de calor extremo, somados ao ar poluído, elevam a probabilidade de um acidente vascular cerebral agudo em moradores da capital paulista a partir dos 65 anos. O estudo considerou onda de calor ao menos dois dias seguidos com máximas de 33,1 °C ou mais. Quando o calor coincidiu com partículas finas PM10, ligadas à queima de combustíveis e à poeira, a chance de AVC subiu 40,4% a cada dia adicional de exposição.

A análise usou dados de 769 pacientes com AVC agudo atendidos entre 2006 e 2018, grupo formado em 54,2% por mulheres e com 65,5% dos pacientes na faixa de 65 anos ou mais, e comparou o tempo e a qualidade do ar nos dias anteriores a cada caso. A professora Alessandra Carvalho Goulart, da Faculdade de Medicina da USP, apresentou os resultados preliminares em um evento da Fapesp na Universidade de Leiden, nos Países Baixos, e explicou que o calor intenso desidrata e deixa o sangue mais viscoso.

Segundo Goulart, a população idosa de São Paulo cresceu mais de 50% entre 2010 e 2022 e já passa de 2 milhões de pessoas, o que, para ela, exige somar cuidados cardiovasculares a medidas de adaptação climática nas cidades. O AVC pode ser isquêmico, quando uma artéria é obstruída e a circulação no cérebro é interrompida, ou hemorrágico. Em 2013, foi a segunda principal causa de morte no mundo, com 6,4 milhões de óbitos, o equivalente a 12% do total.


Temporal alaga avenidas de Manaus depois de dias de fumaça e calor

Uma chuva forte atingiu várias zonas de Manaus na manhã desta sexta-feira (30), alagou avenidas e complicou o trânsito na capital amazonense. O temporal se intensificou por volta das 10h, e houve pontos de alagamento nas avenidas Djalma Batista, Autaz Mirim e Brasil e no conjunto Manoa, onde veículos ficaram parcialmente submersos e passageiros de ônibus subiram nos bancos para escapar da água. A chuva chegou depois de dias de calor intenso e fumaça, que deixaram a cidade com a pior qualidade do ar do país.

A Defesa Civil enviou aos celulares dos moradores um alerta severo de risco de alagamento e pediu que a população evitasse áreas baixas. O Instituto Nacional de Meteorologia manteve aviso de chuva entre 20 e 30 milímetros por hora, com até 50 milímetros no dia e ventos de até 60 quilômetros por hora. A Defesa Civil estadual também emitiu alertas para 13 municípios do interior, entre eles Manacapuru, Novo Airão, Barcelos e São Gabriel da Cachoeira.

Para este sábado, a previsão indica novas pancadas, sobretudo de madrugada e pela manhã, com 79% de chance de chuva; no domingo, a probabilidade cai para 25%, com máximas de até 36 °C. No oeste do Amazonas, os acumulados podem passar de 100 milímetros em pontos isolados até segunda-feira. O clima de Manaus é tropical úmido de monção, com temperatura média anual de 27 °C e cerca de 2.300 milímetros de chuva por ano.


Boletim federal prevê El Niño muito forte até janeiro, com seca no Norte e no Nordeste e cheias no Sul

O El Niño deve atingir intensidade muito forte entre novembro e janeiro de 2027, com chance de se tornar o mais intenso desde 1950, segundo a quinta edição do Painel El Niño, boletim divulgado em outubro por sete órgãos federais, entre eles o Instituto Nacional de Meteorologia, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e o Cemaden. O aquecimento do Pacífico Equatorial deve continuar pelo menos até o primeiro trimestre de 2027, e seus efeitos podem persistir mesmo depois do enfraquecimento.

Para o Nordeste, o boletim aponta agravamento da seca: entre agosto e setembro, a área com seca grave passou de 16% para 28% da região. No Norte, a fatia subiu de 4% para 8%, e a Amazônia Legal registrou 12.659 focos de fogo em setembro. O Sul e partes do Sudeste e do Centro-Oeste têm maior probabilidade de chuva acima da média, com risco de enchentes. As temperaturas devem ficar acima da média em quase todo o país, exceto no Rio Grande do Sul.

A agência oceânica e atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, confirmou as condições de El Niño em 11 de junho, e desde então as águas do Pacífico Equatorial chegaram a ficar mais de 3 °C acima da média em algumas áreas. O fenômeno é a fase quente de um ciclo natural do oceano e da atmosfera, e houve pelo menos 30 episódios entre 1900 e 2024; os de 1982-83, 1997-98 e 2014-16 estão entre os mais fortes já registrados.


Inmet prevê novembro mais quente que a média em todo o país e chuva desigual entre as regiões

A previsão climática do Instituto Nacional de Meteorologia indica que novembro terá temperaturas acima da média histórica em todas as regiões do Brasil, com os maiores desvios no Centro-Oeste e no Sudeste, onde as médias podem ficar até 2 °C acima do padrão do mês. A chuva deve ser desigual: deve chover mais que o normal em parte da Região Sul, no território paulista, em Mato Grosso do Sul e no extremo oeste da Região Norte, enquanto outras partes do país devem ficar abaixo da média.

No Nordeste, a tendência é de chuva abaixo da média em grande parte da região, com os maiores déficits entre o Maranhão e a Bahia. No Norte, faltará chuva sobretudo no Pará, no Tocantins e em Roraima. Em São Paulo, os acumulados devem ser maiores na faixa entre Assis e Itapetininga, enquanto Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro tendem a ter volumes abaixo do normal. No Centro-Oeste, o noroeste de Mato Grosso, o norte de Goiás e o Distrito Federal também devem receber menos chuva.

O Inmet é um órgão federal ligado ao Ministério da Agricultura e Pecuária, criado em 1909 para monitorar, analisar e prever o tempo e o clima, inclusive em situações de desastres naturais como inundações e secas extremas. O instituto mantém um sistema de alertas para avisar a população sobre eventos meteorológicos severos. A previsão para novembro coincide com o período em que órgãos federais esperam o El Niño em intensidade muito forte, com efeitos diferentes sobre a chuva em cada região.


Alerta laranja de tempestade atinge 366 cidades do Paraná, de São Paulo e de Mato Grosso do Sul no feriado

O Instituto Nacional de Meteorologia colocou nesta sexta-feira (30) 366 municípios paranaenses, paulistas e sul-mato-grossenses sob alerta laranja de tempestade, válido durante toda a segunda-feira (2), feriado de Finados. O aviso, segundo de três níveis, indica acumulados de 50 a 100 milímetros ao longo do dia, com picos de 30 a 60 milímetros em uma hora, ventos de 60 a 100 km/h e granizo, com risco de falta de energia, queda de árvores, estragos em plantações e alagamentos.

O Paraná concentra 337 das cidades, cerca de 84% dos 399 municípios do estado, entre elas Londrina, Maringá, Cascavel e Foz do Iguaçu; Curitiba ficou no alerta amarelo. Em São Paulo, o aviso alcança 16 cidades das regiões de Presidente Prudente, Assis e Itapetininga, e em Mato Grosso do Sul, 13 cidades perto da divisa com o Paraná. O sistema meteorológico paranaense prevê aumento da instabilidade no fim de semana com a chegada de uma área de baixa pressão.

O alerta amarelo, de perigo potencial, cobre 2.396 cidades de oito estados na segunda-feira, incluindo Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. O Inmet orienta não se abrigar debaixo de árvores e não estacionar perto de torres de transmissão e placas. Instituído pela Igreja Católica para orações pelos mortos, o Dia de Finados é celebrado em 2 de novembro, e neste ano a segunda-feira também é o dia de volta para casa de quem viajou no fim de semana prolongado.

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