
O resumo do clima desta quarta-feira reúne a emergência por seca decretada em todo o Tocantins, o alerta de temporais no Sul com previsão de ciclone para o fim de semana, o reconhecimento federal de emergência no Amapá, o calor de até 40 °C previsto para Minas Gerais e o avanço da seca sobre três quartos do país.
Tocantins declara emergência por seca em todo o território por 180 dias
O governo do Tocantins colocou todo o estado em situação de emergência por causa da falta de chuva acumulada em 2025 e 2026. Editado nesta terça-feira (20), o Decreto nº 7.251 tem validade de 180 dias e cita prejuízos à agropecuária e o risco de incêndios em áreas de vegetação. Em agosto, cerca de 95% do território tocantinense já tinha algum grau de seca, e a faixa moderada saltou de 33,57% para 57,44% em um mês.
A medida permite que produtores e outros setores atingidos peçam renegociação de dívidas, adiamento de obrigações e apoio financeiro, sempre com análise de cada caso pelos órgãos públicos. O Corpo de Bombeiros Militar, por meio da Defesa Civil, coordena o socorro às prefeituras e o envio de água às famílias. O decreto sai no início do plantio da soja da safra 2026/27, que avançava de forma irregular, segundo a associação dos produtores do estado.
Criado em 1988 e localizado na Região Norte, o Tocantins tem 139 municípios, capital em Palmas e cerca de 1,6 milhão de habitantes, com clima tropical que alterna uma estação seca e outra úmida. A soja é o principal motor do agronegócio local, e a associação dos produtores estima 1,6 milhão de hectares plantados com o grão. Pouco antes do decreto, o estado havia registrado superávit comercial recorde de 1,7 bilhão de dólares, puxado pelas exportações agrícolas.
Sul tem alerta de temporais a partir de quarta, e previsão indica ciclone no fim de semana
O Instituto Nacional de Meteorologia emitiu aviso de tempestade para áreas do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul e de Mato Grosso do Sul nesta quarta-feira (21), das 15h às 23h59, com chuva de até 50 milímetros por dia, rajadas de até 60 km/h e possibilidade de granizo. No Paraná, alertas amarelos valem até sexta-feira (23) e abrangem inicialmente 178 municípios das regiões central, oeste e sudoeste do estado.
Meteorologistas preveem que uma área de baixa pressão pode evoluir para um ciclone extratropical a partir de sexta-feira, ampliando as tempestades no Sul, no Centro-Oeste e no Sudeste até domingo (25). As projeções indicam acumulados de 200 a 300 milímetros no norte gaúcho, em Santa Catarina, no Paraná e em partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul, com ventos de até 100 km/h. A orientação é evitar abrigo sob árvores e acompanhar os avisos da Defesa Civil.
Ciclones extratropicais são sistemas de baixa pressão que se formam fora dos trópicos, em latitudes médias, a partir do contraste de temperatura entre massas de ar, e por isso são chamados de sistemas de núcleo frio. No Hemisfério Sul, giram no sentido horário e costumam vir acompanhados de frentes frias, ventania e chuva forte. Antes da virada, o Paraná teve tempo firme, com mínima de 5 °C em cidades do sul do estado e máximas próximas de 28 °C no oeste.
Governo federal reconhece emergência por estiagem em 14 cidades do Amapá
A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil reconheceu nesta terça-feira (20) a situação de emergência em 14 dos 16 municípios do Amapá por causa da estiagem. A Portaria nº 3.595, publicada no Diário Oficial da União, confirma um decreto anterior do governo estadual. A lista inclui a capital, Macapá, além de Santana, Oiapoque, Laranjal do Jari, Mazagão, Porto Grande, Calçoene, Serra do Navio e Vitória do Jari, entre outras cidades.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional já havia autorizado, na segunda-feira (19), o repasse de R$ 4,1 milhões para ações de defesa civil no estado. Desse valor, R$ 3,18 milhões vão para o governo amapaense e R$ 945,8 mil para a prefeitura de Tartarugalzinho. O dinheiro será transferido em parcela única e terá de ser usado em até 180 dias no socorro às famílias, inclusive com entrega de água e mantimentos a comunidades isoladas pela vazante dos rios.
Localizado no extremo norte do país, na fronteira com a Guiana Francesa e o Suriname, o Amapá tem cerca de 800 mil habitantes e clima equatorial, marcado normalmente por chuvas abundantes. Neste ano, porém, os dados do monitoramento nacional mostram seca em 100% do território do estado em setembro. Muitas comunidades dependem dos rios para transporte e abastecimento, o que torna a redução do nível das águas um problema direto para a chegada de alimentos e insumos.
Calor deve chegar a 40 °C no noroeste de Minas por três dias seguidos
A previsão de uma empresa de meteorologia indica máximas de até 40 °C em João Pinheiro, no noroeste de Minas Gerais, entre domingo (25) e terça-feira (27). O valor fica 9,6 °C acima da média histórica de 30,4 °C das máximas de outubro na cidade. O levantamento aponta temperaturas entre 33 °C e 40 °C, por três dias consecutivos, em sete municípios de Minas Gerais, da Bahia e de Roraima, todos acima de suas médias para o mês.
Na Bahia, Itapetinga pode chegar a 37 °C e Teixeira de Freitas a 36 °C. Em Roraima, Caroebe e São Luiz devem marcar 37 °C. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, calor nesse nível por vários dias eleva o risco de desidratação, insolação e piora de doenças respiratórias, sobretudo em crianças, idosos e pessoas com comorbidades. No campo, o calor prolongado pode reduzir a produtividade de café, milho e soja e favorecer pragas.
Uma onda de calor é definida como um período de pelo menos três dias com temperaturas muito acima do normal para cada região, e seus efeitos mais graves incluem mortes por hipertermia entre os mais vulneráveis. Quando coincide com a seca, favorece incêndios e aumenta o consumo de água e energia. Em Minas, o governo estadual criou um comitê para enfrentar os efeitos do El Niño, e o noroeste está entre as áreas consideradas de maior risco.
Seca se espalha pelo Norte e Nordeste e alcança 75% do território nacional
A parcela do território brasileiro com seca passou de 67% em agosto para 75% em setembro, segundo a atualização mais recente do Monitor de Secas, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico. A área afetada cresceu em 13 estados, entre eles Pernambuco, Bahia, Ceará, Amazonas, Pará e Tocantins. Em dez unidades da Federação, incluindo Acre, Amapá, Maranhão, Piauí, Roraima e o Distrito Federal, todo o território estava sob seca.
O Nordeste teve o quadro mais severo, com seca grave em 28% da região, ante 16% no mês anterior, e algum grau do fenômeno em 96% da área. No Norte, a seca grave dobrou de 4% para 8%. O Amazonas tem a maior extensão atingida, acima de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, seguido por Pará, Minas Gerais e Bahia. No Centro-Oeste e no Sudeste a área seca diminuiu, e o Sul, com chuvas acima da média, ficou livre do fenômeno.
O Monitor de Secas é produzido sob coordenação da agência federal, uma autarquia criada em 1998 com o nome de Agência Nacional de Águas, que passou a incluir o saneamento básico na denominação em 2020, com o novo marco legal do setor. O órgão é responsável por implementar a gestão dos recursos hídricos do país e regular os usos de rios e lagos de domínio da União, com base na Política Nacional de Recursos Hídricos instituída em 1997.