ECONOMIA: Resumo em 23 Out 2026

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Ilustração sobre endividamento e dívidas
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

O governo deu a largada na terceira fase do Desenrola, com a compra de dívidas de bancos pela União. O resumo traz também a queda da bolsa e a alta do dólar na véspera do segundo turno, a carta de empresários que pede ajuste fiscal aos candidatos, o recorde da arrecadação federal em setembro e a mudança nos sorteios das loterias.

Fazenda abre chamada para bancos ofertarem dívidas no Desenrola 3.0

O Ministério da Fazenda publicou na quinta-feira (22), em edição extra do Diário Oficial da União, a portaria e o edital que dão início à terceira fase do Desenrola. Nessa etapa, a União passa a comprar diretamente carteiras de dívidas em atraso, com desconto mínimo de 90% sobre o valor original. Bancos, financeiras e fundos que compram créditos têm cinco dias úteis, até 30 de outubro, para informar quanto pretendem oferecer.

Segundo o ministro Dario Durigan, os credores podem apresentar até R$ 90 bilhões em débitos antigos, o que custaria no máximo R$ 9 bilhões ao Tesouro. Entram dívidas de até R$ 10 mil por pessoa, com atraso entre 720 e 1.645 dias, de cartão, cheque especial, crédito pessoal e microempreendedores. A Fazenda informa que os devedores não precisam fazer nada por enquanto, e a previsão é que os descontos cheguem a eles a partir de fevereiro de 2027.

O Desenrola Brasil foi criado no terceiro mandato de Lula para renegociar dívidas de pessoas inscritas em cadastros de inadimplentes. A primeira fase funcionou entre julho de 2023 e maio de 2024, e uma segunda, ampliada para estudantes, pequenas empresas e aposentados, começou em maio de 2026. A versão atual foi instituída por medida provisória em setembro, quando o governo estimou em R$ 150 bilhões o volume total de dívidas que poderiam se enquadrar.


Ibovespa recua 1,15% e dólar sobe pelo segundo dia antes do segundo turno

O principal índice da bolsa brasileira caiu 1,15% na quinta-feira (22) e fechou aos 204.120 pontos, enquanto o dólar comercial subiu 0,22%, para R$ 5,038, na segunda alta seguida. Investidores reduziram posições em ações a três dias do segundo turno presidencial, num pregão marcado também por piora no exterior. Mesmo com as duas altas, a moeda americana ainda acumula queda de 2,63% em outubro e de 8,21% no ano.

No mercado internacional, o barril do Brent avançou cerca de 3,8%, para perto de US$ 113, após ataques a embarcações no Estreito de Ormuz e uma redução maior que a esperada dos estoques americanos. Novas ofensivas entre Rússia e Ucrânia também pesaram sobre os preços. Em Nova York, ações de tecnologia recuaram depois de balanços de grandes empresas do setor, e o índice Nasdaq terminou o dia com queda de 2,6%, enquanto o S&P 500 perdeu 1,21%.

O Ibovespa mede o desempenho médio das ações mais negociadas na B3, a principal bolsa de valores do país, e funciona como uma carteira teórica criada em 1968. Em anos eleitorais, o índice e o câmbio costumam oscilar mais, porque investidores acompanham as propostas dos candidatos para gastos públicos, dívida e relação com o Banco Central. O resultado do segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro, deve orientar os próximos movimentos do mercado.


Grupo de 380 empresários pede a Lula e Flávio ajuste fiscal para baixar a Selic

Cerca de 380 empresários, economistas e representantes da sociedade civil reunidos no chamado Grupo Parlatório enviaram uma carta aos dois candidatos à Presidência pedindo um compromisso com ajuste fiscal. A principal meta proposta é que, até dezembro de 2027, os juros básicos caiam a 7,5% anuais e a inflação fique em 3%, com superávit primário de pelo menos 1% do PIB já no próximo ano. A iniciativa é coordenada pelo economista Roberto Giannetti da Fonseca.

O documento também quer a dívida bruta abaixo de 70% do PIB até 2030, ante 82,9% hoje, segundo o Banco Central, além de revisão da Lei de Responsabilidade Fiscal, corte de supersalários, reforma administrativa e fim da reeleição para cargos executivos. Entre os signatários estão o presidente da Febraban, Isaac Sidney, e o ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates. A carta seria entregue ao vice-presidente Geraldo Alckmin, e a campanha de Flávio ainda não havia respondido ao pedido de reunião.

A Selic é a taxa básica de juros do país e serve de referência para empréstimos, financiamentos e aplicações. Ela é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação, e sua meta é definida oito vezes por ano pelo Comitê de Política Monetária. Segundo o grupo, a dívida pública soma R$ 10,9 trilhões e custa em média 12,68% anuais, o que gera uma despesa anual próxima de R$ 1,4 trilhão em juros.


Arrecadação federal soma R$ 239,4 bilhões e bate recorde para setembro

A arrecadação federal com impostos, contribuições e outras receitas chegou a R$ 239,4 bilhões em setembro, informou a Receita Federal na quinta-feira (22). O valor representa alta real de 5,6% sobre o mesmo mês de 2025 e é o maior para setembro desde o início da série histórica, em 1995. Segundo o órgão, o resultado reflete o crescimento da economia, aumentos de tributos dos últimos anos e o preço mais alto do petróleo.

De janeiro a setembro, a arrecadação somou R$ 2,35 trilhões em valores nominais, com crescimento real de 7% sobre o mesmo período do ano anterior, também recorde. A alta do petróleo, ligada à guerra entre Estados Unidos e Irã, elevou receitas com royalties e participações, e o governo ainda criou uma taxação extra sobre exportações do produto. Entre as medidas adotadas desde 2023 estão a tributação de fundos exclusivos e de investimentos no exterior.

Para 2026, a meta fiscal prevê saldo positivo de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões, com tolerância de 0,25 ponto para cima ou para baixo. As regras permitem retirar do cálculo R$ 57,8 bilhões em despesas, como precatórios, e por isso a previsão é de déficit efetivo de R$ 23,3 bilhões. A Receita Federal, responsável pela cobrança dos tributos, foi criada em 1968, no lugar de uma diretoria do Ministério da Fazenda.


Caixa transfere para sábado os sorteios de loteria do dia da eleição

A Caixa Econômica Federal decidiu antecipar para sábado (24) os sorteios de loteria que seriam realizados no domingo (25), quando os eleitores voltam às urnas para o segundo turno. A mesma mudança já havia ocorrido no primeiro turno. As apostas poderão ser registradas até as 20h de sábado, e as cotas de bolão continuarão à venda até as 20h45, apenas pelo aplicativo e pelo portal das loterias do banco.

Os sorteios estão marcados para as 21h, horário de Brasília, com transmissão pelos canais oficiais da Caixa. A lista do dia inclui a Mega-Sena, no concurso 3074, a Lotofácil, a Quina, a Timemania, o Dia de Sorte, a +Milionária e a Loteria Federal. A aposta mínima na Mega-Sena, com seis números, custa R$ 6, e os bolões dessa modalidade têm valor mínimo de R$ 18, com cotas a partir de R$ 6.

A Mega-Sena é a maior modalidade lotérica do Brasil e uma das dez administradas pela Caixa, com sorteios regulares três vezes por semana. O primeiro concurso foi realizado em 11 de março de 1996. Para levar o prêmio principal, o apostador precisa acertar as seis dezenas sorteadas entre 60 possíveis, mas também há prêmios menores para quem acerta cinco ou quatro números. O maior prêmio da história, de R$ 317,8 milhões, saiu em outubro de 2022.

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