
Investidores projetam reação forte da Bolsa e do dólar na segunda-feira, conforme o resultado do segundo turno. A Oncoclínicas levou à Justiça um novo plano para renegociar suas dívidas, a presidente da Petrobras comentou a disparada do petróleo, a campanha de Flávio Bolsonaro discute o destino dos bancos públicos e o mercado espera que a Petrobras volte a vender ativos mesmo sem privatização.
Investidores projetam reação forte da Bolsa e do dólar na segunda após o segundo turno
Depois do último pregão antes da votação, em que o dólar fechou a sexta-feira (23) abaixo de R$ 5 e a Bolsa subiu, o mercado passa o fim de semana calculando a reação de segunda-feira (26). Uma pesquisa do Citi com 73 investidores aponta que 79% esperam queda superior a 5% do Ibovespa se Lula for reeleito, enquanto 49% projetam alta acima de 5% com vitória de Flávio Bolsonaro.
Para o banco, o cenário favorável ao mercado está só em parte nos preços, e a queda esperada em caso de resultado adverso supera a alta no caso oposto. Com Flávio, 88% dos consultados preveem valorização de pelo menos 2% do real; com Lula, 63% esperam desvalorização acima de 5%. Um economista da Suno Research estima o dólar entre R$ 4,80 e R$ 4,90 no primeiro cenário e entre R$ 5,40 e R$ 5,60 no segundo.
Analistas afirmam que a reação vai depender dos sinais sobre contas públicas, equipe econômica e relação com o Congresso, e que o primeiro pregão nem sempre indica a tendência dos dias seguintes. A cotação de sexta, de R$ 4,993, foi a menor desde 9 de outubro. Em outubro, o Ibovespa acumula alta de 10,06%, e no ano, de 27,28%. A próxima cotação sai na segunda, já com o resultado conhecido.
Oncoclínicas apresenta nova proposta para renegociar R$ 5,7 bilhões em dívidas
A Oncoclínicas apresentou à Justiça na sexta-feira (23) uma nova versão de seu plano de recuperação extrajudicial, que agora abrange cerca de R$ 5,7 bilhões em créditos sem garantia. A proposta substitui a primeira, apresentada em 28 de agosto, que envolvia R$ 5,1 bilhões. Segundo a empresa, o texto é resultado de meses de negociação com credores, operadoras de saúde, farmacêuticas e o corpo clínico, e ainda precisa da adesão dos credores.
O presidente da companhia, Carlos Gil, descreveu o acordo como uma construção complexa. O diretor financeiro, Maurício Hasson, afirmou que o modelo escolhido foi o mais viável diante da situação da empresa. Se o quórum exigido em lei for atingido, o plano seguirá para homologação judicial; etapas como a emissão de debêntures conversíveis ainda dependerão de aprovação dos órgãos competentes e do conselho. A empresa também é observada pela possibilidade de uma oferta para fechar o capital.
As dificuldades da rede de tratamento de câncer começaram depois da abertura de capital, em 2021, quando a empresa usou os recursos captados para comprar hospitais e entrar em áreas mais complexas, o que pressionou margens e aumentou o endividamento. A recuperação extrajudicial é um caminho previsto na Lei 11.101/2005, que trata da reestruturação de empresas em crise: a devedora negocia diretamente com os credores e depois submete o acordo à homologação do Judiciário.
Presidente da Petrobras diz que ninguém previu o barril perto de US$ 117
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou no sábado (24) que nenhum dos analistas que assessoram a estatal havia projetado o petróleo no nível atual, com o Brent cotado a US$ 116,93. Segundo ela, o mercado mudou de forma drástica nos 20 dias anteriores, e a empresa começou a discutir como reagir, sem definição sobre as medidas. A executiva não informou prazos nem disse se haverá mudança nos preços cobrados no mercado interno.
Chambriard disse que a companhia aprendeu com os anos de 2018 e 2019, quando acompanhou de perto as cotações internacionais e, segundo ela, acabou perdendo dinheiro e participação de mercado. A executiva atribuiu a alta à guerra entre Estados Unidos e Irã, que destruiu capacidade de refino e encareceu o frete. Ela defendeu ampliar a produção e buscar novos compradores, e citou a primeira venda de petróleo cru para o Japão neste ano.
O Brent, extraído originalmente no Mar do Norte, é a referência mais usada no mundo para precificar o petróleo bruto e serve de base para outros tipos do produto. A Petrobras foi criada em 3 de outubro de 1953, por lei sancionada por Getúlio Vargas, e manteve o monopólio do setor até 1997. Hoje a estatal produz mais de 3 milhões de barris por dia e figura entre as maiores empresas da América Latina.
Campanha de Flávio Bolsonaro estuda levar Caixa e Banco do Brasil para pasta social
O candidato Flávio Bolsonaro (PL) avalia transferir para a futura pasta social o comando da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, caso vença a eleição deste domingo, segundo pessoas ligadas à campanha. Hoje os dois bancos respondem ao Ministério da Fazenda. A pasta, chamada na campanha de Ministério da Prosperidade, poderia incluir políticas para mulheres, empreendedorismo e trabalho. A assessora econômica Daniella Marques, que presidiu a Caixa em 2022, é a mais cotada para comandá-la.
A ideia não é consenso na equipe, já que a Caixa também conduz obras regionais e o programa Minha Casa, Minha Vida. O programa de governo registrado no TSE promete transformar a Caixa em um banco voltado à construção de patrimônio dos clientes e não menciona o Banco do Brasil. O coordenador econômico Adolfo Sachsida negou, na segunda-feira (19), qualquer plano de privatizar o Banco do Brasil, a Caixa ou a Petrobras.
Daniella Marques assumiu a Caixa no último ano do governo de Jair Bolsonaro, após a saída de Pedro Guimarães. Às vésperas do segundo turno de 2022, os bancos liberaram R$ 9,5 bilhões em consignado para beneficiários do Auxílio Brasil, sendo R$ 7,6 bilhões pela Caixa; a linha foi extinta depois. Fundada em 1861 pelo imperador Dom Pedro II, a Caixa é hoje comandada por Carlos Vieira, e o Banco do Brasil, por Tarciana Medeiros.
Mercado espera retomada da venda de ativos da Petrobras mesmo sem privatização
A campanha de Flávio Bolsonaro, que já havia descartado privatizar a Petrobras, a Caixa e o Banco do Brasil, não diz o que faria com os ativos da petroleira, e investidores esperam a volta das vendas e do enxugamento da estatal adotados no governo de Jair Bolsonaro. A empresa não aparece nas propostas entregues ao Tribunal Superior Eleitoral, e a assessoria do candidato não respondeu a pedidos de entrevista sobre o tema.
No fim de agosto, o coordenador da campanha para energia, Adriano Pires, cotado para a Petrobras ou para o Ministério de Minas e Energia, disse não ver problema em discutir uma capitalização da estatal nos moldes da feita na Eletrobras, que deixaria a União em posição minoritária, mas lembrou que a decisão caberia ao Congresso. Defensor antigo da privatização, ele chegou a ser indicado para presidir a empresa em 2022 e desistiu após questionamentos sobre conflito de interesses.
O plano de governo também não define a política de preços dos combustíveis e promete cortar impostos sem detalhar como. Hoje a Petrobras vende abaixo das cotações internacionais. No governo anterior, a estatal vendeu campos menores e gasodutos, deixou a distribuição de combustíveis e pôs oito refinarias à venda, das quais se desfez de quatro, incluindo a de Mataripe, na Bahia, a segunda maior do país.