ECONOMIA: Resumo em 30 Out 2026

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Ilustração de um táxi parado em um semáforo no trânsito
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

A autorização de até R$ 30 bilhões em crédito para taxistas e motoristas de aplicativo abre o resumo, que traz também a terceira descoberta de petróleo da Petrobras no mesmo poço do Amapá, a quarta queda seguida do Ibovespa, a negativa de Rafael Fonteles sobre o Ministério da Fazenda e a alta da dívida bruta do governo em setembro.

Fazenda autoriza até R$ 30 bilhões do BNDES para taxistas e motoristas de aplicativo comprarem carros novos

Taxistas e motoristas de aplicativo poderão contar com até R$ 30 bilhões em financiamento, liberados pelo Ministério da Fazenda, para que comprem veículos novos pelo programa Move Brasil. O despacho do ministro Dario Durigan, que saiu nesta quinta-feira (29) no Diário Oficial da União, permite a assinatura de um termo aditivo com o BNDES, que ficará encarregado de administrar os recursos da linha batizada de Move Aplicativos. A iniciativa tem como base a Medida Provisória nº 1.359.

Para ter acesso ao crédito, taxistas precisam estar registrados, em atividade e com regularidade fiscal, e motoristas de aplicativo devem comprovar cadastro ativo há pelo menos um ano e ao menos 100 corridas nesse período. Os carros precisam atender a critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica, e as montadoras terão de vendê-los abaixo do preço de tabela. O governo calcula que o programa permita a venda de pelo menos 200 mil veículos. A autorização teve pareceres favoráveis do Tesouro Nacional e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.

Fundado em 1952 e sediado no Rio de Janeiro, o BNDES é uma empresa pública federal cuja função principal é oferecer financiamento de longo prazo a todos os setores da economia. Entre suas linhas tradicionais estão o apoio à compra de máquinas e equipamentos novos fabricados no país e o crédito a empreendedores de todos os portes, incluindo pessoas físicas. A instituição é apontada como um dos maiores bancos de desenvolvimento do mundo e mantém representações regionais em São Paulo, Brasília e Recife.


Petrobras anuncia terceira descoberta de petróleo no mesmo poço na costa do Amapá

Pela terceira vez, a Petrobras encontrou petróleo no poço Morpho, segundo anúncio feito nesta quinta-feira (29). O poço fica no bloco FZA-M-59, em águas ultraprofundas da Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá. A estatal achou mais um intervalo com óleo nesse poço, onde a lâmina d’água tem 2.886 metros. Os dois achados anteriores haviam sido divulgados em agosto e no início de outubro. A empresa informou que concluiu a perfuração e a coleta de dados geológicos no local.

Para a presidente da companhia, Magda Chambriard, as três descobertas no mesmo poço reforçam o otimismo com o potencial exploratório da Margem Equatorial. A próxima etapa é o abandono do Morpho, procedimento que encerra as operações no poço; em seguida, a sonda segue para a Bacia Potiguar, no litoral do Rio Grande do Norte, onde começará a perfurar a locação Mãe de Ouro. A Petrobras diz que a exploração na região integra sua estratégia de longo prazo para repor reservas de petróleo e gás.

A Margem Equatorial é uma faixa marinha que vai do Rio Grande do Norte ao Amapá, dividida em cinco bacias sedimentares, e a Foz do Amazonas, a cerca de 175 km da costa amapaense, é considerada a mais promissora delas. Estimativas do governo indicam que essa bacia pode conter até 10 bilhões de barris recuperáveis, e as amostras confirmaram óleo leve. A atividade enfrenta debate sobre licenciamento ambiental por causa de correntes fortes, manguezais e recifes. A Petrobras já perfurou mais de 700 poços na região.


Ibovespa tem a quarta queda seguida e fecha abaixo dos 170 mil pontos

O Ibovespa caiu 1,06% nesta quinta-feira (29) e fechou aos 169.186 pontos, na quarta baixa consecutiva, abaixo da marca de 170 mil pontos. Durante o pregão, o índice oscilou entre 168.765 e 171.402 pontos, com volume negociado de R$ 42,31 bilhões. Das 76 ações que compõem a carteira, 60 terminaram o dia em baixa. O dólar comercial subiu 0,9% e fechou a R$ 5,39, depois de chegar a R$ 5,42 na máxima da sessão.

Investidores seguem atentos à formação da equipe econômica do quarto mandato de Lula e à trajetória das contas públicas. Para o gestor Luciano França, da Paramis Avantgard, as perdas se concentram em empresas endividadas e dependentes de crédito, enquanto exportadoras resistem melhor, e os juros longos continuam subindo pela incerteza fiscal. Filipe Villegas, estrategista da Genial, disse que estrangeiros estão desfazendo posições e citou saque recorde de US$ 632 milhões de um fundo de ações brasileiras negociado em Nova York.

A sequência de perdas começou depois do segundo turno de domingo (25), quando a reeleição de Lula levou a uma queda das ações e à alta do dólar. O Ibovespa é o principal indicador do desempenho das ações negociadas na B3 e mede o valor de uma carteira teórica criada em 2 de janeiro de 1968, formada pelos papéis de maior volume nos meses anteriores. Nesta quinta, o mercado também reagiu à alta da dívida pública e à decisão do Federal Reserve, na véspera, de manter os juros americanos entre 3,75% e 4%.


Rafael Fonteles nega ter tratado com Lula sobre o Ministério da Fazenda

O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), afirmou nesta quinta-feira (29), em publicação na rede social X, que nunca conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem com qualquer outra pessoa sobre ocupar um cargo no próximo mandato ou sobre política econômica. Cotado para o Ministério da Fazenda, ele disse ainda desconhecer uma eventual visita de Lula ao estado e repetiu que pretende ser diplomado e tomar posse para continuar governando o Piauí.

As especulações ganharam força depois da vitória de Lula. Na terça-feira (27), o ministro Dario Durigan chamou Fonteles de excelente nome para a pasta, e representantes do mercado financeiro receberam bem a hipótese pelo perfil técnico atribuído ao governador. Na mesma postagem, ele comemorou o resultado no estado, que deu a Lula, no segundo turno, sua maior votação proporcional entre os estados, com 75,88% dos votos válidos, e onde o PL não elegeu nenhum deputado federal.

Matemático nascido em Teresina em 1985, Fonteles foi secretário da Fazenda do Piauí de 2015 a 2022 e presidiu o comitê que reúne os secretários estaduais da área, o Comsefaz. Eleito governador em primeiro turno em 2022, renovou o mandato sem precisar de segundo turno em 4 de outubro, ao somar 1,43 milhão de votos, ou 70,90% dos válidos. Na segunda-feira (26), já havia dito em entrevista que deixar o governo estadual para assumir um ministério não estava em seus planos.


Dívida bruta do governo sobe a 82,93% do PIB em setembro, maior nível em mais de cinco anos

A dívida bruta do governo geral chegou a 82,93% do Produto Interno Bruto em setembro, informou o Banco Central nesta quinta-feira (29). O índice ficou pouco acima dos 82,87% de agosto e é o mais alto em mais de cinco anos; em valores, o estoque alcançou R$ 11,1 trilhões. Segundo a autoridade monetária, o principal fator de alta foram os juros, efeito compensado em parte pelo crescimento da atividade econômica e pelo resgate líquido de títulos feito pelo Tesouro Nacional.

Desde o início do ano, o indicador acumula alta de 4,3 pontos percentuais: os juros nominais acrescentaram 7,2 pontos, enquanto o avanço do PIB nominal reduziu a relação em 3,9 pontos. A dívida líquida passou de 69,3% para 70% do PIB. As despesas com juros somaram R$ 107,5 bilhões no mês e R$ 1,205 trilhão em 12 meses, ou 8,99% do PIB. O setor público consolidado teve déficit primário de R$ 5,5 bilhões, puxado por estados, municípios e empresas estatais.

Um patamar mais alto só havia sido registrado em março de 2021, quando a dívida bruta chegou a 85,10% do PIB, em meio aos gastos emergenciais da pandemia de Covid-19. O endividamento público acompanha há décadas a trajetória econômica do país: no fim de 2017, a dívida do governo federal era calculada em R$ 3,55 trilhões, valor 14% maior que o do ano anterior e quase quatro vezes o registrado em 2004. O Banco Central atribui a alta recente sobretudo ao custo dos juros.

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