
O ouro subiu com sinais de negociação entre Estados Unidos e Irã, e uma corretora brasileira de criptoativos suspendeu saques após um incidente. O resumo traz ainda as novas regras para os serviços de atendimento ao consumidor, o prazo do Simples Nacional para IBS e CBS e o adiamento de ofertas de ações na Bolsa.
Ouro sobe 1,81% com sinais de diálogo entre Estados Unidos e Irã
O ouro para entrega em dezembro subiu 1,81% na segunda-feira (2) na divisão de metais da bolsa de Nova York, encerrando o dia cotado a US$ 3.969,60 por onça-troy, e recuperou parte das perdas recentes. A prata para o mesmo mês avançou 3,27%, a US$ 50,888 por onça-troy. O movimento acompanhou a expectativa de uma saída negociada para a guerra no Oriente Médio, depois de sinais de abertura ao diálogo vindos tanto de Washington quanto de Teerã.
O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, falou em um prazo de dois dias para a reabertura do Estreito de Ormuz e a volta das conversas nucleares, desde que Washington faça sua parte. O presidente Donald Trump disse estar aberto a negociar, mas repetiu que o Irã não pode ter armas nucleares. A redução das tensões derrubou o petróleo e favoreceu ativos de risco. Analistas ainda veem chance de novas altas de juros nos Estados Unidos, cenário que costuma pesar sobre os metais preciosos.
Investidores aguardam o relatório de emprego americano de outubro, previsto para o fim da semana, que pode orientar a decisão do Federal Reserve em dezembro. Na semana anterior, o ouro havia perdido o patamar de US$ 4.000. O Estreito de Ormuz liga o golfo Pérsico ao golfo de Omã e, no primeiro semestre de 2025, concentrou cerca de 25% do petróleo transportado por mar no mundo. Até a guerra de 2026, os conflitos na região não haviam fechado a passagem por um período prolongado.
Mercado Bitcoin relata incidente de segurança e suspende saques e depósitos
A corretora brasileira de criptoativos Mercado Bitcoin comunicou nesta segunda-feira (2) que sofreu um incidente de segurança e, por precaução, interrompeu por tempo indeterminado as operações de saque e depósito. Em publicação nas redes sociais, a empresa disse ter identificado e contido o problema durante a madrugada e afirmou que não houve prejuízo a clientes nem vazamento de dados. A companhia não confirmou se houve roubo ou movimentação de ativos sem autorização.
Segundo a corretora, suas equipes investigam o caso, rastreiam os ativos e coordenam medidas com as autoridades, enquanto trabalham para retomar as operações com segurança. O episódio ocorreu poucos dias depois do ataque à Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo, que perdeu US$ 6,3 bilhões na quinta-feira (29). O FBI atribuiu essa ação ao grupo TraderTraitor, ligado ao regime da Coreia do Norte, e os clientes da Binance já retiraram US$ 3,64 bilhões a mais do que depositaram.
Sediado em São Paulo, o Mercado Bitcoin foi a primeira plataforma a negociar bitcoin na América Latina, e sua fundação oficial data de 12 de junho de 2013, quando passou a operar formalmente como empresa no Brasil. A Binance, criada em 2017 por Changpeng Zhao e Yi He, tornou-se a maior do setor pelo volume diário de negociação e prometeu cobrir as perdas dos usuários com reservas próprias e um fundo de emergência.
Novas regras obrigam SACs a oferecer atendimento humano todos os dias
Passaram a valer nesta segunda-feira (2) as novas normas para os canais de atendimento ao consumidor de companhias de áreas reguladas pela União, entre elas bancos, aviação, energia e telefonia. A principal mudança garante o direito de falar com uma pessoa das 8h às 20h, sete dias por semana, por telefone e em pelo menos um canal eletrônico, que também deve funcionar 24 horas por dia. As exigências passam a alcançar fintechs supervisionadas pelo Banco Central.
O pedido para falar com uma pessoa terá de ser cumprido em no máximo 20 segundos em ao menos 80% das chamadas, e em até cinco minutos no restante. Os menus não poderão passar de cinco níveis, e as opções de cancelamento imediato e de falar com uma pessoa terão de aparecer em todos eles. Se a ligação cair, a empresa terá cinco minutos para retornar. Cobranças indevidas deverão ser suspensas em até 48 horas, e a propaganda fica proibida durante o atendimento.
As normas constam de um decreto de 13 de outubro, que substituiu o regulamento em vigor desde 2022 e permite o uso de robôs e de inteligência artificial na triagem, desde que o cliente possa sempre passar para uma pessoa. As gravações continuam guardadas por 90 dias. A proteção ao consumidor no país tem como base o Código de Defesa do Consumidor, instituído pela Lei 8.078, de 1990, e em vigor desde 1991.
Empresas do Simples Nacional podem cancelar opções sobre IBS e CBS até dezembro
Começou nesta terça-feira (3) o prazo para que micro e pequenas empresas do Simples Nacional cancelem as escolhas feitas sobre o pagamento dos dois tributos criados pela reforma tributária, o Imposto sobre Bens e Serviços e a Contribuição sobre Bens e Serviços. Até 20 de dezembro, os empreendedores poderão desistir tanto da opção pelo Simples quanto da adesão ao regime regular desses tributos. O Comitê Gestor do Simples Nacional informou que o cancelamento não poderá ser desfeito.
Pelas novas regras, as empresas podem recolher os dois tributos na guia única do Simples ou calcular e pagar cada um separadamente no regime regular, que permite usar créditos das compras e repassar créditos maiores aos clientes. A escolha feita em outubro vale de janeiro a junho de 2027, e uma nova opção poderá ser feita entre 1º e 31 de março daquele ano. Contadores recomendam simular os dois cenários, sobretudo para negócios que vendem a outras empresas.
O Simples nasceu em 1996, por medida provisória convertida na Lei 9.317, para facilitar o recolhimento de tributos de micro e pequenas empresas. Em 2006, essa lei foi revogada pela Lei Complementar 123, que passou a regular o Simples Nacional. O calendário de adesão também mudou: quem quiser entrar no regime em 2027 teve de pedir até 15 de outubro de 2026, e a adesão aprovada vale a partir de 1º de janeiro.
Incerteza fiscal leva empresas a adiar ofertas de ações para 2027
Empresas com capital aberto colocaram em espera novas ofertas de ações na Bolsa enquanto aguardam sinais sobre a política econômica do quarto mandato do presidente Lula, incluindo o nome do próximo ministro da Fazenda e o tamanho do ajuste fiscal, segundo analistas de mercado. Um levantamento citado no setor indicava que ao menos R$ 30 bilhões nessas operações poderiam sair nos seis meses seguintes ao segundo turno caso Flávio Bolsonaro tivesse vencido.
No dia seguinte ao resultado, a Bolsa caiu mais de 13%, a maior queda desde 2020, e o dólar subiu mais de 8%. Especialistas avaliam que as captações devem ficar para 2027 ou até que surjam sinais de austeridade fiscal e estabilidade cambial. Movida, EcoRodovias, Equatorial, Guararapes e Taesa estavam entre as candidatas a novas ofertas, enquanto a Aegea e o banco BV planejavam estrear no mercado. Fusões e aquisições também devem seguir em ritmo contido.
O país não registra uma abertura de capital desde setembro de 2021. Em 2007, ano recorde, foram 64 estreias, mesmo com a Selic acima de 11%, mas em trajetória de queda. Toda a negociação de ações do país está concentrada na B3, bolsa sediada em São Paulo e supervisionada pela Comissão de Valores Mobiliários, cujo principal índice é o Ibovespa. O recorde de valor de mercado da bolsa foi registrado em 29 de agosto de 2014.