
A crise de um banco digital levou à renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai. O resumo traz também a abertura das apostas da Mega da Virada, os balanços trimestrais do Itaú e da BB Seguridade e a decisão judicial que impede a Meta de usar reportagens sem autorização dos veículos brasileiros.
Crise do banco digital Ueno derruba o presidente do Banco Central do Paraguai
O presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, renunciou na terça-feira (3) a pedido do presidente Santiago Peña, em meio à crise do Ueno, banco digital com cerca de 3 milhões de clientes e maior emissor de cartões de crédito do país. Depois de ajustes nos balanços, o índice de solvência da instituição ficou abaixo da metade do mínimo exigido. O Banco Central abriu um procedimento para proteger os depositantes, e o Ministério Público determinou a prisão de oito pessoas ligadas ao banco.
Reguladores já investigavam se o Ueno havia financiado de forma indireta a venda de ativos de uma empresa ligada ao Grupo Vázquez, seu controlador, operação que o banco negava. Carvallo dirigiu o Ueno até agosto de 2023, e Peña foi sócio do grupo até março de 2025. Clientes, entre eles aposentados, encontraram agências fechadas. Peña anunciou um acordo com o Congresso para usar o fundo de garantia na devolução dos depósitos e afirmou que se trata de um caso isolado, posição repetida pelo Banco Central.
O Ueno administra cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos paraguaios e cresceu depressa, de uma pequena empresa financeira digital a um banco de porte médio. A crise afetou os papéis do Ueno emitidos em dólar e que vencem em 2031, além dos títulos da dívida do país, que atrai capital estrangeiro, em boa parte vindo do Brasil. Economista e ex-ministro da Fazenda, Peña governa o Paraguai desde 2023 pelo Partido Colorado e já integrou o conselho do Banco Central.
Caixa abre apostas da Mega da Virada com prêmio estimado em R$ 1 bilhão
A Caixa começou a receber na terça-feira (3) as apostas da Mega da Virada, com prêmio estimado em R$ 1 bilhão, o maior já previsto para o concurso. O sorteio, de número 3100, será às 11h de 1º de janeiro de 2027, horário de Brasília, e as apostas vão até as 22h de 31 de dezembro. É possível jogar nas lotéricas, no portal e no aplicativo do banco. A aposta simples, com seis números, custa R$ 6.
Na edição anterior, o concurso pagou R$ 1,09 bilhão, acima da estimativa inicial de R$ 850 milhões, valor dividido entre seis apostas, que receberam mais de R$ 181,8 milhões cada. Para levar o prêmio principal é preciso acertar seis dezenas entre 60; com uma aposta simples, há 50.063.860 combinações possíveis. Desde o ano passado, 90% do valor destinado aos prêmios vai para quem acerta os seis números, e os 10% restantes são repartidos entre quina e quadra.
O prêmio da Mega da Virada não acumula: sem ganhadores na faixa principal, o valor passa aos acertadores da quina e, se ainda faltarem vencedores, aos da quadra. Segundo a Caixa, 135 apostas já acertaram as seis dezenas no concurso especial. A Mega-Sena, maior loteria do país, teve o primeiro sorteio em 11 de março de 1996 e tem sorteios regulares três vezes por semana; o maior prêmio pago a um só apostador passou de R$ 289 milhões, em 2019.
Itaú lucra R$ 12,6 bilhões no terceiro trimestre, acima das projeções
O Itaú Unibanco teve lucro recorrente de R$ 12,6 bilhões entre julho e setembro, novo recorde, com alta de 1,7% sobre o trimestre anterior e de 6,2% na comparação com o mesmo período de 2025. Analistas esperavam cerca de R$ 12,5 bilhões. A carteira de crédito ampliada chegou a R$ 1,544 trilhão, depois de crescer 1,8% no trimestre e 10,4% em doze meses, ritmo acima da faixa de 5,5% a 9,5% que o banco projeta para 2026.
O crescimento veio sobretudo do crédito imobiliário, do consignado e dos empréstimos a pequenas e médias empresas, linhas consideradas mais seguras do que o cartão. A inadimplência subiu para 2% em setembro, ante 1,9% em junho, e o banco atribuiu a alta no segmento de pequenas empresas ao fim das carências de programas do governo. O presidente-executivo, Milton Maluhy Filho, disse em nota que o resultado reflete uma estratégia de longo prazo e disciplina na concessão de crédito.
O banco também reduziu a projeção para a alíquota efetiva de impostos em 2026, para uma faixa entre 28% e 29%, o que tende a elevar o lucro líquido, e não apresentou estimativas para o próximo ano. O Itaú Unibanco nasceu em 2008 da fusão entre o Banco Itaú e o Unibanco e é o maior banco privado do país, com sede em São Paulo. No trimestre, a instituição já não contava com a carteira de varejo da Colômbia, vendida em julho.
Lucro da BB Seguridade cai 5% com recuo no seguro rural
A BB Seguridade teve lucro líquido gerencial de R$ 2,43 bilhões no terceiro trimestre, queda de 5% em relação ao mesmo período do ano passado, pressionado pelos resultados da seguradora Brasilseg e da BB Corretora. Na Brasilseg, o lucro recorrente caiu 10,7%, com redução de 4,5% nos prêmios ganhos retidos e de 19% nos prêmios emitidos, puxada pelas linhas rural, prestamista, vida e empresarial. Na corretora, o lucro recuou 6%, para R$ 884,1 milhões.
A sinistralidade subiu de 22,1% para 22,5%, influenciada pela linha agrícola. Segundo a empresa, pesaram a seca em Goiás, Sergipe e Bahia, que atingiu o milho, e as geadas e chuvas em excesso no Rio Grande do Sul, que afetaram canola, cevada e trigo. Em sentido oposto, as emissões de seguro residencial cresceram quase 29%. A companhia passou a prever queda entre 11% e 15% nos prêmios emitidos em 2026, depois de recuo de 9,2% até setembro.
O seguro agrícola, um dos principais negócios do grupo, caiu 34,3% de janeiro a setembro. A BB Seguridade foi criada em 2012, quando o Banco do Brasil separou sua divisão de seguros em uma empresa de capital aberto na bolsa. Com sede em Brasília, ela vende seguros, planos de previdência, títulos de capitalização e serviços de corretagem pela rede do Banco do Brasil, que atua no ramo de seguros desde 1981.
Justiça proíbe a Meta de usar conteúdo jornalístico sem autorização
A 44ª Vara Cível de São Paulo proibiu na terça-feira (3) a Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, de coletar e usar sem autorização conteúdos de veículos jornalísticos, inclusive para treinar sistemas de inteligência artificial. A liminar atende a um pedido de três associações de jornais, emissoras e revistas. O juiz Guilherme Madeira Dezem suspendeu parte dos novos termos comerciais da empresa, que entrariam em vigor em 20 de novembro, e fixou multa diária de R$ 1 milhão, limitada a R$ 100 milhões.
Segundo as entidades, os novos termos permitiriam à empresa copiar e analisar reportagens, fotos e vídeos publicados fora das suas plataformas e condicionavam o uso das redes à aceitação dessas regras. A decisão obriga a Meta a manter ativas as contas e páginas dos veículos, sem punição pela recusa, e vale até o julgamento final. O juiz apontou indícios de violação de direitos autorais e abuso contratual. Marcelo Rech, presidente-executivo da associação dos jornais, falou em limites ao abuso de poder econômico.
Em 28 de outubro, um tribunal da Noruega também barrou as novas regras, a pedido de dez grupos de mídia do país. Em dezembro de 2025, as associações brasileiras e entidades da música e de direitos autorais notificaram grandes empresas de tecnologia em busca de acordos para o uso de conteúdo protegido. A Meta, fundada por Mark Zuckerberg, comprou o Instagram em 2012 e não comentou a decisão. A associação dos jornais, criada em 1979, reunia cerca de 115 empresas em 2020.