ECONOMIA: Resumo em 5 Nov 2026

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Cesta com moedas, ilustração sobre juros e inflação
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

O Banco Central pausa a queda dos juros e mantém a Selic em 13,75%, o governo define por medida provisória como será cobrado o Imposto Seletivo, a criação de vagas formais perde força em setembro, a interoperabilidade dos vales atrasa e a eleição americana deixa as gigantes de tecnologia sob pressão.

Copom interrompe cortes e mantém a Selic em 13,75% ao ano

O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu por unanimidade, na quarta-feira (4), manter a Selic em 13,75% ao ano. A pausa encerra a série de cinco reduções seguidas de 0,25 ponto percentual iniciada em março, e foi a primeira reunião depois da reeleição do presidente Lula. Em comunicado, o comitê citou maior incerteza, expectativas de inflação mais altas e desaceleração mais forte da atividade, cenário que pede serenidade e cautela.

As projeções do boletim Focus para a inflação subiram a 5,2% em 2026 e 4,8% em 2027, e a estimativa do próprio BC para o segundo trimestre de 2028 passou de 3,4% para 3,5%. O IPCA avançou 0,82% em setembro e acumula 4,58% em 12 meses, acima do teto da meta de 3%. No exterior, o comitê apontou o prolongamento dos conflitos no Oriente Médio, que encarece o petróleo, como fonte de risco.

O BC começou a cortar os juros depois de manter a Selic em 15%, o nível mais alto em quase 20 anos, entre junho de 2025 e março de 2026. Os mercados reagiram com força à vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro, em 25 de outubro, e no dia seguinte o dólar subiu 8,36%. Mesmo com a pausa, a taxa real brasileira, de 8,45%, segue a mais alta em um ranking de 40 países.


Governo publica medida provisória com as regras do Imposto Seletivo para 2027

O governo federal publicou na quarta-feira (4) a medida provisória que fixa regras e alíquotas do Imposto Seletivo, criado pela reforma tributária para encarecer bens nocivos à saúde ou ao meio ambiente. A cobrança começa em 2 de fevereiro, em regime temporário até 31 de dezembro de 2027, com alíquotas baseadas nas atuais do IPI para preservar a carga sobre cigarros, bebidas e carros. O Orçamento prevê arrecadação de R$ 41,9 bilhões.

Pela medida, a alíquota final será de 2,6% para bebidas açucaradas, 4,2% para cervejas e de 8% a 24% para os demais alcoólicos. Cigarros terão 66,7% sobre 15% do preço de varejo, mais R$ 3,50 por maço de 20 unidades, e carros, base de 6,3%. Veículos de taxistas e de pessoas com deficiência ficam isentos, bens minerais terão alíquota zero até o fim de 2027 e loterias pagarão 0,5%.

Até 31 de maio de 2027, o Executivo deve enviar ao Congresso um projeto com as alíquotas que valerão a partir de 2028, quando a taxação deve crescer. Uma proposta de emenda constitucional manterá o IPI sobre esses produtos até o início da nova cobrança, para evitar perda de receita. Variações na arrecadação do Seletivo serão compensadas na alíquota da CBS. Produtores de bebidas dizem que os impostos já representam de 40% a mais de 80% do preço.


Geração de empregos formais em setembro é a menor para o mês desde 2020

O país abriu 121,3 mil vagas com carteira assinada em setembro, segundo o Caged divulgado na quarta-feira (4) pelo Ministério do Trabalho. O saldo é 43,5% menor que o de setembro de 2025, quando houve 214.609 postos, e o pior para o mês desde o início da série atual, em 2020. Foram 2,214 milhões de contratações e 2,09 milhões de desligamentos, e de janeiro a setembro o acumulado chegou a 1,248 milhão.

Serviços lideraram em setembro, com 81,2 mil vagas, seguidos por indústria, com 19,3 mil, enquanto a agropecuária fechou 4.381 postos. Entre os estados, só o Rio Grande do Sul teve saldo negativo, e Alagoas registrou a maior alta proporcional, de 2,47%. O ministro Luiz Marinho atribuiu a desaceleração aos juros elevados e disse que as compras pela internet podem estar reduzindo vagas em lojas físicas.

O acumulado do ano é 27,9% inferior ao de igual período de 2025, quando o saldo foi de cerca de 1,731 milhão de postos. Em abril, maio, junho, julho e agosto, a economia já havia registrado os piores resultados para cada mês desde 2020. O Caged mede apenas empregos formais, enquanto a desocupação é calculada pelo IBGE em pesquisa domiciliar que hoje cobre milhares de municípios, e não apenas algumas metrópoles.


Uso de vale-alimentação em qualquer maquininha não estará pronto no sábado

O Ministério do Trabalho admite que a interoperabilidade dos vales-alimentação e refeição, prevista para sábado (7), não funcionará plenamente na data. A mudança permitiria aos 22 milhões de trabalhadores com esses benefícios usar o cartão em qualquer maquininha. Segundo o coordenador-geral do Programa de Alimentação do Trabalhador, Rogério Araújo, parte das operadoras não concluiu a abertura de seus arranjos, etapa anterior exigida pelas novas regras.

A Associação Brasileira de Benefícios ao Trabalhador afirma que as empresas abriram os arranjos e que a interoperabilidade já funciona tecnicamente, mas depende de padrões comuns de conexão e liquidação. Executivos do setor dizem que o governo deveria ter criado um sistema de integração, ideia que Araújo rejeita por se tratar de política de mercado. O ministério também relata queixas de cobrança de garantias consideradas desproporcionais para entrar nos arranjos.

As mudanças no programa foram oficializadas por decreto em novembro do ano passado e seguem um cronograma. Em fevereiro, passou a valer um teto de 3,6% para as taxas cobradas dos estabelecimentos, com repasse em até 15 dias. Em maio, operadoras com mais de 500 mil usuários tiveram de migrar para o arranjo aberto. Criado em 1976, o programa atendia em 2025 mais de 24 milhões de trabalhadores.


Vitória democrata nos Estados Unidos ameaça a influência das big techs

A conquista da Câmara, do Senado e da maioria dos governos estaduais pelos democratas nas eleições de meio de mandato também representa uma derrota para o setor de tecnologia, que se aproximou de Donald Trump nos últimos dois anos. Regulação da inteligência artificial, limites a data centers e moderação de redes sociais devem voltar à pauta do Congresso e reduzir o poder de expansão das grandes empresas.

Nesta campanha, Elon Musk gastou US$ 474 milhões para eleger republicanos, US$ 224 milhões deles no Texas, e Greg Brockman, da OpenAI, doou com a esposa US$ 50 milhões ao partido de Trump. Gina Hinojosa, primeira democrata a governar o Texas desde 1991, defende uma moratória para novos data centers e o fim de incentivos fiscais. O senador Jon Ossoff citou os riscos da tecnologia no discurso de vitória.

Google, Microsoft, Amazon, Meta, Apple, Nvidia e OpenAI doaram US$ 1 milhão cada ao comitê de posse de Trump, que no primeiro dia de governo revogou a ordem executiva de Joe Biden sobre inteligência artificial. Em setembro, Trump rejeitou leis federais rígidas e fechou acordo de autorregulação com o setor. O professor Alcides Peron, da Unicamp, avalia que esse modelo perdeu força com o resultado das urnas.

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