
Alertas do Inmet marcam o início da semana: tempo seco em 138 cidades da Paraíba, tempestade com granizo na Zona da Mata mineira e chuva intensa no Espírito Santo e no Maranhão. A previsão indica chuva no Centro-Norte, geada no Sul e seca persistente na bacia do rio Paraguai.
Inmet alerta para baixa umidade do ar em 138 cidades da Paraíba
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) colocou 138 municípios da Paraíba sob alerta amarelo para ar seco no domingo (18), entre eles Campina Grande, Patos, Sousa, Cajazeiras, Teixeira e Monteiro. O aviso, de perigo potencial, valeu da manhã até as 22h. No período, a umidade relativa deveria oscilar entre 30% e 20%, patamar abaixo do recomendado para a saúde, e o instituto apontou baixo risco de incêndios florestais e de efeitos sobre a saúde da população.
Para reduzir os efeitos do tempo seco, o Inmet recomendou beber bastante água ao longo do dia, evitar exercícios intensos nas horas mais quentes e ficar na sombra no fim da manhã e durante a tarde. Em Campina Grande, no Agreste, a umidade podia ficar abaixo de 30%, menos da metade dos 60% que a Organização Mundial da Saúde considera ideais. Em emergências, a orientação é acionar a Defesa Civil pelo número 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
A umidade relativa compara a quantidade de vapor de água presente no ar com o máximo que ele poderia conter na mesma temperatura, em porcentagem. Quando fica entre 20% e 30%, faixa classificada como estado de atenção, a recomendação é evitar atividades físicas ao ar livre entre 11h e 15h e umidificar os ambientes com vaporizadores, toalhas molhadas ou recipientes com água. O ar seco pode causar alergias e problemas respiratórios pelo ressecamento das mucosas, sangramento nasal e irritação nos olhos e na pele, além de favorecer incêndios em pastagens e matas.
Zona da Mata mineira fica sob alerta de tempestade com granizo e ventos fortes
O Inmet colocou Juiz de Fora e outras cidades da Zona da Mata, em Minas Gerais, sob alerta amarelo de tempestade, com validade das 15h de domingo (18) até as 9h desta segunda-feira (19). O aviso, de perigo potencial, previa chuva de até 50 milímetros por dia, ventos intensos de até 60 quilômetros por hora e possibilidade de queda de granizo. O instituto apontou baixo risco de interrupções no fornecimento de energia, estragos em plantações, queda de árvores e alagamentos na região.
No domingo, 22 estados brasileiros tinham algum alerta meteorológico em vigor, segundo os dados do Inmet, que classifica os avisos em três níveis de severidade: amarelo, para perigo potencial, laranja, para perigo, e vermelho, para grande perigo. Em caso de emergência, a recomendação é ligar para o 199, da Defesa Civil, ou para o 193, do Corpo de Bombeiros. Quedas de postes e falhas na rede elétrica em Minas Gerais devem ser comunicadas à Cemig, a distribuidora estadual, pelo número 116.
O Inmet, órgão federal ligado ao Ministério da Agricultura e Pecuária, foi criado em 1909 e mantém um sistema próprio de alertas públicos para eventos meteorológicos severos. Os avisos seguem um protocolo comum de alertas escolhido pela Organização Meteorológica Mundial e chegam ao público por diferentes canais, inclusive aplicativos de celular, com instruções sobre os possíveis efeitos de cada evento. O granizo, citado no alerta, é a chuva de pedras de gelo, que medem em geral de 5 a 200 milímetros e se formam sobretudo em nuvens do tipo cumulonimbus.
Inmet mantém alerta de chuvas intensas no Espírito Santo e no Maranhão até terça
Mais de 50 municípios do Espírito Santo e 65 do Maranhão estão sob alerta amarelo de chuvas intensas emitido pelo Inmet, em vigor desde a meia-noite de domingo (18) e válido até as 10h de terça-feira (20). A previsão é de chuva de 20 a 30 milímetros por hora, ou até 50 milímetros ao longo do dia, com rajadas de vento entre 40 e 60 quilômetros por hora. No Espírito Santo, o aviso cobre áreas do Norte, do Noroeste, do Centro e do Sul, no interior e no litoral.
No Maranhão, o alerta inclui cidades do oeste, do centro, do leste e do sul do estado, como Imperatriz, Açailândia, Balsas, Grajaú e Barra do Corda. O Inmet aponta baixo risco de cortes de energia, queda de galhos, alagamentos e descargas elétricas. O instituto orienta não se abrigar sob árvores durante as rajadas, não estacionar veículos perto de torres de transmissão ou placas de propaganda e evitar aparelhos ligados à tomada durante as tempestades. Emergências devem ser comunicadas à Defesa Civil, pelo 199, ou aos Bombeiros, pelo 193.
O oeste do Maranhão tem clima equatorial, sob a ação da massa de ar equatorial continental, quente e geralmente úmida, enquanto a porção oriental do estado fica na faixa de clima tropical semiúmido, com verão quente e chuvoso e inverno ameno e seco. Nessa faixa, as temperaturas costumam variar entre 18°C e 28°C. No Espírito Santo, assim como em trechos de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, o regime de chuvas sofre a influência da massa de ar tropical atlântica, que provoca precipitações sobretudo no verão.
Semana começa com chuva no Centro-Norte, possível ZCAS e geada no Sul
A semana começa com chuva em áreas do Norte, do Centro-Oeste e do Nordeste e com frio no Sul, onde há possibilidade de geada nesta segunda-feira (19), segundo o Inmet. O instituto associa a instabilidade à possível formação da primeira Zona de Convergência do Atlântico Sul da primavera, resultado da interação entre uma frente fria no oceano, a umidade vinda da Amazônia e a circulação em altos níveis da atmosfera. As chuvas devem persistir no sul do Pará, no norte de Mato Grosso, no Tocantins e no oeste e sul da Bahia.
A geada pode ocorrer no norte do Rio Grande do Sul, nas serras e no centro de Santa Catarina e em várias áreas do Paraná, com mínima de 8°C prevista para Curitiba. O ciclone extratropical que atuou perto da costa do Sul se afasta para o oceano, e a frente fria associada avança pelo litoral do Sudeste. Em São Paulo, a previsão aponta mínima de 14°C e máxima de 18°C. No Norte e no Nordeste, as máximas chegam a 37°C e, em Teresina, a 38°C.
A Zona de Convergência do Atlântico Sul é uma faixa de nuvens orientada de noroeste para sudeste que vai do sul da Amazônia até o centro do Atlântico Sul e pode ser identificada em imagens de satélite. Ela surge sobretudo entre o fim da primavera e o verão. Para que o fenômeno seja confirmado, a configuração e as chuvas precisam persistir, em geral, por pelo menos três dias seguidos. Chuvas ligadas a esse sistema contribuíram para as enchentes e deslizamentos de 2011 no Rio de Janeiro, que deixaram mais de 900 mortos.
Seca hidrológica extrema mantém rio Paraguai em atenção e ameaça navegação no Pantanal
O Serviço Geológico do Brasil e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) monitoram a bacia do rio Paraguai, onde a vazão deve diminuir em novembro. Em Ladário, no município de Corumbá (MS), o rio marcava 1,27 metro em 14 de outubro, 81 centímetros abaixo da mediana histórica para a data, mas ainda dentro da faixa normal para a época. A projeção é de recuo para 1,02 metro em 28 de outubro e para 91 centímetros em 11 de novembro.
Em Porto Murtinho, o nível de 2,83 metros deve cair para 2,57 metros até 11 de novembro. Entre março e setembro, a chuva na bacia ficou 23% acima da média histórica, segundo o serviço geológico, mas o Cemaden aponta déficit hídrico acumulado em sete anos e classificou como seca hidrológica extrema, em setembro, as áreas que alimentam as estações de Ladário e Porto Murtinho. O quadro é menos grave que o de 2024, quando a estiagem prejudicou a navegação e o abastecimento, mas ainda pode limitar o transporte de minérios.
O rio Paraguai tem 2.621 quilômetros de extensão, dos quais 1.693 em território brasileiro, e percorre Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina. Nasce na Chapada dos Parecis, perto de Diamantino (MT), e deságua no rio Paraná, nas proximidades de Corrientes, na Argentina. Sua vazão é regulada pelas chuvas anuais e pela grande área de inundação do Pantanal. O rio integra a hidrovia Paraguai-Paraná, que começa em Cáceres (MT) e se estende por 4.122 quilômetros até Nueva Palmira, no Uruguai, atravessando os cinco países da bacia do Prata.