
O Inmet alertou para temporais no Sul e no Sudeste e acompanha a possível formação de um ciclone. A Organização Meteorológica Mundial prevê um El Niño de força inédita, a seca voltou a cobrir todo o Maranhão, Minas Gerais apresentou um plano de prevenção e um temporal deixou mais de 500 famílias fora de casa na Bahia.
Inmet alerta para temporais no Sul e no Sudeste e monitora possível ciclone
O Instituto Nacional de Meteorologia alertou na quarta-feira (21) para temporais em grande parte do Centro-Sul e para a chance de formação de um novo ciclone extratropical entre o litoral gaúcho e o Uruguai a partir de sexta-feira (23). Segundo o órgão, o sistema pode trazer granizo e mais de 100 milímetros de chuva em 24 horas no Sul, com piora no sábado (24), mas a formação ainda depende da evolução da atmosfera.
Áreas do Sul estão sob aviso laranja, de perigo, e o restante da região sob aviso amarelo. No Paraná, o alerta amarelo foi ampliado nesta quinta-feira (22) para os 399 municípios, com previsão de 20 a 30 milímetros por hora e ventos de até 60 km/h. Avisos semelhantes valem para a região de São Carlos, no interior paulista, e para Itaperuna e cidades vizinhas no Noroeste Fluminense, onde a instabilidade deve persistir até sexta-feira.
Criado em 1909 e vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária, o Inmet emite avisos em três níveis de cor: amarelo para perigo potencial, laranja para perigo e vermelho para grande perigo. Os alertas seguem o protocolo adotado pela Organização Meteorológica Mundial e são difundidos por aplicativos e plataformas digitais. A instabilidade atual é alimentada por uma área de baixa pressão entre o norte da Argentina, o Paraguai e a Bolívia, que leva calor e umidade ao Sul.
OMM prevê El Niño de força inédita com pico no fim de 2026
A Organização Meteorológica Mundial alertou na quarta-feira (21), em Genebra, que o El Niño em formação pode atingir intensidade sem precedentes nas últimas quatro décadas e chegar ao auge no fim de 2026. A secretária-geral da entidade, Celeste Saulo, afirmou que os extremos climáticos atuais tendem a se multiplicar. A projeção indica que a superfície do Pacífico pode ficar até 3,8°C mais quente que o normal no trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027.
O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, previu calor extremo, secas e inundações com efeitos humanitários amplos, além de choques econômicos e novas migrações. O escritório humanitário da ONU liberou mais de US$ 50 milhões de um fundo de emergência para 11 países, entre eles Chade, Etiópia e Somália. Nas Américas, a previsão aponta mais chuva no sudoeste da América do Sul e risco elevado de seca na Amazônia, onde o Amazonas contabiliza 102.445 famílias afetadas pela estiagem.
O El Niño é a fase quente do fenômeno conhecido como El Niño-Oscilação Sul, marcada pelo aquecimento das águas superficiais do Pacífico tropical e pelo enfraquecimento dos ventos alísios. Os episódios costumam durar cerca de um ano e se repetem a cada dois a sete anos, com força variável. A OMM, agência da ONU sediada em Genebra e criada em 1950, coordena o intercâmbio de dados sobre tempo, clima e água entre 193 membros.
Seca volta a cobrir todo o território do Maranhão
A seca alcançou 100% do território do Maranhão em setembro, ante 83% em agosto, conforme o Monitor de Secas, ferramenta sob coordenação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico. O avanço de 17 pontos percentuais em um mês fez o estado voltar ao grupo de nordestinos com estiagem em toda a área, ao lado de Alagoas, Piauí e Sergipe. Foi a primeira vez desde fevereiro que o fenômeno cobriu o Maranhão de ponta a ponta.
Apesar da extensão, a intensidade mudou pouco: pouco mais de 4% do estado registrou seca moderada, e o restante ficou em níveis mais leves. No Nordeste, 96% da área tinha algum grau de seca em setembro, o maior índice entre as regiões. Pernambuco teve o maior agravamento, com a parcela sob seca grave subindo de 28% para 74%. No país, a área atingida passou de 67% para 75%, enquanto Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul seguiram sem registros.
O Monitor de Secas é atualizado mensalmente para os 26 estados e o Distrito Federal e combina indicadores climáticos com relatos de impacto, em cinco categorias de intensidade. A ANA, autarquia federal criada em 2000, responde pela gestão dos recursos hídricos da União e adotou o nome atual em 2020, com o novo marco legal do saneamento. Entre suas atribuições está buscar soluções para as secas prolongadas, que afetam sobretudo o Nordeste.
Minas Gerais apresenta plano de prevenção para El Niño intenso
A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Minas Gerais apresentou na terça-feira (20) as ações do governo mineiro para enfrentar um El Niño de forte intensidade na primavera e no verão de 2026 e 2027. Segundo o órgão, há mais de 90% de chance de o fenômeno atingir a categoria considerada super forte, com efeitos relevantes até abril de 2027. O plano envolve secretarias estaduais e prefeituras e mira secas, queimadas, tempestades, enchentes e deslizamentos.
O coordenador estadual, coronel Paulo Rezende, disse que 823 dos 853 municípios já têm coordenadorias de Defesa Civil e que mais de 830 agentes foram treinados em mais de 230 cidades. Um comitê estadual criado por decreto em setembro reúne áreas como saúde, agricultura, energia e segurança. O Triângulo, o Noroeste, o Norte e a região Central preocupam pelo risco de estiagem e calor, e a Grande Belo Horizonte e a Zona da Mata, por temporais.
O El Niño se caracteriza pelo aquecimento anormal da superfície do Pacífico equatorial, que altera a circulação atmosférica e redistribui chuvas e temperaturas em várias partes do planeta, com tempestades intensas em algumas áreas e secas em outras. Segundo as projeções do governo mineiro, o estado pode ter entre outubro e dezembro médias de temperatura entre as mais altas dos últimos 30 anos. A população pode receber alertas de risco por mensagem de texto ao cadastrar o CEP.
Temporal com granizo deixa mais de 500 famílias fora de casa em Itambé
Um temporal com granizo e ventania atingiu Itambé, no sudoeste da Bahia, na tarde de segunda-feira (19) e deixou mais de 500 famílias desabrigadas ou desalojadas, segundo a prefeitura. A administração municipal informou que a chuva começou por volta das 15h e acumulou 25 milímetros em cerca de 50 minutos. Houve casas destelhadas, muros derrubados, postes arrancados, árvores caídas, alagamentos e falta de energia em diferentes bairros.
No bairro Felipe Achy, Roberto Rocha Santos, de 35 anos, sobreviveu ao desabamento da casa sem reboco onde morava; ele teve ferimentos leves, foi atendido na Santa Casa local e recebeu alta no mesmo dia. Outra moradora, Edilene dos Santos, teve o imóvel atingido por estruturas metálicas de um telhado vizinho, sem ninguém em casa. O dono do prédio, Waldomiro da Silva, disse nunca ter visto ventos tão fortes na cidade.
Desabrigados são os que precisam de abrigo público, enquanto desalojados deixam a casa temporariamente e ficam com parentes ou conhecidos. Itambé fica na microrregião de Itapetinga, a 346 metros de altitude, é cortado pelo rio Pardo e tinha cerca de 22,5 mil habitantes em 2021, segundo estimativa do IBGE. Emancipado de Vitória da Conquista em 1927, o município tem economia baseada na pecuária, na agricultura e na mineração.