
O tempo seco mantém alertas de baixa umidade em cidades do interior do Nordeste, enquanto tempestades com granizo se espalham pelo Sul e pelo Sudeste. O resumo traz ainda o alerta laranja desta sexta-feira no Sul, a previsão de temporais para o domingo do segundo turno e a estiagem que isola comunidades ribeirinhas de Porto Velho.
Inmet alerta para ar seco em mais de 100 cidades do interior da Paraíba
O Instituto Nacional de Meteorologia renovou na quinta-feira (22) um aviso amarelo de baixa umidade do ar para 104 municípios do interior da Paraíba, com validade até as 20h desta sexta-feira (23). Durante o período, a umidade relativa deve ficar entre 20% e 30%, abaixo do nível considerado adequado para a saúde. O órgão classifica como baixo o risco de incêndios florestais, mas recomenda cuidados contra os efeitos do tempo seco.
Entre as orientações estão beber bastante água, evitar exercícios intensos nos horários mais quentes e buscar abrigo do sol do fim da manhã até a tarde. O aviso de baixa umidade também cobre o leste do Maranhão, o Piauí, o centro-sul do Ceará, o sudoeste do Rio Grande do Norte, o centro e o oeste de Pernambuco e o noroeste da Bahia. Teresina deve registrar máxima próxima de 39 graus, segundo o instituto.
A umidade relativa indica quanto vapor de água existe no ar em comparação com o máximo que ele poderia conter na mesma temperatura, e é expressa em porcentagem. A Organização Mundial da Saúde considera 60% um patamar adequado para o bem-estar. Índices muito baixos favorecem desidratação, irritação nos olhos, ressecamento das vias respiratórias e agravamento de doenças respiratórias, segundo as orientações divulgadas pelo instituto e pelos órgãos de defesa civil.
Alertas de tempestade com granizo atingem Rio de Janeiro, Acre e Paraná
O Inmet emitiu na quinta-feira (22) avisos de temporal, com chance de pedras de gelo e rajadas que podem chegar a 60 km/h, para as regiões Metropolitana, Serrana, dos Lagos, Norte e Noroeste do Rio de Janeiro e para o Acre. A previsão indicava acumulados diários de até 50 milímetros, com picos horários entre 20 e 30 milímetros. Os alertas tinham grau de perigo potencial, o menor da escala, e valiam até as 23h59.
No norte do Paraná, uma chuva de granizo atingiu Arapongas na manhã de quinta-feira, segundo a Defesa Civil local. Pelo menos três famílias pediram lonas após terem telhados danificados, e os bombeiros registraram nove ocorrências de alagamento entre 8h30 e 10h16. As pedras de gelo entupiram calhas, cobriram ruas no centro da cidade e provocaram falta de energia, o que deixou semáforos desligados e causou lentidão no trânsito em várias vias.
O granizo é uma forma de precipitação sólida composta de pedaços irregulares de gelo, normalmente produzidos dentro de nuvens do tipo cumulonimbus durante tempestades. Segundo o Inmet, esses eventos podem provocar cortes de energia, estragos em plantações, queda de galhos e alagamentos. Nessas situações, a orientação oficial é não se abrigar sob árvores, não estacionar perto de torres de transmissão e placas e evitar o uso de aparelhos ligados à tomada.
Sul do país fica sob alerta laranja para temporais nesta sexta-feira
O Instituto Nacional de Meteorologia colocou partes do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná e de Mato Grosso do Sul sob alerta laranja de perigo para tempestades durante toda esta sexta-feira (23). A previsão inclui chuva de até 60 milímetros por hora ou 100 milímetros no dia, ventos de até 100 km/h e queda de granizo. Segundo o órgão, há risco de cortes de energia, quedas de árvores e alagamentos.
Em Santa Catarina, o Oeste e o Norte estão entre as áreas sob aviso. A Defesa Civil estadual informou que a formação de uma frente fria deve espalhar a instabilidade por todas as regiões catarinenses nesta sexta-feira, após dois dias de temporais isolados provocados por uma área de baixa pressão sobre o Paraguai. O órgão alerta para enxurradas, destelhamentos e danos à rede elétrica e pede que ninguém atravesse ruas ou pontes alagadas.
O Inmet é um órgão federal ligado ao Ministério da Agricultura e Pecuária, criado em 1909 para monitorar e prever o tempo e o clima no país. Para avisar a população sobre eventos severos, o instituto mantém um sistema próprio de alertas, elaborados por seus meteorologistas e distribuídos em formato padronizado internacional a celulares, aplicativos e plataformas digitais. Suas previsões numéricas usam modelos de alta resolução, um deles dedicado apenas aos três estados do Sul.
Frente fria ameaça trazer temporais ao Centro-Sul no domingo do segundo turno
Um ciclone extratropical deve se formar entre a tarde e a noite desta sexta-feira (23) perto do litoral gaúcho e do Uruguai e empurrar uma frente fria a partir de sábado, segundo o Inmet. Meteorologistas preveem rajadas acima de 90 km/h, granizo e chuva forte em partes de São Paulo, do Paraná, de Santa Catarina, do sul de Minas Gerais e de Mato Grosso do Sul até domingo (25), dia do segundo turno das eleições.
Na capital paulista, a previsão é de até 43,7 milímetros de chuva no domingo, com máxima de 21 graus, e no Rio de Janeiro os termômetros devem cair de 31 para 25 graus. As três capitais do Sul devem ficar abaixo de 20 graus. Em São Carlos, no interior paulista, a Defesa Civil pediu atenção a quem sair para votar. No Norte e no Nordeste, o calor continua, com até 40 graus em Teresina.
Uma frente fria é a borda dianteira de uma massa de ar mais frio que avança sobre uma área de ar quente e costuma vir associada a uma zona de baixa pressão. Quando há umidade suficiente, a elevação do ar quente forma nuvens carregadas e linhas de tempestade. Os ciclones extratropicais são sistemas de baixa pressão das latitudes médias, conhecidos por ventos fortes e chuva intensa, e no Hemisfério Sul giram no sentido horário.
Estiagem afeta 85 comunidades de Porto Velho e prefeitura leva água e comida
A estiagem já atinge 85 localidades rurais, ribeirinhas e indígenas de Porto Velho, informou a prefeitura na quinta-feira (22). A descida do nível do rio Madeira forma bancos de areia e dificulta a navegação, que é o principal meio de transporte e abastecimento dessas comunidades. Pelo critério do município, basta uma família afetada para que a localidade entre no levantamento, que é atualizado de forma contínua pelas equipes em campo.
A operação S.O.S. Estiagem, coordenada pelo tenente-coronel Marcelo Duarte, reúne secretarias municipais que percorrem as áreas por terra e pelo rio. Segundo ele, só os distritos de Calama e São Carlos ainda não tinham sido atendidos no Baixo Madeira, onde as demais localidades já receberam água potável e cestas básicas. O prefeito Léo Moraes disse que a meta é atender todas as localidades. A cidade decretou situação de emergência, que também teve reconhecimento do governo federal.
O rio Madeira é um dos principais afluentes do Amazonas, com cerca de 3.315 quilômetros, e banha Rondônia e o Amazonas depois de nascer nos Andes bolivianos. Sua profundidade varia muito entre a estação chuvosa, de dezembro a maio, e o período seco, quando surgem praias e pedras no leito. A partir de Porto Velho começa a hidrovia do Madeira, usada para transportar pessoas, alimentos e cargas da região.