
O fim de semana do segundo turno começa com uma frente fria sobre o Rio Grande do Sul, alertas de tempestade em boa parte do Centro-Sul, risco de alagamentos em Santa Catarina, previsão de chuva e calor para o domingo de votação e um prognóstico de ondas de calor ligadas ao El Niño em Mato Grosso do Sul.
Frente fria leva chuva forte e risco de temporais ao Rio Grande do Sul
Uma frente fria avança pelo Rio Grande do Sul neste sábado (24) e deve provocar chuva em todas as regiões do estado ao longo do dia, segundo a previsão de meteorologistas. Há possibilidade de volumes localmente fortes a intensos e de temporais isolados. O céu fica com muitas nuvens, mas pode haver momentos de melhoria e de sol. A manhã ainda deve ser abafada, enquanto o ar mais frio começa a entrar pelo oeste e pelo sul do território gaúcho.
Em várias cidades, as temperaturas mínimas devem ocorrer à noite, com a chegada da massa de ar frio. No domingo (25), dia do segundo turno, a chuva deve se concentrar na metade leste do estado, enquanto no oeste será isolada ou nem deve ocorrer. Santa Catarina e Paraná também terão chuva, sobretudo perto do litoral, incluindo Florianópolis e Curitiba. Os meteorologistas lembram que a chuva forte pode dificultar o deslocamento até os locais de votação, especialmente em áreas rurais.
Frentes frias são a borda de uma massa de ar mais frio que avança sobre o ar quente e, quando há umidade suficiente, formam linhas de chuva e tempestades. Costumam ser mais intensas em estações de transição, como a primavera. O estado guarda memória recente de eventos extremos: entre o fim de abril e o início de maio de 2024, as enchentes atingiram mais de 60% do território gaúcho, e o Guaíba chegou a 5,37 metros em Porto Alegre, acima das cheias de 1941 e 2023.
Inmet emite alertas de tempestade para o Centro-Sul no fim de semana
O Instituto Nacional de Meteorologia prevê um fim de semana instável em boa parte do Centro-Sul, com risco de tempestades, ventos fortes e queda de temperatura. O órgão emitiu avisos de perigo e de grande perigo para tempestades em áreas do Sul, e os maiores volumes são esperados no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. A instabilidade também pode alcançar São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e o Centro-Oeste.
Na região metropolitana de São Paulo, o aviso laranja para sábado e domingo indica acumulados diários de 50 a 100 mm, com picos de 30 a 60 mm em uma hora, além de granizo e rajadas de 60 a 100 km/h, o que pode derrubar árvores, cortar a energia e alagar ruas. A Defesa Civil estadual prevê chuva forte também no domingo, com máxima de 21°C na capital. Em outubro, a cidade já acumula 129,5 mm de chuva, acima dos 112 mm esperados para o mês inteiro.
Segundo o Inmet, o cenário resulta de áreas de baixa pressão sobre países vizinhos e da formação de um ciclone extratropical na costa sul, que ajuda a organizar a frente fria. Esse tipo de ciclone é um sistema de baixa pressão das latitudes médias, associado a tempestades e ventos fortes. No Norte e no Nordeste, o fim de semana será de calor, e Teresina pode chegar a 40°C no domingo. Criado em 1909, o instituto é vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária.
Defesa Civil alerta para chuva volumosa e risco de alagamentos em Santa Catarina
A Defesa Civil de Santa Catarina alertou para chuva persistente e volumosa neste sábado (24), com o avanço de uma nova frente fria. O risco é maior no Grande Oeste, no Alto Vale do Itajaí, no Litoral Norte e no Planalto Norte, onde podem ocorrer alagamentos, enxurradas e deslizamentos. Nas demais regiões, a chuva tende a ser menos intensa, mas temporais isolados podem causar destelhamentos, danos à rede elétrica e queda de árvores, segundo a meteorologista Nicolle Reis.
Em Joinville, a Defesa Civil municipal prevê acumulado de 70 a 100 mm entre sexta-feira e domingo, com o maior volume no sábado e picos de maré que elevam o risco de alagamentos. No domingo (25), as instabilidades perdem força no estado, mas o vento sul deixa o mar agitado, com ondas de 2 a 2,5 metros. Na segunda-feira, as mínimas podem ficar entre 7°C e 10°C no Meio-Oeste e nos Planaltos. Os alertas podem ser recebidos por SMS no número 40199.
O hidrólogo Dieyson Pelinson afirmou que a chuva pode elevar rapidamente os rios do Extremo-Oeste e do Grande Oeste, perto da divisa com o Paraná, enquanto no Planalto Norte a subida deve ser mais lenta. Rios principais cheios dificultam o escoamento dos afluentes e ampliam o risco nas áreas vizinhas. Joinville, no norte do estado, tem chuvas abundantes o ano todo e já enfrentou enchentes graves, como as de 2008 e 2011. Em emergências, a Defesa Civil atende pelo telefone 199.
Domingo de segundo turno terá chuva no Centro-Sul e calor no Norte e no Nordeste
A previsão para o domingo (25), dia do segundo turno, indica contrastes no país durante a votação, das 8h às 17h. Segundo a meteorologista Andrea Ramos, Sul e Sudeste concentram as capitais com mais chuva e temperaturas mais baixas, enquanto o calor é o principal ponto de atenção no Norte, em parte do Nordeste e no Centro-Oeste. A frente fria que se forma no sábado deve avançar do Sul para o Sudeste e o Centro-Oeste ao longo do dia.
São Paulo deve ter chuva desde a manhã e temperaturas entre 17 °C e 20 °C, e Curitiba pode ter vários episódios de chuva forte. Campo Grande também tem previsão de chuva moderada a forte. No Rio, em Belo Horizonte e em Vitória, as pancadas devem vir à tarde e à noite. Cuiabá deve chegar a 38 °C, Palmas a cerca de 39 °C e Teresina a perto de 39 °C, com baixa chance de chuva nas capitais do Nordeste.
Além do presidente, eleitores de cinco estados e do Distrito Federal escolhem governador: Acre, Amazonas, Tocantins, Espírito Santo e Rio Grande do Norte. A nova rodada ocorre porque nenhum candidato obteve mais da metade dos votos válidos em 4 de outubro. Para os meteorologistas, a principal área de atenção para quem precisar se deslocar fica entre partes do Centro-Oeste e do Sudeste, onde pode haver chuva forte, trovoadas e rajadas. No Nordeste, a recomendação é usar chapéu, sombrinha e protetor solar.
El Niño pode trazer ondas de calor e chuva irregular a Mato Grosso do Sul
Mato Grosso do Sul pode enfrentar ondas de calor e um trimestre mais quente que a média histórica sob efeito do El Niño, segundo o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima do estado, o Cemtec. De novembro de 2026 a janeiro de 2027, o volume de chuva tende a superar a média, porém mal distribuído, com períodos de instabilidade e tempestades curtas que podem trazer vendavais, raios e granizo.
A coordenadora do Cemtec, a meteorologista Valesca Fernandes, afirmou que as condições podem variar bastante entre os municípios e que períodos de estiagem não estão descartados mesmo no trimestre chuvoso. A previsão indica ainda que o fenômeno pode atingir a categoria muito forte. Segundo o órgão, o cenário difere do registrado em 2023 e 2024, quando o El Niño esteve ligado a calor elevado e a forte falta de chuva, o que favoreceu grandes queimadas.
O El Niño é uma fase de um fenômeno climático global marcado pelo aquecimento da superfície do mar no Pacífico tropical, com efeitos sobre ventos e chuvas em várias partes do planeta. Costuma estar associado a secas em países como Índia, Indonésia e Brasil e a mais inundações no Peru. Em 2015 e 2016, um episódio provocou escassez de alimentos que afetou mais de 60 milhões de pessoas. O ciclo também é ligado a maior risco de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue e malária.