
Uma frente fria mantém alertas de tempestade na Bahia e em estados do Norte e do Centro-Oeste, o Sudeste tem uma terça de chuva isolada, Santa Catarina enfrenta frio e geada antes de novos temporais, o Piauí volta a ter chuva forte e a Cemig contabiliza o maior impacto em sua rede em 74 anos.
Frente fria mantém alerta de tempestade na Bahia e em estados do Norte e do Centro-Oeste
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) manteve para esta terça-feira (27) aviso amarelo de tempestade em áreas da Bahia, do Tocantins, do sul do Maranhão, do sudoeste do Piauí, de Goiás, do Distrito Federal e do nordeste de Mato Grosso. A previsão é de chuva de 20 a 30 milímetros por hora ou até 50 milímetros no dia, rajadas de 40 a 60 km/h e possível queda de granizo. Na Bahia, o alerta inclui Feira de Santana e dezenas de cidades da região.
A instabilidade vem de uma frente fria que chegou à Bahia nesta segunda-feira (26), associada a um ciclone extratropical que passou pelo Atlântico Sul no fim de semana. No sul baiano, a previsão apontava de 50 a 80 milímetros em menos de 12 horas, e o Cemaden classificou como moderado o risco de enxurradas na região de Ilhéus e Itabuna. Em Goiás, o centro de meteorologia do estado previa temporais com granizo e máximas de até 39°C.
Segundo a meteorologista Andrea Ramos, o centro do ciclone já se afastou da costa, mas o sistema ajudou a organizar a frente fria; calor, umidade vinda da Amazônia e cavados, faixas alongadas de baixa pressão, também alimentam as nuvens carregadas. Uma frente fria marca a borda de uma massa de ar mais frio que substitui o ar quente e pode formar linhas de tempestades quando há umidade. As pancadas devem continuar até quarta-feira (28) no Tocantins, no Pará e na Bahia.
Sudeste tem terça de chuva isolada, com ventos fortes no litoral do Rio
A previsão do Inmet para esta terça-feira (27) indica pouca chuva no Rio de Janeiro, com ventos que podem ficar fortes na faixa litorânea, chance de chuva mais forte no noroeste mineiro e predomínio de tempo firme no território paulista, onde só o oeste pode ter pancadas isoladas. Na capital fluminense, os termômetros devem variar entre 17°C e 23°C; em São Paulo, entre 11°C e 20°C; e em Belo Horizonte, entre 16°C e 25°C.
A meteorologista Andrea Ramos explicou que uma frente fria segue em alto-mar, sobre o Atlântico, mas continua influenciando a circulação no Centro-Leste do país, ao organizar a umidade entre o interior e o oceano. Com o aquecimento ao longo do dia e a umidade vinda da Amazônia, essa configuração favorece pancadas isoladas com trovoadas e rajadas de vento, e há chance de granizo em pontos do Sudeste e do Centro-Oeste. Em Vitória, a máxima não deve passar de 24°C.
No Sul, o tempo fica mais aberto e as temperaturas sobem ao longo do dia, depois de mínimas de 7°C em Curitiba, 8°C em Porto Alegre e 11°C em Florianópolis; ainda pode haver pancadas no litoral catarinense e no noroeste do Paraná. O Inmet, órgão federal vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária, foi criado em 1909 para monitorar, analisar e prever o tempo e o clima no país, e mantém um sistema de alertas para eventos meteorológicos severos.
Santa Catarina tem frio e geada antes do retorno dos temporais na quinta-feira
A última semana de outubro começou com tempo firme em Santa Catarina, mas a Defesa Civil estadual prevê o retorno da chuva a todas as regiões a partir de quinta-feira (29), com a aproximação de uma nova frente fria. Há risco de chuva pontualmente intensa e temporais isolados, com alagamentos, queda de árvores, destelhamentos e danos à rede elétrica. Na sexta-feira (30), a instabilidade deve persistir sobretudo entre os Planaltos e o Litoral.
Até quarta-feira (28), uma massa de ar frio e seco mantém as manhãs geladas. Nesta terça-feira (27), a maior parte do estado amanhece com mínimas entre 7°C e 10°C, e o Planalto Sul pode marcar entre 3°C e 7°C, com condições para geada; à tarde, as máximas chegam a 22°C. No Litoral, a combinação de mar agitado e maré alta ligada à lua cheia elevou o risco de alagamentos costeiros em Florianópolis, Itajaí, Joinville e São Francisco do Sul.
A meteorologista Nicolle Reis, da Defesa Civil catarinense, recomendou acompanhar a previsão nos próximos dias. A geada se forma quando a superfície perde calor em noites sem nuvens e sem vento, e a umidade do ar congela sobre plantas e outras superfícies quando a temperatura fica abaixo de zero. Para o fim de semana, a tendência é de redução da instabilidade, com volta do tempo firme e temperaturas mais altas durante as tardes em todo o estado.
Chuva volta ao Piauí e Cristino Castro acumula 95,6 milímetros
A chuva voltou a diferentes regiões do Piauí nesta segunda-feira (26), e Cristino Castro, no Sudoeste do estado, acumulou 95,6 milímetros, segundo a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh). Nas primeiras horas do dia, Simplício Mendes registrou 35,4 milímetros, São Francisco de Assis do Piauí teve 26,9 milímetros, São João do Piauí, 16,8 milímetros, e São Raimundo Nonato, 13 milímetros, medidos em pluviômetro convencional.
O climatologista da Semarh Pedro Aderaldo atribuiu a instabilidade ao avanço de uma frente fria em direção à Bahia, que forma um corredor de umidade sobre o interior do Nordeste e leva ar úmido ao Sudeste e ao Sudoeste piauienses. Até quinta-feira (29), são esperadas chuvas fracas a moderadas, com episódios localizados mais fortes, descargas elétricas e rajadas de vento, distribuídos de forma irregular entre municípios vizinhos.
Mesmo com a volta da chuva, o calor deve continuar, sobretudo no Norte e no Centro-Norte do estado, onde a umidade relativa do ar pode ficar baixa durante as tardes. Cristino Castro, município de clima tropical sazonal típico do cerrado, costuma ter as temperaturas mais altas do ano entre agosto e outubro, quando os termômetros podem chegar a 36°C. A sala de monitoramento de eventos extremos da Semarh seguirá acompanhando as condições atmosféricas.
Cemig diz que temporal de domingo foi o de maior impacto em sua rede em 74 anos
O temporal que atingiu Minas Gerais no domingo (25) foi, segundo a Cemig, o evento climático de maior impacto sobre sua rede de distribuição em 74 anos de história. A distribuidora informou que cerca de 640 mil clientes ficaram sem energia no estado e que aproximadamente 410 mil já tinham o serviço restabelecido na manhã desta segunda-feira (26), o que ainda deixava cerca de 230 mil unidades sem luz.
Em Belo Horizonte, onde a tempestade derrubou árvores e deixou um vigia desaparecido no domingo, cerca de 222 mil clientes foram afetados, e 45 mil imóveis continuavam sem energia no início da manhã de segunda. A companhia mobilizou cerca de 4 mil profissionais em campo e informou que o vento chegou a 150 km/h em Patos de Minas, a 105 km/h em Lavras e a 90 km/h na capital mineira.
A Cemig disse que manteria os trabalhos sem interrupção, priorizando as ocorrências de maior impacto e respeitando a segurança das equipes. Fundada em 1952 pelo então governador Juscelino Kubitschek, a empresa tem sede em Belo Horizonte, é controlada pelo governo de Minas Gerais e atua em geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica. Suas ações são negociadas na B3, na Bolsa de Nova York e na Bolsa de Madri.