
O governo federal aprova recursos contra a seca e as queimadas em três estados do Norte, o Inmet alerta para tempestades com granizo em boa parte do país, a agência meteorológica da ONU registra novo recorde de gases de efeito estufa, o Rio Negro segue em baixa em Manaus e uma frente fria interrompe travessias na Bahia.
Governo aprova R$ 68,6 milhões contra seca e queimadas no Amazonas, no Acre e no Pará
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional informou nesta terça-feira (27) a aprovação de R$ 68,6 milhões para ações de resposta à seca, à estiagem e aos incêndios florestais no Amazonas, no Acre e no Pará. A maior parte, R$ 45,2 milhões, vai para o Amazonas e corresponde a 47 planos de trabalho analisados pela Defesa Civil Nacional, dos quais 31 tratam do combate ao fogo e 16 dos efeitos da falta de chuva.
O Acre terá R$ 19,3 milhões, referentes a 15 planos, para os 22 municípios do estado, todos em situação de emergência reconhecida desde agosto, e o Pará, R$ 3,9 milhões para seis planos. No Amazonas, 48 municípios têm emergência reconhecida pelo governo federal. Segundo o ministro Waldez Góes, novos pedidos serão atendidos conforme estados e prefeituras apresentarem seus planos; a aprovação, porém, não significa que todo o dinheiro já tenha sido repassado.
Em 21 de outubro, o valor autorizado para o Amazonas era de R$ 32,5 milhões. A estiagem dificulta o transporte e o abastecimento de comunidades indígenas e ribeirinhas que dependem dos rios, e o Ministério da Saúde enviou ao estado uma equipe da Força Nacional do SUS. Entre 1º e 7 de outubro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais contou 644 focos de calor no Amazonas, contra 277 no mesmo período de 2025. Em Manaus, a fumaça elevou a concentração de partículas finas no ar.
Inmet alerta para tempestades com granizo em 16 unidades da federação nesta quarta
O Instituto Nacional de Meteorologia emitiu aviso amarelo, de perigo potencial, para tempestades nesta quarta-feira (28) em 65 regiões de 16 unidades da federação, o que soma mais de 1.860 municípios nas cinco regiões do país. A previsão é de chuva de até 50 milímetros por dia, rajadas de vento entre 40 km/h e 60 km/h e possibilidade de granizo, com risco de cortes de energia, danos a lavouras, queda de galhos e alagamentos.
O alerta inclui o Vale do Acre, o centro e o sul do Amazonas, o sertão do Ceará e de Pernambuco, o Distrito Federal e áreas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Tocantins e São Paulo, onde aparecem as regiões de Campinas, Ribeirão Preto e Presidente Prudente. Em Mato Grosso, 69 dos 142 municípios estão sob aviso, e o instituto prevê de 20 a 60 milímetros de chuva até 2 de novembro, com pontos acima de 80 milímetros.
A volta da chuva ao Centro-Oeste ocorre depois de dias de calor extremo: entre 21 e 25 de outubro, Nova Xavantina registrou 41,3°C, e os termômetros ainda podem marcar 40°C na região de fronteira entre Mato Grosso e Goiás. O instituto recomenda não buscar abrigo sob árvores e não estacionar perto de torres de transmissão e placas. Ligado ao Ministério da Agricultura e Pecuária e criado em 1909, o Inmet difunde seus avisos no padrão de alerta adotado pela Organização Meteorológica Mundial.
Gases de efeito estufa batem recorde em 2025, aponta agência da ONU
As concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera bateram novos recordes em 2025, segundo relatório da Organização Meteorológica Mundial divulgado nesta terça-feira (27). A média global de dióxido de carbono chegou a 426,8 partes por milhão, 153% do nível da era pré-industrial, em 1750, com alta de 2,8 partes por milhão em relação a 2024. O aumento foi menor que o do ano anterior, mas segue acima da média das últimas décadas.
O metano atingiu 1.948 partes por bilhão, 267% do patamar pré-industrial, e o óxido nitroso, 339,1 partes por bilhão, 126% daquele nível. A vice-secretária-geral da agência, Ko Barrett, afirmou que os gases retêm uma quantidade inédita de calor e alimentam eventos extremos, e lembrou que os últimos 11 anos foram os mais quentes já medidos. A cientista Oksana Tarasova atribuiu a desaceleração à recuperação da vegetação e à queda das queimadas após o El Niño de 2023 e 2024.
A OMM prevê nova alta do dióxido de carbono em 2026, puxada pelos combustíveis fósseis e por um El Niño intenso, que pode voltar a reduzir a absorção de carbono pelas florestas. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais calcula em 95% a probabilidade de o aquecimento do Pacífico ficar muito forte entre outubro e dezembro de 2026, e o Brasil está entre os países vulneráveis a secas, calor e chuvas intensas. Agência da ONU com sede em Genebra, a OMM foi criada em 1950.
Rio Negro chega a 16,59 metros em Manaus, abaixo do nível de 2025
O Rio Negro marcou 16,59 metros em Manaus nesta terça-feira (27), 2,74 metros abaixo dos 19,33 metros registrados na mesma data de 2025, segundo a medição do Porto de Manaus. Desde o dia 2 de outubro, quando estava em 18,59 metros, o rio baixou 2 metros. Apesar do nível mais baixo, a vazante deste mês é mais lenta que a do ano passado, quando a queda no mesmo intervalo chegou a 3,11 metros.
De acordo com a Defesa Civil, 46 municípios do Amazonas estão em situação de emergência por causa da seca e dos incêndios florestais, e outras 12 cidades, entre elas Manaus, Barcelos, Tabatinga e São Gabriel da Cachoeira, permanecem em alerta. Um boletim do governo estadual divulgado no sábado (24) apontava cerca de 113,9 mil famílias afetadas. Quatro municípios, Codajás, Iranduba, Itacoatiara e Itapiranga, estão em situação de atenção.
O Serviço Geológico do Brasil aponta que o El Niño, somado à falta de chuva, mantém as bacias dos rios Negro e Branco entre as áreas mais críticas e que a estiagem pode se prolongar se o período chuvoso atrasar. Em Manaus, o nível do rio costuma cair até meados de novembro, quando começa um novo ciclo de cheia. O porto da cidade guarda registros de mais de cem anos, incluindo a maior cheia, de 2012, com 29,97 metros.
Frente fria leva Marinha a suspender travessia entre Salvador e Mar Grande
A Marinha do Brasil suspendeu no fim da tarde desta terça-feira (27) as viagens de barco de Salvador para Mar Grande, distrito de Vera Cruz que fica na Ilha de Itaparica, depois da chegada de uma frente fria à capital baiana. Também foram interrompidas as linhas de Salvador para Morro de São Paulo e para Boipeba. Segundo a Marinha, a decisão foi tomada por causa das condições adversas de navegação na Baía de Todos-os-Santos, e não há previsão para a retomada.
Em nota, a corporação disse que a medida busca garantir a segurança da navegação e a proteção da vida no mar e informou que segue em vigor a bandeira amarela, que pede atenção redobrada na baía e no litoral baiano. A previsão para terça indicava céu nublado, chuva e ventos de até 30 km/h. A Defesa Civil de Salvador prevê tempo fechado na quarta-feira (28) e na quinta-feira (29), com 90% de chance de chuva no primeiro dia.
O sol deve voltar, entre nuvens, a partir da sexta-feira (30), e a chance de chuva cai para 10% no fim de semana, segundo o órgão municipal. A Baía de Todos-os-Santos tem 56 ilhas, das quais Itaparica é a maior, e um contorno litorâneo de 300 quilômetros, que abrange municípios como Salvador, Vera Cruz, Itaparica e Madre de Deus. Ela é apontada como a terceira maior baía do Brasil, embora também seja citada como a maior do país.