ECONOMIA: Resumo em 18 Out 2026

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Ilustração de cédulas e moedas de dinheiro
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

O volume de serviços recua em agosto com alta do turismo e do Distrito Federal, a Petrobras renova o recorde de valor de mercado, o IBGE eleva a previsão de safra de grãos para um nível inédito, as vendas do varejo ficam quase estáveis e a inflação dos combustíveis já supera a de todo o ano passado.

Volume de serviços cai 0,1% em agosto, enquanto turismo e Distrito Federal avançam

O volume de serviços prestados no país recuou 0,1% em agosto em relação a julho, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços divulgada na quarta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Apesar da queda mensal, o setor cresceu 0,6% frente a agosto de 2025, acumula alta de 1,7% de janeiro a agosto e de 2,2% em doze meses. O nível atual está 19,9% acima do patamar de fevereiro de 2020, antes da pandemia, e apenas 0,3% abaixo do pico histórico, atingido em outubro de 2025. Entre as atividades pesquisadas, só os serviços prestados às famílias cresceram na passagem de julho para agosto, com alta de 2,1%. Informação e comunicação ficou estável, transportes e serviços profissionais e administrativos caíram 0,2% cada, e o grupo de outros serviços recuou 1%. Na receita nominal, que reflete o valor faturado e não o volume, houve avanço de 0,2% no mês, de 6,1% em doze meses e de 7,4% no acumulado do ano.

As atividades turísticas foram na direção contrária ao conjunto e subiram 2,5% em agosto, o segundo resultado positivo seguido, somando expansão de 5,5% em dois meses. Com isso, o segmento ficou 12,4% acima do nível anterior à pandemia, embora ainda 1,1% abaixo do recorde de dezembro de 2024. Nos recortes regionais, o Distrito Federal se destacou: o volume de serviços local cresceu 3,7% em agosto na comparação com julho, na série com ajuste sazonal, e acumula alta de 9,1% nos oito primeiros meses do ano, o maior avanço entre as unidades da Federação. O ajuste sazonal serve para retirar efeitos repetitivos do calendário e permitir comparar meses seguidos. A pesquisa acompanha empresas formais com 20 ou mais pessoas ocupadas cuja atividade principal seja um serviço não financeiro, sem incluir saúde e educação, de modo que a alta de volume não equivale automaticamente a aumento de lucro, renda ou emprego nas empresas do setor.

O setor de serviços, também chamado de setor terciário, reúne atividades em que o produto principal não é um bem material novo, mas um atendimento, a circulação de mercadorias ou a intermediação entre produtores, consumidores e instituições. Na teoria dos três setores da economia, ele se distingue da agropecuária e da extração de matérias-primas, que formam o setor primário, e da indústria de transformação, o setor secundário. Fazem parte dele o comércio, os transportes, a armazenagem, a hospedagem, a alimentação fora de casa, a comunicação, as finanças, o mercado imobiliário, os serviços profissionais, a administração pública, a educação e a saúde, entre outros ramos. No Brasil, essas atividades são organizadas pela Classificação Nacional de Atividades Econômicas, mantida pela Comissão Nacional de Classificação e pelo IBGE, que as divide em seções, divisões, grupos e classes. Como cada sistema estatístico pode agrupar os ramos de forma diferente, comparações entre países ou séries históricas exigem atenção à metodologia e ao ano-base usados.


Petrobras alcança R$ 800 bilhões em valor de mercado pela primeira vez

A Petrobras encerrou o pregão de 14 de outubro na B3, a bolsa de valores de São Paulo, avaliada em R$ 800 bilhões, marca inédita para a companhia. Naquela quarta-feira, as ações preferenciais subiram 2,22% e as ordinárias, 1,94%, ampliando uma valorização acumulada no ano de cerca de 100% nos papéis preferenciais e de aproximadamente 110% nos ordinários. A presidente da estatal, Magda Chambriard, atribuiu o desempenho aos resultados obtidos e à capacidade da empresa de gerar valor. O novo recorde veio menos de duas semanas depois de a petroleira ter superado os R$ 700 bilhões, em 3 de outubro, movimento associado, entre outros fatores, à notícia de que a empresa encontrou petróleo em águas ultraprofundas na Bacia da Foz do Amazonas. A alta também acompanhou o comportamento dos preços internacionais do petróleo e uma sequência de notícias favoráveis sobre as operações da companhia nas últimas semanas.

Entre esses fatores estão os acordos sobre as jazidas compartilhadas de Berbigão e Sururu, na Bacia de Santos, firmados com as sócias Shell, TotalEnergies e Petrogal, pelos quais a Petrobras deve receber cerca de US$ 859 milhões líquidos até novembro. Os números operacionais também sustentam a trajetória dos papéis: entre abril e junho deste ano, a estatal extraiu no país, em campos próprios, 2,7 milhões de barris por dia, 15% acima do mesmo período de 2025. No primeiro semestre, o lucro líquido somou R$ 85,1 bilhões, alta de 37,6% em relação aos seis primeiros meses do ano passado. A empresa tem elevado a produção de combustíveis e avançado na diversificação dos negócios, com investimentos em produtos de menor impacto ambiental, fertilizantes nitrogenados e na retomada de unidades industriais que estavam paradas.

A Petrobras é uma sociedade de economia mista de capital aberto, com sede no Rio de Janeiro e controle acionário da União, e atua em exploração, produção, refino, comercialização e transporte de petróleo, gás natural e derivados. Criada em 3 de outubro de 1953, deixou de deter o monopólio da indústria do petróleo no país em 1997, mas segue como uma grande produtora, com mais de 3 milhões de barris por dia, e é referência mundial em tecnologia para exploração em águas profundas e ultraprofundas. Em 2024, um ranking internacional de empresas abertas a colocou como a 54ª maior companhia de capital aberto do mundo e a maior do Brasil. A história recente da estatal inclui uma das maiores capitalizações já feitas em bolsa, de US$ 72,8 bilhões, em setembro de 2010, e também prejuízos pesados em 2014 e 2015, ligados à queda do preço do barril, à crise econômica e às investigações da Operação Lava Jato, que levaram a empresa a suspender investimentos e afetaram fornecedores.


IBGE eleva estimativa e prevê safra recorde de 354,5 milhões de toneladas de grãos em 2026

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística elevou sua previsão para a produção nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026 para 354,5 milhões de toneladas, volume 2,4% maior que o colhido em 2025, de 346,1 milhões, o que representa 8,4 milhões de toneladas a mais. Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de setembro, trata-se do maior número da série histórica do instituto. Em relação à estimativa de agosto, houve acréscimo de cerca de 1,57 milhão de toneladas, variação de 0,4%. A área a ser colhida foi calculada em 83,2 milhões de hectares, 1,6 milhão a mais que no ano passado, alta de 2%, e 143,7 mil hectares acima da previsão anterior. Arroz, milho e soja continuam dominando a produção: juntos, respondem por 93% do volume estimado e por 87,3% da área a ser colhida, de acordo com os dados divulgados pelo instituto.

A soja deve chegar a 175 milhões de toneladas, 5,4% acima de 2025, com expansão de 1,3% na área plantada. O milho foi estimado em 143,3 milhões de toneladas, 1,1% a mais que no ano anterior, o equivalente a 1,6 milhão de toneladas adicionais. A primeira safra do cereal deve render 29,7 milhões de toneladas, com alta de 15,5%, enquanto a segunda safra, maior, deve somar 113,6 milhões, com queda de 2%. A área destinada ao milho cresceu 2,5%, com avanço de 8% na primeira safra e de 1,1% na segunda. Na outra ponta, a produção de arroz em casca deve cair 11,4%, para 11,2 milhões de toneladas, com redução de 12,6% na área colhida. O trigo também recua: a estimativa de setembro aponta 5,9 milhões de toneladas, 24% menos que no ano passado. As informações fazem parte do acompanhamento mensal que o IBGE faz das lavouras, revisado a cada novo levantamento ao longo do ano.

A agricultura é uma das bases da economia brasileira desde a colonização, quando a produção se concentrava na cana-de-açúcar e, depois, no café, e evoluiu das grandes monoculturas para uma pauta mais diversificada que faz do país um dos maiores exportadores de grãos, cereais e frutas. A expressão que apresenta o Brasil como celeiro do mundo ganhou força no Estado Novo, sob Getúlio Vargas. O setor convive com questões antigas, como a disputa em torno da reforma agrária, as queimadas, a saída de moradores do campo, o custo do crédito rural, os gargalos logísticos para escoar as colheitas e a sustentação econômica da agricultura familiar. A estrutura fundiária é muito concentrada, e grande parte da produção é voltada ao mercado externo. Em 2008, mesmo em meio à crise financeira internacional, o IBGE registrou safra recorde, com alta de 9,1% sobre o ano anterior, puxada por condições climáticas favoráveis e pelo avanço do milho e da soja. Entre os desafios apontados para o futuro estão os efeitos do desmatamento sobre o regime de chuvas e as temperaturas.


Vendas do varejo sobem 0,1% em agosto após recuo em julho

O volume de vendas do comércio varejista variou 0,1% em agosto em relação a julho, na série com ajuste sazonal, depois de ter caído 0,8% no mês anterior, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Com esse resultado, a média móvel de três meses do varejo ficou em queda de 0,1% no trimestre encerrado em agosto, a mesma variação registrada no período terminado em julho. No acumulado de 2026, as vendas sobem 1,7%, e a alta em doze meses é de 1,6%. No chamado varejo ampliado, que inclui também veículos, motos, partes e peças, material de construção e o atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo, o volume recuou 0,2% em agosto, depois de ter avançado 0,5% em julho. A média móvel trimestral desse conjunto mais amplo voltou a cair 0,3%, repetindo a variação observada em junho, segundo o instituto.

Na divisão por setores, seis das oito atividades do varejo restrito tiveram resultado positivo na passagem de julho para agosto. O maior avanço foi o de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que subiu 6,3%. Em seguida vieram outros artigos de uso pessoal e doméstico, com alta de 1,4%, combustíveis e lubrificantes, com 1,1%, artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com 0,7%, tecidos, vestuário e calçados, com 0,6%, e livros, jornais, revistas e papelaria, com 0,2%. Do lado negativo, as lojas de móveis e eletrodomésticos registraram a queda mais forte, de 4,2%, e o grupo de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que tem grande peso no índice, recuou 0,3%. O desempenho fraco dos supermercados ajuda a explicar por que o resultado geral ficou praticamente estável, mesmo com a maioria dos segmentos em alta. A pesquisa do IBGE mede o volume, ou seja, a quantidade vendida descontada a variação de preços.

O varejo corresponde à venda de produtos ou serviços em pequenas quantidades diretamente ao consumidor final, sem intermediários, ao contrário do comércio atacadista, que negocia grandes volumes com outras empresas. Na definição atribuída ao estudioso de marketing Kotler, entram nesse conceito todas as atividades de venda de bens ou serviços a quem vai consumi-los, seja em lojas, na rua ou na casa do comprador, e por qualquer meio, inclusive venda pessoal, telefone, correio ou máquinas automáticas. Há discussão entre especialistas sobre os formatos sem ponto de venda físico, como a venda de porta em porta, que alguns classificam como marketing direto. O sucesso de um varejista depende, em grande medida, de como ele organiza o atendimento, a exposição dos produtos e a escolha do ponto comercial. Ao planejar uma loja, o comerciante decide o nível de serviço, a linha de produtos, a política de preços, a cobertura geográfica, o acesso do cliente e o tamanho e a localização do estabelecimento.


Inflação dos combustíveis em 2026 já é quase o dobro da registrada em todo o ano passado

Os combustíveis usados em veículos acumularam alta de 4,49% de janeiro a setembro deste ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, quase o dobro dos 2,30% registrados em todo o ano de 2025. O aumento ocorreu mesmo com os subsídios adotados pelo governo federal para conter o impacto da alta do petróleo provocada pelas guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, que já somam R$ 40 bilhões. As medidas começaram em 12 de março, com subvenção de R$ 0,32 por litro de diesel paga a produtores e importadores e isenção de PIS/Cofins sobre o mesmo combustível. Em abril, decretos zeraram as alíquotas desses tributos sobre o biodiesel, e em julho uma medida provisória criou subvenção de R$ 0,44 por litro de gasolina. Em 9 de setembro, o presidente Lula assinou a Medida Provisória 1.391/2026, com nova ajuda de R$ 1 por litro de diesel rodoviário, e o etanol hidratado teve isenção temporária de tributos federais.

O Ministério da Fazenda prorrogou por 30 dias, no fim de setembro, o abatimento de R$ 1,12 no diesel, que somado à ajuda de R$ 1 por litro chega a R$ 2,12. No último dia 9, o governo zerou o PIS/Cofins da gasolina, elevando o desconto de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro, ampliou de R$ 0,25 para R$ 0,43 a subvenção a produtores de etanol hidratado e anunciou adicional de R$ 1,40 por litro a importadores de diesel, o que leva o apoio total a R$ 3,52. Ainda assim, pelos levantamentos semanais da Agência Nacional do Petróleo, o diesel S10 ficou até 20,85% mais caro desde o início da guerra, enquanto o etanol caiu 10,58%. A gasolina comum, que custava em média R$ 6,28 no fim de fevereiro, chegou a R$ 6,78 e estava em R$ 6,54 na pesquisa do dia 10. O IPCA mostrou a maior alta em março e queda nos preços de maio a agosto, efeito dos descontos. A Agência Internacional de Energia prevê escassez de diesel até boa parte de 2027.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, responsável pelas pesquisas de preços citadas, foi criada em 1997 pela Lei 9.478 e começou a funcionar em janeiro de 1998, como autarquia federal vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Cabe a ela executar a política nacional para o setor e regular as indústrias de petróleo, gás natural e biocombustíveis, o que inclui editar portarias, resoluções e instruções normativas, promover licitações e assinar, em nome da União, contratos de exploração, desenvolvimento e produção com as empresas concessionárias. A agência também fiscaliza o cumprimento das normas pelas empresas reguladas, diretamente ou em convênio com outros órgãos públicos. Sua direção é colegiada, formada por um diretor-geral e quatro diretores com mandatos de quatro anos que não coincidem, e as decisões são divulgadas na internet. Antes de aprovar normas que possam afetar direitos, a agência realiza audiências públicas, e mantém bancos de dados de referência sobre exploração e produção de petróleo e gás no país.

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