
Flávio Bolsonaro promete juros em queda rápida e um programa de renegociação de dívidas, enquanto a prévia do PIB do Banco Central volta a subir em agosto. A Petrobras estuda o efeito do fim da escala 6×1 sobre terceirizados, uma executiva defende investir no exterior e os cruzeiros abrem nova temporada.
Flávio Bolsonaro promete queda rápida dos juros e programa para renegociar dívidas
No debate de domingo (18) com o presidente Lula, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, afirmou que os juros vão começar a cair de forma acelerada se ele for eleito e atribuiu a promessa à formação de uma equipe forte de ministros. Ele também anunciou um plano para aliviar o endividamento de famílias e empresas, no qual o governo compraria dos bancos dívidas de pessoas físicas e jurídicas por valores abaixo dos débitos originais, e a criação de um Ministério da Prosperidade.
Segundo o candidato, o programa incluiria a suspensão das cobranças por até um ano e a oferta de financiamentos com prazos mais longos e juros menores, voltados a quem não consegue quitar compromissos. No debate, Flávio não explicou como as medidas seriam financiadas, quais critérios definiriam os beneficiários nem que instituições operariam o programa. Ele também não estimou quanto os juros cairiam nem apresentou um cronograma. A taxa básica, a Selic, é definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, e não pelo presidente da República.
O Banco Central do Brasil foi criado em 31 de dezembro de 1964 e começou a funcionar em março do ano seguinte. Em fevereiro de 2021, a Lei Complementar 179 fixou os objetivos da instituição e estabeleceu sua autonomia, com regras próprias para a nomeação e a exoneração do presidente e dos diretores, cujos nomes precisam ser aprovados pelo Senado. A Selic, principal instrumento usado pelo banco para controlar a inflação, está em 13,75% ao ano, depois dos cortes feitos em agosto e em setembro.
Prévia do PIB calculada pelo Banco Central sobe 0,3% em agosto
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto, avançou 0,3% em agosto na comparação com julho, segundo dados divulgados pela instituição na sexta-feira (16). Sem arredondamento, a alta foi de 0,34%, a primeira em três meses. A indústria liderou o resultado, com crescimento de 0,9%. Os serviços, setor de maior peso na economia, tiveram alta de 0,2%, e a arrecadação de impostos sobre produtos cresceu 0,1%. Só a agropecuária recuou, com perda de 1,8%.
Sem a agropecuária, o indicador também ficou em 0,3%, sinal de que o desempenho do mês não dependeu do campo. Em 12 meses, a atividade acumula alta de 1,6%, igual ao resultado dos oito primeiros meses de 2026. A melhora de agosto, porém, não compensou a fraqueza recente: no trimestre encerrado no mês, o índice ficou 0,6% abaixo do registrado no trimestre terminado em maio. O mercado projeta crescimento de 1,85% para o PIB deste ano, segundo o boletim Focus de 13 de outubro, número acima do acumulado do índice.
O IBC-Br reúne dados de indústria, serviços, agropecuária e impostos e ajuda a acompanhar a economia entre uma divulgação e outra do PIB oficial, calculado pelo IBGE com outras pesquisas e que pode divergir do indicador. O Banco Central considera esses números ao definir a Selic, a taxa básica de juros e seu principal instrumento de controle da inflação. A meta da taxa é fixada pelo Comitê de Política Monetária, e a Selic, que estava em 15% em março, vem sendo reduzida desde então e chegou a 13,75% ao ano.
Petrobras cria grupo para avaliar efeito do fim da escala 6×1 sobre 130 mil terceirizados
A Petrobras montou um grupo de trabalho para medir como o fim da escala 6×1 vai afetar os contratos de prestação de serviços com a estatal. A mudança, promulgada pelo Congresso na sexta-feira (16), prevê cinco dias de trabalho e dois de descanso por semana. O principal desafio da empresa é ajustar as jornadas de cerca de 130 mil trabalhadores terceirizados, contratados por centenas de prestadoras e espalhados por frentes como plataformas marítimas e refinarias, num momento em que a companhia amplia sua produção.
Os cerca de 50 mil empregados próprios da Petrobras não devem ser atingidos pela nova regra. Nas áreas administrativas, a empresa já pratica jornada de 40 horas semanais, e nas operacionais segue escalas específicas, negociadas em acordos coletivos. A emenda constitucional prevê negociação com categorias que têm regimes diferenciados, para definir compensações que garantam, na média do mês, dois repousos por semana e ao menos uma folga a cada semana trabalhada. O texto, porém, não diz quais setores terão de firmar convenções ou acordos coletivos.
A Constituição de 1988 limitou a jornada semanal no Brasil a 44 horas. Nos últimos anos, cresceu a mobilização pelo fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso, que resultou em uma proposta de emenda apresentada na Câmara dos Deputados em 2024, com apoio do governo federal. Pelo texto aprovado, a jornada cai de 44 para 40 horas em duas etapas, e a garantia de duas folgas semanais, de preferência aos domingos, passa a valer 60 dias após a promulgação, quando acordos coletivos incompatíveis perdem a validade.
Executiva defende investir no exterior independentemente do resultado da eleição
A diretora de investimentos da plataforma Avenue, Marcela Rocha, afirmou em entrevista publicada no domingo (18) que a decisão de manter parte do patrimônio fora do país deve ser permanente e não depender de quem vencer o segundo turno da eleição presidencial, marcado para o dia 25. Para ela, o objetivo não é adivinhar qual mercado renderá mais, mas reduzir a dependência de uma única economia. Rocha disse que tentar escolher o melhor momento para investir, mesmo em um ano de incertezas, é um erro.
A executiva argumentou que até quem recebe em reais e não pretende deixar o país vive em uma economia global, já que combustíveis, alimentos e serviços digitais têm preços influenciados pelo dólar. Ela recomendou montar a exposição internacional aos poucos, conforme a liquidez e o perfil de risco, sem esperar uma cotação ideal da moeda, que segundo ela depende mais da política econômica e do cenário externo do que das urnas. Rocha citou os títulos do Tesouro americano, que pagavam mais de 5% ao ano em 14 de outubro.
Os investimentos de brasileiros no exterior chegaram ao recorde de 58,8 bilhões de dólares em 2025, segundo o Banco Central, mas representam cerca de 2% do patrimônio aplicado, de acordo com estudo da Fundação Getulio Vargas. Os juros altos ajudam a explicar a preferência pela renda fixa local. Em setembro, o Comitê de Política Monetária, órgão do Banco Central criado em 1996 para definir a taxa básica, reduziu a taxa básica em um quarto de ponto, levando a Selic a 13,75% anuais. Desde 2006, o comitê se reúne oito vezes por ano.
Cruzeiros movimentaram R$ 4,76 bilhões e nova temporada prevê 675 escalas no país
O turismo de cruzeiros marítimos movimentou 4,76 bilhões de reais na economia brasileira na temporada 2025/2026, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas com a associação que reúne as companhias do setor, divulgado pelo Ministério de Portos e Aeroportos. A conta inclui os gastos das empresas com operação e logística e as despesas de passageiros e tripulantes nas cidades visitadas. A atividade esteve ligada a cerca de 72 mil postos de trabalho em áreas como hospedagem, alimentação, transporte e comércio, além dos terminais portuários.
As viagens entre portos brasileiros responderam por 4,28 bilhões de reais e 64.529 empregos, enquanto 21 navios internacionais que passaram pelo país geraram impacto estimado em 480,94 milhões de reais. Segundo o levantamento, cada real investido pelas companhias movimentou 3,89 reais na economia. A temporada 2026/2027, já em andamento, deve reunir 675 escalas em 187 roteiros feitos por oito navios, e o Ministério do Turismo calcula que o número de leitos oferecidos crescerá cerca de 24% sobre o ciclo anterior.
Na temporada passada, realizada entre outubro e abril, sete navios fizeram cruzeiros pela costa brasileira e embarcaram 602.864 pessoas, cerca de 28% menos que no ciclo anterior. A nova temporada começou em Salvador em 7 de outubro. No Porto de Santos, a primeira atracação está prevista para terça-feira (20), com saída comercial três dias depois, e a prefeitura projeta 146 escalas de dez embarcações de sete companhias até 4 de abril de 2027, com circulação de cerca de 785 mil pessoas entre passageiros e tripulantes.