
A atividade econômica avançou 0,5% em agosto pela estimativa da FGV, a bolsa recuou com a Petrobras enquanto o dólar caiu, o mercado manteve a inflação esperada para 2026 em 5,22%, a Americanas deixou a recuperação judicial e o trabalho infantil chegou ao menor nível já medido pelo IBGE.
Monitor da FGV aponta alta de 0,5% da atividade econômica em agosto
A atividade econômica brasileira cresceu 0,5% em agosto na comparação com julho, já descontados os efeitos sazonais, segundo o Monitor do PIB calculado pela Fundação Getulio Vargas. Em relação a agosto do ano passado, a alta foi de 1,5%. No trimestre móvel encerrado em agosto, o avanço chegou a 1,7%, e o acumulado em 12 meses ficou em 1,8%. A fundação estima que o PIB somado até agosto de 2026 alcance R$ 9,020 trilhões em valores correntes.
Pelo lado da demanda, o consumo das famílias subiu 0,4% no trimestre móvel, puxado pelos bens duráveis, enquanto os não duráveis e os semiduráveis pesaram para baixo e os serviços ficaram praticamente estáveis. Foi o menor ritmo de expansão do consumo desde o trimestre terminado em outubro de 2025. Os investimentos, medidos pela formação bruta de capital fixo, avançaram 1,6%, com apoio da construção. As exportações cresceram 2,5%, e as importações, 6,4%. A taxa de investimento de agosto foi de 19,1%.
A Fundação Getulio Vargas foi criada em dezembro de 1944, no Rio de Janeiro, em meio à reforma administrativa do Estado brasileiro iniciada nos anos 1930. Em 1951, suas atividades econômicas deram origem ao Instituto Brasileiro de Economia, que produz indicadores de preços, de confiança empresarial e de conjuntura usados como referência nacional. Entre os primeiros trabalhos do grupo de economistas da instituição estiveram o balanço de pagamentos do país e estudos pioneiros sobre a renda nacional, base das estatísticas atuais.
Ibovespa recua 0,17% com queda da Petrobras, e dólar fecha a R$ 5,04
O principal índice da bolsa brasileira terminou a segunda-feira (19) em baixa de 0,17%, aos 205.079 pontos, depois de oscilar entre 204.269 e 207.388 pontos. O movimento foi puxado pela Petrobras: as ações preferenciais da estatal recuaram 2,82%, e as ordinárias, 2,93%, num dia de leve desvalorização do petróleo. A Vale subiu 0,23%, e os bancos fecharam em maioria no negativo, com exceção das units do BTG Pactual e das ações ordinárias do Banco do Brasil.
O dólar à vista caiu 0,50% e fechou a R$ 5,0476, acumulando queda de 8,04% no ano, em linha com o recuo da moeda norte-americana diante de outras divisas emergentes. Investidores acompanharam pesquisas eleitorais que mostraram Flávio Bolsonaro à frente, mas com vantagem menor sobre Lula, e o primeiro debate do segundo turno. Para o estrategista-chefe da Monte Bravo, Rai Chicoli, o confronto não teve vencedor claro nem efeito sobre os preços, e o mercado deve seguir guiado pelas próximas pesquisas.
Lançado em 2 de janeiro de 1968, o Ibovespa mede o desempenho médio das ações mais negociadas na B3, a bolsa brasileira, a partir de uma carteira teórica criada naquele dia com valor-base de 100. A primeira carteira reunia 18 empresas de grande porte. Ao longo da história, o índice passou por fases de euforia e de queda, como o colapso de 1971, que veio depois da alta do chamado milagre econômico, e as perdas provocadas pela crise financeira global de 2008.
Focus mantém inflação de 2026 em 5,22% e reduz projeção de crescimento
Os economistas consultados semanalmente pelo Banco Central mantiveram em 5,22% a projeção para o IPCA de 2026, segundo o Relatório Focus divulgado na segunda-feira (19). A estimativa de crescimento do PIB deste ano caiu de 1,85% para 1,83%, e a do dólar no fim do ano passou de R$ 5,15 para R$ 5,13. A previsão para a taxa Selic ao fim de 2026 ficou estável em 13,25% ao ano, mesmo patamar da semana anterior.
Para 2027, a mediana da inflação subiu de 4,30% para 4,32%, enquanto a de 2028 recuou de 3,79% para 3,75%, e a de 2029 seguiu em 3,50%. A projeção de crescimento da economia em 2027 caiu de 1,40% para 1,32%, e a de 2028, de 1,83% para 1,81%. O câmbio esperado para o fim de 2027 recuou de R$ 5,26 para R$ 5,22. Para a Selic, as estimativas seguiram em 12% em 2027 e em 10,50% em 2028.
Publicado toda segunda-feira pelo Banco Central, o Relatório Focus resume as expectativas de cerca de 120 bancos, gestoras e outras instituições para os principais indicadores da economia. O levantamento informa a mediana das previsões, menos sensível a valores extremos, e integra o regime de metas de inflação, servindo de subsídio para as decisões de política monetária. Ao tornar públicas essas estimativas, o Banco Central permite que empresas e famílias acompanhem o que o mercado projeta para preços, juros, câmbio e atividade.
Justiça do Rio encerra a recuperação judicial da Americanas
A Justiça do Rio de Janeiro decretou o fim da recuperação judicial da Americanas e de suas subsidiárias, informou a varejista em fato relevante divulgado na segunda-feira (19). A sentença, da 4ª Vara Empresarial da capital fluminense, reconheceu que a companhia cumpriu as obrigações do plano com vencimento em até dois anos após a homologação. A decisão veio depois de pareceres favoráveis da administração judicial e do Ministério Público estadual e ainda pode ser contestada por meio de recursos.
A sentença inclui as subsidiárias B2W Digital Lux, JSM Global e ST Importações e manda avisar o registro público de empresas e a Receita Federal para retirar a expressão “em Recuperação Judicial” do nome das empresas. A Americanas chamou o desfecho de marco importante e disse que começa uma nova fase. Na esfera criminal, doze ex-executivos respondem como réus por associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado, e a empresa afirma ter sido vítima de fraude cometida pela antiga diretoria.
Fundada em 1929, a Americanas comunicou ao mercado em 11 de janeiro de 2023 inconsistências contábeis superiores a R$ 20 bilhões, reveladas pelo então presidente Sergio Rial, que deixou o cargo no mesmo dia. O pedido de recuperação judicial veio naquele mês, e o plano foi aprovado por credores que somavam 97,19% dos créditos e homologado pela Justiça em 26 de fevereiro de 2024. O acordo com os bancos previu aporte de R$ 12 bilhões dos acionistas de referência e conversão de créditos em capital.
Trabalho infantil cai 9,2% em 2025 e chega ao menor nível da série do IBGE
Em 2025, o Brasil tinha 1,499 milhão de pessoas entre 5 e 17 anos submetidas ao trabalho infantil, número 9,2% menor que o do ano anterior e o menor da série histórica, segundo a Pnad Contínua do IBGE. O contingente equivale a 4% da população nessa faixa etária, ante 4,3% em 2024, quando somava 1,65 milhão. Em relação a 2016, quando eram 2,1 milhões, a queda acumulada é de 28,6%. Do total atual, 525 mil exerciam atividades incluídas na lista das piores formas de trabalho infantil.
Segundo o instituto, contribuíram para a redução o mercado de trabalho aquecido, o desemprego menor, a alta da renda familiar e a ampliação de programas de transferência de renda. Nos domicílios atendidos pelo Bolsa Família, o recuo foi de 20,1%, ou 144 mil crianças e adolescentes a menos. Meninos são 65,4% do total, e pretos e pardos, 67%. O Norte tem a maior proporção, 6,3%, e o Sudeste, a menor, 3,3%. Entre os jovens de 16 e 17 anos nessa situação, só 79,6% estavam na escola.
A lei brasileira fixa 16 anos como idade mínima para o trabalho e permite a atividade como aprendiz a partir dos 14; entre 16 e 17 anos, só é autorizado o emprego com carteira assinada, sem tarefas noturnas, perigosas ou insalubres. A Constituição de 1988 proíbe o trabalho infantil, e o país aderiu a convenções internacionais sobre o tema. Levantamentos daquele período indicam que o total de jovens em atividade recuou de aproximadamente 8 milhões, em 1992, para 5 milhões, em 2003.