ECONOMIA: Resumo em 22 Out 2026

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Ilustração de um pregão de bolsa de valores com telões
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

A bolsa recuou e o dólar subiu depois que uma pesquisa apontou empate no segundo turno. A Fazenda garantiu imunidade tributária a importações para pesquisa pública e abriu chamada a bancos no Desenrola 3.0, o Brasil deixou de ser credor externo líquido e o IBGE estuda incluir atividades ilícitas no cálculo do PIB.

Ibovespa cai 0,86% e dólar sobe após pesquisa apontar empate no segundo turno

O principal índice da bolsa brasileira encerrou a quarta-feira (21) em queda de 0,86%, aos 206.495 pontos, uma perda de cerca de 1,8 mil pontos, enquanto o dólar à vista subiu 0,18% e fechou perto de R$ 5,03. Analistas ligaram o recuo à pesquisa Quaest divulgada pela manhã, que mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 45% e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 44%, em empate técnico. Na véspera, o índice havia superado 208 mil pontos.

Logo após a divulgação do levantamento, o índice caiu de 209.190 para 208.104 pontos em meia hora. Lucas Xavier, da AW Capital, disse que o mercado tende a buscar proteção quando cresce a chance de reeleição, e Vitor Kayo, economista da Nomad, viu um movimento de correção depois de patamares elevados. A Hapvida liderou as perdas, com recuo de 8,48%, seguida pela WEG, que caiu 7,34% após balanço trimestral abaixo do esperado; a Totvs subiu 2,78%.

O Ibovespa mede o desempenho médio das ações mais negociadas na B3 a partir de uma carteira teórica criada em janeiro de 1968 e revista a cada quatro meses. O índice superou pela primeira vez os 100 mil pontos em junho de 2019 e encadeou recordes em 2025 e 2026. Petrobras, Vale e os bancos respondem por cerca de metade da carteira atual, o que amplia o peso dessas empresas nas oscilações diárias do indicador.


Fazenda garante imunidade tributária a importações para pesquisa pública

O Ministério da Fazenda anunciou na quarta-feira (21) que equipamentos, programas de computador e insumos importados por fundações de apoio em nome de universidades públicas, institutos federais e instituições de ciência e tecnologia passam a contar com a imunidade tributária recíproca. Segundo a pasta, a mudança permite que todo o dinheiro destinado à pesquisa seja convertido em tecnologia e materiais, sem perdas com cobranças de tributos que o governo considera indevidas.

A Fazenda afirmou que a gestão financeira feita pelas fundações é apenas operacional e não altera a natureza pública dos recursos, ponto que gerava incerteza no despacho aduaneiro. Para obter o benefício, a importação deve sair em nome da instituição pública, o dinheiro precisa circular em conta exclusiva do projeto, os bens devem ser incorporados ao patrimônio de imediato e as contas ficam sujeitas à Receita Federal. As regras foram discutidas com a Receita, a PGFN, a AGU e universidades federais.

Pela Constituição de 1988, a imunidade recíproca impede que União, estados, Distrito Federal e municípios cobrem impostos uns dos outros, e o benefício alcança autarquias e fundações mantidas pelo poder público. A imunidade afasta apenas a obrigação de pagar o tributo, sem dispensar as obrigações acessórias. Segundo a Fazenda, o regime atual de desoneração para pesquisa depende de uma cota administrada pelo CNPq, considerada insuficiente para a demanda das instituições.


Brasil deixa de ser credor externo líquido após 19 anos

O Brasil perdeu em 2026 a posição de credor externo líquido que mantinha havia 19 anos, segundo cálculos feitos com estatísticas do Banco Central e divulgados na quarta-feira (21). A comparação entre ativos e passivos externos selecionados resultou em dívida líquida de US$ 5,1 bilhões em junho. O indicador muda a posição financeira do país, mas não representa uma conta a pagar de imediato nesse valor, já que reúne reservas e outros créditos brasileiros no exterior.

Pelos dados do Banco Central, a dívida externa bruta chegou a US$ 414,9 bilhões em julho e recuou para US$ 414,1 bilhões em agosto, enquanto as reservas internacionais somavam US$ 372,6 bilhões. O déficit em transações correntes acumulado em 12 meses até agosto foi de US$ 63 bilhões, ou 2,47% do PIB, abaixo dos US$ 76,9 bilhões de um ano antes, e os investimentos diretos no país chegaram a US$ 86,6 bilhões. Os juros pagos ao exterior em julho somaram US$ 4,63 bilhões.

A dívida externa brasileira era de US$ 3 bilhões em 1964 e alcançou US$ 150 bilhões em 1994. Em fevereiro de 2008, o Banco Central informou que as reservas haviam superado o total devido no exterior pelos setores público e privado, a primeira vez na história em que o país deixou de ser devedor líquido. Desde então, o estoque bruto continuou a crescer, passando de US$ 323,5 bilhões em 2019 para US$ 355,7 bilhões em março de 2024.


Fazenda abre chamada para bancos ofertarem dívidas ao Desenrola 3.0

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou na quarta-feira (21) que o governo publicaria nesta quinta-feira (22) um edital para que bancos e fundos informem as carteiras de dívidas que aceitam vender à União no Desenrola 3.0. As instituições terão cinco dias úteis para apresentar os volumes e já se comprometem com desconto mínimo de 90%. O leilão de compra deve ocorrer em novembro ou até o início de dezembro, segundo o ministro.

O secretário-executivo Rogério Ceron disse que, se toda a carteira estimada em R$ 90 bilhões for ofertada, a compra custaria no máximo R$ 9 bilhões, e que a competição pode levar os descontos a 95% ou mais. Durigan afirmou que o gasto efetivo dependerá do volume ofertado, das faixas de renda e das condições fiscais, e que devedores de menor renda terão prioridade. O ministro também criticou a proposta de renegociação do candidato de oposição, Flávio Bolsonaro.

Em vigor desde o fim de setembro, o Desenrola 3.0 é voltado a débitos no cartão de crédito e no crédito pessoal sem consignação de até R$ 10 mil, com atraso de dois a quatro anos e meio, e os descontos obtidos no leilão serão repassados aos devedores. O programa original funcionou entre julho de 2023 e maio de 2024, e uma segunda fase foi criada em maio de 2026. Desde 2023, cerca de 15 milhões de pessoas renegociaram aproximadamente R$ 53 bilhões em dívidas.


IBGE avalia incluir atividades ilícitas no cálculo do PIB

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística confirmou que estuda incluir no Produto Interno Bruto estimativas de atividades ilegais, como tráfico de drogas, contrabando e jogos de azar, dentro de uma revisão das contas nacionais prevista para 2028. A mudança acompanha o manual internacional de contas nacionais de 2025, aprovado pelo órgão de estatística da ONU e recomendado por FMI e Banco Mundial para evitar distorções na comparação entre países. Segundo o instituto, a adoção não é automática.

Uma nota metodológica do IBGE de outubro de 2025 citava de forma expressa contrabando, apostas e venda de entorpecentes, mas uma versão posterior, de setembro, retirou esse trecho. O economista Bráulio Borges, do Ibre da Fundação Getulio Vargas, estima que a nova série elevará o PIB nominal, com alta de quase 4% em 2024 só pela troca de dados preliminares por definitivos. Ele observa que a dívida pública não muda, mas a relação entre dívida e PIB cairia.

Desde 2014, os países da União Europeia são obrigados a estimar mercados ilegais em suas contas nacionais, e Reino Unido, Canadá, Colômbia e Austrália também fazem essas estimativas. Um estudo do governo americano de 2019 calculou que somar esses mercados elevaria o PIB nominal dos Estados Unidos de 2017 em mais de 1%. Fundado na década de 1930, o IBGE já promoveu revisões em 2007 e 2015 que aumentaram o nível do PIB nominal por atualização de bases e classificações.

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