ECONOMIA: Resumo em 24 Out 2026

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Ilustração de painéis de cotações de uma bolsa de valores
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

Na véspera do segundo turno, a bolsa subiu e o dólar fechou abaixo de R$ 5, a prévia da inflação perdeu força em outubro, Flávio Bolsonaro negou planos de vender as maiores estatais, o economista Joseph Stiglitz criticou a agenda do senador e o ministro da Fazenda admitiu manter os subsídios aos combustíveis no próximo ano.

Ibovespa sobe 0,47% e dólar fecha abaixo de R$ 5 no último pregão antes da eleição

Depois de recuar na véspera, o Ibovespa fechou esta sexta-feira (23) em alta de 0,47%, aos 205.082 pontos, no último pregão antes do segundo turno. O dólar caiu 0,9% e terminou cotado a R$ 4,99, com queda de 1,64% na semana. Bancos, Vale e Petrobras subiram, e a petrolífera foi favorecida pelo barril do tipo Brent, que chegou a US$ 116,72, o maior nível desde junho de 2022, em meio às tensões no Oriente Médio.

Para Rafael Pastorello, do Banco Sofisa, a prévia da inflação abaixo do esperado ajudou, mas a aproximação da votação concentrou as atenções e elevou a volatilidade ao longo da semana. O economista Vitor Kayo, da Nomad, disse que os investidores ajustaram carteiras à espera do debate e das últimas pesquisas. Operadores avaliavam que parte relevante do mercado seguia apostando na vitória de Flávio Bolsonaro, apesar de pesquisa com empate em 50% dos votos válidos. O Goldman Sachs projeta o dólar a R$ 4,70 em três meses.

Entre o último pregão antes do primeiro turno e esta sexta-feira, o índice acumulou alta de 6,9%, variação superada em períodos eleitorais apenas pelas de 2002 e 2006, segundo a consultoria Elos Ayta. Na sessão seguinte à primeira votação, a bolsa subiu 7,70% e passou, durante o dia, dos 209 mil pontos. O capital estrangeiro teve saldo positivo de R$ 20,15 bilhões em outubro. Criado em 1968, o Ibovespa reúne as ações mais negociadas da B3 e é o principal termômetro do mercado.


Prévia da inflação desacelera para 0,32% em outubro, informa IBGE

O IPCA-15, prévia da inflação oficial, subiu 0,32% em outubro, menos da metade da alta de 0,70% de setembro, informou o IBGE nesta sexta-feira (23). Em 12 meses, porém, o índice acumulou 4,62%, acima dos 4,47% do período anterior e do limite de 4,5% tolerado pela meta. No ano, a alta chega a 4,15%. Oito dos nove grupos pesquisados ficaram mais caros, e a habitação foi o único a registrar queda no mês.

O grupo alimentação e bebidas subiu 0,88%, com a comida consumida em casa 1,01% mais cara, puxada por tomate (24,54%), cebola (13,63%) e batata-inglesa (10,96%). Os combustíveis avançaram 1,2%, com diesel, etanol e gasolina em alta. Na outra ponta, a energia elétrica residencial caiu 0,89% com a troca da bandeira tarifária amarela pela verde, e as passagens aéreas ficaram 9,24% mais baratas, o item que mais conteve o índice no período.

O IPCA-15 segue a metodologia do IPCA, o índice oficial, mas tem outro período de coleta e outra abrangência geográfica, o que o torna um sinal antecipado dos preços. O IPCA mede a variação do custo de bens e serviços para as famílias em 13 regiões metropolitanas e serve de referência para as metas de inflação do governo. Em outubro de 2025, a prévia havia subido 0,18%. O país conviveu com inflação muito alta por décadas, até a estabilização com o Plano Real nos anos 1990.


Flávio diz que não privatizará Petrobras, Caixa e Banco do Brasil

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou no debate desta sexta-feira (23) que, se eleito, não venderá Petrobras, Banco do Brasil nem Caixa, e chamou de notícia falsa a versão de que privatizaria as empresas. O tema havia surgido no primeiro encontro entre os dois candidatos, no domingo (18), quando o presidente condenou a privatização da Eletrobras e da BR Distribuidora e disse que o campo adversário pretende vender empresas públicas.

O plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral é mais amplo que a promessa: propõe retomar o Programa Nacional de Desestatização para avaliar, empresa por empresa, onde o Estado deve continuar presente, sem listar alvos nem citar as três companhias. Para a Caixa, o texto sugere uma reformulação voltada a crédito para empreendedores e habitação. O plano é coordenado por Daniella Marques, ex-presidente do banco, e por Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia, que já defendeu estudar a desestatização da Petrobras.

O programa foi criado em 1990 pela Lei 8.031, no governo Fernando Collor, e organizou a venda de siderúrgicas e de outras empresas públicas ao longo daquela década. Entre 2019 e 2022, o governo de Jair Bolsonaro privatizou 76 estruturas públicas, entre elas a Eletrobras e as subsidiárias BR Distribuidora e Liquigás. Lula já declarou ter o sonho de reestatizar a Eletrobras se for reeleito. O plano de Flávio também promete fortalecer a Lei das Estatais, de 2016, e escolher dirigentes por regras de mercado.


Stiglitz diz que eleição de Flávio traria riscos à economia brasileira

O economista americano Joseph Stiglitz, vencedor do Nobel de Economia de 2001, afirmou em entrevista que uma vitória de Flávio Bolsonaro representaria risco para o crescimento, o emprego e a renda no Brasil. Segundo ele, a combinação de cortes de gastos, redução de impostos para os mais ricos e privatizações levaria à contração da atividade econômica e atingiria sobretudo as famílias de menor renda, além de ampliar a desigualdade e a pobreza no país.

Stiglitz disse que cortar impostos e despesas ao mesmo tempo reduz o PIB e que, como Flávio prometeu preservar as aposentadorias, os cortes recairiam com força sobre programas como os de educação. No longo prazo, afirmou, a perda de investimento em infraestrutura e tecnologia ampliaria a distância em relação aos países desenvolvidos. Ele avaliou que o governo Lula foi bom para os mercados, que estes têm visão imediatista e que os juros brasileiros não estão alinhados à inflação.

A avaliação contrasta com a reação do mercado ao primeiro turno, quando Flávio terminou com vantagem de 1,87 ponto percentual e o Ibovespa chegou à marca de 206 mil pontos na sessão seguinte. Stiglitz presidiu o Conselho de Assessores Econômicos no governo Bill Clinton e foi economista-chefe do Banco Mundial. Antes da primeira votação, ele assinou, ao lado de Thomas Piketty, Chico Buarque e Raí, um manifesto sobre os riscos de uma vitória do senador para a democracia brasileira.


Durigan diz que subsídio aos combustíveis pode continuar em 2027

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (23) que o governo poderá manter em 2027 as subvenções aos combustíveis se o petróleo continuar caro e a União seguir com arrecadação extra no setor. A lei que permite usar essas receitas para bancar a ajuda vale apenas para 2026. Segundo ele, uma eventual nova proposta ao Congresso não ampliaria os gastos previstos, e o objetivo das medidas é suavizar os preços, não controlá-los.

Durigan explicou que o orçamento de 2026 foi feito com petróleo a US$ 64 o barril, e que a cotação acima de US$ 100 elevou a arrecadação federal. Ele também não descartou manter o imposto sobre a exportação de óleo bruto, que, segundo o ministro, tem caráter regulatório, ao direcionar a produção às refinarias do país. Durigan não apresentou estimativas de custo para 2027 e criticou a eventual volta da paridade de importação na Petrobras em um governo de Flávio Bolsonaro.

Em 9 de outubro, o governo ampliou as medidas de alívio, com impacto estimado de R$ 5,2 bilhões em 30 dias. A redução de tributos federais sobre a gasolina passou de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro, e o diesel importado ganhou subvenção adicional de R$ 1,40 por litro, somada aos R$ 2,12 já previstos. Segundo a Fazenda, a alta do petróleo está ligada à guerra no Irã. Durigan assumiu o ministério em março de 2026, depois de atuar como secretário-executivo da pasta.

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