ECONOMIA: Resumo em 27 Out 2026

Por · Publicado em

Ilustração de um cofre com uma gota, em referência ao déficit fiscal
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

No primeiro pregão após a reeleição de Lula, a Bolsa tem a maior queda diária desde 2020 e o dólar a maior alta desde 1999; Rafael Fonteles e Geraldo Alckmin despontam para a Fazenda, a presidente da Petrobras fala em especulação, a B3 amplia limites de contratos futuros e o Focus reduz projeções.

Rafael Fonteles e Geraldo Alckmin despontam como opções para o Ministério da Fazenda

Um dia depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), passou a ser apontado por aliados e integrantes do governo como o nome mais provável para o Ministério da Fazenda no quarto mandato. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também é lembrado para o posto. O núcleo político do presidente pretendia definir o ministro só a partir do fim de novembro, mas a escolha pode ser antecipada diante da forte queda da Bolsa nesta segunda-feira.

Aliados de Fonteles admitem que ele deixe o governo estadual se receber o convite, mas petistas avaliam que um cargo impopular pode prejudicar seu futuro político; nesse caso, o vice eleito, Washington Bandeira, assumiria o Piauí. O economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani, disse que Alckmin tem reputação e entende a necessidade de um ajuste fiscal crível, e citou o presidente do Banco Central, Galípolo, como outra opção. O senador Camilo Santana (PT-CE) é cotado para a Casa Civil.

Formado em matemática, Fonteles comandou a Secretaria da Fazenda do Piauí de 2015 a 2022 e governa o estado desde 2023; neste ano, foi reeleito no primeiro turno com 70,90% dos votos válidos. Alckmin governou São Paulo por quatro mandatos e acumulou a vice-presidência com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, antes dado como certo na Casa Civil, passou a ser lembrado por aliados também para o Ministério das Relações Exteriores.


Bolsa tem a maior queda diária desde 2020 e dólar dispara após a reeleição de Lula

Depois de os ativos brasileiros negociados no exterior já terem recuado no domingo, o Ibovespa fechou esta segunda-feira (26), primeiro pregão após a reeleição de Lula, em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos, e o dólar comercial subiu 8,21%, a R$ 5,40. Logo na abertura, a B3 acionou o circuit breaker e suspendeu os negócios por 30 minutos, algo que não ocorria havia seis anos. No pior momento da sessão, o índice chegou a recuar mais de 17%.

Das 76 ações do índice, 68 terminaram em baixa. As maiores perdas vieram de papéis que haviam subido com a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro, como Banco do Brasil, com recuo de 29,33%, e Magazine Luiza, que caiu 58,23%; exportadoras como Suzano e Vale avançaram com a alta da moeda. Segundo a consultoria Elos Ayta, as empresas listadas perderam R$ 734 bilhões em valor de mercado em um único dia, quase o equivalente a toda a Petrobras.

Foi a maior alta diária do dólar desde janeiro de 1999, quando o país mudou o regime cambial, e a maior queda da Bolsa desde março de 2020, no início da pandemia de Covid-19. Analistas atribuem o movimento à quebra de expectativa, já que o mercado havia se posicionado para uma vitória do candidato do PL, que liderou o primeiro turno. Investidores aguardam a definição da equipe econômica. Criado em 1968, o Ibovespa acompanha as ações mais negociadas da B3.


Presidente da Petrobras atribui a especulação o tombo das ações da estatal

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, classificou como especulativa a forte queda das ações da estatal nesta segunda-feira (26), no primeiro pregão após a reeleição de Lula, e disse que o recuo não tem relação com os fundamentos da companhia. Segundo ela, a petroleira é sólida, tem uma carteira de investimentos robusta e não será guiada por oscilações de curto prazo. Em tom de brincadeira, afirmou que compraria papéis da empresa se o cargo permitisse esse tipo de operação.

Pela manhã, a ação preferencial recuava 10,31%, a R$ 52,64, e a ordinária perdia 8,75%, a R$ 59,53. Depois do resultado eleitoral, o Bradesco BBI reduziu o preço-alvo da ação preferencial para o fim de 2027 de R$ 62 para R$ 55, ao elevar de 8% para 10% o retorno exigido em dividendos, mas manteve a recomendação equivalente a compra. O banco citou a produção acima do esperado e a chance de margens de refino maiores em 2027.

Os papéis da estatal haviam subido mais de 100% em 2026 até a sexta-feira (23), e bancos projetavam valor de mercado acima de R$ 900 bilhões para a companhia. Por ter controle estatal, a empresa costuma reagir com mais intensidade a mudanças no cenário político, em razão de temas como preços de combustíveis e distribuição de dividendos. Engenheira civil, Chambriard entrou na Petrobras em 1980 e dirigiu a Agência Nacional do Petróleo entre 2012 e 2016.


B3 amplia os limites de oscilação de contratos futuros para o pregão pós-eleição

A B3 alargou as faixas de variação diária permitidas nos contratos futuros de Ibovespa, dólar e juros no pregão desta segunda-feira (26), o primeiro depois da reeleição de Lula, diante da expectativa de forte volatilidade. Nos contratos de índice cheio e de mini-índice, a queda máxima permitida durante a sessão passou de 10% para 15%. No câmbio, o teto de valorização diária dos contratos futuros de dólar e minidólar subiu de 6% para 8,4%.

A bolsa também alargou as bandas dos contratos de DI, usados para negociar expectativas sobre a trajetória dos juros; no vencimento de 252 dias úteis, o limite superior passou de 90 para 132. A mudança altera apenas as faixas de negociação e não equivale a uma previsão da bolsa sobre a direção dos preços. Antes da abertura, o banco J.P. Morgan já considerava a possibilidade de quedas fortes no Ibovespa e de acionamento dos mecanismos de interrupção.

Esses limites são diferentes do circuit breaker do mercado de ações, que suspende os negócios por 30 minutos quando o Ibovespa cai 10%, prevê mais uma hora de pausa se a queda chegar a 15% e permite encerrar o pregão diante de um recuo de 20%. A B3, sediada em São Paulo e supervisionada pela Comissão de Valores Mobiliários, assumiu o formato atual em 2017, com a fusão da BM&FBovespa e da Cetip, e concentra a negociação de ações do país.


Focus reduz projeções de inflação, PIB e dólar com dados anteriores ao segundo turno

O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (26) mostrou redução nas projeções do mercado para a inflação, o crescimento e o dólar em 2026. A estimativa para o IPCA do ano caiu de 5,22% para 5,19%, a do PIB recuou de 1,83% para 1,80%, e a cotação esperada do dólar no fim do ano passou de R$ 5,13 para R$ 5,05, terceira queda semanal seguida dessa previsão.

As respostas foram coletadas até sexta-feira (23), antes da vitória de Lula e da disparada da moeda americana nesta segunda, e por isso não refletem a reação ao resultado eleitoral. A projeção para a Selic no fim de 2026 ficou em 13,25%, enquanto a de 2027 recuou de 12% para 11,75%. Para a inflação de 2027, a expectativa subiu de 4,32% para 4,34%, na segunda alta semanal consecutiva desse indicador.

A meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual, o que fixa o teto em 4,5%; a projeção para 2026 segue acima desse limite. Publicado às segundas-feiras, o Focus reúne a mediana das previsões de cerca de 120 bancos, gestoras, consultorias e outras instituições, e serve de subsídio para as decisões de política monetária tomadas pelo Banco Central ao longo do ano.

Neste tema