
O mercado tem um dia de ajustes depois do tombo que seguiu a reeleição de Lula, a Petrobras corta a intensidade de carbono do combustível de aviação feito na Reduc, Dario Durigan promete negociar o ajuste fiscal, o IBGE prepara o Censo Agropecuário de 2027 e os preços ao produtor aceleram em setembro.
Dólar cai mais de 1% e Ibovespa recua 0,51% no pregão seguinte ao tombo pós-eleição
Um dia depois da forte reação à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o mercado brasileiro teve uma sessão de ajustes nesta terça-feira (27). O dólar à vista caiu 1,07% e fechou a R$ 5,349, depois de ter subido mais de 8% na segunda-feira, a maior alta diária desde janeiro de 1999. O Ibovespa alternou ganhos e perdas, chegou a 178.526 pontos na máxima e terminou o dia em baixa de 0,51%, aos 175.710 pontos.
Pesaram sobre o índice as ações da Vale, que recuaram 2,14% com a queda do minério de ferro na China, e as preferenciais da Petrobras, que perderam 2,02% com o petróleo mais barato. Parte dos papéis que mais tinham caído recuperou terreno: Magazine Luiza subiu 8,49%, e as ações da B3 avançaram 2,19%. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo buscará o centro da meta fiscal, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a instituição pode atuar no câmbio se notar disfuncionalidades.
Na segunda-feira (26), o Ibovespa havia caído quase 14%, a maior queda diária desde 2020, e as empresas listadas perderam R$ 734 bilhões em valor de mercado, segundo levantamento da Elos Ayta. Operadores atribuíram parte do movimento ao desmonte de posições montadas na expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro (PL). Criado em janeiro de 1968, o índice havia batido sua máxima histórica em fevereiro de 2026 e agora está nos menores níveis desde agosto.
Petrobras reduz em 23,8% a intensidade de carbono do combustível de aviação feito na Reduc
O combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF, que a Petrobras produz com óleo de milho na Refinaria Duque de Caxias, a Reduc, no Rio de Janeiro, teve sua intensidade de carbono reduzida em 23,8%, informou a estatal. Segundo a empresa, o ganho veio de mudanças na gestão das fontes de hidrogênio usadas na produção, cuja intensidade de carbono caiu 29%. O resultado foi reconhecido por uma auditoria internacional feita na primeira quinzena de outubro.
A recertificação ocorreu no sistema ISCC CORSIA, que fixa critérios de sustentabilidade e rastreabilidade para combustíveis de aviação, e, de acordo com a empresa, põe o produto da Reduc entre os de menor intensidade de carbono do mercado. O diretor de Processos Industriais e Produtos, William França, afirmou que cortar emissões depende tanto das matérias-primas quanto do aperfeiçoamento das etapas industriais. A companhia também prepara a produção de SAF na Revap, em São José dos Campos, na Regap, em Betim, e na Replan, em Paulínia.
Inaugurada em 1961, a Reduc é a refinaria mais complexa do sistema Petrobras e responde por 80% da produção de lubrificantes do país. Foi a primeira a fabricar o combustível renovável para aviões, com entregas anunciadas em dezembro de 2025 a distribuidoras que abastecem o Aeroporto Internacional Tom Jobim. A fase obrigatória do CORSIA, programa internacional de redução de emissões da aviação, começa em 2027, mesmo ano em que a Lei do Combustível do Futuro passa a exigir o uso do SAF no Brasil.
Durigan diz que ajuste para cumprir a meta fiscal será negociado e tem medidas prontas
Em Brasília, nesta terça-feira (27), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo vai ouvir bancos, investidores e empresas antes de definir as medidas para cumprir a meta fiscal. Segundo ele, a equipe econômica já estuda várias propostas e algumas estão prontas, entre elas a busca pelo centro da meta e a ampliação da parcela do Orçamento que pode ser contingenciada, mudança que depende de aprovação do Congresso.
Durigan disse que procurou representantes do setor financeiro na segunda-feira (26) para tentar acalmar os investidores e atribuiu a queda da Bolsa a apostas na vitória de Flávio Bolsonaro (PL). As medidas só serão anunciadas com o aval de Lula, que antes quer definir a nova equipe econômica. O ministro chamou o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), de excelente nome para o time, mas ressaltou que a composição ainda não foi discutida; Fonteles disse que nunca cogitou assumir um ministério.
Durigan assumiu a Fazenda em março de 2026, depois de atuar desde junho de 2023 como secretário-executivo do ministério na gestão de Fernando Haddad, e participou da elaboração do arcabouço fiscal e da reforma tributária do consumo. A transição vai até a posse, marcada para 5 de janeiro, quando Lula e o vice Geraldo Alckmin iniciam o novo mandato. No mesmo dia das declarações, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, negou ser cotado para a Fazenda e disse que fica no cargo até o fim de 2028.
IBGE abre cadastro prévio de propriedades rurais para o Censo Agropecuário de 2027
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística lançou nesta terça-feira (27), em evento no Ministério da Agricultura e Pecuária, em Brasília, o Cadastro Prévio de Estabelecimentos Agropecuários, que vai preparar o 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola. Produtores rurais poderão atualizar os dados de suas unidades de outubro de 2026 a agosto de 2027, usando a conta de acesso aos serviços digitais do governo federal. Cooperativas, associações, sindicatos rurais e escritórios de contabilidade também poderão participar por meio de perfis institucionais.
O cadastro tem fim apenas estatístico e não substitui o Cadastro Ambiental Rural nem o certificado de imóvel rural. Antes da coleta nacional, um censo experimental será feito de 3 de novembro a 4 de dezembro de 2026 em Rio Claro, em São Paulo, Barra do Bugres, em Mato Grosso, e Cururupu e Mirinzal, no Maranhão, incluindo terras indígenas, uma reserva extrativista e um território quilombola. O levantamento deve alcançar cerca de 5 milhões de estabelecimentos e gerar perto de 35 mil vagas temporárias.
Pelo cronograma do instituto, o questionário pela internet ficará aberto de março a setembro de 2027, e a coleta presencial ocorrerá entre junho e outubro; os resultados preliminares estão previstos para dezembro de 2027. O primeiro censo agropecuário do país foi feito em 1920. O último, de 2017, identificou 5.073.324 estabelecimentos e 15,1 milhões de pessoas ocupadas, e a nova edição vai investigar também o uso de drones, máquinas de agricultura de precisão e plataformas digitais.
Preços ao produtor aceleram e sobem 1,54% em setembro, puxados por alimentos e petróleo
O Índice de Preços ao Produtor subiu 1,54% em setembro, depois de alta de 0,34% em agosto, informou o IBGE nesta terça-feira (27). O indicador mede os preços na porta da fábrica, sem impostos e fretes, nas indústrias extrativas e de transformação. Com o resultado, a inflação ao produtor acumula 5,04% no ano e 4,34% em 12 meses. Das 24 atividades pesquisadas, 16 tiveram aumento de preços no mês, ante 13 em agosto.
Os alimentos exerceram a maior influência, com alta de 2,40%, a quarta seguida, puxada por derivados de soja e açúcares; segundo o gerente da pesquisa, Murilo Alvim, a menor oferta ligada ao clima pressionou os preços. Óleos e gorduras subiram 6,22%, e o refino de açúcar, 6,55%. As indústrias extrativas tiveram a maior variação, de 11,04%, com o petróleo mais caro em meio às tensões no Oriente Médio, e o refino de petróleo e biocombustíveis avançou 4,88% após quatro meses de queda.
O IBGE revisou o dado de agosto, antes estimado em 0,36%, para 0,34%. Entre as grandes categorias, os bens intermediários tiveram a maior alta no mês, de 1,94%, e acumulam 5,92% no ano; os bens de consumo subiram 1,18%, e os bens de capital, 0,62%. Calculado pelo IBGE, o índice acompanha os preços recebidos pelos produtores e serve para observar tendências de inflação nas etapas iniciais da cadeia produtiva, antes que os aumentos cheguem ao consumidor final.