
O resumo econômico traz a terceira queda seguida do Ibovespa, com o dólar a R$ 5,34 e o Fed mantendo os juros, o recorde de produção da Petrobras no terceiro trimestre, a alíquota de 11,3% da CBS aprovada pelo TCU, a garantia da União para um crédito de R$ 7 bilhões aos Correios e a decisão da CVM no caso Pasadena.
Ibovespa cai 2,68% no terceiro pregão seguido de perdas e dólar fecha a R$ 5,34
O Ibovespa recuou 2,68% nesta quarta-feira (28) e fechou aos 171.006,10 pontos, no terceiro pregão consecutivo de baixa e no menor patamar desde 20 de agosto. Durante a sessão, o índice oscilou entre 170.162,48 e 175.711,22 pontos. Perto das 13h30, a moeda americana bateu R$ 5,399, mas depois perdeu força e terminou com recuo de 0,19%, a R$ 5,34. Analistas atribuíram o movimento às dúvidas sobre a política fiscal do novo mandato de Lula e à espera pela definição da equipe econômica.
As maiores perdas vieram dos bancos. O Santander informou queda de 28% no lucro trimestral na comparação anual, e as ações do BTG Pactual e do Bradesco caíram 6,52% e 6,67%. Nos juros futuros, a taxa do contrato para janeiro de 2035 subiu a 15,105%. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve a taxa básica entre 3,75% e 4% ao ano, por dez votos a dois. O presidente da instituição, Kevin Warsh, afirmou que a inflação americana continua alta demais.
Na segunda-feira (26), primeiro pregão após o segundo turno, investidores estrangeiros retiraram R$ 2,846 bilhões da bolsa, segundo a B3. Criado em 1968, o Ibovespa é o principal indicador do mercado de ações do país e acompanha uma carteira teórica com os papéis mais negociados, revista a cada quatro meses. O Fed, banco central dos Estados Unidos, havia elevado os juros em 0,25 ponto percentual no mês anterior, na primeira alta em três anos, e busca levar a inflação de volta à meta de 2%.
Petrobras bate recorde de produção de petróleo, gás e diesel no terceiro trimestre
A Petrobras produziu em média 3,51 milhões de barris de óleo equivalente por dia no terceiro trimestre de 2026, recorde histórico da companhia, conforme relatório divulgado nesta quarta-feira (28). O volume ficou 11,7% acima do registrado no mesmo período de 2025 e 5,3% acima do trimestre anterior. Somada a fatia de empresas parceiras, a produção operada alcançou 5,08 milhões de barris diários. A estatal atribuiu o resultado ao pré-sal, a novas plataformas no campo de Búzios e à melhor eficiência operacional em oito anos.
A produção de diesel também atingiu recorde trimestral, com 769 mil barris por dia, alta de 6,7%, enquanto as importações do combustível caíram 8,8%, para 110 mil barris diários. As refinarias trabalharam com 99% da capacidade. A empresa vem priorizando a produção nacional desde que o conflito entre Irã e Estados Unidos encareceu o petróleo. As exportações também bateram recorde, com média de 1,251 milhão de barris de petróleo e derivados por dia. O balanço financeiro do período está previsto para 10 de novembro.
No pré-sal, a produção própria da estatal chegou a 2,96 milhões de barris equivalentes por dia, ante 2,78 milhões no trimestre anterior. Os primeiros indícios dessa camada na Bacia de Santos surgiram em 2005, e a descoberta de Tupi, anunciada em 2007, mostrou o porte comercial das reservas. Na abertura de quarta-feira, a consultoria StoneX estimou que o diesel das refinarias da empresa estava R$ 3,76 por litro abaixo do custo de importar o combustível. A Petrobras afirma que usa outros parâmetros para definir seus preços.
TCU fixa em 11,3% a alíquota de referência da CBS para 2027
O Tribunal de Contas da União aprovou por unanimidade nesta quarta-feira (28) a alíquota de referência de 11,3% para a Contribuição sobre Bens e Serviços, tributo federal criado pela reforma tributária que passa a ser cobrado em 2027. O cálculo procura manter a arrecadação sobre o consumo na mesma proporção do PIB verificada entre 2012 e 2021. O resultado segue agora para o Senado, que vai deliberar sobre o percentual. O tribunal também fixou uma redução de 44,2% na cobrança sobre compras da administração pública direta.
O índice ficou acima das estimativas anteriores: em 2024, o Ministério da Fazenda projetava 8,8% para a CBS, e em julho de 2026 o comitê gestor do IBS calculou 9,21%. O relator, ministro Vital do Rêgo, disse que o objetivo foi assegurar a equivalência exigida pela Constituição, sem buscar a maior arrecadação possível. A Fazenda afirmou que a alíquota efetiva média ficará abaixo de 8,5%, porque a cesta básica e diversos remédios terão alíquota zero e os serviços de saúde e educação terão redução de 60%.
Prevista na Emenda Constitucional 132, promulgada em dezembro de 2023, a CBS substitui o PIS e a Cofins, que deixam de existir em 2027, quando o IPI passa a ter isenção, exceto para produtos industrializados na Zona Franca de Manaus. Em 2026, o novo tributo está em fase de teste, sem recolhimento efetivo, com destaque de 0,9% nas notas fiscais. O Imposto sobre Bens e Serviços, de estados e municípios, substituirá aos poucos o ICMS e o ISS até 2033. As empresas poderão descontar o imposto pago nas etapas anteriores da cadeia.
Fazenda autoriza garantia da União para empréstimo de R$ 7 bilhões aos Correios
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, autorizou a garantia da União para um financiamento de R$ 7 bilhões aos Correios, em despacho assinado na terça-feira (27) e publicado nesta quarta-feira (28) no Diário Oficial da União. O crédito será concedido por um consórcio formado por Banco ABC Brasil, Citibank, Deutsche Bank e J.P. Morgan e vai financiar o Plano de Reestruturação dos Correios 2025-2027. A decisão foi tomada após pareceres do Tesouro Nacional e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
A autorização não significa que o dinheiro já esteja disponível: os contratos de financiamento, garantia e contragarantia ainda precisam ser assinados, e a procuradoria deve conferir exigências legais antes disso. O despacho não informa juros, prazos nem cronograma de liberação. A estimativa é de que o empréstimo tenha prazo de até 15 anos, carência de três anos e custo equivalente a 114% do CDI. O plano de recuperação da estatal prevê até R$ 20 bilhões em empréstimos, além da venda de ativos e de programas de desligamento voluntário.
A empresa fechou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e perdeu mais de R$ 5,5 bilhões no primeiro semestre de 2026, depois de um resultado negativo de R$ 6,73 bilhões em 2024. Em dezembro de 2025, os Correios já haviam contratado R$ 12 bilhões com garantia federal para reforçar o caixa e pagar salários e fornecedores. Criada em 1663 como Correio-Mor, no Rio de Janeiro, a empresa é a mais antiga em atividade no país e assumiu o formato atual de empresa pública em 1969.
CVM condena Cerveró e absolve Dilma no caso da refinaria de Pasadena
A Comissão de Valores Mobiliários condenou na terça-feira (27) o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró por fraude na compra da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006. Ele terá de pagar multa de R$ 16 milhões e ficará impedido por 15 anos de exercer cargo de administrador em companhia aberta. Para a autarquia, Cerveró violou o dever de lealdade e agiu com desvio de poder ao propor um negócio que o favorecia e ao esconder informações relevantes da diretoria e do conselho.
Outros dez ex-diretores e ex-conselheiros foram absolvidos, entre eles a ex-presidente Dilma Rousseff, então ministra de Minas e Energia, o ex-ministro Antônio Palocci e o ex-presidente da estatal Sérgio Gabrielli. O colegiado concluiu que eles não tinham meios de perceber a fraude, e o presidente da CVM, Otto Lobo, afirmou que um esquema desse tipo é montado justamente para ficar oculto. A defesa de Cerveró alegou prescrição e disse que o acordo de colaboração impedia novas punições, mas os argumentos foram rejeitados.
A Petrobras pagou US$ 360 milhões por metade da refinaria, quase oito vezes os US$ 42 milhões que a Astra havia desembolsado pela unidade inteira um ano antes. Uma disputa judicial obrigou a estatal a gastar mais de US$ 800 milhões adicionais para ficar com todas as ações, e a refinaria foi vendida à Chevron em 2019. Cerveró e o ex-diretor Paulo Roberto Costa, que morreu em 2022, confessaram na Operação Lava Jato ter recebido propina para aprovar a compra.