POLÍTICA: Resumo em 18 Out 2026

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Ilustração do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

A uma semana do segundo turno, uma nova pesquisa registra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro. O governo federal amplia a resposta aos incêndios no Amazonas, o Congresso promulga a aposentadoria especial de agentes de saúde, mensagens de Daniel Vorcaro citam o ministro Nunes Marques e um advogado ligado a Donald Trump defende o impeachment de Alexandre de Moraes.

Levantamento do Vox Brasil mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados tecnicamente a uma semana do segundo turno

O Instituto Vox Brasil Opinião e Pesquisas divulgou neste domingo (18) um levantamento sobre o segundo turno da eleição presidencial, marcado para o dia 25, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) soma 51% dos votos válidos e o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 49%. Como a margem de erro informada pelo instituto é de 2,15 pontos percentuais, para mais ou para menos, os dois candidatos estão em situação de empate técnico. Considerados os votos totais, o petista tem 46,4% e o senador, 44,6%; outros 5% declararam voto em branco, nulo ou em nenhum dos dois, e 3,9% não souberam responder. Em relação à rodada anterior do mesmo instituto, Lula subiu de 44,2% para 46,4%, e Flávio passou de 42,7% para 44,6%. Na versão espontânea, sem lista de nomes apresentada ao eleitor, o placar de votos válidos ficou em 50,6% a 49,4% a favor do presidente.

Os dados regionais indicam vantagem de Lula no Nordeste e no Norte, enquanto Flávio Bolsonaro lidera no Sul, no Centro-Oeste e no Sudeste, onde estão os maiores colégios eleitorais do país e onde o senador marca 49,4%, ante 43,4% do presidente. A rejeição dos dois é idêntica: 45,3% dos entrevistados dizem que não votariam de forma alguma em cada um deles. O instituto também perguntou quem os eleitores acham que vai vencer, e 46,9% apontaram Lula, contra 41,6% que esperam a vitória do senador, um indicador de expectativa e não de intenção de voto. O resultado difere de outra pesquisa divulgada na quinta-feira (15), que mostrava Flávio com 51% e Lula com 49%, também dentro da margem de erro. Foram ouvidas 2.100 pessoas, em entrevistas presenciais feitas de 15 a 17 de outubro, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi pago pelo próprio instituto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04332/2026.

A disputa presidencial deste ano começou em 4 de outubro com doze candidaturas, entre elas as de Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, e foi para o segundo turno porque nenhum candidato alcançou a maioria dos votos válidos na primeira rodada. Quem vencer no dia 25 terá quatro anos de governo, com posse prevista para 5 de janeiro de 2027, segundo as regras eleitorais em vigor. Lula busca um quarto mandato depois de ter vencido a eleição de 2022 pela menor diferença já registrada no país, 1,8 ponto percentual, ou pouco mais de 2,1 milhões de votos, sobre Jair Bolsonaro, pai do atual adversário. Aquela vitória fez de Lula o primeiro presidente brasileiro eleito para um terceiro mandato. Após a derrota, Jair Bolsonaro foi condenado pela tentativa de reverter o resultado e impedir a posse do sucessor, e o filho, senador pelo Rio de Janeiro, é neste ano o candidato do PL ao Planalto.


União reforça combate aos incêndios no Amazonas com aviões, tropas e R$ 14 milhões

O governo federal anunciou no sábado (17) um pacote de medidas para enfrentar os incêndios florestais que atingem o Amazonas e encobrem Manaus de fumaça. A frota aérea à disposição das operações no estado vai passar de 11 para 16 aeronaves, entre elas um segundo cargueiro KC-390, capaz de despejar até 19 mil litros de água por voo, que se juntará a outro avião do mesmo modelo, com capacidade de 12 mil litros, já em uso. Helicópteros também serão enviados para lançar água, levar equipes e dar apoio logístico em áreas de acesso difícil. A Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e as Forças Armadas vão ceder efetivos, em número ainda não definido, e a PRF deve patrulhar estradas secundárias e acompanhar as ações do Ibama. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, desde 9 de outubro as aeronaves somaram 260 horas no ar e lançaram por volta de 600 mil litros de água, e o Ibama contabiliza 317 focos extintos nesta temporada.

No campo financeiro, a Defesa Civil Nacional empenhou R$ 14 milhões para apoio logístico, equipamentos de proteção e combate ao fogo e a contratação de duas aeronaves adicionais. Uma portaria publicada no Diário Oficial da União fixa prazo de 180 dias para a execução das ações e de 30 dias, após o fim desse período, para a prestação de contas, mas não especifica como o dinheiro será aplicado. O Ministério da Saúde vai abrir na terça-feira (20) uma base da Força Nacional do SUS em Manaus, a quarta do tipo no ano, embora afirme não ter identificado sobrecarga na rede de atendimento. Neste domingo (18), os ministros João Paulo Capobianco, do Meio Ambiente, Wellington César Lima e Silva, da Justiça, José Múcio Monteiro, da Defesa, e Waldez Góes, da Integração, devem chegar à capital para coordenar os trabalhos. No sábado, a plataforma IQAir apontou Manaus com o pior ar entre as capitais, e a Defesa Civil estadual emitiu alerta de risco severo e recomendou o uso de máscaras ao sair de casa.

Os incêndios florestais vêm se repetindo em larga escala no país nos últimos anos. Em 2024, segundo dados de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o fogo consumiu mais de 29,7 milhões de hectares entre janeiro e novembro, sobretudo no Pantanal, no Cerrado e na Amazônia, uma área queimada 90% maior que a do mesmo período de 2023. Cientistas observaram naquele ano que a temporada de queimadas começou antes do habitual, que costuma se iniciar por volta de julho, e foi mais intensa por causa da redução das chuvas e da seca prolongada em várias regiões. Só no primeiro semestre de 2024, a Amazônia registrou ao menos 13.489 focos, o maior número para o período em duas décadas e uma alta de 61% em relação ao ano anterior. Em agosto daquele ano, uma série coordenada de incêndios criminosos chamou a atenção dentro e fora do país. Agora, diante de relatos de queimadas provocadas de forma deliberada no Amazonas, o governo federal afirma que vai intensificar as investigações para identificar os responsáveis.


Emenda promulgada pelo Congresso cria aposentadoria especial para agentes de saúde e de endemias

Em sessão solene na sexta-feira (16), deputados e senadores promulgaram a Emenda Constitucional 140/26, texto que estabelece regras próprias de aposentadoria para os agentes comunitários de saúde e os agentes de combate às endemias. A partir de agora, essas duas categorias poderão se aposentar aos 57 anos, no caso das mulheres, e aos 60 anos, no caso dos homens, desde que tenham 25 anos de contribuição e de exercício da atividade. Até a promulgação, valia para elas a regra geral fixada pela reforma da Previdência, pela qual mulheres só se aposentam aos 62 anos e homens, aos 65. A mudança alcança tanto os servidores ligados a regimes próprios de previdência quanto os trabalhadores do regime geral administrado pelo INSS. O texto teve origem na Proposta de Emenda à Constituição 14/21, que passou pela Câmara dos Deputados em 2025 e foi aprovada pelo Senado neste ano. Na mesma sessão solene, os parlamentares promulgaram a emenda 141/26, que põe fim à escala de trabalho 6×1.

A emenda prevê regras de transição para quem já atuava como agente até a data da promulgação. Uma delas mantém a exigência de 25 anos de contribuição e de atividade, com idades mínimas que começam em 50 anos para mulheres e 52 para homens até o fim de 2030 e sobem gradualmente até chegar a 57 e 60 anos a partir de 2041. Outra opção soma idade e tempo de contribuição, com idade mínima de 60 anos para mulheres e 63 para homens, 15 anos de contribuição, dez deles como agente, e pontuação de 83 e 86, respectivamente. Os ministérios da Fazenda e do Planejamento estimam impacto de R$ 3 bilhões por ano no Orçamento federal, e a União deverá compensar estados e municípios pelo aumento de gastos. Na cerimônia, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse que os agentes levam o Estado a lugares sem atendimento; o presidente da Câmara, Hugo Motta, lembrou o trabalho contra a dengue; e o presidente Lula classificou a medida como justa e necessária.

Os agentes comunitários de saúde integram hoje a estratégia de Saúde da Família e trabalham sob supervisão de enfermeiros lotados em unidades básicas de saúde. A primeira experiência ampla e estruturada com esses profissionais ocorreu no Ceará em 1987, com dois objetivos: abrir vagas de trabalho para mulheres em áreas atingidas pela seca e ajudar a reduzir a mortalidade infantil, com prioridade para ações voltadas à saúde da mulher e da criança. O modelo se espalhou rapidamente por quase todos os municípios cearenses em três anos e foi adotado pelo Ministério da Saúde em formato semelhante em 1991. A função tem raízes mais antigas nos visitadores sanitários e inspetores de saneamento que, no início do século XX, participaram das campanhas de saúde pública responsáveis por controlar a peste bubônica e erradicar a febre amarela. Mais tarde, a antiga Superintendência de Campanhas de Saúde Pública empregou técnicos semelhantes no controle de endemias rurais e urbanas, atividade que hoje cabe aos agentes de combate às endemias.


Mensagens no celular de Vorcaro citam convite de desembargador para encontro com Nunes Marques

Diálogos extraídos pela Polícia Federal do telefone de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, indicam que Newton Ramos, desembargador do TRF da 1ª Região, convidou o então banqueiro para tomar vinho com o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Segundo o material, o magistrado também repassou a Vorcaro os contatos do ministro e do filho dele, o advogado Kevin Marques. Em uma conversa de 6 de novembro de 2024, os dois combinaram um encontro com um “amigo”, e o desembargador enviou o endereço de uma casa em Brasília que pertence ao ministro, mas as mensagens não permitem saber se a reunião chegou a acontecer. No dia do convite para o vinho, Vorcaro avisou que estava indo a Londres, período que coincide com um evento promovido pelo banco na capital britânica com autoridades brasileiras dos três Poderes.

A Polícia Federal não localizou mensagens trocadas diretamente entre Vorcaro e Nunes Marques, mas registrou que a conversa entre os dois estava programada para apagar o conteúdo a cada sete dias; no caso de Kevin Marques, o apagamento automático ocorria a cada 24 horas, o que impediu os investigadores de confirmar se houve diálogo. Os dados mostram que o banqueiro salvou o número do filho do ministro no mesmo dia em que recebeu o contato do desembargador. Entre março de 2024 e abril de 2025, Newton Ramos e Vorcaro trataram de pelo menos cinco encontros com o “amigo” em Brasília, enquanto o magistrado pedia favores ao banqueiro, de acordo com o relatório. Em uma das conversas, de outubro de 2024, o desembargador afirmou que o amigo havia pedido que ninguém mais fosse chamado. Em nota, Nunes Marques declarou que Vorcaro nunca esteve em sua casa e que jamais trocou mensagens com ele nem lhe pediu qualquer coisa. Os demais citados não informaram quem seria o “amigo”.

O caso faz parte das investigações sobre o Banco Master, apontado como a maior fraude bancária da história do país e marcado por suspeitas de envolvimento de políticos, servidores do Banco Central e integrantes do Judiciário. O banco oferecia títulos com promessa de rendimentos elevados sem manter os recursos exigidos como garantia, num funcionamento que, na prática, se assemelhava a uma pirâmide financeira, em que o dinheiro de novos clientes cobria o rombo deixado pelos anteriores, segundo as apurações. O assunto ganhou dimensão nacional no fim de 2025, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição e Vorcaro foi preso, em novembro. Irregularidades vinham sendo apontadas desde 2017, quando o então presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, negou autorização de funcionamento ao banco, que só começou a operar com o novo nome em 2019. Instituições ligadas a governos estaduais, como o Banco de Brasília, investiram somas elevadas na instituição.


Advogado da Trump Media e do Rumble defende impeachment de Moraes após voto sobre Oswaldo Eustáquio

Martin De Luca, advogado da plataforma de vídeos Rumble e da Trump Media, pediu na sexta-feira (16) que o Senado abra um processo de impeachment de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal. A manifestação foi feita em uma publicação na rede social X, depois que o ministro votou pelo recebimento da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o blogueiro Oswaldo Eustáquio, acusado por publicações e atos relacionados a supostos ataques à democracia. De Luca questionou quem vai examinar a conduta do próprio Moraes nos processos sobre o 8 de Janeiro e afirmou que o tema deveria estar no centro de eventuais procedimentos de impeachment em 2027. O advogado criticou penas de 14 e 17 anos de prisão e prisões preventivas sem prazo definido, e citou o caso de Cleriston Pereira da Cunha, que morreu na cadeia antes de ser julgado, segundo ele, 80 dias depois de o Ministério Público defender sua soltura.

Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão, sofreu um infarto e morreu em novembro de 2023 no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde estava detido por acusações ligadas à invasão da Praça dos Três Poderes. Na publicação, De Luca disse que o novo Senado, cujos ocupantes de 54 das 81 cadeiras foram escolhidos no dia 4, deveria apurar se os réus foram punidos com base em provas individuais, se as penas foram proporcionais e se as prisões respeitaram o devido processo legal. Para o advogado, há elementos para investigar abuso judicial e perseguição política, e o impeachment é o instrumento previsto na Constituição para responsabilizar um ministro da corte suprema por má conduta. Ele acrescentou que Moraes também tem direito ao devido processo. O Rumble e a Trump Media processam o ministro na Justiça dos Estados Unidos desde o ano passado e alegam que decisões dele sobre a plataforma de vídeos violam a legislação norte-americana. A Trump Media participa da ação porque o Rumble presta serviços de nuvem à rede Truth Social.

Os processos citados pelo advogado tratam dos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando cerca de quatro mil manifestantes que pediam um golpe militar contra o governo recém-empossado de Lula deixaram o acampamento em frente ao Quartel-General do Exército, marcharam até a Praça dos Três Poderes e romperam a barreira de segurança da Polícia Militar do Distrito Federal. Parte do grupo invadiu e depredou o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o prédio do Supremo Tribunal Federal, que mais tarde classificou os atos como terrorismo. Cerca de 400 pessoas foram detidas no próprio dia e outras 1,2 mil no acampamento na manhã seguinte; até março daquele ano, 2.182 pessoas haviam sido presas por participação ou envolvimento nos ataques. Lula decretou intervenção federal na segurança do Distrito Federal até o fim de janeiro, e o então secretário de Segurança Pública, Anderson Torres, foi exonerado. Moraes é o relator dos inquéritos e das ações penais sobre aqueles atos no Supremo.

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