POLÍTICA: Resumo em 3 Nov 2026

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Ilustração da Esplanada dos Ministérios em Brasília
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

O presidente do Supremo deve rejeitar o pedido de Flávio Bolsonaro para afastar Alexandre de Moraes de uma investigação, enquanto o senador faz sua primeira aparição pública nos Estados Unidos. O resumo traz ainda a viagem de André Janones à Argentina, a disputa sobre o voto distrital misto na Câmara e o artigo de José Sérgio Gabrielli sobre juros.

Fachin deve rejeitar pedido de Flávio Bolsonaro para tirar Moraes de investigação

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, deve rejeitar os pedidos apresentados pela defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para tirar o ministro Alexandre de Moraes da investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro que envolve o parlamentar e o advogado Willer Tomaz. Integrantes do tribunal avaliam que há precedentes favoráveis à permanência de Moraes na relatoria e que os argumentos dos advogados não bastam para justificar a troca nem o envio do inquérito ao ministro André Mendonça.

A defesa protocolou três petições na sexta-feira. Duas, dirigidas a Fachin, pedem a mudança de relator e o reconhecimento de impedimento ou suspeição de Moraes; a terceira, enviada ao próprio relator, busca derrubar as medidas cautelares, como a entrega dos passaportes e a proibição de contato com Tomaz. Os advogados alegam ligação com a Operação Sem Desconto, sobre fraudes no INSS, conduzida por Mendonça, e apontam vínculos entre a empresa dona de um avião usado pelo ministro e o escritório de sua esposa.

O Supremo costuma recusar pedidos desse tipo. Em outubro, Fachin negou a tentativa da mesma defesa de declarar o ministro Flávio Dino suspeito; em março de 2025, o plenário manteve Moraes, Dino e Cristiano Zanin no julgamento da trama golpista; e em fevereiro de 2024 o então presidente da corte, Luís Roberto Barroso, rejeitou de uma só vez 192 pedidos contra Moraes ligados ao 8 de janeiro. Fachin, nascido em Passo Fundo, chegou ao tribunal em 2015 e hoje também comanda o Conselho Nacional de Justiça.


Flávio Bolsonaro vai a culto na Flórida em sua primeira aparição pública fora do país

O senador Flávio Bolsonaro (PL) fez sua primeira aparição pública desde que deixou o Brasil ao participar de um culto evangélico na Flórida, ao lado da mulher, Fernanda, do irmão Eduardo Bolsonaro e da cunhada, Heloísa. A igreja integra o Ministério Celeiro, fundado no Brasil pelo pastor André Fernandes. Durante a celebração, o pastor José Maurício Fernandes dirigiu-se ao senador e falou sobre derrota sem citar a eleição, ao dizer que quem está com Jesus não perde.

Em publicação nas redes sociais, Flávio afirmou não se arrepender de nada e disse ter saído do país pelo Brasil. Segundo ele, uma decisão judicial com medidas cautelares saiu sete minutos após o anúncio do resultado da eleição, e a intimação chegou doze horas depois, quando deixava a casa do pai. O senador, investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, viajou depois que o ministro Alexandre de Moraes mandou recolher seus passaportes; ele não foi alvo de busca e apreensão.

O culto ocorre enquanto líderes de grandes igrejas evangélicas se afastam do grupo do senador. Depois da derrota e da carta em que Flávio se declarou presidente eleito, o bispo Edir Macedo, da Universal, disse discordar do lema Deus, pátria e família, e o bispo Abner Ferreira, da Assembleia de Deus de Madureira, reconheceu a vitória de Lula. Metade dos 12 deputados federais da Universal não conseguiu se reeleger. Eduardo Bolsonaro, que acompanhou o irmão, foi deputado federal por São Paulo.


Janones se reúne com Cristina Kirchner e Sergio Massa em Buenos Aires

O deputado federal André Janones (Rede), um dos nomes de destaque da campanha que reelegeu o presidente Lula, encontrou-se nesta segunda-feira (2), em Buenos Aires, com a ex-presidente Cristina Kirchner e com o ex-ministro da Economia Sergio Massa. Ao deixar o prédio onde Cristina cumpre prisão domiciliar, ele afirmou que o objetivo é derrotar a extrema direita no mundo e contou que a conversa durou quase duas horas, com interesse dela pela estratégia digital da campanha brasileira.

Janones disse que vencer o presidente Javier Milei na eleição argentina do próximo ano teria significado parecido com o resultado brasileiro e mostraria que a vitória de Lula não foi um caso isolado. Antes, ele passou cerca de uma hora com Massa para compartilhar técnicas de campanha. O deputado gravou um vídeo em espanhol para um canal de WhatsApp chamado Exército do Peronismo, criado nos moldes do Exército do Lula, e deve ficar na capital argentina ao menos até terça-feira (3).

Cristina governou a Argentina de 2007 a 2015 e está impedida de disputar cargos públicos pelo resto da vida por causa da condenação por corrupção, mas disse que pode voltar a concorrer quando recuperar os direitos políticos. Massa perdeu o segundo turno de 2023 para Milei, que obteve 55,7% dos votos. Janones, deputado por Minas Gerais desde 2019, montou na campanha de 2026 o grupo Exército do Lula, um canal de WhatsApp com cerca de 10 milhões de seguidores.


Motta aposta em divisões no PT e no PL para aprovar o voto distrital misto

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tenta aprovar o voto distrital misto contando com divergências internas nas bancadas do PT e do PL, que se declaram contrárias à mudança. Pelo modelo, cada estado seria dividido em distritos e o eleitor votaria duas vezes: uma no candidato do distrito, onde vence o mais votado, e outra no partido. Defensores dizem que a regra reduz o peso dos chamados puxadores, deputados com votação alta que ajudam a eleger colegas da mesma sigla.

No PL, o líder Sóstenes Cavalcante rejeita a proposta, e a deputada Julia Zanatta acusou dirigentes partidários de tentar fortalecer um tipo de coronelismo. Altineu Côrtes disse que o partido vai avaliar o tema com cautela. No PT, Rogério Correia afirmou que a mudança encareceria as campanhas, e Glauber Braga, do PSOL, disse que o sistema dilui o voto ideológico. A proposta tem apoio de líderes de União Brasil, PP, PSD, Solidariedade, PSDB e PSB, e aliados de Motta acenam com lista fechada no segundo voto.

No sistema proporcional atual, as cadeiras são distribuídas pela soma dos votos de todos os candidatos de cada partido. A Câmara tentou mudar as regras três vezes desde a década passada. Em 2015, sob Eduardo Cunha, a adoção do distritão não avançou; em 2017, na gestão de Rodrigo Maia, faltou maioria para a transição; e em 2021, com Arthur Lira, uma proposta de emenda parecida com a atual foi derrotada, com votos contrários de PT, PDT, PSOL e PCdoB.


Coordenador do programa de Lula defende queda dos juros sem austeridade

José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo da campanha de reeleição do presidente Lula, publicou nesta segunda-feira (2) um artigo em que defende reduzir a taxa de juros com um ajuste gradual de despesas e receitas, sem o que chamou de austeridade contra o próprio eleitor. No texto, ele sustenta que não houve nas últimas décadas correlação forte entre o resultado primário e a curva de juros, e que ampliar o superávit não seria o caminho para baixar a taxa.

Gabrielli diz não ver motivo para pânico com a solvência do país e cita a dívida líquida, de 69,3% do PIB, além de afirmar que 90% da dívida está em moeda nacional. Para ele, os juros altos são os principais responsáveis pelo aumento do endividamento. O artigo propõe cortar gastos sem reduzir o salário mínimo real, o Bolsa Família, o BPC ou os pisos de saúde e educação, e prioriza rever benefícios tributários e recuperar créditos de grandes contribuintes.

O texto apoia a ideia do economista André Lara Resende de criar um conselho com metas conjuntas de política fiscal e monetária para quatro a cinco anos, com a Selic levada a cerca de 7,5% ao ano. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse no domingo que o governo não discute tabelar os juros. A dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em setembro. Gabrielli, economista nascido em Salvador, presidiu a Petrobras de 2005 a 2012.

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