POLÍTICA: Resumo em 19 Out 2026

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Ilustração do Palácio do Planalto e do Congresso Nacional em Brasília
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

O primeiro debate do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro provocou a reação da empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal. Mensagens de um advogado a Daniel Vorcaro mencionam apoio do PT ao banqueiro, a Amazônia ganha espaço na disputa e apoiadores do senador fazem ato na Avenida Paulista.

Roberta Luchsinger contesta Lula em vídeo após o debate presidencial

A empresária Roberta Luchsinger publicou no domingo (18) um vídeo nas redes sociais para rebater o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, no primeiro debate do segundo turno, a acusou de contar mentiras. Na gravação, ela negou a acusação e disse que o presidente e ministros distorcem a proximidade que mantinham com ela e com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A lobista afirmou responder a três inquéritos na Polícia Federal, ter sido alvo de busca e apreensão e colaborar com a Justiça.

O assunto chegou ao debate por iniciativa do senador Flávio Bolsonaro (PL), que questionou o adversário sobre a empresária. Lula respondeu que não a conhece pessoalmente, que o caso cabe à Polícia Federal e que o filho vai depor. No sábado (17), em entrevista a uma emissora de televisão, Luchsinger disse que pretende fechar acordo de delação premiada. Deputados de oposição pediram à Procuradoria-Geral da República que ela entre no programa de proteção a testemunhas. A Presidência afirmou que Lula nunca falou com ela, e a defesa de Lulinha negou irregularidades.

Luchsinger é investigada no âmbito da Operação Sem Desconto, lançada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União em abril de 2025 para apurar descontos não autorizados em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS. O prejuízo estimado chega a 6,3 bilhões de reais, em período que abrange os governos de Jair Bolsonaro e de Lula. Em março de 2026, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu a quebra dos sigilos bancário e fiscal da empresária, e o relatório final da CPMI do INSS pediu o indiciamento de Lulinha.


Primeiro debate do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro é marcado por ataques pessoais

Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentaram na noite de domingo (18), em São Paulo, no primeiro debate televisionado do segundo turno da eleição presidencial. Horas antes, o presidente disse esperar um encontro civilizado e voltado para as propostas, porque, segundo ele, a população se cansou de provocações e ofensas. Lula também afirmou que a política brasileira empobreceu e lembrou ter enfrentado, em campanhas passadas, nomes como Ulysses Guimarães e Mário Covas, o que, na avaliação dele, lhe dá mais experiência nesse tipo de confronto.

No programa, os dois candidatos gastaram mais tempo com críticas mútuas do que com planos de governo, na avaliação de analistas políticos. Irritado com respostas indiretas do senador, Lula chamou o adversário de “malandro carioca”. Para esses analistas, nenhum dos dois obteve vantagem clara, e o resultado sem vencedor tende a favorecer Flávio, que aparece à frente em parte das pesquisas. O senador, de 45 anos, manteve postura contida, enquanto Lula, que completa 81 anos em 27 de outubro, elevou o tom de voz em alguns momentos.

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu cerca de 56,1 milhões de votos, ou 47,03% dos válidos, e Lula somou 53,9 milhões, com 45,16%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Como nenhum candidato alcançou a maioria absoluta, a escolha ficou para o segundo turno, marcado para o domingo, 25 de outubro. A propaganda eleitoral gratuita dessa etapa vai ao ar no rádio e na televisão até o dia 23. Quem vencer governará o país por quatro anos a partir de janeiro de 2027.


Mensagens de advogado a Vorcaro citam apoio de Lula e do PT na negociação do Master com o BRB

Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, mostram o advogado Walfrido Warde dizendo ao banqueiro que ele contava com o apoio do presidente Lula e de integrantes do PT nos esforços para salvar o banco. Em um áudio de março de 2025, gravado depois do anúncio de que o Banco de Brasília (BRB) compraria 58% do Master, Warde afirmou que uma reportagem tentava minar a sustentação política de Vorcaro no partido e no Palácio do Planalto.

Entre abril de 2023 e julho de 2025, o advogado teria mandado ao menos 20 mensagens ao banqueiro com menções ao presidente, a possíveis reuniões e a conversas com auxiliares do governo. Em outro diálogo, Vorcaro sugeriu que um eventual gesto de apoio passasse por “Edinho”, referência interpretada como Edinho Silva, presidente do PT, para não expor Lula. As mensagens não comprovam que o presidente tenha agido no caso. A Secretaria de Comunicação Social disse que Lula desconhecia a articulação e esteve com Vorcaro uma única vez, em dezembro de 2024.

A compra de parte do Master pelo BRB dependia de aval do Banco Central, que rejeitou a operação em setembro de 2025. Em 18 de novembro daquele ano, a autoridade monetária decretou a liquidação extrajudicial do banco, alegando grave crise de liquidez e violações às normas do sistema financeiro, e Vorcaro foi preso na Operação Compliance Zero, que apura lavagem de dinheiro. A liquidação ocorreu em meio a suspeitas de uma fraude estimada em 12 bilhões de reais. Em janeiro de 2026, o Will Bank, do mesmo grupo, também foi liquidado.


Futuro da Amazônia entra no centro da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro

A preservação da Amazônia ganhou peso na reta final da eleição presidencial, a uma semana do segundo turno. O senador Flávio Bolsonaro (PL) propõe abrir áreas protegidas à mineração e à agropecuária, construir rodovias e ferrovias e ampliar a exploração de petróleo na região, além de simplificar licenças ambientais para mineradores e pecuaristas. Ele promete acabar com o desmatamento ilegal até 2029, sem detalhar como, e tem apresentado a política ambiental do governo do pai, Jair Bolsonaro, como referência.

Como senador, Flávio foi coautor de um projeto, que não avançou, para eliminar o limite que hoje permite derrubar até 20% da vegetação nativa das propriedades na Amazônia. O climatologista Carlos Nobre afirma que só o desmatamento zero, incluindo o permitido por lei, evita uma forte queda das chuvas na América do Sul. O pesquisador Robert Muggah, do Instituto Igarapé, aponta redes de garimpo ilegal, madeireiros e contrabandistas na floresta. Lula promete zerar o desmatamento até 2030, e em seu governo a perda florestal caiu ao menor nível já registrado.

O desmatamento na Amazônia é acompanhado por satélite pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que consolida os números anuais no sistema Prodes e emite alertas quase em tempo real pelo Deter. Em 2019, primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro, a devastação voltou a subir, e Alemanha e Noruega suspenderam repasses ao Fundo Amazônia. Em 2023, um decreto do governo Lula passou a listar municípios prioritários para ações contra o desmatamento e as queimadas, dentro das metas climáticas assumidas pelo país no Acordo de Paris.


Apoiadores de Flávio Bolsonaro lotam a Avenida Paulista a uma semana do segundo turno

Milhares de apoiadores do senador Flávio Bolsonaro ocuparam a Avenida Paulista, em São Paulo, na manhã de domingo (18), em um ato de campanha a uma semana do segundo turno. Os manifestantes levavam bandeiras do Brasil, de Israel e dos Estados Unidos e cartazes contra Lula e contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Do carro de som, organizadores puxavam gritos de “PT nunca mais” e pedidos de anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena em prisão domiciliar desde março.

O candidato chegou por volta das 11h30 e percorreu a avenida em um trio elétrico ao lado do governador Tarcísio de Freitas e do prefeito Ricardo Nunes. O deputado Nikolas Ferreira disse que o senador, se eleito, indicará cinco ministros ao Supremo: o próximo presidente poderá preencher quatro vagas, e haveria mais uma se Moraes deixasse a corte. Flávio já prometeu conceder indulto ao pai e defende anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023. Participantes ouvidos durante o ato pediram a prisão do ministro.

Em 8 de janeiro de 2023, apoiadores de Jair Bolsonaro invadiram e depredaram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, em Brasília. O ex-presidente foi depois condenado a mais de 27 anos de prisão no processo sobre a tentativa de golpe de Estado, que teve Moraes como relator. O Congresso aprovou mais tarde o chamado PL da Dosimetria, que permite reduzir penas de crimes cometidos em contexto de multidão e abre caminho para diminuir as punições de condenados por essa trama, entre eles o próprio Bolsonaro.

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