POLÍTICA: Resumo em 27 Out 2026

Por · Publicado em

Ilustração do Senado, de leis e de um processo de impeachment
Imagem ilustrativa gerada por IA; não representa uma fotografia do fato.

A oposição prepara uma ofensiva contra ministros do Supremo, Flávio Bolsonaro troca o pedido de anulação da eleição por ações de cassação, Donald Trump põe em dúvida a votação brasileira, Alexandre de Moraes cancela os passaportes do senador e Lula acena com apoio à recondução dos presidentes da Câmara e do Senado.

Oposição quer usar a força no Senado para levar adiante o impeachment de ministros do STF

Com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o quarto mandato, parlamentares da oposição pretendem fazer do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal a principal bandeira da próxima legislatura, tendo Alexandre de Moraes como primeiro alvo. Sem a Presidência da República, o PL aposta na bancada que conquistou no Senado, a maior da Casa, e quer eleger o presidente do Senado, a quem cabe dar andamento aos pedidos contra integrantes da corte. A senadora eleita Bia Kicis (PL-DF) disse que recuar seria trair o eleitor.

As estimativas de apoio ao afastamento de ministros variam de 48 a 54 senadores, mas o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem dito a interlocutores que conta com pelo menos 48 votos para se reeleger e que seguirá sem pautar esses pedidos. O PL deve lançar Rogério Marinho (RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, na disputa pelo comando da Casa. Se algum ministro for afastado, caberá a Lula indicar o substituto, cuja aprovação depende do voto de ao menos 41 senadores.

Em dezembro de 2025, o ministro Gilmar Mendes decidiu, em liminar individual, que as etapas iniciais de um impeachment contra integrantes do Supremo exigem 54 votos no Senado, e não maioria simples; Edson Fachin sinalizou que pretende levar a decisão ao plenário ainda em 2026. Moraes, criticado pela oposição por conduzir o inquérito das fake news e os processos sobre o 8 de janeiro, chegou ao tribunal em 2017, indicado por Michel Temer, e foi alvo de sanções do governo dos Estados Unidos em 2025.


Flávio desiste de pedir a anulação da eleição e PL reconhece a vitória de Lula

O senador Flávio Bolsonaro (PL) abandonou a ideia de pedir a anulação do segundo turno e passou a concentrar sua ofensiva na Justiça Eleitoral em ações que acusam a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de abuso de poder político e econômico. Em vídeo divulgado nesta segunda-feira (26), ele afirmou que vai pedir a cassação da chapa reeleita. Segundo integrantes de sua equipe jurídica, 20 pedidos desse tipo já foram apresentados, e outros devem ser protocolados nos próximos dias.

No mesmo dia, o PL divulgou nota assinada por seu presidente, Valdemar Costa Neto, em que reconhece o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral, mas cobra explicações sobre os questionamentos levantados e cita gastos com benefícios sociais às vésperas do pleito. O recuo ocorreu depois que MDB, Republicanos, União Brasil e PSD, que apoiaram Flávio no segundo turno, aceitaram publicamente o resultado das urnas. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos e venceu por uma diferença de 4,4 milhões de votos.

Na noite de domingo (25), Flávio havia dito que era impossível reconhecer a derrota, ao criticar a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo, que estendeu a votação até as 19h nas seções que ainda funcionavam. Dados do tribunal eleitoral mostram 35.521 votos registrados depois das 17h. Valdemar preside o PL desde 2020 e, após a derrota do partido na disputa presidencial de 2022, levou à Justiça uma ação que questionava as urnas eletrônicas.


Trump põe em dúvida a votação brasileira sem provas e Alckmin rebate

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (26), sem apresentar provas, que a eleição brasileira pareceu fraudada e chamou de muito estranha a prorrogação do horário de votação no domingo. Ele disse gostar de Luiz Inácio Lula da Silva e manter boa relação com o presidente, mas declarou que o processo deixou uma imagem ruim para o mundo. Questionado sobre possíveis medidas, respondeu que governa os Estados Unidos, e não o Brasil, e que não tomou partido.

O vice-presidente reeleito, Geraldo Alckmin, classificou a opinião de Trump como equivocada, disse que um país não deve interferir na política de outro e citou a urna eletrônica como referência para o mundo. O assessor especial Celso Amorim afirmou que a interferência partiu da Meta, dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp, acusada de limitar o alcance de publicações de Lula. O chanceler Mauro Vieira deve se reunir com o secretário de Estado Marco Rubio no encontro do G20 em Atlanta, na sexta (30) e no sábado (31).

A fala contrasta com a reação de Trump ao primeiro turno, em 4 de outubro, quando elogiou a rapidez da apuração brasileira e chamou de grande vitória o resultado de Flávio Bolsonaro. Em julho de 2025, o governo americano anunciou tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e impôs sanções ao ministro Alexandre de Moraes. Alckmin, que acumulou a vice-presidência com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, disse que o governo continuará negociando com Washington em busca de um acordo comercial.


Moraes cancela os passaportes de Flávio Bolsonaro e o proíbe de sair do país

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou na noite de domingo (25) o cancelamento de todos os passaportes brasileiros de Flávio Bolsonaro, inclusive o diplomático, e a entrega, em até 24 horas, de documentos de outras nacionalidades que o senador tenha. A decisão também o proíbe de deixar o país e de manter contato com o advogado Willer Tomaz. Os dois são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro em um esquema que envolveria empresas do advogado e casas de apostas.

Em vídeo, Flávio disse que foi intimado pela Polícia Federal nesta segunda-feira (26), ao sair da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, a medida se baseou em uma declaração do irmão, Eduardo Bolsonaro, que em um podcast nos Estados Unidos defendeu que Flávio deixasse o Brasil caso perdesse a eleição; o senador nega ter cogitado essa saída. Flávio e Tomaz afirmam ser amigos, mas negam qualquer sociedade e qualquer irregularidade nos negócios investigados.

A investigação começou na Justiça Federal do Rio Grande do Sul e chegou ao Supremo em 8 de outubro, quando Moraes foi sorteado relator. Segundo a Polícia Federal, Flávio aparecia como usuário master da conta bancária da Alcazar Holdings, empresa de Tomaz. O senador também é investigado pela corporação em inquérito sobre o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro e cuja produção é associada pelas suspeitas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.


Lula acena com apoio à recondução de Motta e Alcolumbre no comando do Congresso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda-feira (26), no Palácio da Alvorada, os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e sinalizou que o PT apoiará a recondução de ambos ao comando das duas Casas. Na reunião, que durou cerca de uma hora e meia, Lula pediu que o Senado aprove sem mudanças a PEC da Segurança Pública, para que o texto não volte à Câmara, e prometeu criar o ministério da área depois da aprovação.

Na noite da eleição, os dois parlamentares telefonaram ao presidente para cumprimentá-lo. Motta disse que a vitória demonstra a confiabilidade do sistema eleitoral e que o governo terá apoio às pautas voltadas para quem mais precisa. Alcolumbre afirmou que o Congresso atuará pela pacificação e que cabe ao presidente unir o país. O apoio do PT às duas candidaturas ainda não foi formalizado, e o PL prepara o nome de Rogério Marinho (PL-RN) para disputar a Presidência do Senado.

O mandato de Alcolumbre à frente do Senado se encerra em 1º de fevereiro de 2027, data da escolha do sucessor, que precisa reunir 41 votos. O PL elegeu 19 senadores neste ano e terá a maior bancada da Casa na próxima legislatura. Alcolumbre chegou à presidência do Senado pela primeira vez em 2019, como o mais jovem a ocupar o cargo, e foi reconduzido em 2025 com 73 votos, apoiado por uma coligação que reunia quase todos os senadores.

Neste tema