
Flávio Bolsonaro deixa o país rumo aos Estados Unidos, que prometem vistos à família, Edson Fachin arquiva apurações contra Eduardo Bolsonaro, Silas Malafaia e Guilherme Fiuza, o Supremo fixa prazo para o piso de professores temporários, Flávio Dino manda investigar interferência estrangeira na eleição e Tarcísio de Freitas reconhece o resultado das urnas.
Flávio Bolsonaro deixa o Brasil e governo Trump promete vistos à família
O senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil e chegou aos Estados Unidos nesta terça-feira (27), dois dias depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo pessoas ligadas à família. Ele viajou com a mulher, Fernanda, e as duas filhas e teria sido recebido em Miami pelo irmão Eduardo. Uma autoridade da Casa Branca confirmou que o governo de Donald Trump vai conceder vistos ao senador e aos familiares, o que permite a permanência deles no país.
A viagem ocorreu depois de vencer, às 11h de terça, o prazo dado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, para a entrega dos passaportes. Sem a entrega, a Polícia Federal cancelou os documentos e alertou autoridades argentinas sobre o risco de fuga; a rota usada ainda não foi esclarecida. Na madrugada desta quarta-feira (28), Trump disse que teria aprovado a entrada e voltou a chamar a eleição de estranha. Lula afirmou que quem deixa o país escondido deve alguma coisa à Justiça.
Flávio é alvo de inquérito sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, ao lado do advogado Willer Tomaz, que está fora do país desde agosto, e perderá o foro especial quando o mandato terminar, em fevereiro de 2027. A Polícia Federal citou como precedente o caso de Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde 2025 e recebeu do Supremo, em junho de 2026, pena de quatro anos e dois meses por coagir autoridades durante o julgamento do pai.
Fachin arquiva apurações contra Eduardo Bolsonaro, Malafaia e Fiuza no inquérito das fake news
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, mandou arquivar, no inquérito das fake news, as apurações que tinham como alvos o escritor Guilherme Fiuza, o pastor Silas Malafaia e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. No caso de Eduardo, o ministro concluiu que a investigação já atingiu seu objetivo, pois deu origem à ação penal em que a Primeira Turma lhe impôs quatro anos e dois meses de reclusão pelo crime de coação, pena que se tornou definitiva em 3 de outubro.
Sobre Malafaia, Fachin acolheu o pedido da Procuradoria-Geral da República, que não reuniu provas suficientes de participação do pastor na ofensiva de Eduardo e de Paulo Figueiredo junto a autoridades americanas, revogou as medidas cautelares e determinou a devolução dos passaportes e de outros bens apreendidos. Para Fiuza, reconheceu a prescrição da suspeita de incitação ao crime e encerrou a de abolição violenta do Estado democrático por falta de elementos mínimos. Malafaia agradeceu a Fachin e ao procurador-geral Paulo Gonet.
O inquérito foi aberto em março de 2019 pelo então presidente da corte, Dias Toffoli, que entregou a relatoria a Alexandre de Moraes. Em setembro de 2026, Fachin revogou essa designação e passou a conduzir ele mesmo as investigações, em meio aos questionamentos sobre a relação de ministros com o Banco Master. O presidente do Supremo já afirmou que pretende arquivar todo o inquérito depois de verificar pendências e eventuais diligências, e identificou 108 procedimentos vinculados a ele.
Supremo dá até 2027 para estados e municípios pagarem o piso a professores temporários
O Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, que estados e municípios que ainda não pagam o piso nacional do magistério aos professores temporários da educação básica terão até 1º de janeiro de 2027 para começar. O julgamento, encerrado em sessão virtual na sexta-feira (23), atendeu em parte a recursos do Piauí e de Pernambuco, que apontavam o peso financeiro de pagamentos retroativos. O relator, Alexandre de Moraes, foi acompanhado por todos os colegas.
Os entes que já adotaram o piso não terão de pagar diferenças do período anterior. Ficam preservadas as ações judiciais em curso até 16 de abril de 2026, data do julgamento do mérito, e as decisões definitivas que garantiram o pagamento. Moraes rejeitou os pedidos dos dois estados sobre diferenças entre os regimes de efetivos e temporários e sobre reflexos em outras parcelas, por considerar o tema já analisado. Como o caso tem repercussão geral, o entendimento vale para processos semelhantes em todo o país.
Em abril, a corte havia reconhecido que o piso fixado pela Lei 11.738, de 2008, também se aplica aos professores contratados de forma temporária, porque a Constituição não restringe a garantia aos efetivos. O caso começou com a ação de uma professora temporária de Pernambuco que cobrava diferenças salariais. Na mesma ocasião, o tribunal limitou a 5% do quadro efetivo a cessão de professores concursados a outros órgãos dos três Poderes, até que uma lei regulamente o assunto.
Dino manda a Polícia Federal investigar suspeita de interferência estrangeira na eleição
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta terça-feira (27) que a Polícia Federal investigue indícios de interferência estrangeira na eleição brasileira. A apuração deve rastrear a origem, a circulação e o destino de recursos vindos do exterior, inclusive de origem americana, e possíveis manipulações de algoritmos por empresas de internet para favorecer ou prejudicar candidaturas. Também estão na mira supostas tratativas da empresa Rockbridge Network para direcionar apoio financeiro à campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
Na decisão, Dino afirmou que a soberania nacional não admite ingerência direta ou indireta de Estado estrangeiro e lembrou que a Constituição proíbe partidos de receber dinheiro de governos ou entidades de fora do país. Ele pediu que se esclareça um possível elo entre apoio eleitoral e o interesse de estrangeiros nas terras raras e nos minerais críticos do Brasil. O ministro ressalvou que os fatos recentes justificam a investigação, mas não comprovam, por si sós, a ocorrência de crimes.
A ordem foi dada na ADPF 1178, ação apresentada pelo Instituto Brasileiro de Mineração em defesa da soberania nacional, na qual o PT incluiu o pedido sobre interferência externa. Dino citou manifestações do Conselho de Supervisão da Meta e de especialistas da ONU sobre restrições a contas de campanha e diferenças no alcance de publicações. As apurações correrão separadas, sob supervisão do Supremo, porque podem envolver parlamentares. Ex-governador do Maranhão e ex-ministro da Justiça, Dino chegou ao tribunal em 2024.
Tarcísio reconhece a vitória de Lula e defende uma oposição vigilante
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), falou pela primeira vez sobre o resultado da eleição presidencial nesta terça-feira (27), em vídeo nas redes sociais. Aliado de Flávio Bolsonaro, para quem fez campanha no segundo turno, ele agradeceu ao senador e aos 60 milhões de eleitores que votaram nele e repetiu várias vezes que a eleição passou. A mensagem saiu horas depois das primeiras notícias sobre a ida de Flávio para fora do país, assunto que o governador não comentou.
Tarcísio disse que reconhecer o resultado não significa silenciar sobre o que chamou de uso da máquina, programas lançados fora do prazo e interferência do Judiciário, sem apresentar provas. Ele defendeu que a direita se una em uma oposição vigilante, que cobre responsabilidade fiscal e acompanhe de perto o próximo governo, e citou corte de gastos, redução de impostos e combate ao crime como bandeiras. No domingo (25), Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, contra 59.826.041 do senador.
Engenheiro e ex-militar, Tarcísio foi ministro da Infraestrutura de Jair Bolsonaro de 2019 a 2022 e se elegeu governador paulista naquele ano. Até o fim de 2025, era o favorito do centrão e de investidores para concorrer ao Planalto, mas passou a se dedicar à reeleição em São Paulo depois que a família Bolsonaro escolheu o candidato do grupo. No dia da votação, ele cobrou explicações sobre a prorrogação do horário até as 19h.